FORJANDO UM GUERREIRO - BATISMO DE FOGO TERCEIRA PARTE

AMOR FRATERNO


O Cobrador de imposto juntamente com sue filho era conhecido por sua grande arrogância e pompa totalmente infundada, já que não tinham grandes posses e nenhum título oficial de nobreza, mas sempre agiam como se fossem as pessoas mais importantes do mundo. Sempre se atrasavam as festas e reuniões as quais eram convidados, pois se achavam no direito de tal ato, além de ficarem profundamente chateados quando descobriam que os festejos tinham começado sem sua presença, constantemente fazendo questão de demonstrar isso. Assim que chegou escoltado por seu filho, que havia seguido seus passos e escolhido a mesma profissão, viu alguns soldados muito bem armados, guardando a entrada da casa. Distraído por olhar para sua própria e imensa barriga, não notou a aproximação de Haldar e de Ignus, ao contrário de Raiarath que notou, mas fez questão de nem dar importância, trombando no garoto e derrubando-o de propósito.

Após se levantar de um tombo fingindo Raiarath começou a cobrir o garoto de imprecações, embora este tentasse se desculpar em vão. Haldar pressentiu o perigo ao ver os olhos de Raiarath, seu olhar demonstrava uma estranha e sádica alegria, não raiva. Ele se lembrou de quando viu Araia e Raiarath discutindo, sabia que ele iria agredir o menino, foi quando se interpôs entre os dois, o olhar fixo nos olhos de Raiarath como se a tentar persuadi-lo apenas com este artifício.

- Já chega! - Vociferou Haldar. - O garoto não tinha a intenção, além do mais ele já se desculpou.
- Deixe para lá, meu filho. - Disse o cobrador de impostos em um tom que misturava o apaziguador e o zombeteiro. - Não vê que se trata de um escravo qualquer! Para quê dar atenção a esse tipo de seres inferiores?
- Estas coberto de razão, meu pai! - Concordou em fim.

Dirigiram-se a casa de Izac seguidos de dois soldados designados por Haldar, enquanto eram seguidos pelos olhares dele e de Ignus, que olhava demais para Raiarath. Haldar notou o olhar curioso do garoto, praticamente podia ler a sua mente, ou pelo menos supunha o que poderia se passar na mente dele, caso soubesse que aquele homem em quem esbarrou, era na verdade seu pai. Não poderia dizer ali, naquela situação, pois sabia que problemas aquilo poderia gerar, ele contaria, mas não agora, não hoje.

- O que foi Ignus? -Perguntou Haldar vendo o olhar curioso do garoto.
- Nada.
- Não é o que parece.
- É que aquele homem, o filho do cobrador de impostos, algo nele me intriga...
- Melhor você se recolher, - interrompeu Haldar - essa noite já foi agitada demais para você.
- Mas ainda tem muita coisa para fazer e...
- É melhor você ir dormir, já disse! - Ordenou Haldar, antes que o garoto argumentasse demais.

Na manhã seguinte antes de todos, Ignus já estava de pé, antes mesmo que Haldar o chamá-lo. A noite não foi das mais tranqüilas, pois a imagem de Raiarath martelava a sua mente o tempo todo, quase se esquecera do incidente com Alur, mas quando acordou, ficou imaginando o que Haldar diria para Izac.

Assim que pôs os pés para fora do alojamento, viu um Haldar fingidamente preocupado sair do estábulo de cabeça baixa. Ele logo o viu e andou em sua direção, contou ao garoto que havia visto Alur bêbado ser atacado por um cavalo. Ignus logo percebeu que ele já tinha um plano e ficou contente por isso, principalmente porque seu nome não seria envolvido.

Após o desjejum a notícia já era conhecida por todos, Izac ficou particularmente chocado, sabia que Alur às vezes bebia um pouco, mas não a ponto de brigar com um cavalo. Haldar disse a ele, que provavelmente ele entrou bêbado fazendo muito barulho, deixando os cavalos agitados. Na certa um deles não deveria estar bem trancado, o que explicaria como o cavalo conseguiu sair da baia e atacá-lo. Todos aceitaram essa versão dos fatos, pois até os guardas confirmaram ter visto Alur entrar nos estábulos e ouvir o som de cavalos muito agitados. O restante do dia foi dedicado aos afazeres mais simples, depois ao funeral de Alur.


- Ignus, tenho que te contar uma coisa.

Haldar estava a alguns dias pensando em como contaria a Ignus, que o filho do cobrador de impostos era seu pai. Achou que contar isso durante um treino seria o ideal, pois estaria concentrado demais para pensar em qualquer outra coisa, mas mesmo que ele ficasse perturbado, poderia direcionar toda a sua raiva para o treino.

- O que houve Haldar?
- É que tenho algo a te dizer que não vai ser muito fácil para se compreender. - Falou enquanto o garoto se aproximava.
- Você parece preocupado...
- Lembra do dia da festa do pequeno Ezequiel? - Interrompeu.
- Lembro claro! - Respondeu surpreso.
- Lembra-se do homem em quem esbarrou aquela noite?
- Sim me lembro, era o filho do cobrador de impostos. Mas o que tem ele?
- Seu nome é Raiarath... Ele é o seu pai.

O coração de Ignus perdeu o ritmo, sentiu sua respiração falhar, suas pernas tremeram, o chão parecia ter desaparecido de seus pés. Sua cabeça virou um turbilhão incontrolável, sua mente foi levada até a noite em que viu Raiarath pela primeira vez, viu o olhar desconfiado dele. Alguma coisa dentro dele o alertou aquele dia, mas ele não sabia o que, sentia que aquele homem tinha algo de familiar, na ocasião não deu muita importância, nem sabia dizer o que, mas agora tudo fazia sentido. Tudo que seu avô sempre falou o que Haldar havia lhe dito sobre seu pai, tudo fazia sentido, embora tudo a gora parecesse muito mais confuso de que deveria.

Ele sentou-se em uma pedra próxima, apoiou a cabeça com as mãos, para tentar pensar melhor, olhou para o alto, respirou fundo, mas nada fazia efeito, cada vez que tentava se concentrar sua mente ficava mais confusa. Cada vez mais imagens de seu avô gritando com ele, dizendo que seu pai era o culpado de tudo surgiam como explosões em sua mente, sempre seguidas de imagens de seu pai olhando para ele e xingando-o, como se ele fosse um qualquer, sem que ambos soubessem que são pai e filho. Mas será que se ele soubesse que Ignus era seu filho, o teria tratado de outra forma? Ignus tinha certeza que não, pois viu em seu olhar que ele não seria capaz de tal ato, viu o quanto ele era arrogante.

Correu. Em meio ao desespero que havia em sua mente a única coisa que pode fazer foi correr. Ainda segurando a espada de treino correu para a floresta, sem se preocupar com nada, apenas queria correr. Haldar mal conseguiu alcançá-lo, até tentou segui-lo, mas o garoto foi muito mais rápido de que esperava, então ficou parado, impotente olhando para a floresta, enquanto Ignus desaparecia em meio aas árvores e gritava de ódio. Nunca em sua vida havia visto aquele olhar, nem mesmo nos inúmeros inimigos em que matou ao longo de sua vida havia visto aquele olhar que misturava angustia, frustração, dúvida e ódio, principalmente ódio. Mesmo agora longe ele ainda podia sentir o ódio de Ignus, sentia a aura de ira do garoto se espalhar tão rápido como poeira ao vento.


Um pássaro pousou num galho mais baixo de uma árvore, para ver se encontrava alguma fruta, mas logo ele alçou vôo novamente o mais rápido que pode como se estivesse fugindo de um predador. Mas o único ser vivo nas proximidades era um garoto prostrado ao lado de uma árvore, chorando de ódio e esmagando o punho da espada. Ignus era puro ódio por dentro e por fora. Até chegar àquele ponto da floresta, Ignus veio golpeando a esmo, acertando plantas, árvores sem se importar, apenas para tentar extravasar um pouco de sua raiva. Se estivesse em seu juízo perfeito teria visto o estrago que sua fúria causou na floresta, o rastro de devastação foi grande, como se um grande animal tivesse passado por ali.

Estava agora completamente isolado, perdido em seus pensamentos e questionamentos, dúvidas e anseios, mas nada em que pensava fazia por aclamar o que
sentia. Depois de muito tempo parado finalmente se deu conta de que não fazia a menor idéia de onde estava muito menos, como faria para retornar. Isso não lhe preocupava tanto, sua mente ainda latejava com o pensamente de que dias atrás havia finalmente conhecido seu pai, o homem que havia desgraçado sua mãe e toda a sua família e mo motivo pelo qual todos o odiavam, o culpado por tudo de ruim que havia acontecido para com ele até aquele dia. Decidiu que não adiantava mais ficar ali perdido e chorando de ódio por alguém que nem sequer sabia de sua existência, mas agora que sabia quem ele era, iria se vingar dele por tudo o que havia acontecido.

Depois de andar um pouco sem saber para onde ir, ouviu o som de cascos e rodas vindo do leste e acelerou o passo, quando encontrou não muito depois, uma estrada de terra, a mesma que já havia passado muitas vezes e agora fazia idéia de onde estava, embora ainda não soubesse a direção exata para a qual ficava a casa de Izac. Resolveu andar um pouco em busca de algum ponto de referência. Enquanto caminhava podia jurar ter visto alguém o observando a beira da estrada, mas a única coisa que conseguiu ver foi um vulto, desapareceu em meio a floresta que beirava a estrada. Alguns metros a frente avistou um desvio na estrada, o que significava que estava na direção errada e muito longe de casa, o que o fez pensar por quanto tempo ele correu pela floresta.

Enquanto voltava aproveitou para ponderar sobre a nova situação, nunca havia pensado que um dia saberia quem era o seu pai, mas agora que sabia a única coisa que pensava era em vingança, além do profundo ódio que sentia por ele, ainda mais agora que tinha a quem culpar por tudo que acontecera com ele. Pensou também no quanto havia sido infantil ao sair correndo e gritando, destruindo árvores floresta adentro como uma criança, coisa que ele não era e talvez nunca tenha podido ser.


Uma carroça vinha na direção oposta, Ignus mal notou quando se aproximavam, estava imerso demais em seus pensamentos. Havia três homens nela, um guiando e os outros dois na parte de trás conversavam alto e riam bastante. Quando passaram ao lado dele, algo chamou sua a atenção e resolveu olhar e viu que um dos homens que estava na parte de trás era o homem que um dia desgraçou a sua família, seu pai. Toda a calma que tinha conseguido recolher até aquele momento desapareceu instantaneamente, dando lugar a uma fúria cegante.

Sem pensar muito atirou a bainha da velha espada longe, correu em direção a carroça que se distanciava, quando estava ao lado dela golpeou a roda violentamente. O golpe foi forte o bastante para destruir dois aros e arrancar um pedaço da roda, fazendo a carroça quase tombar. O burro que levava a carroça se assustou e começou a correr fazendo a roda se desprender do seu eixo, por causa da súbita aceleração. Raiarath e o amigo que estava na parte de trás caíram rolando na frente de Ignus, enquanto o que guiava foi jogado para frente, sendo atingido em seguida pela roda partida e quase atropelado pela carroça que tombou e foi sendo arrastada pelo burro. Eles se levantaram com muita raiva e com o corpo todo dolorido pela força da queda, mal acreditaram quando viram um furioso Ignus parado a frente dele empunhando a sua velha espada de treinamento. Ignus mal esperou que Raiarath se levantasse, correu em sua direção e tentou atingi-lo com toda a força que pode, mas Raiarath conseguiu se esquivar a tempo. O amigo dele foi pego de surpresa e foi atingido no braço, devido à força do golpe, pois Ignus não conseguiu parar - não que ele pretendesse.

- Por acaso está louco garoto? - Vociferou Raiarath enquanto se levantava.
- Louco? DESGRAÇADO!

O brilho da espada refletindo a luz de Kioran ofuscou temporariamente a visão de Raiarath, no momento em que Ignus ergueu-a novamente para golpeá-lo outra vez. O segundo ataque foi ainda mais violento do que o primeiro, além de muito mais rápido, fazendo com que Raiarath não conseguisse se esquivar totalmente, pois mesmo com um salto curto para trás e inclinando seu corpo o máximo que pode a espada ainda foi capaz de rasgar a parte inferior de seu abdome, o corte não foi muito profundo, mas foi profundo o suficiente para estraçalhar o ego e a paciência de Raiarath.

- O que pensa que está fazendo moleque? - Vociferou Raiarath após levar a mão ao abdome e ver o sangue que brotava do ferimento.
- Eu vou te matar desgraçado! - Bradou Ignus apontando para ele com a espada.
- E quem você pensa que é? - Perguntou com ar zombeteiro.
- Eu sou o fruto maldito. - Respondeu fazendo alusão ao significado de seu nome - Sou o bastardo que teve a vida desgraçada por sua causa!
- Do que está falando?
- Lembra-se de Araia? A mulher da Vila Telessar que você estuprou covardemente? Eu sou o filho dela, fruto daquela covardia... SEU FILHO! - Vociferou Ignus apontando a espada para ele.

Por um instante Raiarath ficou completamente perdido, sabia que a garota havia tido um filho e que ela havia morrido depois do parto, pois a notícia se espalhou rápido, mas não imaginava que pudesse encontrara o garoto tanto tempo depois. A idéia de ser pai nunca lhe agradou, principalmente ser pai de um filho completamente indesejado, mas a situação era diferente, pois seu filho estava lá bem diante dele, alto forte e sadio.
Quando viu o garoto naquela noite na casa de Izac nunca imaginaria que ele pudesse ser o filho de Araia, já o havia visto algumas vezes quando era menor, pois sempre ia a Telessar cobrar os impostos, mas nunca imaginara que ele era o seu filho.

Anos atrás quando soube pela a própria Araia que ela havia engravidado dele, pouco se importou devido ao fato de ele ser de uma família muito mais importante do que a dela, além do fato que havia apenas se divertido com ela, não era sua culpa ela ter engravidado. Sempre soube também que ela não queria a criança, mas disso ela também era a culpada, pois não havia feito nada para abortar a criança. Então que culpa teria pelo que aconteceu com ela e com a criança? Que culpa teria se o garoto sofreu? Que culpa teve ele se ela foi frágil demais no parto, falecendo em seguida? Para ele sua parcela de culpa em tudo isso era zero. O garoto a sua frente era realmente parecido com a mãe, por um instante a viu no lugar dele, pois um dia ela também o desafiou da mesma forma que ele hoje. Viu seus traços impressos no rosto do garoto, que naquele momento mais parecia um homem completamente resoluto. Os olhos dele eram puro ódio e angustia, como se implorassem por algo que nunca teve, um sentimento fraternal talvez. Mas nunca obteria isso da parte dele, Raiarath nunca o reconheceria como filho, ainda mais um escravo órfão de uma simples camponesa.

- Então é isso... Sim eu me lembro dela! - Disse demonstrando seu típico ar de deboche. - Era linda, até cheirava bem para uma camponesa...
- Então reconhece o que fez? - Interrompeu Ignus questionando-o com a espada ainda erguida.
- Eu não fiz nada! A culpa foi toda dela, ela me seduziu, ela me levou até o celeiro, ela engravidou, não eu! - Falava enquanto gesticulava expansivamente e de forma irônica. - Se ela o teve, a culpa não é minha.
- Ela me rejeitou! Nunca quis que eu nascesse por sua culpa! - Vociferou novamente.
- O que eu tenho a ver com isso? Já disse, se ela o teve foi porque assim quis. Se ela te rejeitava como falava, por que então não te matou antes de você nascer?
- Você é um desgraçado, como pôde...
- O que voe espera de mim moleque? - Interrompeu Raiarath - Que admita que você sejas meu filho? Que te me desculpe pelo que possa ter te acontecido? Que eu te ame? Isso só pode ser uma piada muito sem graça. - Disse rindo sonoramente.
- Você desgraçou a minha família, matou a minha mãe e desgraçou a minha vida! - Berrou Ignus - Por sua causa eu vivo em um inferno sem fim! Eu... Eu vou matar você! EU VOU MATAR VOCÊ!

Nunca em sua vida Ignus havia sentido um ódio tão grande, momentos atrás Haldar havia lhe contado quem era seu pai o que o deixou em um estado de fúria que nunca havia sentido. Sempre soube por alto que seu pai não prestava, além do fato de ele desgraçado sua família ao difamar Araia publicamente. Sabia que por causa dele havia sofrido tudo o que passou ate aquele momento, mas agora que estava diante dele, que sabia quem era e como pensava, o ódio por seu pai havia atingido um grau tão alto que nem ele próprio seria capaz de calcular.

O sentimento que sentia era tão negativo e forte que fez com que os companheiros de Raiarath se assustassem com o garoto, tamanha era sua ira fazendo com que sua aura transmitisse o que sentia, afetando-os. Raiarath viu uma densa sombra pousar sobre Ignus, fazendo com que o ambiente a volta dele parecesse escurecer momentaneamente. Viu o momento em que o garoto atirou contra ele com a espada em punho, pronto para dilacerar seu peito, com uma fúria assassina que nunca havia contemplado antes. Porém por mais forte, rápido e habilidoso que Ignus fosse, por mais alto e desenvolvido que fosse para alguém de sua idade, ainda era uma criança e Raiarath um homem. Seus braços e pernas não eram tão longos quanto os de seu pai, tão menos seus músculos tinha a mesma força. Seu golpe foi perfeito, mas desta vez Raiarath já o esperava conseguindo escapar no último instante, mas mesmo assim ainda teve seu flanco direto atingido pelo golpe.

O garoto não enxergava mais nada a sua frente a não ser Raiarath, todo o resto a sua volta pareceu sumir-lhe de sua visão. Seus olhos estavam estáticos em seu alvo, todos os músculos de seu corpo estavam tensos, prontos para a próxima investida que nunca veio. Os companheiros de Raiarath se aproveitaram de excesso de atenção em seu pai, conseguindo apanhá-lo de surpresa e imobilizá-lo. O garoto foi completamente surpreendido, mas não se entregou sem luta. Enquanto bradava contorcia seu corpo freneticamente com uma serpente enlouquecida, dando guinadas violentes de um lado para outro, a fim de se livrar de seus captores, que por pouco não o soltaram, caso Raiarath não tivesse chegado logo. Vendo que o garoto estava indefeso, Raiarath começou a socá-lo com força em todas as partes de seu corpo que conseguia enxergar. Um dos golpes atingiu em cheio a fronte do garoto fazendo-o amolecer completamente e parar de lutar para se soltar. Seus companheiros largaram o garoto no chão assim que ordenou, fazendo o cair de cara no chão quase inerte. Mas antes que Ignus pudesse recobrar totalmente os sentidos, Raiarath e seus companheiros começaram a espancá-lo, cobrindo-o com pisões e pontas-pé com grande violência, enquanto riam sonoramente do garoto que ia de um lado para o outro sem poder fazer nada. A visão do garoto estava começando a turvar quando percebeu que os ataques pararam subitamente, começou a ouvir gritos e soins de batalha, mas tudo a sua volta girava e sua visão não estava muito boa, nada pode ver até que tudo foi escurecendo e perdeu os sentidos.


Acordou de um salto, com o corpo repleto de escoriações e todo dolorido. Madalena estava ao seu lado, preocupada com os olhos úmidos e a face avermelhada. Viu Izac em pé perto da porta conversando com Haldar, visivelmente preocupado e furioso. Todos se assustaram quando o viram levantar subitamente, mas em fim aliviados que tivesse acordado. Seu rosto estava completamente inchado, havia lavado tantos golpes no rosto que teve o nariz quebrado, perdera alguns dentes e tinha vários cortes no rosto. Pelo que Haldar lhe falou depois, tinha partido duas costelas e estava com vários hematomas espalhados pelo corpo, o que o deixou com muita raiva, mas teve sorte de estar vivo tamanha fora a violência do que sofrera.

Ficou sabendo que Haldar tinha partido para procurá-lo na floresta, algum tempo depois que havia desaparecido. Como não voltou, Haldar designou dois soldados para o acompanharem em uma busca. Haldar foi pela floresta, seguido de um dos soldados, enquanto o outro a cavalo pela estrada. Inicialmente seguiram a trilha de devastação deixada por Ignus, foi quando soube do estrago que havia feito e ficou particularmente surpreso. Acharam o ponto onde parou, mas depois tiveram dificuldade de saber por onde havia seguido, pois como ele não era muito grande, não tinha feito uma trilha para seguir adiante, também não havia tal necessidade, já que a mata não era tão densa.

Por fim Haldar lhe contou que o soldado que seguiu pela estrada, viu quando ele estava dialogando com Raiarath então fez um sinal sonoro para que eles pudessem ir até a estrada, como combinado caso alguém o avistasse. Por sorte chegaram a tempo de salvá-lo, tiveram um pequeno embate com Raiarath e seus companheiros, mas eles conseguiram fugir se embrenhando na floresta. Ignus lembrou-se do vulto que viu o observar, perguntou se havia sido algum deles, mas Haldar confirmou que só o encontraram no momento em que estava sendo espancado.

- Por que não consegui matá-lo? - Perguntou Ignus com dificuldade, repleto de dor e angustia.
- Eles eram em maior número...
- Mas você me treinou! - Questionou o garoto quando as lágrimas começaram a brotar-lhe. - Eu deveria ser capaz de conseguir matá-lo!
- Mas não foi possível. - Disse Haldar em tom apaziguador. - Não se culpe por seu fracasso, você foi valente e honrado, diferente deles.
- Do que adiantou? Eles quase me mataram.
- Entenda uma coisa: eles eram três homens mais velhos, mais fortes e mais experientes que você. - Falou conclusivamente - Não havia como você tê-los derrotado.
- Obrigado por ter me ajudado. - Agradeceu sinceramente
- Não se preocupe Ignus! Eu irei treiná-lo novamente, agora você será um guerreiro de verdade. Você terá sua vingança!


8 comentários:

  1. Muito legal seu Blog!

    =D

    Depois da uma passadinha no meu:

    http://segurancaeinfo.blogspot.com/

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  2. que texto enooooorme!!...rs
    mais legal gostei
    ate+

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  3. Muito bom PK.
    Saber a origem do Ignus é muito bom, mas você bem que podia colocar uma coisa ou outra sobre o Terion e o Gigantus.
    Depois claro, a ansiedade é foda, vivo colocando a carroça na frente dos bois =p

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  4. Texto muito bem escrito e criativo, parabéns!!
    Um abraço!

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  5. Mais uma vez, aquele desenvolvimento fantástico da narrativa se faz presente. E dá-se a impressão de desenrolar um filme e não um texto. Você consegue uma riqueza de detalhes de alto nível nas narrativas. É sempre bom passar por aqui.

    PS: Voltando dos mortos, mas ainda com um pé na cova (rs).

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  6. "Pow, isso daria um RPG hein?"

    Eles sabem, auhauhauau !

    E venho aqui, hoje 18/07/07, cobrar algum texto sobre o SDD =p
    Claro depois do desenrolar do conto da segunda guerra =)

    PS.: Ricardo posso passar ai no domingo ?

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  7. A cada capítulo que eu leio mais vontade eu tenho de jogar. PK você tem que parar de enrola e mestra Drax pra gente.
    Mas tá muito bom meeesmo a historia do Ignus.
    beeeeijos

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