Bienal do Livro - Impressões I

Se existe uma coisa que podemos ter a certeza em relação ao público brasileiro é:

"Se você quer atrair ovelhas ao matadouro, basta colocar uma placa de 'Meia-Entrada liberada' nela."


Sério, foi exatamente assim que me senti pouco antes de me imaginar um representante legítimo da Coqueiro, aquela empresa que produz sardinha em lata.

Tudo começou semana passada, durante uma praia (que será tema de conto do PK, da série "Como Não Ir...", onde eu, Pk e nossas respectivas esposas manifestamos nossos interesses de dar uma olhadela (e quem sabe, uma "compradela") na XIII Bienal do Livro... Vendo agora a numeração do evento, o 13 do Zagallo, me dei conta que deveria ter ido munido de arruda, pé de coelho e ter me benzido com o Exú-Tranca-Rua. =/

Durante o transcorrer da semana, esse idiota, ou melhor, eu, o Dragão Rosa*, vi em um inocente vagão de metrô que estava acontecendo uma parceria entre a organização do evento e o Metrô, onde quem pagasse a quantia módica de 4 reais poderia ir ao evento pagando meia-entrada. Pronto, mordi a isca, ou melhor, o Dragão pensou que a princesa estive sozinha e não viu que a lança do cavaleiro estava já lubrificada e apontada para sua cloaca (mas o cavaleiro errou o alvo... eu acho... nunca mais vi o cavaleiro... estou me sentindo feliz... opa... melhor ir no banheiro, escuto sons de socorro...). Eu caí no conto da Meia-Entrada e não sabia, ou melhor, ainda não sabia...

Liguei para Pk e combinamos tudo. Como temos mais crédito no cartão do que dinheiro no bolso (e por sinal, menos miolos que dinheiro...) optamos pelo caminho mais barato. É, era o caminho mais barato, pois o dinheiro que economizaríamos com os bilhetes nos permitiria comer no evento, exatos 6 reais economizado para cada casal. Esse argumento foi perfeito, e nós quatro (eu, pk e nossas esposas) concordamos que combinaríamos de pegar o metrô no sábado para ir ao evento.

Finalmente chega o grande dia. Pk e sua esposa vêm de Paquetá (uma ilha de titica cercada de esgoto por todos os lados, parece até até brasília, mas com menos lama) e nos encontramos 12:30 na Estação de Metrô da Carioca, no Centro. Compramos nossos bilhetes (que eram dois, um do metrô + integração, e outro com o desconto propriamente dito e a passagem para o Rio Centro) e juntos, mas sem mãos dadas (porque apesar do cavaleiro, esse Dragão é espada... apesar de rosa), partimos em nossa empreitada rumo ao desconhecido.

O trajeto era simples, por sinal, consistia em pegar o Metrô na Estação Carioca, saltar na Estação Siqueira Campos e pegar uma baldeação com o ônibus do próprio Metrô para a Barra da Tijuca, no terminal Alvorada, onde de lá usaríamos um bilhete a parte e com ele pegaríamos um terceiro ônibus para o Rio Centro, onde munidos de um pedaço desse bilhete conseguiríamos nossa tão desejada meia-entrada. Pelos meus cálculos e do Pk levaríamos uma hora e meia e chegaríamos no evento por volta das 15:00. Andaríamos por tudo aquilo e depois emendaríamos até o Barra Shopping (na saída) para comer algo com nossos poderosos cartões de crédito de limite quase estourado.

Mas quem disse que eu e Pk somos bons com números? Nossos cálculos não levaram em consideração o povo... E quem esquece do povo, se fode.

Chegamos finalmente a estação Siqueira Campos, onde em nenhum momento sequer sentamos, pois o vagão estava surpreendentemente cheio para um sábado de sol. Pensei até que pudessem ser pessoas dispostas a ir no evento, mas não levei a sério meu pensamento correto e quase paranormal. Entretanto as estações foram avançando e o metrô não ezvaziava, ao contrário, enchia, e quando finalmente saltamos na Siqueira Campos uma multidão seguiu para o mesmo lugar onde estávamos indo: a integração.

Como já tinha pego integração antes, julguei serem apenas pessoas indo para outros lugares desse serviço (que geralmente termina na PUC que pariu). Enquanto subia as escadas rolantes que dariam para a rua, de onde pegaríamos o ônibus do PAN (quem disse que o PAN acabou? O solzinho agora desbota nas estampas do Metrô... ele era laranja e está amarelando, igual alguns políticos do PAN) para a Barra, um de nós disse a seguinte pérola:
- O dia está lindo... Nada de errado pode acontecer!

Pronto, as palavras mágicas foram ditas!

Nunca, mas nunca elogie a situação que está passando quando está fazendo qualquer tipo de aventura ou passeio, nunca. Nunca diga que "poderia ser pior" ou "nada pode estragar", pois essa invocação trás da cova Murphy e com ele suas malditas leis... E quando o efeito de Murphy começa, é impossível voltar para trás.

Continua na próxima postagem...

* Se quer saber o motivo pelo qual me chamo Dragão Rosa, aguarde 1º de Outubro... =P

16 comentários:

  1. Cara, estou cada vez mais envolvido por essa história. AS furad... ôpa! aventuras de vocês, são muito loucas. Estou esperando a continuação para logo....

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  2. Isso serve também de aviso ao leitor para NUNCA querer nos conhecer pessoalmente, pois algo de ruim pode te acontecer!

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  3. Ai eu quero saber!!! o que aconteceu nesse dia lindo no qual nada poderia acontecer! kkkkk
    queremos a continuacao!
    bjss

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  4. não existe lei de murphy, o que existe é uma diferença entre o que pensamos e a realidade. não lembro qual filósofo disse isso

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  5. Como não existe? Então o livro que li é manifestação de alucinação coletiva?

    Eu toquei o livro e o li, logo, a Lei de Murphy existe.

    Se existe aplicabilidade nela tudo depende do mesmo conceito de "Deus existe?".

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  6. Se tem uma coisa que nosso povo ama é: desconto! não importa no que seja, pode até ser na injeção, o povo adooooraaaaa, não poderia ser diferente na Bienal!
    Um abraço!
    www.birosca.wordpress.com

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  7. Bienal do livro... terá uma aqui em Recife tb, só espero não ter q passar pelas mesmas situações.....kkkkk

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  8. Cara morri de vontade de ir na Bienal.
    Mas tudo deu errado antes mesmo de começar.
    Gostei do texto. Bem escrito e suas analogias com nossa realidade política me fazem rir.
    Aguardo a continuação.
    Tá bom primeiro de Outubro estarei aqui para desvendar o mistério que envolve a força/fofa do seu nome Dragão Rosa.

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  9. hasuhauhs
    Bota aventura nisso \o/

    Um beijo

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  10. ehauieahuiaehea
    lei de Murphy é foda, aquilo ali é real, é só dizer que ta tudo certo que é só esperar a merda acontecer! heaiuhea, se der passa lá no meu! Abraço!

    http://sentounagraxa.blogspot.com/

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  11. Minha viagem ao Riocentro foi mais breve. Entretanto, admito que foi deveras dispendiosa. Valeu pelo menos pra comprar um comic do Eisner. :)

    []s
    Eru

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  12. lembrei do Rodrigo Ventura e sua imensa capacidade de fazer merda.. heheheh

    estou ansioso pelo grande desfecho desse lindo e familiar passeio! hauhaua

    abraço!

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  13. Isso é pura estratégia de marketing para nos obrigar a voltar... no melhor, acaba e a gente tem que ficar esperando... maldade.

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  14. Essa Bienal tá uma novela mesmo, hein?
    Isso me lembra quando eu trabalhava no aeroporto e pegava o metrô às seis da manhã... Tinha que convencer o mundo que eu não queria descer na Sé, porque todo mundo me empurrava horrores! heuhauea
    Bjocas

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