PENÚLTIMO CAPÍTULO - VINGANÇA ADIADA.




"You got to watch them - Be quick or be dead
Snake eyes in heaven - The thief's in your head
You've got to watch them - Be quick or be dead
Snake eyes in heaven - The thief's in your head....
Be quick!
Or be dead!
Be quick!
Or be dead!
"

Depois de um lanchinho salvador, resolvi ligar para o tal "cachorro" Tirolez, É óbvio que como bom pão-duro, liguei a cobrar. A cada toque que dava minha ansiedade ia aumentando, mas eu estava estranhamente contente por isso, até finalmente a musiquinha irritante apareceu, era agora ou nunca, tinha que usar meu dom de ator-canastrão-cara-de-pau ao máximo.

- Tinha que ser você Bruno. - Atendeu uma voz grossa, com certo tom de impaciência.
- Tirolez? - Perguntei tentando imitar o tom de voz do Bruno.
- Claro que sou eu idiota. Vou direto ao ponto me encontre perto do trem abandonado daqui a vinte minutos. Tenho alguns pontos a acertar com você.
- Tudo bem.
- E não se atrase.

Ele desligou logo, nem dando tempo de eu perguntar nada. Então seria assim, mas rápido do que imaginava. Pensei no que eu ia fazer quando desse de cara com o tal "cachorro" Tirolez, mas nada me veio em mente, nenhum plano, nada para dizer, absolutamente nada. O pior era saber que finalmente ia encarar o cara que destruiu meu apartamento, quase me matou, e agora que iria ficar cara-a-cara com o safado, não sabia o que fazer. Uma coisa era certa, não seria um encontro amistoso.

Depois de alguns poucos minutos andando o refletindo sobre o que fazer, me dei conta de que não sabia aonde ficava a tal locomotiva abandonada. Pensei em ir ao bar daquele velho, mas ai lembrei que não seria uma idéia chegar a um encontro tão importante bêbado. Pensei também em voltar no bar do Joe, mas já estava um pouco distante e estava com preguiça de voltar. Para minha sorte, vi alguns velhinhos sentados em volta de uma dessas mesinhas de praça jogando gamão, decidi ir perguntar a eles ande ficava a tal locomotiva abandonada.


- Com licença, algum dos senhores poderia me dar uma informação? - pergunte com toda a educação.
- Espere, não vê que estamos em um sério impasse? - respondeu-me um dos senhores.
- Tudo bem, desculpe. é que estou com um pouco de pressa.
- Pressa, vocês jovens estão sempre com pressa! - disse outro senhor.
- Não vê a complexidade da situação? - Perguntou-me um terceiro senhor. - Não podemos interromper uma questão tão delicada assim, apena para lhe dar uma simples e breve informação!
- Sim eu entendo, mas é que...
- Entende? - Interrompeu-me o primeiro senhor que falou comigo. - Se entende, então há de compreender que levamos muito tempo em sérias reflexões para chegarmos aonde chegamos!
- Isso mesmo rapazinho, olhe só como estão as coisas, acha que chegaríamos a esse ponto se não tivéssemos refletido muito e muito bem antes de cada passo?
- Com certeza não, mas olhe...
- Olhe você garoto, - interrompeu-me outro senhor - acha que conseguiria sair dessa situação fácil?
- Se eu soubesse jogar gamão, talvez...
- Jogar? - Mais uma vez interrompido - quem está falando de jogo? Estamos falando da situação sócio-política, acha que é fácil sair dessa apatia conformista que se instalou no decorrer dos anos?
- Isso sem falar nesse falso moralismo barato, que assola a sociedade. - retrucou outro senhor.
- Sim, pois hoje em dia a libertinagem é um ato comum e completamente aceitável por esses biltres governistas. - respondeu outro senhor cuspindo no chão.
- Se não fosse essa postura neo-moralista falsa, o mundo de hoje estaria bem melhor.
- E não precisaríamos mendigar por um pouco de ética verdadeira nessa sociedade neo-liberal falsa, que censura o pensamento racional e a ética, censura a moral, os valores famíliares, menos a libertinagem, isso eles deixam livre, leve e solto
- Mas eu só queria saber aonde fica a locomotiva abandonada! - Desabafei quase que em tom de revolta.
- Era só isso? Então por que não perguntou antes? - perguntou o primeiro senhor.
- Mas eu perguntei!
- Não perguntou não.
- Perguntei sim!
- Não, não perguntou.
- Perguntei sim!
- Não, não perguntou!
- Claro que perguntei!
- Se tivesse perguntado, eu teria lhe respondido que fica logo ali a frente, virando a segunda a esquerda, e a primeira a direita!
- Obrigado e tchau! - respondi enquanto saia o mais rápido que pude, para não aturar mais aquilo.
- Viram o que eu disse? Esses jovens sempre com pressa? É por isso que não aprendem nada.
- Ora cale-se e vamos jogar!

Depois dessa perda de tempo inútil que tive, fui o mais rápido que pude pelo caminho que o velho falou a duras custas. Assim que avistei a locomotiva ao longe, procurei um luar aonde pudesse observar bem o ambiente e ver se havia alguém por perto. Não avistei ninguém, mesmo depois de algum tempo observando nenhuma pessoa sequer se aproximou de onde eu estava, decidi então ir até a locomotiva.

"Lá e de volta outra vez"

Assim que me aproximei da locomotiva, ouvi um cantarolar ao longe, olhei em várias direções, até ver um cara vestindo uma ridícula calça verde de suspensórios e camisa branca. Tive vontade rir na hora e me segurei muito, mas muito mesmo para não garagalhar. A media que foi chegando mais perto, vi que ele tinha a famosa barriga de chop e um invejável bigode.

- Bruno? - Perguntou o cara quando chegou mais perto.
- Tirolez? - Perguntei em resposta.
- Que bom que veio na hora certa, temos umas coisas a acertar.
- Com certeza! Mas antes posso perguntar uma coisa?
- O que é?
- Por que você queriam explodir aquele apartamento?
- Negócios camarada, negócios...
- Negócios é? Então vou lhe dizer uma coisa... Vocês explodiram o apartamento errado.
- Como assim?
- Como assim? Vocês quase me mataram, mas para o seu azar eu tô bem vivo e eu não queria ser você agora.

Assim que deu o primeiro passo a frente, com a intenção de socar-lhe a cara, tive a nítida impressão de ouvir algo zumbindo. Instintivamente olhei para trás e vi uma parte do trem ser arrancada. Logo em seguida, ouvi um som de bala batendo em tal e vi outra parte do velho trem ser arrancada. Me abaixei instintivamente, mas assim que compreendi o que estava acontecendo, corri na direção do tal Tirolez e segurei ele, fazendo-o de escudo. Para minha sorte ele não pensou que fosse fazer tal coisa, só percebeu quando já era muito tarde. Ele lutou para se livrar de mim, mas consegui manter ele bem preso.

- Fica quieto, senão a coisa vai ficar feia pra você também.
- Me solta cara, eu não tenho nada a ver com isso. - Disse ele meio desesperado, meio revoltado.
- Ah ta! Já ouvi essa hoje, não acreditei na primeira vez, por que acreditaria agora?
- É sério, eu só faço o contato, eu nem sou o tal Tirolez.
- Como assim?

Mas antes que ele me respondesse, senti uma dor muito forte nas costas, próximo a coluna e larguei ele na hora. Tateei em busca de algo, mas antes que pudesse descobrir o que era, meu corpo começou a ficar dormente, minha boca secou e minha vista começou a embaçar. Tentei correr ara algum ligar, mas não consegui, troquei as pernas e tropecei feio no chão. Só tive tempo de sentir tudo girar e não ver mais nada.

Acordei sabe-se Deus quanto tempo depois, sentido um gosto estranho boca, o meu corpo todo formigava e via tudo embaçado e escuro ainda. A medida que fui acordando, percebi que estava amarrado em alguma coisa, com os pés a as mãos para trás. A sala aonde estava, era muito mal iluminada, via apenas um cara sentado atrás de uma enorme mesa e outro em pé ao seu lado.

- Que bom que acordou! - Falou o que estava atrás da mesa.
- Quem é você? - Perguntei com a voz ainda mole.
- Apenas alguém que acha que você tem muita sorte!
- Deixa de falar bobagens e diz quem é você.
- Senão vai fazer algo conta mim? - Perguntou cheio de ironia - Devo lembrar-lhe, que não está em posição de ameaçar sequer um inseto.
- Grande coisa! Amarrado ou não, acha que vou ficar com medo de você?
- Mesmo na posição que se encontra, ainda consegue ser atrevido! Fascinante.
- Desembucha e fala logo por que queria me matar?
- Você nem imagina?

Quem seriam esses dois? Aonde será que estou? E a greve do meu anjo da guarda ainda não acabou por que?

2 comentários:

  1. PAssando aqui para dar um oi, e a coisa de ser mal educado foi foda hein.
    Abraço ae pros dois.

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