Conto de SdD - Origem de Gigantus.

Atendendo a pedidos (uau! quantos! O que importa é a qualidade, não a quantidade =p), vou colocar aqui no blog a origem do último vilão de SdD. Ele nunca teve sua origem muito bem explicada, apareceu do nada e resultou numa das maiores merdas do jogo... Claro, com ajuda, mas isso é outra coisa.

A origem, para quem acompanha o jogo, começa na primeira vez que mestrei a saga de Gigantus de Titan e arremete a uma época que provavelmente só o Pk e o Francis se lembram (os únicos que jogaram que provavelmente lêem esse treco aqui).

Bem, sem enrolar, atendendo a pedidos do Eu (ficou meio filosófico esse trecho)...

Em breve, o primeiro capítulo da Missão.


Gigantus, Origem.

É um dia lindo de sol em Meganára, no continente de Tolken. As pessoas vivem dias tranqüilos, alheias a tudo que aconteceu nos últimos anos, desde que os Seguidores do Dragão ascenderam aos céus e nunca mais apareceram. Tudo parece estar na mais perfeita calma, exceto na ilha central do Lago Estrela. Nas ruínas do que outrora fora o castelo de um imenso império, dois pequenos seres de pele escura e olhos negros escavam com enormes picaretas. Ambos parecem extremamente cansados e suam muito, mas um olhar mais treinado também notaria que um vapor com odor de enxofre exala de ambos. Um deles, que é o menor de ambos, joga a picareta no chão e chuta uma pedra, começando a berrar:
- Eu odeio isso! - Berra o ser. - Não acredito que nosso mestre nos mandou para esse cu de mundo!
- Cala a boca, Treagor, e trabalha... A energia que gasta pra xingar poderia estar sendo usada de um jeito melhor. - Responde o outro ser, sem parar.
- Puxa saco de merda! - Responde o ser chamado Treagor. - Eu não lambo o saco de Teryon como você faz o tempo todo... Ele pode fazer o que comigo? Me matar? Me transformar em zumbi? Foda-se ele!

Treagor se aproxima da picareta, ao menos tenta. Uma luz pálida e levemente azulada toma seu corpo todo. Treagor sente muita dor, como se estivessem enfiando a mão em suas entranhas e tentando virá-lo do avesso. E é exatamente o que acontece, numa fração de segundo que parece durar um século (e acredite, duraram pra Treagor) seu corpo é literalmente virado do avesso, com todos os orgãos a mostra e um grito imenso de horror ecoa por toda a ruína. O outro ser enegrecido ignora os últimos gemidos de Treagor, que apesar de tudo ainda parece estar vivo e sofrendo horrores sem conseguir morrer, e continua seu trabalho. "Viu, eu disse para calar a boca...", diz o ser, dando mais e mais picaretadas.

Os dias e os meses passam naquele lugar sem que o ser saia dali, nem comer come. E no final do quadragésimo nono dia, que ele faz questão de contar, finalmente encontra aquilo que tanto procura. Suas mãos calejadas e sangrando mal conseguem segurar aquele objeto, mas ele é plenamente capaz de sentir os resíduos de poder que emanam deste.
- Eu achei! - Grita a criatura, começando a rir descontroladamente.



Duas semanas se passaram, para os padrões humanos, entre o encontro do artefato e ser ele entregue diretamente nas mãos de Teryon. Teryon o admira satisfeito e pleno, sabendo que em suas mãos estariam repousando literalmente o verdadeiro significado da palavra Entropia. Teryon está solitário em seu imenso saguão que mais se assemelha a um necrotério de cidade em guerra. Pedaços e mais pedaços de seres amontoam-se em vidros cheios de formol por uma quantidade de estantes absurda, que fariam a biblioteca do vaticano parecer uma livraria de esquina. Ele está sentado em uma cadeira simples, de estudos, com uma mesa e inúmeros livros empoeirados, e outros nem tanto, adornam-a. O momento está próximo, e ele precisa que tudo saia perfeito. De repente uma presença invade seus domínios, uma presença a qual Teryon não suporta, mas precisa dele mais uma vez, e espera ser a última.
- Vejo que seus servos já trouxeram o que precisamos... - Diz um homem de aparência cínica, vestindo farrapos do que antes deveriam ser roupas de mago. Seu rosto é longo, seus cabelos castanhos e curtos e traz consigo um relógio de bolso seguro pela mão esquerda. - Duas semanas? Demoraram seus servos... A essa altura a aberração criada por Samur e Zarrantas está enfrentando nossos inimigos... Precisamos ser rápidos.
- "Rápidos"... Ouvir tal coisa de Letaran soa como uma brincadeira sem graça. - Diz Teryon. - És ou não o Senhor do Tempo?
- Cada coisa com sua coisa... Não sou o único. - Responde Letaran. - e submeto-me a regras que não te dizem respeito. Vamos fazer logo ou falta algo?
- Não, Balzac está aqui desde cinco segundos depois que você chegou... Estamos nós três aqui reunidos.

Mal Teryon termina de falar, Balzac escorre pelas paredes em forma de sombra e se posta diante deles. Sem demonstrar nenhum respeito, toma para si alguns potes maiores e os usa como banco. Teryon fica nitidamente irritado com a atitude de Balzac, mas o momento não é propício para brigas inúteis, depois cuidará da audácia dele.
- Estamos os três aqui... E vejo que tem o artefato contigo. - Diz Balzac. - Eu trouxe nossa cobaia... Letaran trouxe o quê?
- Chá! - Diz Letaran, tirando de algum bolso misterioso um bule de chá. - Servidos?
- Dispenso. - Dizem Balzac e Teryon juntos, como se combinados.
- Melhor, sobra mais pra mim... - Responde Letaran, sentando-se no vazio, deixando o bule flutuando no ar e em seguida servindo-se do chá em uma xícara que Letaran também retira do bolso. - Erva cidreira! É bom para acalmar os nervos... Deveriam experimentar.

Ignorando os movimentos de Letaran, Balzac abre um portal negro e de dentro dele é jogado um homem nu completamente surrado e magro. Em lugar de olhos, apenas duas órbitas vazias, e seu rosto demonstra estar completamente desesperado.
- Onde... Estou... - Balbucia o homem, para ser chicoteado em seguida pelas sombras de Balzac.
- Em família. - Diz Teryon.

O simples identificar da voz de Teryon deixa o homem transtornado. Tirando forças de sabe-se onde, ele se arrasta pelo chão e acaba dando de cara com uma das estantes de Teryon, que desmorona sobre o homem cortando-o com os cacos dos potes quebrados e cobrindo-o tanto de formol quanto com uma quantidade impresisonante de pedaços de corpos. O homem apenas grita de pavor quando tira de seu rosto um pedaço do pé de algum cadáver.
- Pensei que seus familiares fossem mais corajosos... - Ironizou Balzac, enquanto suas sombras erguiam o maltrapilho pelos pés de forma humilhante, que continuava gritando. - Posso arrancar suas cordas vocais? Me incomoda os gritos...
- Deixe-o berrar. - Disse Teryon. - Quanto a sua pergunta, meus familiares são todos corajosos, exceto esse traste.
- E onde eles estão? - Indagou Balzac.
- Mortos, claro. - Responde Teryon, com um sorriso no rosto. - Mortos não têm medo...

O trio sinistro ri do comentário de Teryon e deixam Balzac se divertir um pouco com o homem, o batendo diversas vezes na parede até quase desmaiar. "Pelo menos parou de gritar", comemora Balzac. Nisso, Letaran finalmente termina de beber sua xícara de chá, a guarda em suas roupas, e caminha até o homem, segurando o bule. Com a perícia de um enfermeiro, Letaran abre a boca do individuo e o faz sorver todo o conteúdo do bule. Balzac e Teryon observam tudo silenciosos.
- Está feito, ele é nosso carneiro agora... - Comemora Letaran, enquanto se afasta. - O que nos falta agora?
- Isso! - Berra Teryon, apoiando no peito do homem o misterioso artefato, um chifre quebrado.
- Ora vejam se não é o chifre de T-Paia... A metade que falta! - Fala Balzac. - Então realmente existe isso...
- Sim. - Revelou Teryon. - Quando T-Paia roubou a armadura do chefe da guarda, um pedaço da armadura ficou exatamente nas proximidades do local do combate...
- E sendo essa armadura parte integrante da de Ignus... - Disse Letaran.
- Exato, temos um dos ingredientes que faltavam para nossa criação. - Concluiu Teryon. - Um pedaço da armadura, um sacrifício e agora, o toque final...

Teryon sacou de seu manto uma gema opaca. Sua coloração era levemente roxa, mas um tom muito enegrecido. Tinha um símbolo nela estranho, e ao mesmo tempo nada aparecia nela. Balzac e Letaran ficaram fascinados pela gema, principalmente Letaran.

- Essa é a gema de Akira! - Berrou Letaran. - Pensei que tivesse sido destruída anos atrás... Quando ele se tornou Senhor do Tempo.
- Que merda é essa? - Perguntou Balzac.
- Essa gema é resultado de um pacto que Akira fez comigo. - Afirmou Teryon, observando a gema com prazer.
- Pacto? - Indagou Balzac.
- Sim, aquele imbecil fez um pacto comigo anos atrás, em troca de sua alma, eu o ressuscitaria para que pudesse se confrontar novamente com um velho inimigo. O tolo se arrependeu do erro anos mais tarde e conseguiu adulterar termos do contrato, essa gema é resultado disso, pois não sairia perdendo de forma alguma.
- E só precisamos desses três ingredientes? Mais nada?
- Apenas nossas próprias forças, combinadas... Para dar a ele a forma que queremos.

Os três se silenciaram e começaram seus trabalhos. Teryon prendeu a gema opaca no chifre com uma magia forte e cravou-o no peito do homem, que morreu de imediato. Em seguida arremessou o corpo recém-falecido em um caldeirão apropriado e começou a manifestar cânticos. Imediatamente o corpo divino de Balzac reagiu aos cânticos de Teryon e sua energia adentrou no caldeirão, o mesmo acontecendo com Letaran. Em seguida uma enorme explosão de lzu e sombras acontece, e quando se dissipa, grande parte do salão de Teryon foi arrasado. Balzac, Teryon e Letaran estão no mesmo lugar, sem terem se abalado com nada, e diante deles está uma armadura branca com uma imensa gema negra pulsando no elmo.
- Eu sou Titan. - Diz a armadura. - Dêem suas ordens e começarei... Começarei...

De repente a armadura se contorce de dor e um braço sai de suas costas, arrebentando o metal e jogando pedaços para todos os lados. Teryon, Balzac e Letaran dão passos para trás desconfiados do que está acontecendo. Milésimos de segundo depois, a presença de Teryon no ambiente se dissipa, do mesmo modo que Letaran desaparece por completo, abandonando Balzac sozinho naquele lugar. Outro braço sai de dentro da armadura, que desaba no chão inerte. A seguir o dono dos braços se revela, é o misterioso homem que segundos atrás era apenas um saco de pancadas de Balzac, que levanta-se e observa seu algoz com um semblante completamente diferente do que deveria apresentar. Ele parece satisfeito e sorri.

O homem não está mais nu, ou pelo menos não aparentemente. Seu corpo foi completamente coberto por uma espécie de pele azulada e agora uma couraça cobre seu peito. Ele veste um elmo branco que cobre seu rosto parcialmente com um espelho que lhe esconde seus olhos e parte do nariz. Uma bela capa negra adorna-lhe as costas e uma gema negra pulsa brilhente em seu peito. O homem parece levemente absorto em seus pensamentos por causa da quantidade de forças que recebeu e de ter aparentemente voltado a enxergar. Ele toca seu rosto e tira o elmo por alguns segundos. Seus dedos se encaminham diretamente para onde antes ficavam as duas órbitas vazias, e que agora são preenchidas por olhos sem pupila, mas que obviamente funcionam. Gira o elmo sutilmente até que o espelho fique visível e possa admirar seu novo rosto, quase um minutos depois, de total fascínio, ele veste novamente o elmo. O homem então fita Balzac novamente, e Balzac parece estar tão satisfeito quanto o homem.
- Não falei que eles caíriam... - Diz o homem, limpando os últimos cacos da armadura de seu corpo. - O ódio cega os seres, tanto quanto o amor...
- E agora? O que fará? - Pergunta Balzac, certificando-se que suas sombras garantam a eles toda a privacidade necessária.
- Ainda não sei, acho que vou observar...
- Se observar demais não dará certo, nesse momento a luta dos nossos inimigos está acabando...
- "Nossos" inimigos? Não, SEUS inimigos... Para mim são apenas gado, como todos vocês! Eu almejo muito mais do que simples vitórias...

Balzac espanta-se com a frase do homem e pensa em esboçar alguma espécie de protesto, mas antes de fazer qualquer coisa o homem aparece atrás dele tão rápido que o deus sombrio não percebe. Em seguida o homem encrava-lhe a mão direita nas costas e uma aura branca começa a pulsar em ambos. Balzac dá um grito seco e se debate, soca o braço do homem, tenta se libertar de qualquer jeito, mas está enfraquecido demais por causa de sua participação no ritual. "Qualquer esforço será inútil...", diz o homem, sorrindo friamente, enquanto Balzac parece secar feito uma ameixa. Balzac ainda tenta uma última reação e saca sua espada, cravando-a profundamente no peito do homem. O homem sorri, e então num flash luminoso Balzac desaparece. Segundos depois uma nova gema negra aparece na armadura que está caída no chão, que se regenera, ergue-se e caminha até o homem, onde prostra-se de joelhos.
- Sinta-se orgulhoso por ser sido o primeiro. - Diz o homem. - Confio em você tanto quanto em meu irmão... E você caiu direitinho na armadilha de Gigantus.

O homem então se move, novamente nu, de volta para o interior da armadura transformado em uma esfera de luz. Ainda não é momento de aparecer, ele ainda tem apenas a força de um Deus e parte das essências de dois seres poderosos, dentre eles um Senhor do Tempo, essências essas com duração limitada. O homem chamado Gigantus sabe que precisa de muito mais, e graças as memórias de Balzac, sabe exatamente que tipo de tolos procurar para ajudá-lo nisso. Mas antes, dará um passeio em busca de covardes...




O tempo passa, minutos viram dias, dias viram anos e anos viram séculos. Gerações de mortais nascem e morrem sem que Gigantus torne a aparecer. Uma imensa paz toma conta de todos os planos da existência desde que Zarrantas e todo seu mal foi aprisionado por um combinado de todos os Deuses do Gelo e pelo Filho de Samur em um imenso bloco de gelo eterno no centro da Terra do Gelo de Meganára. Os Seguidores e a Legião Drax, outrora guerreiros altamente ativos, finalmente descansam após tantas lutas. A paz finalmente parece reinar.

Do alto de seu navio Janus Drax lamenta profundamente sua recente derrota. Tentara de todo jeito tornar-se divino, mas seus planos foram colocados a perder pelo maldito bastardo de Samur e seus amigos seguidores. Ele ponderava profundamente sobre tudo que ocorrera naquela maldita luta, quando escuta passos se aproximando dele. Olha para sua embarcação e vê um homem trajando uma armadura completamente fechada vindo em seu encontro. "Tolos humanos...", pensa Janus, gabando-se de sua altura de quase seis metros, alto até mesmo para os padrões de sua raça. A armadura é completamente branca mas uma capa negra cobre parte de seu corpo, vê-se pelo menos três gemas negras cravadas no seu peitoral. O homem pára poucos metros distante de Janus, próximo de qualquer reação que o imenso Drax possa realizar. Existe algo nele que inspira um pouco de insegurança em Janus, mas é a sensação é ignorada.
- Janus Drax? - Pergunta a armadura, com uma voz metálica e fria que nem o metal que a cobre.
- Quem deseja saber? - Pergunta Janus, colocando sua mão direita nas costas e segurando sua espada.
- Titan.
- Aquele maldito marinheiro zumbi de Drax? - Brada Janus, sacando sua espada e a colocando a poucos centímetros do pescoço da armadura. - Diga a ele que não tenho nada a tratar com um verme como ele...
- Está enganado, não sou ele...

Titan segura a ponta da espada com dois dedos e a esfacela diante dos olhos agora espantados de Janus. O Drax então ergue o que sobra de sua espada e golpeia violentamente o homem, que afunda pelo convés do navio. O impacto do golpe é tão devastador que uma nuvem de poeira e serragem se espalha pelo local. Janus sorri satisfeito consigo mesmo por ter dado cabo dessa criatura e caminha de ego inflado para seus aposentos no navio. Decide dar ordens a seus homens para limpar a bagunça, e se dá conta que nenhum de seus homens estava ali. O navio estava deserto.
- Como assim? - Indaga Janus Drax.

Mal Janus termina de falar, duas mãos atravessam o chão sob seus pés e o puxam para o porão do navio. Janus cai sobre sacos de cereais secos e se levanta rápido procurando por Titan, mas nem precisa fazer por tanto tempo, Titan está parado diante dele, com a armadura intacta, mas com a capa rasgada e suja. Janus ergue-se furioso e agarra a armadura com uma de suas mãos, a direita, e com a esquerda segura o elmo com força e arranca-lhe o que seria a cabeça de Titan, jogando o elmo do outro lado do porão. "Pelos Deuses, não há um corpo aqui...", espanta-se Janus, ao dar-se conta que a armadura está vazia por dentro. O punho direito da armadura brilha, formando uma espécie de lâmina luminosa, e com precisão cirúrgica Titan se liberta de Janus decepando-lhe a mão. Janus grita de dor e raiva, enquanto Titan se recompõe diante dele recolocando o elmo.
- O que é você? - Berra Janus, segurando o coto do braço ensangüentado.
- Seu ômega. - Responde Titan. - Está preparado?
- Cale-se!

Janus dá um soco violento em Titan, que é enterrado por diversos sacos de mantimentos e alguns barris de água, que arrebentam. Janus não quer ficar para conferir o sucesso de seu golpe e salta pelo buraco que abriu no teto. De volta ao convés, Janus abre suas asas e voa o mais rápido que pode, procurando sua própria salvação. Imerso no próprio desespero, Janus não percebe quando um imenso tubo azul vêm em sua direção, vindo de outro ponto.

O impacto é certeiro, e o tubo de energia azulada atravessa parte do tronco de Janus e destrói suas asas. Janus por pouco não jaz inconsciente, e consegue de modo muito rudimentar mergulhar nas águas profundas do Grande Oceano de Drax. Janus sente uma dor absurda quando a água salgada parece querer fritar suas entranhas agora expostas. Com o braço bom ele segura suas tripas dentro de si mesmo e com o braço ferido nada para o mais longe possível. Ele precisa escapar de algum modo. De repente vê-se cercado por inúmeras esferas azuis luminosas. Janus sabe do que se trata, e vê apenas um caminho possível, subir. Ao subir dá de cara com alguém que não vê a muito tempo. É um homem trajando uma batina negra e com os cabelos negros lisos, com penteado de cuia, e ele está sorrindo muito.
- Yajim... - Fala Janus, com a cabeça fora da água, espantando-se. - Vivo?
- Olá Janus, pelo que vejo está tendo um dia ruim... - Responde Yajim.
- Como chegou até aqui... Como respira...
- Ah, as perguntas... - Diz Yajim, parecendo deliciar-se com os questionamentos de Janus. - Bem, estou vivo porque o final da guerra de Zarrantas trouxe-me vantagens, e estou aqui porque não esqueci do que tentou fazer comigo.
- Você estava morto, apenas usaria seu corpo para me dar forças...
- E você acha que eu tenho que gostar disso?
- Droga Yajim, se quer me matar, faça logo, ele pode estar se aproximando...
- Ele quem? -Pergunta Yajim, alheio a tudo.
- Eu. - Responde Titan, voando em direção dos dois.

Yajim não mostrou nenhuma sutileza ao ver o ser de armadura flutuando próximo. Invocou suas esferas luminosas que estavam submersas nas águas e as lançou diretamente no recém-chegado. A explosão foi forte o suficiente para afastar Janus pelo menos cem metros de onde estava, dando-lhe uma posição privilegiada do estava pra acontecer. Os vestígios do ataque de Yajim se disperçaram rápido, mostrando apenas uma armadura de pé, agora sem sua capa, e aparentemente intacta. Yajim mostrou-se completamente transtornado com a aparentemente total ineficácia de seu ataque.
- Não acredito! - Berrou Yajim. - Era pra você ser apenas lata velha agora!
- Vamos Yajim, não reconhece um velho amigo? - Disse Titan, deixando a energia de sua gema principal se manifestar.
- Akira?
- Hahahahaha!

Yajim enfureceu-se ao ver em Titan a presença de seu mais odiado inimigo, um de seus algozes. Tomado por sua raiva, Yajim manifestou sua espada e investiu com força contra Titan diversas vezes, em golpes cada vez mais violentos. Com uma tranqüilidade absurda, Titan desviou de todos os golpes de Yajim, induzindo-os propositalmente a se aproximar de Janus Drax, que começava naquele momento a dar sinais que não duraria muito tempo por causa dos ferimentos. Yajim continuava golpeando incessante, e cada vez mais furioso de não conseguir acertar sequer um golpe, até que finalmente conseguiu dar um golpe violentíssimo em Titan, que desmontou a armadura por completo.
- Pronto! - Bufou Yajim, satisfeito consigo mesmo. - Verme audacioso!

Sentindo-se vitorioso, Yajim voou até Janus e o fez flutuar sobre um colchão de energia azulada. Janus já estava praticamente morto, e pouco restava de sua consciência. Yajim não estava satisfeito com isso, pois queria que Janus sofresse, e era evidente que isso não aconteceria naquele lugar. Olhou a sua volta e viu o navio de Janus flutuando no horizonte. "É para lá que vamos... Você tem que sofrer um pouco.", disse Yajim, enquanto transportava ambos de volta ao início de todo o sofrimento de Janus. Assim que Yajim arremessa o Drax no convés do navio algo choca-se violentamente contra Yajim, que desaba sobre o navio destruindo o leme e parte dos alojamentos superiores. Yajim se levanta e vê um imenso homem de pele marrom, com mais músculos do que qualquer coisa conhecida e três metros de altura, mas de aparência nada inteligente, vestindo apenas uma sunga, voando.
- Quem é você? - Pergunta Yajim, limpando-se dos destroços.
- Tântalos não gosta homem mau. - Responde o homem, que bufa forte e deixa ranho escorrer de seu nariz.
- Tântalos... Colocarei esse nome na sua lápide... - Yajim voa rápido em direção de Tântalos e saca sua espada, o golpeando violentamente na cabeça. Para espanto de Yajim, sua espada se estraçalha. - O que é você?
- Tântalos cabeça dura diz mestre.

Sem dar tempo de Yajim reagir, Tantalos o agarra e arranca-lhe a perna com os dentes. Yajim berra de dor e suas mãos brilham, invocando seu mais poderoso ataque, o Repudar. Tântalos ignora a invocação e morde as mãos de Yasjim, arrancando-lhe os dedos ao mesmo tempo em que o Repudar o acerta em cheio na cara. Quando o ataque termina, Yajim está flutuando, com um aspecto de dor e Tântalos permanece parado no mesmo lugar, com o rosto saindo muita fumaça. "Gostoso... Faz de novo.", diz Tântalos, enquanto agarra Yajim pela cabeça e soca-lhe diversas vezes o rosto. Yajim está em choque e nada faz além de apanhar muito, até ficar quase inconsciente. Percebendo que seu brinquedo não responde mais, Tântalos joga Yajim ao lado de Janus.
- Muito bom, meu velho amigo. - Diz Titan, surgindo ao lado de Tântalos como uma sombra.

Titan então crava sua mão direita no peito de Janus e a esquerda no peito de Yajim. Ambos os feridos secam que nem passas e num flash luminoso desaparecem. Agora a couraça de Titan possui cinco gemas negras. Tântalos desaparece e uma das cinco gemas de Titan brilham. Titan ainda não tem o poder que precisa para assimilar seus reais alvos, mas sabe que esse dia chegará. De posse das lembranças de Janus e de Yajim, Titan agora tem exata noção de quais seres procurar em Drax e qual a ordem que deve seguir para atingir todos os seus objetivos.
- Próximo alvo, Joe, em seguida, Braackon.

E Titan voa rumo a seu objetivo...

Fim.

3 comentários:

  1. Muito bom, ta de parabéns Ricardo.
    Mas pô, sacanagem, o Joe?

    ResponderExcluir
  2. Ahhhhhhh agora eu entendi =)

    já que vc esta atendendo os meu pedidos, colca logo a atualização da Missão =)

    ResponderExcluir
  3. " Pk Ninguém
    Sexo: Male
    Local: Terra do Nunca : Rio de Janeiro : Brasil
    Quem sou eu
    Eu sou eu oras! "

    que vontade que deu de fazer a velha piadinha =p

    ResponderExcluir

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.