Pirataria X P2P - A diferença...

Não sei exatamente sobre como começar o assunto de hoje para meus atuais 3 leitores (sim, cheguei a essa marca histórica... *estoura champagne*)... Pra começar, vou logo limitar a questão em dois aspectos, primeiro um genérico e depois de modo mais específico, partindo para o meio ao qual tenho um pouco de conhecimento, a pirataria audiovisual.

Pirataria, como dizem os representantes da indústria é basicamente o ato de reproduzir material de qualquer fonte para simplesmente vender. A esse entendimento global, incluímos desde coisas realmente sérias, como a fabricação de remédios em fundo de quintal copiando fórmulas conhecidas porém sem segurança como se isso existisse em um mercado repleto de placebos com altos riscos a saúde humana, a até coisas ridículas, como aquele fone de ouvido que você comprou outro dia num camelô escrito "SONY" e que o camelô garantiu que era Original... Afff!

Porque a pirataria existe? Porque sim, oras. Como em qualquer relação de comércio, determinado produto só será vendido se houverem compradores. E em um país de miseráveis como o Brasil, há uma enorme fila de pessoas querendo comprar algo que os bacanas possuem mesmo que não seja exatamente igual aos deles. O povo em geral não compra pirata porque prefere pirata, compra porque é a única opção que se encaixa no orçamento deles quando não podem fatiar em milhares de prestações nas Casas Bahia.

Logo, a solução para a pirataria estaria em um pequeno pacote de leis e medidas que favorecessem o comércio dando a quem tem pouco poder comprar a mesma coisa que quem tem muito possa comprar. Mas não podemos esquecer que segundo dados da ONU, 46% de nossa renda está concentrada na mão de menos de 10% da população, e quem reparte com os outros ou é Agiota ou é Idiota no mundo capitalista (no socialista também... vê se Fidel Castro dorme em barraco cubano). Como isso não acontecerá jamais, caberia teoricamente a industria absorver para si a responsabilidade e dar basta nisso, mas sempre esbarra em alguns problemas:
1- Margem de lucro;
2- Custos operacionais;
3- Falta de planejamento a longo prazo;
4- Impostos, por sinal, o maior vilão.
5- Outros, que devo ter esquecido, se por ventura existirem...

Exemplo disso, já partindo pro lado que conheço, é no mercado fonográfico. Anos atrás, em 2003, tive contato com uma das maiores fabricantes de CDs e DVDs do país, a Microservice. Trabalhava em uma produtora de fundo de quintal que me deu calote e tive acesso a custos de produção de uma quantidade pequena de CDs de Multimídia. Bem, pelas contas que fiz, cada CD custou a meu patrão na época algo em torno de R$4,00, que somados impostos e outras sandices levava o CD ao preço de R$14,00 a unidade (claro, considerando que naquela época o dólar estava cotado a R$2,60, logo com maiores custos de produção), isso porque a prensagem era a mínima, o que encarecia o material, e meu patrão se encarregaria da distribuição.

Levando isso para o mercado fonográfico, façamos as contas levando em consideração que hoje em dia os custos de produção - matéria prima - diminuiu por causa da cotação do dólar e da abertura de determinados mercados, ainda mais no que diz respeito a isenção de impostos em alguns segmentos de tecnologia e talz, mesmo com a escalada dos impostos. Um CD se naquela época saía em pequena prensagem a pelo menos R$4,00, completo, se incluíssemos alguns detalhes como:
-> 10% de direito autoral sobre o valor de venda do CD;
-> 50% em impostos;
-> Custos operacionais - Empregados, manutenção da empresa, matéria-prima, etc;
-> Lucro, sempre existe o lucro, que no Brasil é sempre de pelo menos 100% por causa do imposto sobre o lucro.

Bem, vamos superfaturar o CD e supor que cada unidade custe pelo menos R$4,00 para o produtor, tendo que pagar por 1.000 unidades, devido a exigência em geral de esta cota mínima de encomenda das fábricas. Adicionando os fatores acima, quando chega a loja o CD custa aproximadamente de R$9,00 até R$11,00... Mas qual o preço que você vê? Hoje em dia de pelo menos R$24,90 para o alto e avante.
Detalhe: O artista em si nem vê os 10% do valor das lojas, ele recebe o valor de venda do produtor, pois os 10% vão em cima do valor menor, não do da Loja, artista não ganha dinheiro com CD (não os iniciantes), mas sim com show, sei disso por causa da minha experiência como escritor...

Ta aí a fórmula da pirataria. Independentemente de quanto custa o material, o camelô sempre vai ser sobre ele apenas os preços de custos mínimos:
- Custo da matéria-prima do produto pirateado;
- Suborno para a PF/PM/GM/PC ou similares.

Logo, é fácil vender qualquer coisa com preço inferior a qualquer produto dito "legal" existente... E como tal é uma imensa sacanagem com toda a rede que vai desde o autor do material passando pela fábrica e até chegar ao consumidor final, que compra um material de qualidade duvidosa, de procedência mais duvidosa ainda e que ainda assim pode sequer funcionar ou, no pior dos casos, ainda pode te matar ou alguém próximo.

"Eu baixo música, programa, o que tenho a ver com isso?"

Nada e ao mesmo tempo tudo. Existem dois fatos:
1- Os produtos em geral tem preços abusivos dados os atravessadores que existem;
2- A forma como os autores vêem as pessoas que dstribuem material na internet é ambígua demais.

Se for analizar meus 3 leitores, sei que nenhum deles têm instalado em seu computador programas originais que não sejam de distribuição livre. Sei também que a maior parte de seus mp3/ac3/etc não são backups de CDs originais que vocês compraram e sim catados em Torrents/emule/Kazaa/outros da vida, logo, somos - e me incluo nisso, não existe na intenet pessoas puras. - todos criminosos aos olhos da lei, mas não necessariamente nos olhos dos autores.

Geralmente enclausurados por seus contratos, os autores não podem afirmar ou negar de que lado realmente estão nessa discursão acerca da distribuição de arquivos online ser ou não forma de pirataria. E isso pelo principal motivo:
- P2P não tem relação de venda, não há vendedor e comprador.

Logo, se na pirataria tradicional lidamos com uma série de fatores que transformam tudo numa máfia (e no final das contas, a máfia sempre ganha, a Lei Seca ter acabado nos EUA é prova disso) ou algo que será explorado pelo governo, como lidar com algo que é gerado em sua maioria por fâs? Isso, a distribuição é gratuita e feita entre as pessoas que gostam de determinada coisa a ponto de desejarem dividir ela com os próximos.

Isso, fãs. Literalmente são os "8" ou "80" da sociedade, num momento te idolatram, no outro te pisam. Jesus sabe bem como é isso. Tudo que um autor mais quer, ver seu trabalho difundido em milhares de fãs e tudo que o autor menos quer, ser refém de sua própria fama. Refém porque se fizer algo contra seu fãs que distribuem material ela internet correm o risco de serem odiados e em marketing se diz:
- "1 pessoa diz a 3 pessoas algo bom de seu produto, mas se for algo ruim, dirá a 10 ou mais e essas 10 dirão a mais 10 cada e por aí em diante"
Em suma, medidas que punam determinados grupos de usuários geram reações em cadeia muito mais danosas que simplesmente fingir que não existem. Existem hoje em dia muitos artistas que somente sobrevivem porque distribuem gratuitamente suas músicas online, seja via download direto no site ou por clipes de You Tube, e através dessa fama conseguem lotar shows e sobreviver, coisa que nunca conseguiriam por causa do Jabá (uma máfia envolvendo gravadoras e rádios, mas isso é outra história...)

Exemplos:
http://www.rogerioskylab.com.br
http://www.shapt.com.br
http://www.matanza.com.br

Outro exemplo clássico de fãs se voltando contra ídolos, é o fenomêno do Linux, mas desse nem preciso falar, qualquer um com Google pode pesquisar a respeito.

Concluindo - porque haja saco de ler tudo isso. - Piratas e Distribuidores de Arquivos são duas faces opostas de uma mesma moeda. O que divide um do outro é uma palavrinha simples: Dinheiro. Podemos então classificar desta forma no final de tudo:
- Pirata - É aquele que distribui ou compra material/produtos de origem e forma ilegal visando o lucro;
- Distribuidor/Receptor de Arquivo - É aquele que distribui/troca/recebe arquivos visando tão somente bem-estar pessoal.

Ou seja, se você curte aquela banda mais bizarra e entrega pros amigos, não deveria ser visto como bandido. Mas se cobrar por isso, mesmo que seja o preço do CD, é bandido como qualquer pirata. A não ser que queira acabar como o dono do Legendaz que acabou sendo preso não por distribuir legendas de graça, mas sim porque estava fazendo DVDs piratas e vendendo. Azar o dele... =(

Nossa, como escrevi, fui até cansar e cortar o segundo assunto pela metade... o.o'

Nem o Ninguém vai ler essa baboseira... o.o'...

2 comentários:

  1. Artur de Assis Andrade28 de janeiro de 2007 11:39

    Alguém lê sim.

    Acho que você, a partir da crítica, poderá encontrar muitas soluções.

    Felicidades e sucesso!

    ResponderExcluir
  2. Artur de Assis Andrade28 de janeiro de 2007 11:39

    Alguém lê sim.

    Acho que você, a partir da crítica, poderá encontrar muitas soluções.

    Felicidades e sucesso!

    ResponderExcluir

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.