FORJANDO UM GUERREIRO - BATISMO DE SANGUE SEGUNDA PARTE

Depois de muita demora ai vai mais um capítulo da saga que conta a origem de um vilão, demorei a escrever, pois estava sem o office novo e o arquivo original dele estava formatado para ele, mas agora tentarei manter um ritmo de pelo menos um capítulo por semana, sem mais enrolação ai vai ele, divirtam-se!
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NOVA FAMÍLIA


O dia estava calmo, havia muitos pássaros voando tranqüilos, o ar fresco... Seria um belo dia para qualquer criança aproveitar a inocência que lhe é d direito, aproveitar a tenra idade e brincar, correr, sorrir... Sim seria um ótimo dia para qualquer criança, menos para Ignus, amarrado e jogado em uma carroça, como um fardo qualquer sem importância. A viagem estava sendo desconfortável, pois além de ter seus movimentos limitados, Ignus tinha que dividir lugar com um amontoado de outras coisas que estavam jogadas na carroça.

Como Gal havia falado antes, eles fizeram mais outras três paradas em outras três vilas. Gal comprará mais três meninas, que também foram amarradas e jogadas na carroça assim como Ignus. Uma delas, a aparentemente mais nova, chorava muito e chamava pela mãe, as outras duas tentaram em vão consolá-la. Ignus mesmo vendo a dor da garota e sabendo o que ela sentia, preferiu ficar quieto e se recolher a sua própria melancolia, até agora não entendia como seu avô havia sido capaz de vendê-lo.

- Calem-se ai atrás! - Berrou Gal - já estamos quase chegando à cidade, é melhor estarem quietos e bem comportados.

A viagem não foi tranqüila, todos estavam inquietos: as crianças pela tristeza de terem sido rejeitadas por suas famílias e Gal, por não saber se conseguiria fazer um bom negócio, já que só conseguiu arranjar um menino desta vez.


Quando era por volta de uma hora após a hora de descanso da tarde (depois que Kioran alcançava seu ponto mais alto no céu), eles finalmente chegaram ao seu destino. Era uma cidade bem grande, na verdade era a cidade principal do reino. Ela era cercada por um forte muito bem vigiado, era limpa, bonita e muito movimentada. Havia um grande mercado ao ar livre que funcionava todos os dias, lá se encontrava de tudo, desde quinquilharias sem valor algum, atém jóias preciosíssimas. Gal sempre ia lá umas duas ou três para vender seu principal produto: escravos, em sua maioria crianças, pois era a preferência, já que quanto mais novos, melhor podiam ser doutrinados, mas novos demais não serviam para muita coisa. Alguns diziam que algumas famílias até compravam as crianças de Gal para torná-las parte de suas famílias, mas isso não era de sua conta, por tanto que comprassem e pagassem bem, o que faziam das crianças não era de seu interesse. Já tinha ouvido várias estórias sobre o destino delas, muitos diziam que alguns necromantes compravam as crianças para depois sacrificá-las em rituais, mas isso também não era problema seu.

Assim que chegou ao seu local onde sempre vendia as crianças, Gal tratou de tirá-los de cima da carroça, com muito cuidado, retirou a poeira de suas roupas, lavou-lhes o rosto e arrumou-lhes os cabelos, para ficaram mais apresentáveis. Depois de arrumados, Gal levou-os até um pequeno palanque de pedra, onde ficariam mais visíveis para que todos que passassem pudessem vê-los.

Não demorou em aparecer gente curiosa pelas crianças, enquanto as meninas estavam assustadas, Ignus parecia olhar nos olhos de cada um que passava e olhava para ele com grande curiosidade, parecia estudar cada um que passava por ali. Todo o tipo de pessoa passava por ali, alguns olhavam brevemente e se afastavam, outros olhavam com mais atenção, alguns até tocavam neles, olhavam os cabelos e os dentes, mas iam embora. Ignus notou que haviam um homem ao muito longe dali, que os observava com grande atenção, era um homem de vestes simples, trajava uma longa capa de viagem, tinha um rosto de traços firmes, aparentando uns quarenta anos e cabelo castanho escuro bem curto, seus olhos eram escuros também e seu olhar era pura curiosidade obscura.


Um casal se aproximou e Ignus desviou a atenção do homem, para observar o casal. O homem era bem alto, tinha um longo cabelo negro extremamente liso, que ia até a metade de suas costas. Seu rosto longo e fino tinha uma expressão vazia, que não combinava com seus olhos prescutadores, seu longo manto preto feito de um tecido fino, combinava perfeitamente com o longo vestido também preto de sua acompanhante, uma bela mulher um pouco mais baixa do que ele, com cabelos iguais ao de seu parceiro, seus olhos eram como duas esmeraldas e tinha um olhar sedutor, que encantou Gal, assim que o mercador de escravos a viu. Duas crianças acompanhavam o casal, provavelmente seus filhos, pensou Ignus.

- Boa tarde, nobre senhor e nobre senhora! - Cumprimentou-os Gal, fazendo uma profunda reverência. - Posso ajudar-lhes em algo?
- Quanto está querendo por cada uma destas crianças? - Perguntou secamente o homem, que possuía uma voz grave e um tom imperativo.
- Nobre senhor, cada um possui seu preço, mas prefiro negociar com que estiver interessado, acho que é mais justo.
- Entendo... Deixe-os ir brincar por ai Ilia - Disse o homem a sua esposa que liberou os dois garotos, que saíram correndo.
- Está interessado em uma menina, nobre senhor? Como pode ver hoje possuo três, cada uma de uma idade diferente e todas muito saudáveis e...
- Que Ouwin amaldiçoe meus olhos, Tharion velho amigo! - Interrompeu um homem que se aproximava dali, fazendo referência ao deus Ouwin.

Prontamente Tharion se virou e viu seu velho amigo Izac se aproximar, era um homem elegante, no alto de seus um metro e setenta, ostentava em seus rosto arredondado, emoldurado por curtas madeixas castanhas, a jovialidade de um moço, quando na verdade já passava de seu segundo século de vida. Estava bem alinhado trajando uma toga de seda bege muito bem desenhada, deixando a mostra seu tórax. Sua mulher vinha logo atrás, com seus cabelos acinzentados esvoaçantes como sempre, um belo vestido azul e uma expressão alegre no rosto. Trazia em seus braços seu filho, que se mexia freneticamente, como se pedisse a atenção da mãe.

- Izac! Que bom vê-lo! - Cumprimentou Tharion - E pelo que posso observar teu herdeiro já nasceu, que bela criança. Como chamas?
- Ezequiel, Ezequiel Vandorf! Irá levar apenas o nome nobre da família! - Disse com grande alegria olhando para o filho - Espero que seja alguém importante no futuro.
- O Oráculo nos disse que seria, meu marido. - Respondeu a esposa de Izac.
- É verdade! Mas o que faz aqui Tharion? Procurando mais um filho? - Riu Izac.
- Não, não, algum ajudante quem sabe, filhos já tenho demais, dois são o suficiente.
- Por falar nisso onde eles estão Ilia? - Perguntou a mulher de Izac.
- Estão brincando por ai. Teryon! Gigantus! - Chamou Ilia.

Os dois garotos voltaram correndo e pararam de súbito, esbaforidos sem fôlego. Estavam com as roupas cobertas de poeira, pareciam que haviam acabado de cruzar um deserto, quando na verdade, estavam apenas correndo um atrás do outro. Teryon era um menino grande, tinha por volta de uns dez anos de idade, tinha o olhar da mãe, mas o resto todo era idêntico ao pai, exceto pelo comprimento do cabelo. Seu irmão Gigantus era um garoto um pouco mais franzino, era dois anos mais velho que Teryon, porém mais baixo, mas tinha muito mais vigor que o irmão.

- Estão enormes! E você como sempre bela Ilia! - Elogiou Izac.
- Mas e vocês o que fazem aqui? - Perguntou Ilia.
- Viemos procurar um escravo, mas agora que vejo esses quatro, fico em dúvida...
- Fique a vontade para examiná-los, nobre senhor, estou ao seu dispor. - Interrompeu Gal.

Izac e sua mulher examinaram as crianças com muita atenção, todas se mostraram bem calmas, para o contentamento de Gal. Ignus observou atentamente os dois cassais conversarem e se assuntou quando viu um dos garotos olhar para ele.

- Qual é o seu nome?
- Ignus.
- Eu sou Teryon, aquele ali é Gigantus, meu irmão - falou Teryon indicando o Irmão, que estava próxima a mãe. - Por que está aqui?
- Meu avô me vendeu. - respondeu Ignus secamente olhando para o lado, tentando ocultar a própria raiva.
- Está com raiva não é? Eu também ficaria se fosse vendido para ser um escravo! Tenho sorte, minha família é importante e não passamos dificuldades. Não se preocupe, um dia você vai superar isso!

Aquilo perturbou Ignus, com aquele menino desconhecido, poderia saber que ele estava com raiva? Ele parecia ocultar algo, que Ignus não saberia definir, mas essa mesmo coisa emanava de seu pai, porém de maneira mais intensa.


Após examinarem mais duas vezes as crianças, Izac e sua esposa ainda não haviam se decidido, sobre quem levar, todas estavam muito saudáveis. Foi como que de súbito a mulher de Izac se lembrou de quando se consultou com o Oráculo pela última vez. Ele havia lhe dito várias coisas que se provaram verdade, mas quando questionado se deveriam comprar um escravo, o Oráculo se mostrou duvidoso. Após alguma reflexão, afirmou com certeza que se ela realmente desejasse adquirir um escravo, que a melhor escolha seria um menino e que fosse órfão, pois daria menos trabalho para ser educado. Ao lembrar-se disso, imediatamente perguntou a Gal se o menino era órfão, ele não se lembrou, então ela resolveu perguntar diretamente a Ignus se ele tinha família. Ignus prontamente respondeu que sua única família eram seus avós, mas que esses o haviam vendido, por isso agora não tinha mais família alguma. Satisfeita com a resposta ela decidiu levar Ignus, Izac se mostrou meio relutante, mas ela lembrou-lhe que havia sido um conselho do Oráculo e como tal, merecia alguma atenção, afinal ele nunca havia errado em um conselho.

Assim que decidiram, trataram de negociar qual seria o valor do menino. Gal se mostrou resistente em por um preço mais baixo, mas nada que os encantos de uma bela mulher não pudessem dar um jeitinho. Alguns minutos de negociação e finalmente chegaram a um acordo satisfatório para ambas as partes, embora ainda não fosse o que queriam, mas era melhor do que pagar o absurdo que o negociante pedia. Izac chamou um homem que estava um pouco distante, tinha a pele escura e poucos cabelos, vestiasse de forma simples e estava descalço, o rosto quadro mostrava as marcas de alguém que mais trabalhava do que descansava. Izac lhe pediu que levasse o menino para a sua carruagem, pois logo iriam voltar para casa. Gal desamarrou Ignus, que se sentiu muito mais aliviado, por um instante sua mente trabalho rápido e ele pensou em fugir, mas antes que seu corpo pudesse agir, ele foi dominado pelo homem de vestes simples e levado dali.


Pouco depois que Ignus partiu com um de seus serviçais, Izac se despediu de Tharion e Ilia, convidando-os para que os visitasse qualquer dia. Saíram da cidade sem muita pressa, observado algumas coisas pelo caminho, mas nada lhes chamou a atenção. Assim que chegaram do lado de fora, Izac viu seu empregado parado ao lado de sua carruagem com o pequeno Ignus ao lado.

- Como se sente filho? - Perguntou Izac a Ignus.
- Aliviado, sem as cordas me apertando. - Disse Ignus sem demonstrar nenhuma emoção olhando diretamente para Izac.
- Como se chama?
- Ignus, senhor.
- Não se preocupe Ignus, logo você conhecerá seu novo lar, espero que goste.

Após dizer isso, Izac pediu ao seu empregado que abrisse a carruagem, deixando sua mulher entrar na frente e fez sinal para que Ignus entrasse logo em seguida. Assim que entrou, fez sinal para que partissem e pediu para irem em marcha um pouco acelerada, pois queria chegar sedo.


Muito distante dali, imerso em um amontoado de livros, pergaminho e anotações, estava o Oráculo, debruçado em uma das várias mesas de sua imensa biblioteca. O ambiente era sempre bem iluminado e tranqüilo, o único som que se ouvia era o da pena arranhando alguma página de um livro ou de algum pergaminho, além do som de páginas seno viradas às vezes com grande curiosidade e rapidez. Mas o silêncio costumeiro foi quebrado pelo som de uma porta sendo escancarada com grande violência, seguida de passos apressados. O Oráculo se assustou, pois estava completamente concentrado, quando ouviu estrondo e viu se aproximar o mesmo homem que falara com ele da última vez.

- Precisamos conversar, agora! - Falou o homem com grande impaciência.
- Boa tarde para você também, irmãozinho! - Ironizou o Oráculo.
- Sabe de onde eu acabei de vir?
- Sabia que não é nada educado sair entrando assim, principalmente em uma biblioteca?
- Não se faça de cínico, estou falando sério.
- Eu também, a educação manda batermos antes de entrar sabia. - Disse o oráculo zombando enquanto se voltava para a mesa.
- Acabei de ver mais uma de suas ações como "oráculo" dar certo, meus parabéns! - Disse ironicamente batendo palmas.
- Muito obrigado! É bom ver que até você reconhece meu trabalho.
- Trabalho? Você está mais uma vez fazendo o que não deve, está interferindo na vida das pessoas...
- Escute aqui Merac, antes que você venha com esse seu discurso decorado, deixe eu te dizer uma coisa: eu não estou interferindo na vida de ninguém, conheço muito bem as regras e sei também dos riscos que há em alterar o curso natural das coisas.
- Se sabe tanto, por que continua a influenciar as pessoas?
- Influenciar, eu? - Indignou-se o Oráculo.
- Pare de fingir! - Vociferou Merac - Então não chama o Que fez com aquela pobre moça de manipulação? E agora empurra aquele casal na direção do menino, você está louco?
- Eu não fiz absolutamente nada! Quando a "pobre moça", como você mesmo diz, estava mal, a única coisa que fiz foi acalmá-la. Quanto ao casal, apenas disse a mulher para que se ela quisesse um escravo, que comprasse um escravo homem? Isso é influenciar alguém?
- Sabe muito bem que as coisas não eram para acontecer dessa forma irmão, sabe muito bem o perigo que o garoto pode significar.
- Isso já é uma outra questão. Não há com que se preocupar irmão, tudo vai estar como tem que ser.
- Assim espero! Sabe que pessoas como nós não podem interferir no curso natural das coisas, ou devo lembrá-lo disso mais uma vez "Oráculo"?
- De forma alguma, Merac, o Senhor do Tempo! Ah já ia me esquecendo, quer chá?



2 comentários:

  1. E ele aceita o chá?

    Ficou bom, pro meu gosto tá curto =p

    Interessante como o moleque foi vendido =p

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  2. A final de contas que posta ?
    o Ricardo ou o PK ?? to perdido =/

    Você não faz idéia de como os jogos do SDD vão ficar mais, divertidos, comigo lendo esses textos =)

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