Bienal do Livro - Impressões II



Para quem não leu:
Diário estelar, 22 de setembro de 2007. Essas são as desventuras de dois blogueiros em busca de descontos no fatídico evento Bienal do Livro, no planeta Terra. Estávamos, eu, pk e nossas respectivas esposas galgando uma aventura indo aonde nenhum de nós (mentira, apenas o pk) jamais esteve: a Bienal do Livro. Depois de uma viagem de metrô exaustiva e frases mágicas sendo ditas, agora eu, Pk e nossas esposas estamos vislumbrando possibilidades novas... E elas não são boas. =/

(agora toca a música de abertura de Star Trex)

Finalmente saímos da estação Siqueira Campos. O dia estava claro, o sol brilhava, nenhuma nuvem no céu, tudo indicava que seria um dia perfeito para praia e ficar sentado em uma cadeira admirando as bund..., ops, a paisagem. Perfeito, se não estivéssemos indo para um evento em um lugar tradicionalmente quente, abafado e pelo que tinha lido, completamente lotado, e tudo isso para andar, andar e continuar andando.

Mas para andar, andar e andar, precisávamos primeiro pegar o ônibus do solzinho do PAN. Empolgados e de porte de nossos bilhetes de integração, fomos caminhando felizes e contentes em direção a fila para o ônibus que seguia ao terminal alvorada. Tudo estava bem, começamos a andar, andar e andar, e não chegávamos ao final da fila. Pelos meus cálculos, geralmente errados, deviam ter pelo menos umas quinhentas pessoas na nossa frente, todas indo para onde?

Isso, para a feira...

Feira?

Não, estavam indo para a Bienal... Uau! Que descoberta!

Era uma bela fila enorme ocasionada simplesmente porque o Metrô Rio não deu conta do enorme potencial auto-destrutivo que a palavra "meia-entrada" exerce sobre as pessoas. Eles não contavam, ou se contavam eram sádicos, que precisariam de mais ônibus para saciar o desejo de uma parte significante do pessoal em ir aparecer na Bienal e dar pinta de "esclarecido" ou "sabido" (convenhamos, quantas pessoas vão a bienal efetivamente porque GOSTAM de ler?).

Como estávamos prevendo uma boa caminhada pela Bienal, optamos por esperar um ônibus que tivesse lugar para sentar (se nós quiséssemos ir em pé, poderíamos, mas seria uma viagem completamente desconfortável), pois ao menos estaríamos parcialmente revigorados para a nova empreitada... Sinceramente? Deveríamos ter ido em pé. Não que a viagem não fosse comfortável, mas chegamos no ponto do Ônibus do Metrô 12:50, e sabem que horas conseguimos entrar no ônibus? 14:50.

E isso porque minha esposa e a do Pk (sempre as mulheres), repararam que tinha uma fila menor ao lado da nossa, com pelo menos umas 300 pessoas a menos. Elas foram até o fiscal e perguntaram para onde iria essa fila, e o fiscal disse que iria para o terminal alvorada mas por um caminho diferente do da fila em que estávamos, mas que demorava um pouco mais. Obviamente não pensamos a respeito de ficar mais ou menos tempo dentro do ônibus, queríamos ir e ficar sentados e confortáveis, ou algo assim. Trocamos de fila e marcamos o lugar onde estávamos através de um rapaz de camisa verde (ele seria nossa referência para sabermos se a escolha tinha sido boa ou não).

Trocamos de fila e dois ônibus depois conseguimos sentar confortavelmente no ônibus. Isso pelo menos para os demais, para mim não foi assim. Sentamos na parte da frente do ônibus, e eu sentei justamente naquele lugar que se o ônibus frear bruscamente eu vou virar decoração do vidro da frente (e não sou muito bonito para isso) e nesse lugar quando o ônibus lota as pessoas esbarram facilmente em você. Quem dera fosse apenas isso...

O ônibus lotou e como não podia deixar de ser, meu conforto foi embora. Todos estavam confortáveis dentro da medida do possivel, principalmente Pk e sua esposa (eles até veriam a praia no caminho), menos eu. As pessoas esbarraram em mim até o ônibus lotar, quando dois garotos se posicionaram bem na minha frente. Até aí tudo bem, iríamos trocando joelhadas até o final da viagem, mas de repente algo inusitado acontece.

Quando o ônibus dá sua primeira balançada eu sinto algo mole no meu cotovelo, que está apoiado no encosto da cadeira. Estranho, mas não liguei muito, de repente isso se repete. Olho, e para meu espanto e um misto de nojo e repulsa vejo a bunda de um dos garotos se apoiando no meu cotovelo. É, o rapaz, provavelmente alegre ou candidato, escolheu meu cotovelo para apoiar seu rabo durante a viagem. Não sou preconceituoso, contanto que não queira misturar seu cutuvelo com partes de meu corpo. Como não podia deixar barato, dei uma cutucada com meu cotovelo no cutuvelo dele, mas não adiantou, aliás, parecia causar efeito reverso, ele começou a parecer curtir as balançadas.

Era demais, apesar de ser um Dragão Rosa, eu sou espada, e meu cotovelo não merecia isso, por sinal, nenhuma parte da minha antomia queria isso, e dei uma cotovelada muito mais forte no cutuvelo do rapaz. Finalmente ele se tocou (com trocadilho) e saiu de cima do meu cotovelo. Mas então ele começou a se socializar, e adivinhem qual a primeira coisa que ele fala para mim e minha esposa?

- Olha, se eu cair no colo de vocês, não reparem...

Pronto! Se eu fosse capaz de abandonar meu corpo e fazer uma viagem astral, ou mesmo dormir, esse momento era perfeito. Nunca desejei tanto a morte quanto naquele momento, e obviamente não a minha. Ele agora estava avisando que iria cair em meu colo. Não satisfeito em conhecer meu cotovelo, agora queria o resto de minha anatomia. Tudo bem, com minha gordura toda não passo de um enorme puff, mas mesmo assim ainda tenho um pouco de dignidade (não que depois desse cutuvelo tivesse restado muita...).

O rapaz continuou conversando comigo e com minha esposa o restante da viagem. Descobri onde morava, onde estudava, e até mesmo ele quis me dar... seus contatos, mas não quis passar disso. Se ele era capaz de se deliciar com meu cotovelo, não queria dar a minha esposa o desprazer de perder um marido e ganhar uma amiga.

E o desprazer seria meu.

Finalmente o ônibus chegou a Barra. Fizemos o contorno em volta do que será o memorial Roberto Marinho (quem viu Paraíso Tropical, viu o local da construção) e quando pensávamos que chegaria ao terminal, ele fez a curva contrária e foi pro recreio. Apenas depois de perder uns quinze minutos nessa brincadeira, novamente contornamos o mesmo memorial e chegamos... a praia. E somente depois de passar pela praia, contornamos novamente o memorial e chegamos na Alvorada.

Esse trecho da viagem estava concluído, agora faltava apenas pegar o ônibus para o RioCentro, usando nossos outros bilhetes, e poderíamos comemorar.

Mas olhando para o relógio vi que já era 16:10...

Nas próximas etapas:
- Condomínio AquaGreen, a verdade é verde e fede a esgoto.
- Fotos desfocadas! Elas vão voltar \o/
- Pk fingindo ser uma galinha.
- Dragus, o machão.

Aguardem... Ou não. =p

Ah, lembram do rapaz de camisa verde? Quando saímos da Siqueira Campos ele ainda estava com pelo menos umas 100 pessoas na frente dele...

16 comentários:

  1. Nossa que aventura ein. rs
    Putz é nessas horas que tenho inveja de quem mora em grandes centros. É quando tem um evento como uma bienal por exemplo ou um espetaculo muito bom.

    Não sou o cara mais fã de livro que existe não. Pelo contrario, mas uma boa leitura é sempre bem vinda e ali vc encontra livros para todos os gostos e bolsos. rs

    Eita inveja. hehehehe

    Blog Esponja ®
    www.blogesponja.net

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  2. e compensou a exaustão?
    ler é bom...
    mais prefiro ler ebook ou comprar pela net...
    e vc?
    abraço!

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  3. Nossa, nunca vi uma dificuldade tão grande para ir a algum lugar!
    A história do ônibus é a melhor! hauheuaeaheua
    Aliás, ônibus sempre rende histórias...
    Bjocas

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  4. Afff.. dá vontade de ler seu blog todinho... é super gostoso e divertido!
    Tb estive na Bienal... Bom, mas nao tenho tanta aventura pra colocar... Vc não tirou foto do lado do livro gigante? Eu tirei, q
    e ate coloquei no meu blog..
    BEIJOS, parabens, sucesso sempre!

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  5. Ainda vou à bienal!!!!


    Meu sonho eh participar desse evento, sou apaixonado por livros.!!!!

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  6. todo mundo falando na tal da bienal...
    não é a toa que tava lotada
    ;]

    flw

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  7. em relação ao condomínio, nada como morar na Barra.
    Quanto sofrimento. É de ter pena de nossos heróis. Aguardo os "próximos capítulos".

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  8. gostei do lance do cutuvelo...rss
    criativo
    abs

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  9. Puts... meu... muito tempo que eu não vou a bienal do livro.. em SP.. mas.. não vai faltar oportunidade

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  10. Eu fui à Bienal aqui em Sampa no ano passado, e realmente não me diverti muito. Motivo?! Eu, que tenho uma compulsão por livros, não suportei aquela quantidade imensa de pessoas amontoadas à frente, dentro e ao redor dos estandes. Era tanta gente num mesmo espaço, que eu concluí que não gosto tanto assim do "calor humano". E agora, lendo seu post, na sua versão carioca da bienal, devo ficar aliviada por não ter vivenciado espetáculos bizarros no transporte coletivo... risos!!!!

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  11. Poxa, brigado pela não lembrança da minha pessoa. E um lembrete importante :
    Próximo evento, repensar seriamente o metrô, se vai valer a pena ou não .
    Abraço ae !

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  12. Srº Dragus,

    Férias escolares;Levando os filhos numa estréia de filme q foi record de bilheteria em "Tio Sam"; No Shoping;MEIA ENTRADA.Tenta?!?!?!

    um abraço.

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  13. HAUHAUHAUHA, caramba que trabalho... mas a leitura de uma obra boa vai compensar cara...pode ter certeza. PK imitando galinha??? aguardo o próximo...abs!

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  14. Bienal do Livro, que coisa bacana cara.
    Aqui por Porto Alegre eu nunca vi evento assim.
    foda foda
    Tem a feira do Livro e tals mas não sei se é parecido...

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  15. Grande aventura ... pelo menos foi recompensado ... como todos comentaram aqui tb não é diferente nunca teve um evento desse porte .
    Abraço

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