FORJANDO UM GUERREIRO - CONCEPÇÃO

Olá povo!

Aqui começa meu mais novo conto: Forjando um Guerreiro. Esse conto vai narrar a origem de um dor piores inimigos da Legião Drax (grupo de um rpg homônimo criado por mim). esse conto vai abordar desde o nascimento, até o dia em que ele se torna o que é.
Será um conto um pouco longo, mas mesmo assim espero que gostem!
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PRESENTE DE ANIVERSÁRIO


Outono, estação de renovação, aonde o velho se prepara para dar lugar ao novo. O continente Zeiram ainda se recupera das chagas abertas pela guerra mais devastadora que já houve em sua história, muitas cidades ainda estão sendo reconstruídas, muitos reinos ainda estão se reerguendo.
Em um mundo criado e regido por forças malignas, a palavra amor é completamente desconhecida. Todos nesse mundo são regidos pelo ódio, pela ganância e a sede de poder. Nessa terra, caminha uma das últimas tribos de seres imortais não divinos, seres esses que não morrem por causa da ação do tempo, nem por nenhuma doença. Mas isso não significava nada, as constantes guerras e conflitos, matavam mais de que qualquer praga. Mas mesmo entre as pedras de um deserto, pode florescer uma bela flor.

Seu nome era Araia, tinha dezesseis anos. Era a mais bela de todo o seu reino, normalmente só as famílias nobres eram dotadas de beleza física, por causa de sua linhagem de sangue puro, diziam os sábios e os oráculos, mas por um motivo desconhecido uma plebéia nasceu com uma beleza que muitos diziam ser divina. Seus cabelos perfeitamente lisos eram escuros, como uma noite sem luar, mas tinham um tom azulado se exposto a luz. Seus olhos tinham a cor de uma esmeralda, sua pele era alva e macia como a seda. Lábios finos e pequenos, e um corpo muito bem torneado apara sua idade, faziam dela objeto de desejo até mesmo dos nobres locais.
Sempre pelas manhãs ia ajudar seus pais nas lavouras de trigo, mas nem mesmo trabalho árduo conseguia macular sua beleza. Era conhecida de todos em seu vilarejo, não apena por seus atributos físicos, mas também por ser uma pessoa de pulso firme e mente decidida, decidida demais para sua idade, diziam alguns.
Nunca havia sido tocada por nenhum homem, uma vez se apaixonará, porém não passou de um simples desejo que não se concretizou, mas em compensação, despertou muitas paixões e muita discórdia entre os homens que disputavam a sua atenção, na tentativa inútil de desposá-la.

Raiarath era filho do cobrador de impostos local, tinha vinte e um anos e já começava a trabalhar com seu pai. Tinha sempre uma expressão sínica em seu rosto, seus olhos negros, agudos sempre observavam a tudo e a todos ao seu redor. Sempre gostou de usar seu cabelo castanho-escuro com um corte curto, também lhe agradava seu cavanhaque que muito lembrava um tridente. Seu físico de guerreiro, sua altura acima do normal e sua postura altiva, sempre o faziam ser confundido com um cavaleiro real. Realmente gostaria de ser um algum dia, mas era o filho do cobrador de impostos, apenas isso, teria de se contentar apenas com isso, ao menos que fizesse algo de real importância para seu reino, o que nunca fez. Era do tipo mimado, que tinha tudo o que queria, talvez dificilmente tenha ouvido um não quando deveria, por isso mesmo era arrogante e prepotente. Sempre andava com um bando que fazia o que queria, não era raro as vezes em que cobravam impostos um pouco mais altos, ou cobravam outras coisa a mais além dos impostos. Mulheres eram seu ponto forte, sempre conseguia todas que queria, sempre, de uma forma ou de outra.

Aquela não era mais uma manhã fria de outono, não como as outras, havia algo estranho no ar daquela manhã e todos sentiram isso. Não porque era o dia em que o oráculo iria até a vila, normalmente suas visitas sempre eram recebidas com festa, mas essa manhã nasceu com o ar pesado, o que não era um bom sinal, mas mesmo assim uma grande recepção aguardava o oráculo. Todos estavam ansiosos por vê-lo e ouvir o que tinha a dizer sobre o futuro de cada um.
Sua chegada se deu bem sedo, após a segunda hora do nascer de Kioran (sol na língua local). Ele vinha em sua charrete de rodas grandes puxada por um cavalo robusto de pelagem castanha, junto com ele vinham mais dois ajudantes, bem vestidos em comparação ao povo, mas ele sempre trajava o velho manto em farrapos, que o fazia parecer um mendigo, não fosse por seu rosto retangular e sua expressão fria, quase altiva, que por onde passava fazia todos o respeitarem, embora sempre mostrasse um sorriso de ironia cada vez que falava com alguém.
Assim que chegou a praça principal, seus assistentes rapidamente armaram a tenda aonde seriam feitas as consultas. A fila se formou com uma velocidade impressionante, contornando toda a praça e se alongando por mais alguns metros. Uma a uma, as pessoas foram entrando, as consultas nunca passavam de mais de dez minutos, ao final as pessoas faziam muitos agradecimentos e sempre ofereciam algo, que era gentilmente rejeitado pelo oráculo.
Araia estava na fila, ansiosa como muitos, por ouvir o que o oráculo teria a dizer sobre seu futuro. Sua vez não tardou tanto quanto imaginava, logo fora convidada a entrar e tomar acento dentro da tenda. O ambiente era agradável, com incenso de aroma suave queimando e a mesa do oráculo e mais nada além disso.

– Sente-se minha cara! – Disse o oráculo com sua voz firme, mas com tom apaziguador. – Então veio aqui apenas para que lhe diga o que o futuro lhe aguarda, ou gostaria de algum conselho em especial?
– Gostaria de saber o que o futuro me reserva! – Disse com sua doce voz jovial, que mais se assemelhava a um canto de sedução.
– Muito bem minha cara... – Disse enquanto fechava os olhos e se punha em estado de transe. – Posso ver um homem em seu futuro... Esse homem irá mudar sua vida.
– Verdade? Quem será esse homem? – Perguntou excitada com a notícia, sua beleza se exaltando ainda mais.
– Será um homem forte, convicto, mas mais importante do que ele, será o fruto que há de gerar.
– Fruto? – Sua alegria deu lugar a uma repentina dúvida.
– Sim minha criança, um fruto de sua união... Já ia me esquecendo, que falta de educação, gostaria de tomar um pouco de chá? – Ofereceu o oráculo, com seu típico sorriso irônico no rosto.
A bela jovem aceitou a oferta, o oráculo pediu que o um dos seus assistentes que estava do lado de fora da tenda providenciasse o chá. Em pouco tempo, ele retornou com uma bela bandeja muito bem adornada, com um bule e duas xícaras igualmente belas feitas de uma porcelana que faria inveja a qualquer rei. O oráculo calmamente serviu o chá fumegante, ela aceitou a bebida e sorveu com cuidado o primeiro gole. O oráculo observou o rosto da bela jovem demonstra o súbito prazer com a bebida, o que o deixou satisfeito, só então degustou o seu.
Após terminar a primeira xícara, que fora degustada com muito cuidado e com muito prazer, exatamente como todo o chá deve ser apreciado, o oráculo serviu mais uma xícara para ambos. Araia se sentiu mais a vontade e mais contente, pois pelo que pode observar nenhuma outra pessoa tinha tido tal privilégio.
– Me explique oráculo, que fruto será esse? – Perguntou ela, agora mais animada.
– Você dará vida a uma criança!
O choque foi inevitável, quase deixou a xícara cair, mas se deteve no instante certo. Um filho? Isso era demais para ela, viu tudo girar ao seu redor, mas o oráculo ajudou a se manter firme, ofereceu mai chá, para que pudesse se recobrar, mas ela recusou com medo de enjoar.
O oráculo, não era conhecido por errar, mas um filho? Araia estava preparada para qualquer notícia, mas não esta. Logo ela, que nunca havia trocado caricias com nenhum homem, muito menos conhecia um na intimidade. A notícia lhe veio como uma flecha certeira no peito, dilacerando sua carne, mas ela decidiu que queria saber mais, mais sobre a criança.
– Conte-me oráculo, como será a criança?
– Ele será alguém que trará grandes mudanças, tanto para você quanto para este mundo, minha jovem. Se ele nascer, se tornará muito mais importante do que muitos hão de supor. – Falou extremamente convicto.

A garota estava perturbada, mesmo sabendo que o que a aguardava não era algo ruim, ainda assim, a notícia de um filho era muito para ela. Agradeceu ao oráculo e saiu aos tropeços da tenda.
Do lado de fora, as pessoas estavam agitadas, os dois assistentes tentavam acalmar a todos. Raiarath reivindicará ser atendido antes dos demais, pois segundo ele, não era côo os outros e merecia prioridade. Seus companheiros trataram de ameaçar aqueles que se mostravam contra e ele, caminhou até a tenda do oráculo com a cabeça erguida e seu sorriso sínico de satisfação estampado no rosto.
Quando estava para entrar, alguma coisa se chocou contra seu tórax, fazendo-o se desequilibrar e quase cair no chão. Ele se encheu de fúria instantânea, mas logo ela se extinguiu como uma chama atirada a água, ao ver a jovem Araia ao chão. A visão daquela bela jovem fez com que toda a fúria de seu ser sumisse tão rápido quanto veio. Ele a ajudou a se erguer e pode admirar melhor sua beleza. As pessoas próximas prenderam a respiração ao ver a cena, muitos juravam que ele iria humilhá-la ou coisa muito pior, mas tal coisa nunca aconteceu.

– Me desculpe... – disse baixo Araia ainda um pouco atordoada – Eu... eu deveria ter prestado atenção...
– Não tem problema – interrompeu Raiarath, mostrando seu encanto pela jovem – como pode ver estou bem e você?
– Só um pouco confusa. Mas mesmo assim obrigada!
– Esteja a vontade, bela dama.
Raiarath inclinou-se para frente, tomou a mão da jovem e beijou-lhe a mão delicadamente pequena. Araia ainda confusa com tudo o que aconteceu, saiu sem dizer mais nada o mais rápido que pode. Ao chegar a sua casa largou-se em sua cama, a cabeça ainda latejando por causa da subia descoberta de que seria mãe, era algo ainda impensável, como poderia ser mãe? Não saberia o que fazer. E como o seu filho poderia ser alguém importante, se ela era apenas uma simples aldeã? Nada fazia sentido, mas ela não queria que fizesse.

Dois dias após a visita do oráculo, a vida na aldeia tinha voltado ao normal. Alguns cochichos sobre o que supostamente o oráculo tenha dito ainda pairavam no ar, mas eram apenas simples boatos e teorias, às vezes absurdas, que apenas serviam para alegrar dia.
Raiarath vinha montado em seu cavalo, acompanhado de mais três companheiros, sempre imponente como se fosse um rei. Estava especialmente contente, o que não significava boa coisa, mas estranhamente não cometeu abusos, como era seu costumo, ainda mais por naquele dia, era dia da cobrança de impostos. Alguns diziam que seu pai estava se aposentando, o que significava que suas visitas seriam cada vez mais freqüentes.
Assim que virou uma rua, Raiarath via a bela jovem que conhecerá outro dia, ficou radiante, sua beleza o encantava como mais nada tinha capacidade de fazer, era uma atração forte, algo muito maior do que ele. Mandou seus companheiros continuarem as cobranças, pois ele tinha assunto mais urgente. Acelerou o galope de seu cavalo e parou bruscamente na frente da moça, fazendo com que ela se assustasse. Desmontou rápido, e mais uma vez tomou a mão da donzela e beijou-a. Ela em meio ao susto pareceu lisonjeada, retribuindo o gracejo com uma reverência profunda.
O olhar da moça era sedutor, ela se sentiu encantado pelo homem que estava a sua frente e aceitou seu convite para conversarem. Eles se dirigiram a um banco de praça, aonde por um longo tempo conversaram e se conheceram. Araia por mais de uma vez se desculpou pelo incidente na tenda do oráculo, mas ele recusou tais desculpas, dizendo aceitá-las apenas se ela permitisse que ele a visitasse mais vezes. E assim o foi por alguns meses.
Araia cada dia mais ficava encantada, cada vez mais atraída pelo homem que repentinamente aparecia e lhe cortejava cada vez mais. Raiarath mesmo com toda sua pomposidade, não escondia que sentia o mesmo, ou talvez até mais. Muitas vezes se encontraram, muitas vezes trocaram olhares, muitas vezes trocaram confidências, os meses foram passando e os dois começaram a se encontrar quase todos os dias. Era impossível esconder de quem quer que fosse a atração que sentiam um pelo outro, seus olhares eram denunciadores e as constantes visitas do novo cobrador de impostos eram sempre mais freqüentes a pequena aldeia, alguns até juravam que os impostos diminuíram.

Ao início do verão os dois estavam se relacionando abertamente, os pais de Araia não questionaram o relacionamento da filha, muito pelo contrário, estavam orgulhosos. O pai de Raiarath também era só elogios ao filho, que conseguirá a mais bela das belas, mesmo não sendo uma nobre, a jovem era realmente de uma beleza impar e tal coisa, tinha que ser reconhecida. Embora ele achasse que o filho apenas estivesse se divertindo, não questionou o que estava fazendo, sedo ou tarde ele tomaria jeito e saberia o que era melhor para ele pensou.
Araia anunciou ao seu enamorado, que dali a três dias completaria dezessete anos, ao ouvir a notícia, Raiarath disse que lhe daria um presente do qual nunca se esqueceria. Marcou que ela o encontrasse no galpão de depósito, na véspera de seu aniversário, durante noite, pois seria lá que lhe daria presente e ninguém mais poderia saber do que se tratava.
Os dias demoraram a passar apara a jovem donzela, mas ele finamente chegou, poucas horas antes do seu aniversário ele foi até o galpão de depósito, como havia combinado. Raiarath preparou uma seia completa, ela se encheu de alegria ao ver os arranjos, que embora rústicos, estavam muito bem feitos. Por algum tempo beberam, comeram, falaram e riram. Começou a ventar e a chover repentinamente do lado de fora, “nada mais propício”, disse Raiarath tomando Araia em seus braços. O beijo foi longo e apaixonado, mas carregado de um intenso desejo. Assim ele começou a tentar despi-la, mas ela resistiu e se afastou, disse que não era a hora e que não seria assim. Mas ele não aceitou.
Raiarath se enfurecerá com a recusa da moça e foi em sua direção, determinado a tê-la, fazê-la sua de uma vez por todas. Araia correu em direção a porta, mas essa estava trancada, do lado de fora a chuva ficou mais forte, os ventos uivavam com mais força e os relâmpagos golpeavam com mais violência a cada instante. Ela evitou o ataque algumas vezes, mas como um lobo que tenta cansar sua presa, Raiarath encurralava-a e deixava que ela fugisse, isso o excitava cada vez mais. O desespero no rosto da donzela era evidente, cada vez que ela conseguia fugir de seu algoz, seu desejo dava lugar a angustia e a repulsa. Mas uma hora de tanto fugir, o cansaço venceu-lhe, tombou no chão sobre suas próprias pernas.
Enquanto os comparsas de Raiarath ficavam do lado de fora, garantindo que as portas ficaram bem trancadas, os gritos de dor da pobre moça eram ouvidos em meio a chuva forte. Os Ventos ficaram cada vez mais fortes, assim como eram mais constantes os gritos, os gemidos de dor e as suplicas de piedade da moça.
Um trovão rasgou a escuridão noturna, atingindo uma árvore próxima, o estrondo sufocou um ultimo grito de agonia da jovem e o grito de vitória de Raiarath, por finalmente ter possuído a jovem que a tanto tempo desejava.

Era meia-noite, a árvore estava atingida pelo trovão, árdua em chamas azuladas, o que assustou os comparsas do filho do cobrador de impostos, enquanto este saia do galpão com sua expressão triunfante.

Era meia-noite, quando o corpo violentado da pobre Araia, uma jovem sonhadora, completava dezessete anos...

3 comentários:

  1. Muito bom PK =)
    Pena eu não ter jogado muito Drax =/

    mas negue que o meu personagem é o mais foda de todos =)
    Toelho FTW !!!

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  2. Ficou muito bom .

    Até mesmo letaran aparece na história, se divertindo =p

    E haja chá! \o/

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  3. Só um errinho de nada:

    "Os dias demoraram a passar apara a jovem donzela..."

    Dá só uma corrigida no "apara"

    =P

    Excelente!

    ___________________________________
    TemPraQuemQuer

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