O Último Despertar de Outono - Capítulo 1

Depois de muito prometer, comecei a escrever o conto que se passa na Segunda Guerra. Os primeiros capítulos vão apresentar alguns personagens da trama, pra entenderem algumas motivações ou compreensão melhor das coisas. Trata-se efetivamente de um romance, e apesar de se passar na Segunda Guerra (mas começando no período entre a Primeira e a Segunda) vou dar prioridade a isso.

Convém lembrar que é uma ficção, e que podem aparecer algumas incongruências com relação a história oficial (nem sempre "oficial" significa que tenha acontecido) e com o tempo devo corrigir isso em posteriores revisões do material. Porém, como o período histórico é apenas pano de fundo vou acabar passando batido por muita coisa.

Agradeço a ajuda de algumas pessoas que estão me passando dados referentes a armamentos e outros fatos da Segunda Guerra, ou mesmo que se prontificaram, dentre elas:
Karsaeras, pelo suporte no idioma.
SkyWay, pelo fornecimento de informações a respeito de armas.
Laboratório de Geografia, que vai me fornecer mapas.

No mais, sem enrolar, coloco o primeiro capítulo do conto...



O Último Despertar de Outono
Parte 1 - "Bom Dia Alemanha!"


"...Bom dia ouvintes de Freudenstadt, está entrando no ar o programa de notícias da sua Rádio KLWY-11 no ano de em vinte e cinco de maio de 1924, com notícias de toda a Alemanha. Informamos que os militantes envolvidos no episódio chamado de "Putsch da cervejaria" provavelmente serão soltos em breve... E parece que um deles, chamado de Adolf, está escrevendo um livro sobre o oco..."

Clic! O rádio foi desligado.
O unico som permitido naquela manhã era da voz sublime de uma das divas alemães, Marlene Dietrich (foto), que cantava antes das notícias matutinas. Com o fim da música, findou-se o motivo do rádio estar ligado. E depois que o rádio foi desligado, o silêncio qeu veio só foi quebrado pelo som das salsichas e os ovos ardendo na chapa quente. O saboroso aroma já invadia todos os cômodos da casa e alguns vizinhos também começavam a respirar fundo para se deliciarem com o cheiro. O jovem Erik Shüber imediatamente comepreendeu que já passava da hora de acordar, ergueu-se de sua cama e correu em direção a cozinha, afobado como sempre, para ser o primeiro a se deliciar. Sua mãe, sem dizer uma única palavra pega sua colher de pau e a acerta em cheio na mão de Erik, que estava quase conseguindo pegar um pedaço.

A residência da família Schüber era simples. Possuía apenas um andar, de aparência típica, de parede de tijolos vermelhos e cercada por um jardim muito bem cuidado pelo Sr. Shüber, o chefe da família, um fazendeiro que trabalhava com o cultivo de flores, exportadas para a Suíça. No primeiro andar da casa tinha uma pequena sala, uma cozinha rústica e o quarto dos donos da casa, no caso, os pais de Erik, além de dois banheiros, sendo um no quarto do casal. Subindo uma escada de madeira de lei, construída no corredor da casa, chegava-se ao sótão onde nele ficava o quarto de Erik.

O cômodo era simples como a casa, com apenas uma cama de solteiro, um armário de roupas e um criado-mudo. Ainda dentro do quarto, separado apenas por um grande biombo de madeira, estava a caixa d'água da casa. Obviamente essa "parede" improvisada deixava o quarto do jovem bastante úmido em determinadas épocas do ano, mas não impediu que nessa mesma parede de madeira fosse colado um pôster com a foto de uma sósia da cantora alemã Marlene Dietrich, em trajes sumários para a época, e provavelmente essa imagem povoava a mente do jovem nas noites mais solitárias, onde ficava cantarolando suas músicas e se imaginando também um cantor.

Eles moravam em uma cidade, pequena até demais, localizada entre montanhas dentro do que hoje é o estado de Freudenstadt, quase na fronteira com a Suíça. Era uma localidade de costumes agarrados ao século 19, onde os maiores sinais da industrialização era a presença de carros de transporte de carga. Os moradores em si não usavam carros, e até os temiam. Temores resquícios da Primeira Guerra, onde os primeiros carros que viram foram os Tanques que invadiram seu país e destruíram grande parte das plantações.

Mas os danos materiais e, principalmente, pessoais foram mínimos se comparado ao restante da Alemanha. Como dito, a cidade era afastada da civilização, e próxima da Suíça o suficiente, que durante a Primeira Guerra escapou quase intacta das ofensivas tanto aliadas quanto Alemãs. E esse isolamento assegurou que a depressão que se seguiu após a derrota alemã não os atingisse de modo significativo, pois por ser uma cultura praticamente de subsistência bastou apenas replantarem tudo que foi destruído para a vida continuar seu fluxo normal, dentro dos limites de tolerância, ao menos naquela região. A única espécie de comércio que atravessava as fronteiras da cidade era a de flores para a Suíça, e com a decadência da economia alemã nunca vender flores foi tão lucrativo quando nesse ano.

O Sr. e a Sra. Shüber sentaram-se a mesa daquela manhã. Erik lavou suas mãos e sentou junto aos pais. Por costume, e provavelmente pelo tamanho da casa, todos tomavam seu desjejum na sala, em uma pequena mesa de jantar. Era um momento familiar raro, pois depois daquele horário o Sr. Shüber iria para as plantações, a esposa cuidaria dos afazeres domésticos e Erik iria para o seminário. Não que desejassem um filho padre, mas era desejo de seus pais que se tornasse algo mais na vida que um simples fazendeiro, e a única coisa na região mais próxima de uma escola era um mosteiro beneditino, a única instituição de ensino poupada pela guerra em todo o vale, localizado na estrada entre as fazendas e a cidade em si.
- Lembra o que aconteceu em Munique? - Comentou o Sr. Shüber, enquanto mastigava um pedaço de pão com uma fatia de salame. - Parece que aqueles jovens, os tais nacionais socialistas vão ser soltos em breve.
- Tomara que sejam, pois do jeito que as coisas estão não dá pra suportar... - Comentou Erik, tomando em seguir um grande gole de leite. - É bom termos alguém que se preocupa com nosso país.
- Pare de besteiras filho! Você nem era uma criança, sequer de colo, quando os tanques invadiram isso aqui e destruíram tudo pelo caminho! E olha que eles nos pouparam! Já viu fotos de Berlin? Munique? Você mal aprendeu a se limpar, vai querer se envolver com esses loucos... Quando estive na capital pra negociar flores com os suíços mês passado vi a farraronice desses jovens desse partido! Liderados por aquele fanfarrão do Adolf Hitler... Do jeito que o povo é tolo eles vão acabar ascendendo ao poder... E daí vai começar tudo de novo. Verfluchte!
- Deixe disso, Ludwig, você é sempre trágico. - Disse a Sra. Shüber - Eu andei lendo a propaganda deles, e eles parecem ser bem razoáveis, dão valor ao país...
- Mein Gott, Katharina! - Interrompeu Ludwig, ríspido, socando a mesa. - Razoáveis? Você disse razoáveis? Esse tal partido de scheiße! Eles são tão estúpidos que vão acabar caindo nas graças do povo... Tudo isso culpa dos franceses e dos ingleses. Verfluchte!
- Basta de política no café de hoje, Ludwig... - Setenciou Katharina, sentindo ser inútil "discutir com uma porta, ainda mais com uma rangendo.", como pensava naquele instante. - Como estão as flores dessa safra?
- Maravilhosas, semana que vem irei a capital pra negociar novamente, e dessa vez levarei Erik conosco, ele precisa aprender a negociar.
- Negociar com apenas dez anos? Só se forem balas e doces... - Indagou Katharina, levantando-se da mesa sorrindo, e levando seu prato para a cozinha. - Ah querido, você é inteligente, mas costuma dar umas recaídas...
- Quer ver outra recaída?

Sr. Shüber levantou-se da mesa subitamente e ergueu a mulher no colo. Erik imediatamente se levantou e correu para seu quarto, sem sequer lavar mãos ou rosto. Apesar de muito novo, o pai lhe ensinara a respeitar os momentos íntimos dos adultos. Não sabia o que faziam, mas o que quer que fosse não era de seu interesse. Sua mãe sempre gritava nessas horas.

Duas horas depois Erik chegava ao seminário, levado pelo pai de carona na charrete. Despediu-se de seu genitor e sem muita disposição para os estudos, como é comum na idade, foi em direção a entrada do local. A primeira coisa que fez ao chegar na porta foi desperdir-se de seu pai, que já sumia no horizonte rumo a fazenda. A segunda coisa que fez foi entrar no mosteiro.

Continua...

"Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência, os nomes foram resultado de pesquisas em sites os mais diversos. Discrepâncias com a história oficial podem ocorrer em virtude de falta de informações de fácil acesso a respeito da Alemanha da Segunda Guerra... Ou é proposital mesmo."

9 comentários:

  1. velho ficou doido de mais esse texto... cara.. continua a escreve-lo.. parabens.. depois passa lá http://clubdosatoas.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  2. Eeeeeeeeeeeeeeeee, já sei onde virei todos os dias ler uma estória boa... bem, acho que vc vai atualizar todos os dias, né?! Risos...
    Muito legal... Beijos.

    ResponderExcluir
  3. Que projeto, que maravilha!!!

    Como faço para te enviar os mapas e as imagens!!???

    Um grande abraço!!

    ResponderExcluir
  4. Link interessante:

    http://veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/index_flash.html

    ResponderExcluir
  5. Achei teu blog lá na comunidade de blogs do orkut... Adorei teu texto, parabéns.

    Kuß.

    ResponderExcluir
  6. Excelente texto meu amigo !

    E seguindo a linha do Cristo, pelo post passado... não é que ganhou? O.O

    ResponderExcluir
  7. Mais um texto brilhante. A atmosfera foi perfeitamente criada e, quem lê, se sente transportado para dentro da cena; com profunda clareza e riqueza de detalhes. "Show de bola"!

    ResponderExcluir
  8. Parabens!!!

    O texto está ótimo!!!!

    ResponderExcluir

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.