FORJANDO UM GUERREIRO - BATISMO DE SANGUE TERCEIRA PARTE

BRINCADEIRA DE CRIANÇA


O dia se aproximava do fim quando a carruagem de Izac chegou a sua casa, alguns de seus empregados esperavam junto à frente do casarão. Ignus olhava pela janela da carruagem, fascinado com a paisagem e com a beleza da enorme construção. Em toda sua a sua vida conhecia apenas casas minúsculas, sem muito esmero, para ele essa era quase um palácio.

Assim que a carruagem parou, um dos empregados de Izac abriu a porta da carruagem. A esposa de Izac saiu primeiro, com o pequeno Ezequiel, seu filho, no colo. Izac saiu em seguido levando Ignus junto a ele. O menino olhava tudo com ar de grande curiosidade, afinal de contas para ele, era realmente tudo novo, mas logo se deu conta de que ali, ele apenas seria mais um escravo.

- Ignus, está é a minha casa. - Começou Izac - Você vai conhecê-la por completo, vai ajudar em alguns afazeres dentro e fora dela.

Não haveria muito que fazer, senão concordar, Ignus sabia que ali não seria um lar para ele, nunca seria, ali seria apenas o início de seu calvário. Imediatamente ele foi apresentado aos serviçais que ali estavam, soube a função de cada um e a quem iria ajudar e quando. Pelo que pode constatar não faria nada sozinho, não por enquanto, deveria aprender a fazer de tudo um pouco, para mais tarde quando fosse mais velho, poder realizar as diversas tarefas por si próprio. De início seria uma espécie de "faz tudo", ajudando desde as tarefas na cozinha, até nas tarefas mais árduas.


O chefe dos empregados, Alur, foi designado a apresentar Ignus aos outros empregados e também, para mostrar ao garoto onde dormiria e se possível dar-lhe alguma tarefa pelo resto do dia. Alur era um homem de baixa estatura, apenas um pouco maior do que Ignus. Tinha braços fortes, uma barriga protuberante, cabelos curtos e imundos, pele queimada de sol e sempre andava puxando da perna direta. Seu olho esquerdo sempre estava arregalado, como se quisesse ver algo mais além do que poderia, o torna seu pequeno rosto ainda mais estranho.

Ele levou Ignus direto ao fundo do terreno, contornando a casa, pois como explicou ao menino, os empregado só podiam entrar na casa com ordens de Izac, ou quando tinham alguma coisa para fazer lá, só as empregadas podiam entrar livremente na casa, mas mesmo assim, só para cuidar da arrumação ou da limpeza. O terreno era enorme e segundo Alur, ia muito além do que eles podiam ver. Atrás do Casarão principal havia ainda mais trás três construções, um estábulo, um armazém e por último a casa dos empregados. Havia também um imenso quintal, onde algumas crianças, em sua maioria meninas brincavam uma brincadeira de roda, o que seria normal não fosse a presença de um homem. Ele era muito magro, de rosto alongado, quase não possuía cabelos, seu rosto era seco e os ossos eram bem salientes e os olhos esbugalhados davam a impressão de que era ainda mais magro.

- Aquela é o Olaf, o cozinheiro! - Disse Alur, percebendo a curiosidade de Ignus - Ele é meio maluco, quando não está na copzinha passa o dia brincando com as crianças... É meio retardado sabe, mas as crianças gostam dele, vai entender... Vai ver é por que o acham engraçado.
- Elas também são como eu? - Perguntou Ignus.
- Escravas? Algumas outras são filhos dos empregados. Mas não se preocupe você terá muito trabalho por aqui, diversão para você vai ser um privilégio raro garoto

Aquilo não era surpresa nenhuma para o garoto, mas a simples visão de crianças se divertindo, brincando como criança deu-lhe uma ponta de esperança. Ele foi apresentado a Olaf e as outras crianças, todos o cumprimentaram de forma simples, exceto Olaf, que foi andando até ele de forma engraçada, cambaleando de um lado para outro, quase como se estivesse bêbado. Quando ficou do lado do garoto, se abaixou para vê-lo melhor e afagou-lhe a cabeça com força e disse alguma coisa com uma voz arrastada, que Ignus não conseguiu entender.

- Não ligue para ele, quase ninguém entende o que ele fala mesmo, mas o idiota cozinha como ninguém. - Disse Alur afastando Ignus dali.
Eles foram até o armazém, lá era o lugar onde todos os utensílios e ferramentas eram guardadas. Havia também uma parte do armazém totalmente destinada aos alimentos, já que segundo Alur, a dispensa do casarão não era muito grande. O estábulo foi visto logo em seguida, era bem grande, embora não possuía muitos cavalos, mas pelo que pode ver eram todos muito bem cuidados. Lá Ignus conheceu o responsável por cuidar dos animais, era um senhor de cabelos grisalho, um vasto bigode, barrigudo, de rosto redondo e olhos verdes, aparentemente era bem humorado, mas como o próprio alertou, não gostava de ser incomodado.

A casa dos empregados era a menor de todas as construções, tinha muitas camas espalhadas, onde todos deveriam ficar. As camas não eram nada confortáveis, mas era melhor do que dormir em amontoado de trapos, como o garoto já estava acostumado. Era um lugar limpo, apesar da aparente desordem, mas era bem frio à noite, segundo o relato de Alur. Ignus ficaria com uma das camas que estava no fundo, pois todas as outras já tinham seus respectivos donos e para seu azar, não era possível descrever qual era a pior delas.


Alur decidiu que não havia nada que o garoto pudesse fazer naquele dia, então resolveu deixá-lo fazer o que bem entendesse. Explicou o básico das regras por ali, como não fazer barulho, não entrar na casa sem permissão, não mexer no que não deve e partiu. Ignus resolveu ficar no dormitório, escolheu uma cama e se largou nela. Sua cabeça começou a funcionar rapidamente, pensou em uma série de coisas, das quais não conseguiu compreender metade. O pensamento mais fixo em sua mente, era o de fugir, mas fugir para onde? Para onde ele iria, se nem ao menos sabia onde estava? Não poderia voltar para sua antiga casa, pois fora rejeitado por seus avós e disso tinha total certeza e pensar nisso lhe deu raiva, muita raiva. Ele cerrou os punhos tentando conter o ódio, mas o sentimento era tão forte e intenso, que seus punhos começaram a treme e ele sentiu como se estivessem ficando cada vez mais quentes. Du um murro numa parede próxima, para espantar um pouco da raiva que sentia, mas o soco foi mais forte do que ele imaginava, fazendo a frágil parede de tábuas estremecer com força.

O menino se assustou momentaneamente, mas não deu muito atenção. Decidiu sair um pouco para dar uma volta, reconhecer o terreno, tentar descobrir mais coisas, ou até onde iria à extensão dos domínios de Izac. Pelo pouco que andou viu que o terreno era realmente imenso, como havia dito Alur e pode constatar também, que ficava quase no alto de uma colina. Havia uma grande cidade próxima, que podia ser vista do ponto em que estava com facilidade, havia nela também um suntuoso castelo, margeado por seis torres, Ignus presumiu que foi de lá que havia vindo há pouco. Olhando na direção oposta, viu as montanhas ao longe e viu também mais castelos e cidades de todos os tamanhos que ele podia imaginar. O que mais chamou sua atenção foi a visão de um enorme castelo, que ficava no alto de uma imensa e distante montanha. O que mais chamava a atenção não era o tamanho do castelo em si, mas sim a gigantesca torre central que ao final ostentava um relógio, que marca com precisão as horas. Ignus ficou imaginando o tamanho rela do relógio, pois se aquela distância ele conseguia ver com perfeição, era sinal de que era realmente muito grande. Ficou imaginando também de quem seria o castelo, mas considerou isso informação de mais para ele mesmo naquele momento e decidiu voltar e dormir, pois já era quase noite.


A noite foi a pior possível, nunca havia passado uma noite sequer fora de sua casa, agora tinha que dormir em um lugar estranho, que dali em diante seria seu "lar". Quase não dormiu e o pouco tempo que conseguiu repousar, era logo perturbado por alguma coisa. Virava de um lado para o outro, sem conseguir dormir.

Finalmente o dia amanheceu, mas antes disso, já estava desperto e quando foram acordá-lo, viram que não haveria necessidade. Alur pessoalmente foi acordá-lo para chamar-lhe para a primeira tarefa do dia, ficou contente ao ver o menino sentado em sua cama, enquanto muitos ainda roncavam sonoramente.

- É bom ver essa disposição garoto, agora vamos, temos muito que fazer e longo dia pela frente! - Disse Alur tentando animar o menino.

Eles saíram do dormitório e foram para uma parte do terreno que ficava atrás do armazém, lá havia diversas ferramentas e muitas toras empilhadas. Alur foi direto até o machado e o examinou com atenção, estava em ordem e a lâmina bem firme no cabo. Chamou Ignus com um gesto e perguntou se o menino sabia usar um machado, foi respondido afirmativamente com um sinal com a cabeça e entregou o machado ao menino. Pegou um pequeno pedaço de madeira e colocou em cima do cepo, que estava próximo e mando o garoto cortar. Ignus ajeitou o machado nas mãos e deu o golpe, rápido e certeiro, não foi um corte perfeito, mas foi um bom corte, segundo a avaliação de Alur. Cortar lenha era uma coisa que Ignus já estava acostumado a fazer, todos os dias, desde os seis anos seu avô o obrigava a cotar a lenha para eles. Essa foi sua tarefa inicial, a qual cumpriu muito bem. A cada golpe que dava tentava colocar nele um pouco de sua angustia e sua raiva, para com isso tentar se sentir um pouco mais aliviado.

Quando era por volta das nove da manhã, ouviu o som de um sino e resolveu ir ver do que se tratava. Quando chegou perto do casarão, viu Olaf com um pequeno sino nas mãos, enquanto alguns empregados entravam pela porta ao seu lado. Olaf o viu e deu um sorriso estranho e desdentado e o chamou com um gesto, o menino foi até lá, mas estava receoso.

- Pode vir menino! - Disse Olaf com sua voz arrastada. - É hora do desjejum!

O estanho e engraçado homem afagou com força a cabeça do menino, enquanto ele entrava relutante no casarão. Todos os empregados estavam sentados a volta de uma grande mesa, repleta de pães, frutas, sucos e algumas outras coisas que Ignus nunca havia visto muito menos uma mesa tão grande e farta. Seu estomago roncou de forma tão alta e forte, que até doeu o seu estomago.

- Está com "fooome", não é? - Perguntou Olaf rindo - Pode entrar amiguinho! Meu novo amiguinho!

Era estranha a forma como Olaf falava e afagava a sua cabeça, mas Ignus percebeu que ele fazia isso com todas as crianças, à medida que iam entrando, além disso, ele olhava de forma estranha para todas elas, no entanto, seu olhar era sempre estranho. Todas as crianças pareciam de certa forma temê-lo, mas isso era bem compreensível, já que sua aparência não ajudava em nada.

Uma das meninas sentou ao lado de Ignus, tinha olhos grandes, bochechas rosadas e cabelo cacheado. Madalena era como se chamava, era filha de uma das camareiras. Ela estranhou a altura dele, achou-o alto demais para um garoto de sete anos, disse que parecia ter uns doze. Eles comeram juntos em silêncio, era a primeira vez que ele comia com tanta gente, também era a primeira vez que comia sem ouvir ninguém o xingar ou reclamar de sua presença.


Após a refeição Alur o encontrou e designou outra tarefa a ele, dizendo que depois que a fizesse estaria livre para descansar. Não era nada muito difícil, apenas tinha que limpar o jardim. Alur disse que assim seria por algum tempo, até que pudesse desempenhar alguma outra tarefa mais complexa, ou quando fosse solicitada para ajudar em alguma outra coisa.

Os dias se passavam e pouco a pouco Ignus foi conhecendo as pessoas que ali morava, o funcionamento das coisas e um pouco mais sobre algumas funções que realizaria futuramente. Conheceu melhor as outras crianças e se entrosou com elas, sempre que podia brincava e pela primeira vez se sentia feliz, de alguma forma. Mesmo se sentido feliz, resolveu guardar para si algumas coisas, como a data de seu aniversário. Resolveu comemorar sozinho, não que houvesse muito que comemorar. Ele foi até uma parte mais alta do terreno, que era perfeita para observa a paisagem, principalmente a imensa torre com o relógio, de alguma forma aquilo o fascinava e lá ficou pensando sobre tudo o que aconteceu com ele até agora e o que faria dali em diante, vivendo como um escravo.


Certo dia enquanto estava lá observando a torre, Madalena apareceu a sentou-se ao lado dele. Ele olhou rápido para ela, e viu os enormes olhos amendoados fitarem o horizonte esperançosos.

- Sabe o que é aquela torre? - Perguntou Madalena.
- Não.
- Minha mãe disse que é o palácio do Senhor do Tempo.
- Meu avô uma vez me falou dele, para que é um deus que controla o tempo, não é?
- Eu não sei, mas todo mundo diz que é, então deve ser né!? Por que não vamos brincar lá embaixo junto com os outros.
- Depois, quero ficar um pouco aqui!

A menina se deu por satisfeita e saiu, deixando Ignus sozinho pensando em sua vida, como sempre fazia, um tempo depois resolveu ir e brincar com os outros. Enquanto ia até onde as crianças costumavam brincar, resolveu passar no armazém para guardar algumas ferramentas que estavam largadas do lado de fora, pois aprendeu da pior forma que Alur detestava ver coisas fora do lugar ou desorganizadas. Uma vez quando deixou um ancinho do lado de fora, Alur ficou furioso e lhe deu um soco no abdome tão forte, que o menino ficou sem ar por algum tempo.

Quando estava chegando por do armazém, ouviu algo estranho, um som que parecia um gemido vindo de dentro do armazém, mas não deu muita importância, resolveu recolher logo as ferramentas e guardá-las em seguida. Assim que terminou de recolher tudo, foi rapidamente até o armazém, antes que Alur aparecesse. Quando estava entrando, viu Olaf sair pelos fundos com seu sorriso estranho no rosto. O menino logo imaginou que Olaf deveria estar saindo da dispensa, na certa para pegar alguma coisa, pois já o virá fazer o mesmo algumas vezes. Quando terminou de arrumar tudo, percebeu um estranho choramingo vindo de longe, resolveu ir ver do que se tratava. Quando chegou perto da dispensa, viu o único menino que vivia ali além dele. Seu nome era Desmond, tinha dez anos e era mais baixo do que Ignus tinha cabelos claros e estava sempre cabisbaixo.

Estava sentado em posição fetal e soluçando fraco, seus olhos estavam arregalados fitando o chão, onde havia uma pequena poça de lágrimas. Ignus se aproximou e perguntou o que havia de errado, mas o garoto se assustou com a presença de Ignus e se pôs em posição de defesa. Ignus insistiu em saber o que estava acontecendo, mas Desmond se recusou a falar e saiu correndo. Aquilo intrigou Ignus por algum tempo, tentou conversar com Desmond mais algumas vezes, mas nunca obteve uma resposta positiva.


Certa vez enquanto estava varrendo o jardim frontal, Alur o chamou para outra tarefa. Quando foi guardar as ferramentas, viu Olaf sair mais uma vez da dispensa do armazém, Alur disse que era comum ele fazer isso, quase sempre ppor volta da tarde ele ia ao armazém fazer sabe-se o que. Ignus foi conhecer as baias e aprendeu como fazer a limpeza e ficou encarregado de limpar algumas até o fim da tarde.
Assim que terminou de limpar a segunda, sentiu muita fome e decidiu ir tentar pedir um pouco de comida a Olaf. Quando chegou próximo a cozinha, viu Olaf chegar vindo da direção do armazém.

- Senhor Olaf, será que o senhor poderia me dar um pedaço de pão? - Pediu timidamente.
- Pão? Claro amiguinho - Respondeu afagando a cabeça do garoto - Espere aqui só um minuto.

Não demorou muito e Olaf retornou com um pedaço generoso de pão, que rapidamente foi devorado por Ignus que estava faminto. Olaf comovido abraçou Ignus com força, afagando cada parte do corpo do menino com grande avidez. Ignus teve dificuldade de se desvencilhar do homem, mas conseguiu se livrar do aperto agradeceu e saiu o mais rápido que pode. Quando passava em frente ao armazém, trombou acidentalmente com Madalena, que tinha os olhos inchados e vermelhos, logo percebeu que a menina havia chorada e perguntou o que houve. A menina se recusou a dizer e saiu correndo, saindo do alcance de Ignus.

O menino estranhou o que aconteceu a Madalena e lembrou que alguns dias atrás, havia visto Desmond chorando também. Achou estranha a situação, mas decidiu se concentrar no momento em seus afazeres.


Era um dia quente e Ignus já havia conseguido fazer todos os seus deveres antes do tempo normal, Alur ficaria orgulhoso pensou ele, então decidiu ir dar uma volta, foi quando viu Olaf conversando com um das meninas. Era Yula a mais nova, pequenina, delicada e cheirava a grama. A menina se debatia enquanto Olaf apertava forte o seu pequeno braço, Olaf tinha uma expressão sádica do no rosto, até parecia gostar do que acontecia. Ignus chamou por Olaf, que surpresa acabou soltando a menina, que saiu correndo o mais rápido que pode.

- O que o amiguinho quer? - Perguntou nitidamente fingindo um tom afável de voz.
- Tenho fome, será que poderia me dar um pedaço de pão? - Perguntou Ignus firmando a voz.
- Claro! Mas venha comigo até a dispensa grande, por favor, tenho que pegar uma coisa lá!

Relutante, Ignus seguiu Olaf, que foi andando cambaleante como sempre até a dispensa que ficava dentro do armazém. Olaf esperou que Ignus passasse e encosto a grande porta reforçada de madeira, para em seguida seguir até a dispensa. Quando lá chegou, examinou com atenção os potes e os sacos de grãos, parecendo duvidoso. O menino perguntou se havia algo errado, foi quando com um movimento súbito e rápido, Olaf se virou e golpeou o rosto de Ignus, fazendo o menino tombar.

A coisa toda foi tão rápida, que Ignus não conseguiu entender o que se passava, quando deu por si, Olaf estava em cima dele com as calças arriadas e tentando retirar a roupa do menino. Ignus numa reação rápida chutou Olaf e consegui rastejar para um pouco mais distante.

- Não fuja moleque! - Bradou Olaf demonstrando outro tom de voz.

Definitivamente não era o mesmo Olaf que ele havia conhecido, era um outro homem. Seus olhar era um olhar sádico, o jeito encurvado de sempre havia desaparecido, dando lugar a uma postura mais ereta, até o físico de Olaf parecia ter mudado. Perplexo Ignus ficou imóvel sem saber o que fazer, enquanto o homem se excitava e se aproximava mais do menino.

- Não adianta garoto, se quiser comer e brincar como os outros, vai ter que fazer o que eu quero de agora em diante. - Disse Olaf rindo doentiamente - Todos os seus outros amiguinhos já brincaram assim comigo, agora só falta você.
- Eu não vou fazer isso! - Falou convictamente.
- Ah, vai sim! Pois se não fizer, vai ser castigado e nunca mais vai brincar com ninguém.

Cada vez mais o homem avançava, enquanto o menino recuava e ficava cada vez mais sem saída. Olaf ria doentiamente ao mesmo tempo em que avançava na direção do menino e se excitava cada vez mais. Quando viu que o menino não tinha mais para onde ir saltou em cima do menino, para tentar prendê-lo, mas sua investida foi totalmente frustrada. Ignus rolou para o lado evitando o ataque e rapidamente se ergue, se pondo em guarda para aguardar a próxima investida.

Agora entendia tudo, agora entendia o que acontecera a Desmond e a madalena, entendera finalmente, porque Olaf estava sempre tão próximo das crianças e porque as crianças pareciam temê-lo tanto. Então decidiu que não gritaria por ajuda, muito menos fugiria, iria ficar e enfrentá-lo, acontecesse o que acontecesse.

Não esperou que Olaf se levantasse, correu em sua direção e chutou sua cabeça com força. O homem sentiu o golpe, tanto que teve dificuldade de se levantar. Mas antes de se levantar, Olaf tentou derrubar o menino, mas não conseguiu, a única coisa que conseguiu foi levar outro chute que acertou em cheio o seu nariz, fazendo-o sangrar muito. Vendo o homem caído de barriga para cima, Ignus não pensou duas vezes e golpeou a genitália de Olaf que continuava ereta. O golpe acertou em cheio, Ignus sentiu a genitália de Olaf estalar em baixo de seu pé, que urrou e se contorceu de dor. O menino se afastou achando que estava abado, não seria possível para Olaf se erguer depois disso, mas Ignus se enganou. Olaf se ergueu com rapidez, sacou uma faca que estava guardada em seu avental e golpeou o menino pelas costas. Para sua sorte ele ainda estava atento, mas não conseguiu evitar o golpe por completo, mesmo se esquivando, ainda foi atingindo no braço, levando um corte não muito profundo. Repentinamente o menino foi tomado de uma fúria incomensurável, ele se atirou em cima de Olaf, sem pensar nas conseqüências. O homem tentou usar a faca mais uma vez, mas Ignus agarrou seu pulso e demonstrando uma força maior do que ele imaginava, retirou a faca da mão de Olaf com grande facilidade. No instante seguinte Ignus fincou fundo a faca em Olaf, fazendo a lâmina atravessar a mão dele. Olaf gritou de dor mais uma vez, mas ao invés de se contorcer, o homem se levantou e socou o menino com a outra mão, que não conseguiu se esquivar a tempo. Ele arrancou a faca com um único movimento e tentando ignorar a dor, investiu mais uma vez contra o menino que levou um corte no peito. Mesmo no chão e ferido, Ignus não se deu por vencido, acertou em cheio uma cabeçada no rosto de Olaf e o emburrou com as pernas. A força do empurrão fez com que Olaf largasse a faca, que foi apanhada por Ignus logo em seguia e arremessada atingindo a perna do homem que agora jazia no chão gritando de dor. Ignus pegou uma pá que estava próxima e golpeou com toda a força que tinha, acertando a outra perna em cheio, quando Olaf tentava se esquivar.

De repente, todo o ódio que sentia, as mágoas, a angustia a tristeza, tudo o que sentia e que guardou para si aflorou de dentro de Ignus e emergiu como um urro de batalha. O menino foi tomado por um ódio que não cabia dentro de seu Sr e decidiu expurgar tudo o que sentia, em cima do homem que estava em sua frente. Com a pá ainda nas mãos Ignus golpeou mais uma vez e isso o fez se sentir bem. Era uma sensação ótima, nunca havia sentido um alívio tão grande, então decidiu continuar até se sentir completamente aliviado. O golpe seguinte atingiu o rosto do homem, que inutilmente tentou investir contra o garoto. Ignus largou a pá e arrancou a aça da perna de Olaf de uma vez só, fazendo o homem gritar mais uma vez. Ignus impressionou-se ao ver que mesmo ferido, Olaf continuava excitado, isso o deixou ainda mais furioso e com um golpe quase perfeito, decepou uma parte de sua genitália fazendo jorra um pouco de sangue. Olaf mal conseguiu gritar, a dor era tanta que sua voz não saia por mais que tentasse. Mas isso era pouco, para Ignus o que ele fez com as outras crianças era algo abominável.

Uma vez seu avô contou como foi que ele nasceu, explicou que Araia havia sido estuprada. Disse também que estupros eram normais, principalmente durante as guerras, mas mesmo assim, estuprar pessoas incapazes e crianças era uma coisa abominável. Ele se lembrou disso, lembrou também que seu avô sempre dizia que sua mãe não o queria, que sempre socava a própria barriga para ele não nascer. Com o ódio a um nível tão elevado, Ignus urrou e enterrou a faca no peito de Olaf várias vezes. O sangue jorrava e cada vez mais o menino golpeava, a cada golpe e ele enterrava a faca o mais fundo que podia, até que Olaf parou de tentar lutar. Seu corpo cedeu banhado com o próprio sangue, o peito aberto e que sobrou do coração a mostra.
Ignus se levantou e fitou a faca banhada de sangue, olhou seus baços, olhou tudo a volta só então entendeu o que havia feito, estranhamente se sentiu feliz e aliviado. Pela primeira vez se sentia realmente aliviado, enquanto Olaf jazia morto no chão.

3 comentários:

  1. E no próximo capítulo, Ignus é considerado culpado e nenhuma criança o defende.

    Tudo porque era o cozinheiro favorito. =p

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  2. Pk Ninguém,muito obrigada pela visita. E apenas esclarecendo,eu sei que a composição de Primeiros Erros é do Kiko Zambianchi,rs,apenas gosto muito da versão do Capital Inicial...Beijos

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  3. "Brincadeira de criança...
    Como é bom, como é bom!
    Mais amor e esperança...
    Como é bom, como é bom!
    Bom é ser feliz com molejão!"

    Precisava escrever isso. =p

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