Geográfia do Crime

A criminalidade no Rio de Janeiro já é nossa velha conhecida, ela já é tão intima de nós cariocas, que por muitas vezes entra em nossas casas sem convite prévio, mas também para quê?

Mas agora uma coisa coisa que nunca ficou muita clara finalmente será esclarecida, pois graças ao MEC (Ministério da Educação) acaba de sair um livro novinho em folha com um mapa do município do Rio de Janeiro, com as devidas demarcações de qual facção criminosa comanda qual área. Agora sim até os professores vão poder esclarecer essa dúvida em suas aulas. Basta saber como esses dados serão atualizados, após cada incursão de uma facção rival.

Bom para quem não sabe do que estou falando, segue abaixo a notícia:


"Professores do Rio criticam conteúdo de livro didático indicado pelo MEC

Plantão | Publicada em 03/07/2007 às 15h16m

Agência Brasil

RIO - Professores da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro estão preparando um documento a ser enviado ao Ministério da Educação (MEC) criticando o conteúdo do livro "Geografia-sociedade e cotidiano", da editora Escala Educacional. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, os professores alegam que, em um dos capítulos, o livro apresenta um mapa do Rio de Janeiro com a indicação de qual facção criminosa comanda cada uma das favelas cariocas.

- Esse livro não pode ser adotado. Trata-se de um livro antipedagógico, é uma agressão ao povo do Rio e não condiz com o que nós queremos, que é clareza na tarefa ensino-aprendizagem - justificou o professor Arnaldo Niskier, que foi ministro da Educação e secretário estadual de Educação.

O material faz parte da lista do Programa Nacional do Livro Didático, enviada pelo MEC às escolas públicas para que elas escolham os livros que desejam adotar no ano seguinte e os recebem gratuitamente. A obras questionada destina-se a turmas da 6º série do Ensino Fundamental.

Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Maria Beatriz Rios, o assunto é delicado, mas merece uma abordagem séria e responsável em sala de aula. Segundo ela, o sindicato ainda não se reuniu para analisar a questão, mas os profissionais da educação estão se mobilizando para avaliar que medida pode ser tomada.

- Não tem como esconder essa realidade [do tráfico] dos alunos. Eles vêem isso o tempo todo na televisão e nos jornais. Muitos deles até convivem com essa realidade nas comunidades onde vivem. Temos que ver apenas a maneira como tudo isso será abordado em sala de aula.

O Ministério da Educação informou que não vai se pronunciar sobre o caso. A assessoria de imprensa do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), responsável pela compra e pela distribuição dos livros, explicou que a seleção dos títulos é feita depois que editoras de todo o país inscrevem suas obras em um cadastro no FNDE, que encaminha a lista geral para a Secretária de Ensino Básico, também do MEC. Essa secretaria seleciona uma equipe de professores ligados a universidades, especialistas em cada disciplina para avaliar os livros. Ao final, eles decidem a lista definitiva a ser encaminhada às escolas públicas.

Arnaldo Niskier criticou ainda os métodos de escolha do material didático:

- É preciso haver maior transparência nos métodos de escolha pelo MEC. Esses livros são escolhidos de maneira misteriosa, e isso é um problema grave. Ninguém conhece os critérios de avaliação, quem são os avaliadores, por que um deve e outro não deve ser aprovado."



Entenderam agora? Bom deixando o tom irônico (um pouco) de lado, vamos ao que interessa.
É impressionante como a comissão avaliadora do FNDE, deixa passar certos absurdos, o que nos leva a crer que ele nem ao menos devem ter se dado o trabalho de ler o material que tiveram em mãos, no máximo apenas folhearam , acharam o título bonitinho, gostaram das figuras e mandaram para a avaliação da
Secretária de Ensino Básico.

Se isso fosse uma matéria de algum jornal ou de alguma revista, tudo bem, até se entenderia, mas livro didático? Para crianças da 6ª Série?
Sem falso moralismo, hoje realmente a violência está o tempo todo estampada nas primeiras páginas de qualquer jornal, nos noticiários televisivos, em revistas semanais, em qualquer lugar.
Se um professor decide abordar tal tema em sua aula, o problema é dele, mas expor a divisão territorial das facções criminosas, como dado relevante do ensino acho que já é demais.

Não podemos tapar o sol com a peneira, já que infelizmente essa é uma realidade e casos de pessoas que saem de uma área dominada por tal facção, que são mortas quando vão a área de outra facção, são constantes e quem deveria garantir nossa segurança, está atrás de uma bela mesa em sua ampla sala muito bem decorada, ganhando seu "suado" salário, dizendo que: "não é possível fazer mais do que já está sendo feito". Mas o que está sendo feito?
A polícia tem condições de encarar a criminalidade de frente e vencê-la? Até tem, mas não faz, não por falta de preparo ou equipamento, mas por falta de alguém que realmente se interessa por por ordem na zona em que nos encontramos e também por falta de incentivo.

Agora no período dos Jogos Pan-Americanos, o Rio há de ser maquiado e todos pensaremos que vivemos em uma cidade calma e pacífica. Acho todos já conhecemos esse filme desde de a Eco 92, quando os militares invadiram as ruas, armados até os dentes e com carros-de-combate (vulgos tanques-de-guerra), o que nos proporcionou a ilusória sensação de segurança.

Se vivemos em uma cidade onde mal se da importância quando uma cidadã de bem, trabalhadora é espancada por degenerados delinqüentes (onde está a OAB? E o pessoal dos Direitos Humanos?), se vivemos em um país onde a impunidade é uma constante e dura realidade, não é de se espantar que tais coisas figurem em livros de geografia para crianças.


Nota (18:00h): Criei esse artigo com a intenção apenas de mostrar a que ponto chegou a violência e os absurdos gerados por ela. Sou completamente a favor que o tema seja amplamente abordado em salas de aula, pois a verdade tem que ser dita, não importa ela qual seja.
Mas fica aquele pensamento: a que ponto chegamos...

8 comentários:

  1. ta afim d trocar banners ou links??

    www.bloggandia.blospot.com

    e

    www.historiasdoorkut.blogspot.com

    abraço

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  2. Cara, eu até concordaria com uma abordagem sobre o tema e mostrando mapas, pois isso faz parte da realidade dos morros. Mas não deveria ser um tópico "obrigatório e didático" contido em livros.

    Mas como sempre eles tentam esconder a realidade, sempre tentam mostrar que tá tudo bem.

    Nos livros sempre vem uma foto de Copacabana, do Cristo, mas nenhuma do morro. Cara, a violência hoje em dia é fato, eu acho mais do que válido analisar essa situação em sala de aula!

    Valeu pelo comentário no meu blog!
    abraço!

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  3. na minha opinião eles fazendo isso estão se mostrando passiveis em relação ao crime, ao invez deles irem resolver esse problema de uma ofrma drastica eles estão mapeando onde vc "pode e não andar" como se vc estivesse em um parque com restrições para certas idades... eles tem q resolver isso de forma clara e não assim...
    sei la pode ser uma grade bobagem oq eu escrevi mas é oq eu penso

    bjus meus queridos

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  4. Como sempre, absurdos como este só deixam transparecer a ineficiência e a corrupção que se instalam no serviço público. Certamente, os livros em questão, nem sequer foram lidos. A editora deve ter entrado com um pacote (talvez de dinheiro) e seus livros foram aprovados. Apesar da defesa do autor (vista hj nos jornais), acho uma imbecilidade lotear a cidade por facções criminosas e ensinar isso para crianças. É aceitar e se curvar ao poder paralelo dos criminosos. Visão tacanha e simplista de quem não está "nem aí" para a criançada.

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  5. Sinceramente, eu acho que censurar esses livros é nada mais nada menos do que abaixar a cabeça pro tráfico. Sim, porquê, ao ignorar uma coisa presente no nosso dia a dia só porque não conseguem erradicá-la, é sinal de hipocrisia.

    O ideal seria que primeiro fizessem algo de concreto sobre essa questão do tráfico, pra depois ir reclamar do modo como os livros didáticos abordam o tema.

    Quando eles não querem esse tipo de informação num livro didático, quer dizer que o que eles não querem é ver a incompetência e o fracasso deles perpetuado num objeto de estudo, ao alcance de pré-adolescentes.



    *Valeu pelo comentário! Cara, você por acaso não estuda na Faetec? Se não, deixa pra lá, é que eu te achei meio parecido com um sujeito que eu via lá ano passado.

    =]

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  6. A que ponto chega a educação no nosso país!!??

    Sou professora, de escola pública em MG e nosso dia-a-dia é uma luta constante ao tráfico, a covardia, a falta de estabilidade nas famílas, ao desemprego, e tantos outros problemas.

    Agora pergunto? O que é ser antididático num país onde a educação é não tem valor?? Difícil né??

    Gostei da notícia, é bom saber o que se passa em outros estados.

    Um abraço!!

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  7. já coloquei seu link nos 2 sites =DD


    abraço até mais

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  8. O mundo pertence aos ardilosos.

    Agora eu entendi porque continuo pobre.

    E sem entender onde é que pretendem parar com toda essa falta de senso.

    Excelente texto!

    abraços

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