Um Conto de Tempestade.

Conto curto e antigo, do tempo em que escrevi meu livro, mas pouco depois de lançá-lo. Nele coloco uma participação curta de um dos inimigos clássicos de SdD.

Um dia começarei a postar os capítulos do meu primeiro livro... Um dia.

Ou não.


Um Conto de Tempestade.

Dois olhos cruzavam a vila. Olhos infantis. Olhos de criança. Caminhavam felizes e até onde se tinha alguma noção, pareciam contentes. Havia ganhado sua primeira moeda de bronze. Compraria um doce. Um doce não. Vários. Era uma criança boba e alegre. Mas era feliz. Era a hora em que a taverna vendia doces as crianças. Nas primeiras horas da manhã. Antes que os viajantes e os guerreiros próximos chegassem.

A criança não percebia o que adultos percebiam. Corria dócil para o taverneiro. Com seu pequeno tostão comprou seu doce. Afável o taverneiro lhe afagou a cabeça e a criança correu. Enquanto corria, um homem, de armadura prateada e longos cabelos cinza, entrava na taverna. Feliz, a criança corria para casa. Sem perceber que sons de mesas e cadeiras se quebrando vinham da taverna.

Correu. No seu caminho contrário homens corriam na direção da taverna. Todos armados com as armas que dispunham. Foices, martelos, facas. Inocentes fazendeiros correndo em direção da taverna. Um brilho branco veio de lá. A luz iluminou a criança projetando sua sombra alguns metros adiante de seu caminho. Saltitava feliz, ignorada pelos cavaleiros que agora passavam. Parou, quando um pequeno pedaço brilhante da lâmina de uma espada caiu diante dela.

Pegou-a com seus pequenos dedos. Olhou deslumbrada o reflexo do brilho que vinha de suas costas. Precisava mostrar a sua mãe. Correu mais rápido. E chegou em casa. Sua mãe o abraçou e chorou. O menino retribuiu. Amava-a muito. Sua mamãe. Mostrou o doce a sua mamãe, que riu feliz por ele não perceber o que acontecia. Então seu pai entrou, com o corpo sujo e manchado de vermelho. Apontou para o quarto da casa.

Mamãe tomou seu filho em seus braços e o levou. Trancou a porta. A doce criança comia seu quitute. Tinha apenas seis anos, gritava sua mãe. Sons do outro lado da porta. Som de algum líquido escorrendo. Som de algo se partindo. Uma luz branca vinha da sala. Uma pequena risada. A mãe jogou móveis na porta. A criança ria, pensando ser alguma nova brincadeira. Mamãe tornou a abraçá-la forte. Mesmo quando aquele homem, de armadura brilhante e cabelos cinzas, derrubou a porta. Abraçava mais forte. Dizia que o amava muito. Que sempre estaria com ele.

O homem se agachou diante deles e tomou a mãe com seus fortes braços. Som de algo se partindo veio da mamãe. Lágrimas correram de seus olhos quando seu pescoço foi virado até de encontro aos olhos do homem. O homem trajava um chapéu de metal circular, que impedia a criança de ver seus olhos. Mas via mamãe murchar. Mamãe chorou e tremeu. Seu corpo tombou. Ao tocar o chão se transformou em ossos. A criança olhou para o homem. Era um "homem mau", pensou a criança. O "homem mau" se agachou diante dela. O "homem mau" falou:
- Interessante. - Disse o homem mau, limpando a boca da criança, ainda suja de doce. - Deveras interessante o quão a inocência é algo valoroso. Devia ser menos infante. Pena.
- ...

O homem se levantou. Caminhou para a porta, deixando a criança sozinha. Saiu da casa. Olhou para trás. Viu a criança na porta, ainda segurando o resto da lâmina. Acenou amigavelmente. Hoje não precisava mais se alimentar.



Mas também não poderia deixar testemunhas. Seu corpo foi coberto de eletricidade e seu sorriso tornou-se mais doentio. Do nada uma luz branca iluminou tudo e um imenso trovão atingiu a casa. O pedaço de lâmina voou pelos ares com a pequena mão presa nele. O homem sorriu satisfeito. Não havia perdido a prática. E apesar de dentro dele uma voz ecoar em sofrimento, ele sabia ser mais forte que essa voz.

E se sentia satisfeito, permitindo-se até cantarolar.

11 comentários:

  1. Esse eu não conhecia.
    Está muito bom! Tempestre fazendo das suas, quase dando uma de Michael Jackson.

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  2. Ja pensou em escrever roteiro pra filme de terror? ficaria melhor q os q surgem hj em dia,rs

    bj

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  3. Vc gosta deste tipo de conto ne? Já não é a primeira vez que vejo isso por aqui, eu gosto tbm, são excelentes construções porque imagina-se perfeitamente cada quadro.

    Mas gosto do final. =)

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  4. posta o livro sim!

    mas em trechos menores, tipo uns 3 ou 4 paragrafos de cada vez.. pode ser interessante!

    valeu

    http://macacoprimata.blogspot.com

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  5. Mais um excelente conto, perfeitamente ambientado e ricamente descrito. Delineia-se cena a cena com uma clareza incrível. Muito bom.

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  6. Muito bom Dragus!
    Você tem que postar mais coisas dos Seguidores, algo dos primórdios sabe =p

    E sobre o livro, acho que seria muito interessante postar trechos aqui.

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  7. Forte eim!

    Não sei se consegui captar a mensagem dado meu alto teor de loirice, mas gostei.

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  8. vc desenvolve bem os textos! continue, tem instinto cativante de suspense!

    bj

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  9. O texto prende... aii.. moço... como é q eu vou dormir agora...

    mânhêêêê!!!

    (rsrsrs)

    www.maneirissimo.blogspot.com

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  10. Nossa viajei!! D+!
    Quando venho aqui fico um tempão e saio querendo mais,rsrsrsr...
    beijos

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