A filosofia por trás dos Tokusatsus.

Primeiro: Tokusatsus eram aquelas séries japonesas antigas, tipo Changeman, Jaspion e por ai vai.

Agora que vocês sabem o que significa, vou dar continuidade ao meu raciocínio.

Na época em que surgiram aqui no Brasil (meados da década de 80), elas se tornaram verdadeiras fébres entre a garotada da época, tendo fãs e seguidores fiéis até os dias de hoje. O padrão da maioria das séries era o mesmo: O(os) vilão(ões) aparecia sempre querendo dominar o mundo e/ou dizimar a humanidade, muitas vezes (quase sempre) sem nenhuma razão lógica, simplesmente pelo prazer de dominar o mundo e criar uma guerra. Monstros grotescos, robôs gigantes, armamentos futuristas e frases de efeito e lições de moral baratas, eram os clichês da época.

Mas nem todas eram assim, algumas tinham um pano de fundo no mínimo intrigante, se for formos analisar. Vamos começar falando de uma das séries mais famosas, os Changeman.

Changeman

Resumo do enredo: O imperador Bazoo , um conquistador de mundos vem a Terra com a finalidade de torná-la parte de seu império.
Na Terra um grupamento para-militar liderado pelo Sargento Ibuke conhecido como Combatentes Relâmpago, era treinado a exaustão para fins até então desconhecidos.
Durante a invasão dos seguidores de Bazoo, os membros do Combatente Relâmpago são atacados. Nesse meio tempo, cinco membros que ainda resistem são apanhados por um misterioso fenômeno chamado de Força Terrena. Esse fenômeno lhes da misteriosos poderes, transformando-os em Changeman.

Espero que quem conheceu a série tenha se relembrado e quem não conhecia tenha se situado em seu ambiente.

Onde quero chegar com isso? É bem simples, Changeman era um exemplo de uma série que fugia um pouco dos padrões, pois tinha elementos que por muitas vezes faltam até nas mais famosas produções hollywoodianas: enredo coeso e vilões com objetivo.
No decorrer da série era revelado que todos os vilões sobre o comando de Bazoo eram sobreviventes de outros mundos que foram forçados a se aliar a ele, com a promessa de terem seus mundos restaurados, os exemplos eram, Booba, Shima, Gata e Giluke. Não era muito difícil ver diálogos entre os vilões, onde eram mostrados que eles só faziam o que faziam pois eram forçados, caso contrário, seus mundos seriam destruídos.

Vamos dar mais exemplos: Booba, o pirata espacial deixa bem claro que seu único objetivo é retornar ao seu mundo natal, por isso serve as ordens de Bazoo. Quase no fim da série, Gata se alia aos Changeman, já que conseguiu com a ajuda dos mesmos o que tanto queria, que era reaver sua família. Booba deixa bem claro que sua única devoção é para com os piratas espacias, desacata as ordens e morre defendendo uma antiga companheira de um ataque de seu superior. Shima também se alia aos Changeman, após recobrar sua verdadeira consciência, no mesmo episódio em que Booba morre.

Com isso pode-se observar (creio), que nem todos eram realmente vilões e por conseguinte maus, mas faziam tais coisas por não ter muitas opções.

Outro bom exemplo era uma série pouco conhecida, Metalder que foi exibida pela Bandeirantes, série essa que talvez seja uma das melhores de seu gênero. Seu enredo era talvez um dos mais bem explicados, pois desde o início era deixado bem claro que Neroz (o vilão da estória), não queria dizimar a humanidade e dominar o mundo. Dominar ele até queria, mas queria dominar financeiramente falando e para realizar seus objetivos, contava com três tropas distintas que estavam ao seu comando, que realizam "atos terroristas" derrubando bolsas de valores, fazendo aumentar a cotação do petróleo, e por ai vai.

Metalder

Para atrapalhar seus planos existia Metalder, um robô com personalidade e lembranças do falecido filho de seu inventor. Metalder se diferenciava dos heróis comuns, pois no início da série, sempre saia derrotado ou muito ferrado, devido a sua falta de experiência em combates. Os vilões sempre disputavam entre si, para ver qual equipe estava mais apta a enfrentar Metalder, além do que, eles nem sempre acatavam as ordens de seu líder ao pé da letra, estavam o tempo todo questionando e por vezes até desobedeciam. Outra coisa relevante é o fato de ele nem sempre matar seus inimigos, como no terceiro episódio: quando está prestes a derrotar seu oponente, percebe que ele é um humano e decide deixá-lo vivo. Quando questionado porque não o havia matado, Metalder diz para que ele não desperdice sua única vida e deseja que ele seja feliz. Um dos vilões também se alia a ele no decorrer da série. Top-Gunder poderoso lutador cyborg, era integrante da Tropa Cibernética, atirador de elite e assassino profissional por natureza, após se defrontar com Metalder e ter sua vida salva duas vezes pelo herói, passou a ser seu maior aliado combatente durante todo o seriado. Agia sozinho e após ajudar Metalder sempre ia embora, porém bastava Metalder estar em um combate desigual, que Top-Gunder surgia. Honrado e justo, Top-Gunder acabou por perder a vida nos últimos episódios, atacado à traição pelo Comandante Arthur.
No fim da série Metalder se sacrifica para salvar o Japão, pois acaba descobrindo que dentro dele havia um dispositivo que destruiria metade do país. Então resolve se desativar de uma vez por todas.

Esses foram exemplos de heróis e vilões que tinham propósitos claros, não eram apenas estereótipos de mocinhos e bandidos como os muitos que existem e existiram, eram heróis que defendiam ideais e dialogavam, até mesmo os vilões eram assim. É claro que existem outros exemplos disso, mas preferi citar esses, pois foram exemplos que fizeram arte da minha infância. Na época nem ligava para isso, gostava mesmo era da ação, mas analisando bem friamente hoje em dia, podemos ver que havia algo mais além da violência desenfreada e sem motivo, que muitos acusavam tais séries de possuir.

Uma pena esses bons exemplos serem poucos, e ninguém aproveitar isso hoje em dia, além de estarmos fadados e heróis acéfalos e vilões de comédia pastelão. Numa era onde predominam as estórias sem conteúdo, de fácil "digestão", que não é preciso pensar para se compreender o "enredo", talvez esse tipo de heróis não fariam o mesmo sucesso que fizeram em suas épocas.

12 comentários:

  1. Ahhh eu adorava os changemn, era bom demais de ver.
    Depois veio jaspion... ô tempo bom...

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  2. Ainda bem que nasci nos anos 80... Não conheço um da geração 90 que preste. =/

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  3. caracaaaaaaaa
    muito bom msm...eu nem lembrava de tantos desse "desenhos" (era assim q eu chamava na época rsr)....muito bom msm...eu ate hoje prefiro o power ranger das antigas à os de hoje...jaspion...nossa muito bom msm
    parabéns ahauhau
    tenho 20 anos...mas me lembro disso...lembro de cavaleiros do zodiaco tmb...q eu brigava com minha amiga quando era criança p ver qm ia ser a saori ahuahuahuah...eu e meu primo brincavamos no quintal de power ranger...muito bom...tinha ate uns cavaletes de construção no quintal, e agnt subia fungindo q estava em uma montanha e ficava embaixo deles falando q estavamos escondidos em cavernas ahuahauhau

    ah gostei^^^
    bjaum meu querid^^
    t+

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  4. ha rsrs...sobre meu post...tenho uma noticia ruim q recebi agor a pouco...nem vale a pena contar no blog...ele gosta de outra...e considera essa q tava afim dele como amiga e só isso...

    bjus

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  5. Chageman era legal demais!Gostei do post...e do blog também!
    Virei mais vezes!

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  6. Realmente, estas séries foram as melhores em todo o conjunto, foram tão boas que até hoje são lembradas pela nossa geração da casa dos 20 anos

    Primeira vez que li um texto deste tamanho em algum blog, esta interessante

    Até mais

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  7. haha...acho q ele não vai ser cafageste como vc diz não...os dois são bem amigos...se ele fosse tão cachorro assim ele ficaria com ela deichando de lado a tão grande amizade q ele tem por ela...^^

    da uma passada la q tem post novo^^

    bjus
    se cudia
    ai se vc postar coisa nova em avisa quando for la^^

    bjus
    se cuida

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  8. pôxa cara vc me fez lembrar de uma época muito saudosa na minha vida: tempo das tardes de Jaspion, Changeman, Jiraya dentre outros...

    Õ coisa boa.

    Nostalgia...

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  9. Esses seriados tem sabor de infância!!
    Os dos anos 80 eram bem melhores, muito mais intensos. Q saudades!!!

    Agradeço ao Dragus pelo comentário no meu blog! Apareça sempre por lá!!

    Laboratório de Geografia

    Geografia, informação, arte, cinema e diversão sem contra indicação.

    http://laboratoriodegeografia.blogspot.com

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  10. Vale lembrar que nos Changeman nem todos os heróis eram heróis também. Primeiro, os Changeman eram militares, então respondiam a ordens, e uma vez um figurão teve o filho pego de refém pra que ele pressionasse o Change Blue pra saber o paradeiro de um cristal.

    Os outros Changemans ficam a frente do amigo e dizem "bah, ele não faria isso", o Change Red entra no meio de um complexo militar de moto, invade a sala e tira o Change Blue de lá.

    Aí depois eles conversando se ele realmente sabia algo do cristal e ele fala: "sim, eu peguei, achei que valesse alguma coisa, eu quero abrir um restaurante quando eu deixar de ser Changeman". Clássico!

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  11. Eu adorava, e adoro ver as séries dos anos 80, e me sinto feliz em ter nascido nessa época, e ter visto essas séries tão boas, e hj em dia, pouquíssimas são as coisas que prestam mesmo dos Tokusatsus, como Liveman, Jetman e Dekaranger.

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  12. É verdade. A massificação e a pasteurização dos enredos de filmes e seriados tornou tudo banal e previsível. Mesmo ser ter visto muitos deles antes, você pode prever o desenrolar dos episódios ao mesmo tempo que os assiste. O "jogo mental" o "raciocínio inquisitivo" e outras coisas que eram tão boas em programas do passado, a muito, estão distantes da dura realidade de nossa programação televisiva.

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