CAPíTULO V – MAIS UMA DOSE

Olá povo, logo logo estarei pondo material inédito aqui, mas enquanto isso recomendo que releiam os capítulos antigos, porque alguns têm coisa a mais do que foi postada no fotolog, por motivos de falta de espaço.
Aproveitem!
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“Flashbacks, panic attacks
Death raising it’s ugly face at me.
Got to make it stop
Can’t take it anymore
Death’s face is haunting me
Because he’s coming back for more!”



... E lá estava eu, parado sem a menor reação, vendo uma cena que muito bem poderia ter saído de um típico show de Telecatch, mas no supracitado, as pessoas não ficam com a cara toda quebrada e nem sangram. O grandalhão barbudo que estava ali em pé olhando para o homem que ele acabará de arremessar, como se fosse um saco de lixo bateu as mãos uma na outra, como que para retirar poeira, cruzou os braços e falou olhando para o homem que mal se mexia no chão:
– Da próxima vez, PAGUE! – Disse o grandalhão com uma voz extremamente grave e trovejante, logo em seguida entrando no bar.
Alguma coisa dentro de mim dizia para eu dar o fora dali o mais rápido possível, mas para onde eu iria? Nem ao menos sabia como sair daquele lugar. Algum tempo depois de ficar observando a inútil tentativa, daquilo que um dia foi um ser humano, de levantar, resolvi que não podia ficar ali fora o dia todo. Meu dia estava sendo muito bom, para eu ficar dando mole assim parado.
Tirei coragem sabe-se Deus de onde (não aceito sugestões) e entrei no bar. Lá dentro vi um ambiente, ao contrário do que eu imaginava, muito bem arrumado, limpo e bem animado. Havia um cara tocando piano e uma mulher dançando num pequeno palco próximo. Havia também muitas mesas espalhadas pelo salão, cadeiras cercavam o balcão, além de algumas mesas de sinuca que estavam ocupadas. Assim que abri a porta e pus meus pés dentro do salão, todos pararam o que estavam fazendo e me olharam num movimento súbito e perfeitamente sincronizado. Eu também parei assustado com todas aquelas pessoas me olhando de forma desconfiada, mexendo apenas meus olhos.



Depois de alguns instantes do susto inicial, todos voltaram ao que estavam fazendo, ignorando completamente minha presença, o que de certa forma era ótimo. Me aproximei do balcão e me sentei em uma das cadeiras. Mas me acomodei e o grandalhão barbudo apareceu. Cheguei a pular da cadeira com o susto que tomei ao ver aquele rosto enorme e barbado com um largo sorriso no rosto, como se ele tivesse acabado de ganhar na loteria.
– Olá rapaz! Meu nome é Joe, sou o dono da taverna. – disse ele se apresentando de modo extremamente empolgado – E então o que vai ser? Algo para “animar” o espírito, ou um tira gosto? Se quiser também temos refeições ótimas!
– Ah... Tem algum suco? – Perguntei meio sem jeito, pois depois do que vi do lado de fora, não esperava ver uma mudança tão repentina.
– É claro que eu tenho oras! Do que vai querer?
– Pode ser um de laranja.
– De que tamanho? Pequeno, normal, grande, muito grande ou, MLQETCSP?
– O que? O que é MLQETCSP? – perguntei já sabendo que não seria boa coisa.
– Ah é o tamanho para quem quer se esbaldar. Significa: Manda Logo Que Eu To Com Sede Porra! – Falou o simpático taverneiro mais uma vez com seu enorme sorriso.
– Um grande serve.
Joe saiu bem rápido e com uma expressão tão contente no rosto, que até parecia uma criança, o que era estranho para alguém de sua aparência. Enquanto ele preparava meu suco, fiquei olhando as pessoas que ali estavam. Tinha gente de tudo quanto era tipo lá dentro, e todos pareciam estar escondendo algo, pois raros eram os que falavam entre si de forma mais aberta. Notei que havia um grupinho de três mulheres numa mesa não muito distante, que conversavam de forma bem descontraída. Uma delas me notou e deu um sorrisinho amistoso, que foi prontamente correspondido, confesso que depois disso até fiquei um pouquinho animado, pois ela era bem bonita.
– Aqui está o seu suco, amigo!
– Ah! Obrigado, senhor!
– Pode me chamara de Joe! Mas me diga uma coisa, o que você faz num lugar desses? – perguntou Joe com ar de curiosidade.
– Bom, um amigo me falou para vir aqui. – menti descaradamente, bom nem tanto.
– Ah sei... – disse ele duvidando de mim. – Olha garoto, não tenho nada que me intrometer na tua vida, mas o que você veio fazer aqui num lugar desses?
– Bem... vim encontrar um amigo. – menti mais uma vez.
– Tudo bem então. Vou te deixar em paz, mas tome cuidado com isso aqui. Pacato é só a aparência desse lugar. E não se aproxime de tipos como aqueles caras ali.
Dizendo isso, Joe o barman saiu e apontou uns três caras de terno sentados um pouco mais distantes de mim. Não sei porque, mas eles me chamavam muita a atenção. Eles conversavam de forma muito descontraída, riam e fazia gestos espalhafatosos demais. Resolvi me aproximar para saber o que era tão divertido pra eles. Fui bem devagar a calmo fingindo estar olhando outra coisa que não eles, foi quando comecei a entender a conversa e me surpreendi com o que ouvi.
– ...e aquela senhora coitada, perguntando se alguém tinha batido na porta dela.
– Isso porque vocês não viram as pessoas do lado de fora do prédio. Um bando de gente assustada, e gritando, correndo como baratas tontas.
– Também, não é todo dia que se vê um apartamento explodindo.
– O cara deve ter virado picadinho num instante...
– E depois carvão, bem tostado! – Interrompeu o seu colega enquanto os outros se matavam de rir.
Foi ai que as coisas se encaixaram. Lembrei do momento em que abri a porta do meu apartamento e vi algumas pessoas estranhas do lado de fora. Agora alguns deles estavam ali na minha frente. A raiva foi crescendo enquanto ouvia eles se gabando do que fizeram, mas não havia nada que eu poderia fazer sozinho contra quatro caras. Só uma coisa me veio na cabeça nesse momento; Anjo da guarda filho da mãe, por que logo hoje você resolveu fazer greve?

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