FORJANDO UM GUERREIRO - BATISMO DE FOGO SEXTA PARTE

VINGANÇA


- Quer dizer que você matou o homem e os guardas nada fizeram? - Perguntou um estupefato Izac.
- Absolutamente nada! - Respondeu um satisfeito Haldar.
- Tem sua lógica - concordou Izac reclinando-se em sua poltrona - Pela lei se Ignus não começou nada, a morte de seu oponente não era culpa dele e sim de quem o atacou.

Estavam todos confortavelmente acomodados na sala da casa de Izac, conversavam distraidamente sobre a viagem e sobre os acontecimentos. Izac ouviu com atenção os relatos sobre a luta que culminou com a morte de um dos amigos de Raiarath, embora esse fato fosse desconhecido para Izac, assim como o parentesco entre ele e o garoto, mas Izac agora estava mais preocupado com o que ouve com o garoto. Saber que aquele menino que poucos anos atrás estava com um olhar perdido, agora havia se tornado um homem firme e decidido, além de forte e astuto. Manter ele sob a tutela de Haldar havia sido uma decisão acertada? Ele não sabia dizer no momento. Após ouvir atentamente tudo o que eles tinham a dizer, Izac os elogiou por conseguirem cumprir o dever que lhes foi dado sem muitos problemas, dispensou-os e recolheu-se ao seu escritório para terminar de analisar alguns documentos.

Após almoçarem fartamente, Haldar e Ignus puderam finalmente se dar algum tempo livre, Haldar fora dormir, enquanto Ignus foi para a colina contemplar o longínquo castelo do Senhor do Tempo. O horizonte estava limpo as nuvens distantes, perfeito para se observar a paisagem. Enquanto vislumbrava as montanhas, florestas e castelos distantes, Ignus se imaginou dentro de um daqueles castelos, sentado em um trono, reverenciado como um grande guerreiro, ou como um grande rei. Seus olhos se fecharam enquanto sua mente trabalhava suas visões de glória, mas sua mente foi sugada para outra parte, uma paisagem completamente diferente surgiu a sua frente, um mar de sangue se abria aos seus pés, estava cercado por uma floresta de corpos empalados por lanças. Podia ouvir com exatidão e clareza espantosa os gritos de agonia e terror das pessoas, as expressões de pavor os olhos quase saltando das órbitas, enquanto seus corpos iam lentamente descendo, fincando-se cada vez mais nas lanças e aumentando ainda mais a dor e a agonia.

Estranhamente aquilo não assustou Ignus, de certa forma sentia algum prazer naquilo, um prazer mórbido que não fazia a menor idéia de onde vinha, mas tinha certeza de que aquilo o agrava. Começou andar a esmo por entre a floresta agonizante de corpos empalados, observando com grande atenção cada expressão de terror e agonia nos rostos das pessoas, quando finalmente se deu conta de que todos os rostos eram conhecidos. O espanto foi imediato assim que reconheceu os rostos de Izac e de outros, inclusive o de Haldar e o de Madalena, que foi o que mais lhe causou espanto. Mesmo surpreso a sensação de prazer não havia lhe abandonado, foi quando olhou para frente e viu um ser coberto por um longo e escuro manto negro segurando uma estranha e longa foice. O capuz encobria o rosto da pessoa impedindo que a pessoa pudesse ser reconhecida, mas Ignus teve certeza de quem quer que fosse estava satisfeita, até mais do que ele.

- Foi você que fez isso? - Perguntou Ignus, mostrando certa revolta na voz.
- Não... - Respondeu o ser com uma voz potente, porém mórbida.
- Então quem foi capaz de tal atrocidade?
- Atrocidade? - Rebateu a pergunta com ar de ironia - Eu diria que quem fez isso, fez com muito prazer!
- Mas quem fez isso então? - Perguntou novamente com impaciência.
- Você!

A acusação direta e seca arrebatou Ignus como um golpe inesperado, por algum tempo ficou totalmente absorto sem nenhum tipo de reação. A criatura a sua frente pareceu mais contente, levantou-se e começou a caminhar em sua direção, apoiando a imensa foice no ombro. Por onde passava toda a vida ia se extinguindo quase que instantaneamente, pouco a pouco os gritos de dor e agonia foram diminuindo dando lugar ao macabro silêncio que sucede a morte. O sangue espalhado no solo ensopava a barrava do manto deixando-o mais pesado, mas isso parecia não incomodá-lo.

O garoto quase não notou a aproximação do estranho ser, tamanha era a confusão em sua mente. Luvas negras cobriam as mãos que agora uma delas se ocupava em acariciar levemente o rosto absorto do menino, enquanto tudo a sua volta ia morrendo, Ignus permanecia incólume. Ignus notou o toque que para ela parecia reconfortante e até fraternal, mesmo não compreendendo como ele havia feito aquilo, nem como poderia ter feito.

- Preocupado? - Perguntou o ser.
- Confuso... Como eu...
- Fez isso? - Interrompeu - Você apenas fez o que sabe fazer melhor, puniu-os por sua fraqueza.
- Como...? - Queria completar a pergunta, mas não sabia como.
- Não se culpe por isso, na verdade você pode reverter isso.
- Como?
- Tudo pode ser mudado, basta que queiramos mudar, mas normalmente ninguém quer mudar nada, as pessoas são todas conformistas em seu intimo.
- O que quer dizer? - Perguntou Ignus com mais duvidas do que antes.
- Se realmente quiser essas pessoas vivas, não as mate! - Disse secamente.
- Mas por que eu as matei? - Perguntou furioso por causa das duvidas que apenas aumentavam.
- Por que você assim quis!

Antes que Ignus pudesse fazer qualquer outro questionamento, foi arrancado de seu devaneio por Haldar, que o segurava pelos ombros. Ignus piscou os olhos varias vezes e balançou a cabeça para tentar firmar a visão, levando algum tempo para reconhecer Haldar e mais tempo anda, para entender o que ele falava. Haldar vendo que o garoto já estava um pouco desperto colocou-o de volta no chão e aguardou pacientemente até que ele voltasse totalmente a si.

- Já está de volta? - Perguntou Haldar zombando.
- O que houve? - Perguntou segurando a cabeça que ainda estava confusa por conta da visão que acabará de ter.
- Até que em fim! - Exclamou aliviado - Bom, semana que vem é seu aniversário, então resolvi te dar um presente que vai te agradar e muito.
- E o que seria? - Perguntou curioso.
- Teremos um treinamento mais intenso durante quatro dias.
- E isso lá é algum presente bom? - Ironizou Ignus.
- Assim que terminar o quarto dia saberá o porquê.


Os dias que vieram passaram como uma flecha, mesmo com mais tarefas do que o normal para fazer e o treinamento muito mais puxado, Ignus estava tão ansioso que nem reclamo de nada, pois o que seria o real presente de Haldar? O garoto foi obrigado a fazer tudo o que tinha até mesmo os atos mais triviais, com pesos nas pernas, cintura e braços, limitando assim seus movimentos. No fim do quarto dia Ignus pode retirar os pesos, a sensação foi de imediata leveza, Ignus nunca havia se sentido tão livre e tão leve, todos os seus movimentos fluíam de forma majestosamente rápida.

Passado esse primeiro momento de soberba, Ignus então perguntou qual era o verdadeiro presente que Haldar lhe daria. Sem fazer rodeios Haldar disse que havia descoberto onde ficava a casa de Raiarath, a notícia fez com que Ignus esquecesse tudo que estava em sua mente, mesmo a visão que havia tido dias atrás, que teimava em permanecer clara em suas lembranças, se desfez por completo ao ouvir essa notícia. Não pensou duas vezes, correu para o alojamento pegou sua espada, calçou suas botas e correu em direção ao estábulo, apanhou um dos melhores cavalos e saiu em disparada como um raio. Haldar mal pode ver o cavalo pular a cerca e desaparecer de sua vista, enquanto pensava se havia feito certo.

O cavalo cavalgava com um vigor impressionante, como se a vontade e a ira de Ignus o impulsionassem cada vez mais. O caminho parecia longo de mais, mesmo seguindo as instruções de Haldar sobre como chegar lá mais rápido, o caminho parecia se alongar, Ignus conhecia bem o caminho, já passara por ali muitas vezes, mas nunca poderia imaginar que ali morava a pessoa que mais odiava. Depois de meia hora de cavalgada intensa, sua vingança teria início finalmente. Pegou o desvio para esquerda e viu a bela casa que mais lembrava um palacete, a descrição era a mesma que Haldar havia dado dois andares, toda de madeira e com carrancas cercando a casa e o telhado.

Assim que chegou desceu do cavalo rapidamente, amarrou na primeira árvore que viu e segui em direção a casa com uma determinação que faria qualquer um sair de seu caminho, apenas por olhá-lo. A casa estava silenciosa por dentro, mas Ignus pode sentir que havia alguém lá dentro, inflou os pulmões e berrou o nome de Raiarath carregado de ódio. O brado furioso ecoou pela floresta que circundava a casa, fazendo com que os animais próximos se assustassem e levantando uma revoada de pássaros. Não demorou e o pai de Raiarath surgiu escancarando a porta, com uma expressão de grande revolta do olhar. Fitou o garoto que se prostrava imponentemente a baixo dos degraus, sustentando seu olhar de forma insolente. Ajeitou a calça ajustando-a ao seu amplo abdome, fazendo-o balançar de forma cômica, mas isso não chamou a atenção de Ignus, quando finalmente se dirigiu ao garoto com grande arrogância.

- Quem ousa berrar perante minha residência? - Questionou com um olhar furioso.
- Quero saber onde está Raiarath! - Rebateu Ignus.
- Como ousa e invadir minha propriedade e exigir alguma coisa? - Questionou ainda mais furioso.

O pai de Raiarath mal teve tempo de piscar quando notou que o garoto já estava a sua frente, muito menos teve chance de se defender ou se esquivar do forte golpe que levou na altura do diafragma, fazendo com que tombasse sonoramente chão completamente sem fôlego e com muita dor. Ignus ergueu-o pela camisa sem muita dificuldade, mesmo o pai de Raiarath estando muito acima do peso. O próprio se assustou com a força do garoto, mas nada pode fazer, pois ainda estava muito ofegante e sentia muita dor. Ignus berrou mais uma vez que disse onde Raiarath se encontrava, mas a única coisa que obteve foi uma cusparada no rosto.


Enquanto retornava calmamente para sua casa, Raiarath contentava-se com os lucros de mais um dia de coleta de impostos, mas ainda sim estava preocupado com a recente notícia da morte de seu outro amigo. Ficou furioso e incrédulo quando ouviu a notícia e mais ainda, quando ouviu a descrição do assassino. Sua carroça cambaleava de forma inconstante quando chegou a casa, mas algo estava errado, havia um silêncio mórbido que tomava conta do ar. Notou o cavalo estranho e agitado que estava amarrado a uma árvore. Mesmo desconfiado foi andando devagar para sua casa, quando notou quem estava à frente da porta de entrada. Depois dos degraus da entrada, seu pai estava de joelhos e cabeça baixa, as roupas rasgadas, coberto de cortes e manchas roxas por todo o corpo. O rosto estava desfigurado de tão inchado devido a vários golpes, sangrava muito pela boca e nariz, seus olhos mal se abriam. Atrás dele estava Ignus com espada em punho desembainhada, com uma expressão de puro ódio no rosto.

A fúria também tomou conta de Raiarath, mas no momento em que ele ameaçou avançar contra o garoto, Ignus puxou sua cabeça para trás pelos cabelos, expondo a garganta, pondo a espada no pescoço em seu pescoço e forçando a lâmina, enquanto o sangue brotava levemente e escorria através da lâmina. Raiarath parou imediatamente perante a ameaça, sua fúria estava cada vez maior, o contentamento e o sarcasmo de Ignus eram cada vez mais evidentes, Raiarath tremia de raiva por nada poder fazer.

- O que você quer? - Gritou Raiarath.
- A verdade! - Ordenou Ignus.
- Que verdade?
- Sobre como você desgraçou a vida de minha mãe e a minha! - Bradou o garoto repleto de fúria.
- Seu insolente, largue-o ou acabo com sua vida miserável - Ordenou Raiarath
- Você não está em posição favorável! - Alertou Ignus apertando a espada no pescoço de sua presa, fazendo-o soltar um gemido de pavor - Conte logo antes que eu perca a paciência e seu pai perca a cabeça!

Não vendo opção Raiarath contou o que havia feito anos atrás com Araia, cada detalhe que havia ocultado por anos, fora finalmente revelado. Enquanto falava relembrava de cada fato, cada cena em seus mínimos detalhes, Raiarath relembrava com grande prazer a noite em que possuíra Araia a força. Em contra partida Ignus era tomado por um ódio e uma repulsa incomensuráveis. O pai de Raiarath também ouvia tudo com grande perplexidade, embora estupros fossem coisas normais e até corriqueiras, desonra era algo inconcebível e aquilo era uma grande desonra, ainda mais levando em conta que a garota na época havia sido ridicularizada e desmoralizada em público.

Agora finalmente podia compreender a fúria do garoto que até a pouco o espancou quase até perder a consciência, mas não sem explicar seus motivos, agora tudo fazia sentido. Sentiu repulsa do filho pelo seu ato vil, pois mesmo um camponês ou até mesmo um mendigo não podem em hipótese alguma ser desonrados. Com dificuldade questionou o filho sobre o porquê havia feito tal coisa, porque nunca havia revelado a verdade, Raiarath apenas disse que desejou Araia e não descansaria até possuí-la e que se engravidou a culpa não fora dele.

Era o suficiente, satisfeito por ver que agora até o próprio pai odiava Raiarath, Ignus pôs um fim em sua agonia, com um único e lento movimento, a garganta do cobrador de impostos foi profundamente cortada, esguichando sangue e expondo sua carne. O homem entrou em imediato desespero, enquanto tentava tapar o talho com as mãos que se ensopavam de sangue, Ignus com uma expressão vazia o empurrava com os pés escada a baixo, fazendo-o o rolar grotescamente até os pés de um perplexo Raiarath, que apenas conseguiu ver os últimos momentos de agonia do pai, enquanto o seu fluxo vital se esvaia por entre seus dedos.
Ignus limpou o sangue da espada e guardou-a em seguida, descendo as escadas com toda a calma possível. Assim que se recobrou do choque inicial Raiarath deixou sua fúria tomar conta de seu corpo e mente, avançando como uma fera voraz contra o garoto. Ignus por sua vez estava mais alerta do que nunca e conseguiu desviar de Raiarath com facilidade, em seguida contra-atacou com o chute na linha de cintura que foi muito bem defendido. Ignus não conseguiu evitar o soco que atingiu sua fronte fazendo-o dar um passo para o lado, mas antes que fosse atingido pelo soco seguinte, atirou-se no chão e rolou na direção oposta, mas sem se distanciar, aplicado uma rasteira bem sucedida em seu pai, que se levantou de um salto antes que Ignus pudesse aproveitar sua vantagem.

A fúria de ambos era visível, Ignus podia ver claramente a aura negra do shii de Raiarath que emanava de seu corpo em pulsos descontrolados, enquanto a sua fluía de forma mais cadenciada, mas não menos intensa. Golpe a golpe o combate se mostrava equilibrado, mas logo a experiência e a força de Raiarath começaram a fazer a diferença, Ignus começava a levar mais golpes do que conseguia acertar, seu pai notara isso, mas isso não era suficiente, para ele o garoto tinha que sofrer mais, muito mais, até morrer definitivamente. Ignus tinha a mesma coisa em mente e fazia questão de acertar de forma mais intensa possível, cada parte do corpo de seu pai, mas sem atingir pontos vitais, seu objetivo não era matá-lo, não agora, mas sim provocar-lhe dor, muita dor.
Vendo que garoto ainda se mantinha de pé Raiarath decidiu mudar de estratégia, viu uma pá que estava próxima, correu até ela, pegou-a e voltou em direção de para golpeá-lo. Ignus se esquivou do primeiro golpe e aproveitou a chance para acertá-lo enquanto ele tentava preparar o próximo golpe. Raiarath chegou a se inclinar devido a força do soco que levará próximo ao fígado, mas seu ódio pelo que o garoto fizera com seu pai era tão grande, que quase não sentia dor alguma. Ainda foi atingido mais duas vezes por um soco no rosto e um chute no peito, mas conseguiu em fim atingir Ignus com a pá derrubando-o no chão. O garoto viu tudo girar a sua frente devido ao golpe que atingira em cheio sua cabeça, logo em seguida levando a mão à cabeça e constatando que sangrava levemente.

Enquanto se levantava e se distanciava de mais um golpe, lembrou-se que próximo dali ficava a vila onde morou quando criança. Então seu plano final de vingança se desenhou rapidamente tão rápido quanto suas ações em combate. Sacou a espada e golpeou Raiarath violentamente, que tentou em vão bloquear o golpe com a pá, que foi facilmente dividida pela lâmina. Aproveitando momento de distração Ignus correu em direção ao cavalo, cortou a corda que o prendia a árvore com um golpe perfeito, saltou sobre a sela e partiu em direção a vila, seguido por Raiarath que apanhou o cavalo que guiava sua carroça.


O tempo estava se fechando, nuvens escuras e densas pairavam no ar enquanto Tronix terminava seus afazeres em casa. As coisas estavam muitos ruins ultimamente, havia ficado seriamente doente e não conseguia trabalhar direito no campo, sua esposa fazia o possível para ajudar, mas não era o suficiente. Estava contando as poucas moedas que tinha para comprar algum alimento, mas não acreditava que seria suficiente, quando ouviu um burburinho vindo do lado de fora. Fingiu não dar importância quando repentinamente sua porta começou a ser esmurrada com grande violência, furioso foi atender a porta quando se deparou com um garoto de sua altura, grande constituição física e longos cabelos negro-azulados e um rosto familiar.

Sua mente e seus olhos demoraram a reconhecer, era Ignus, seu neto que havia vendido para um mercador de escravos anos atrás. O choque foi imediato ao reconhecer o garoto, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, fora arrancado de casa pelo garoto e arrastado até próximo a praça central da vila. Muitas pessoas se aglomeravam para ver o que estava acontecendo, observaram com atenção quando Ignus veio carregando Tronix a força, que mal conseguia caminhar. Assim que parou Ignus largou-o e olhou na direção oposta, mas antes que pudesse protestar sobre qualquer coisa, viu Raiarath surgir em cima de seu cavalo, atropelando quem estivesse na frente e avançando com tudo sobre Ignus, que deu um salto para o lado e com grande rapidez sacou a espada e fincou-a próximo a cauda do cavalo, que tombou sobre Raiarath de forma violenta. As pessoas se afastaram com medo, enquanto o cavalo de debatia de dor e Raiarath preso em baixo dele era esmagado pelo peso do animal.

Ignus retirou a espada do animal, fazendo com que esta relinchasse de dor e desse coices e esmagasse Raiarath ainda mais, que incapaz de se esquivar teve uma das pernas decepada por Ignus com um único golpe. Em meio a dor cegante Raiarath fora arrastado de baixo do animal sem o menor cuidado e teve o braço deslocado. A dor era tanta que mal conseguia gritar, mas ouviu perfeitamente a voz de Ignus que bradava em seu ouvido para que parasse de chorar como um bebê. Toda a vila agora observava a cena em choque, sabia quem eram os dois e sabiam que isso não acabaria bem para nenhum dos dois, principalmente para Tronix que teria sua vida desgraçada mais uma vez. Este finalmente conseguiu se erguer e compreender o que se passava, contemplou Ignus e admirou-se com o garoto ao vê-lo tão desenvolvido.

- O que houve Ignus? - Perguntou repleto de duvidas - O que significa isso?
- Significa que hoje esse mentiroso que desgraçou minha vida, irá desfazer todo o mal que fez. - Respondeu repleto de ódio.

Enquanto se contorcia se dor Raiarath foi arrastado com o rosto no chão até o centro da praça, em seguida foi erguido pelos cabelos e exposto a todos da vila. Ignus ergueu Raiarath ainda mais alto para que todos pudessem ver, estava completamente sujo e ensangüentado, seu rosto estava desfigurado pela dor e pelo ódio que sentia, mas quanto a isso nada podia fazer. Ignus lhe ordenou que mais uma vez repetisse a história do que realmente aconteceu com sua mãe e admitisse perante todos, que havia mentido e desgraçado a sua família. Em um primeiro momento Raiarath apenas se manteve agonizante, mas logo começou a falar, assim que Ignus esfregou sua mão no chão e em seguida na ferida aberta de sua perna que jazia um pouco distante. O grito de dor ecoou pela vila dando prazer a Ignus, que mais uma vez ordenou que falasse e Raiarath finalmente contou tudo o que ocorrerá naquela fatídica noite de exatos quatorze anos atrás.

Toda a população da vila se encheu de cólera e vergonha por terem duvidado das palavras de Araia, agora finalmente viam o erro que haviam cometido. Satisfeito ao ver a expressão de culpa no rosto de cada um Ignus partiu em direção ao cemitério onde estava o túmulo de sua mãe, toda a vila o seguiu até lá e observou com grande atenção cada um de seus atos. Ignus atirou Raiarath no chão sem se preocupar com o que aconteceria com ele, ajoelhou-se perante o túmulo da mãe que agora estava abandonado e repleto de plantas a sua volta.

- Finalmente mãe, pude cumprir a promessa que lhe fiz! - Dizia enquanto as lágrimas brotavam de sua face. - Agora todos sabem da verdade, sabem que você
não mentiu, agora poderei viver com um pouco de paz. Mas agora é chegada a hora da minha vingança. Adeus.

Ignus ergueu-se com imponência, olhou uma última vez no rosto de cada um dos moradores da vila que ali estavam, seu olhar parou em seus avós que estavam bem atrás dele, chocados, porém felizes por finalmente o terrível engano que acabará com suas vidas ter se revelado. Raiarath foi atirado na frente túmulo de Araia, com terror contemplou o nome dela entalhado na pedra recoberto de musgo. Ignus fez com que ele pedisse o perdão de Araia mais de uma vez, finalmente só quando pediu perdão pela quinta vez Ignus se deu por satisfeito e fincou a lâmina em sua cabeça com tanta força que atravessou até a pedra do túmulo de Araia.


No primeiro dia daquele inverno em que completava quatorze anos da morte de Araia e de seu nascimento, Ignus deu as costas para todos e partiu. Sua espada permaneceu fincada na cabeça de Raiarath e na pedra do túmulo de sua mãe. Ignus nunca mais retornou para a casa de Izac. Daquele dia em diante nunca mais se ouviu falar da vila de Telessar, que desapareceu misteriosamente, sobrando apenas a parte o cemitério onde ficava o túmulo de Araia... A única coisa que sobrou da vila foram escombros e cadáveres completamente mutilados e carbonizados.

______________

Demorou, mas finalmente saiu. Estou satisfeito com esse capítulo, saiu da forma que queria, principalmente o fim dele, espero que tenha conseguido passar a impressão correta para quem teve coragem e conseguiu ler esse capítulo e a estória até aqui.
Não, esse não é o fim da estória, esse é apenas o fim do primeiro arco da estória, agora virá a outra parte da estória que mostrará um Ignus adulto e bem mais maduro. muitos personagens novos surgirão e farei o possível para não deixar a estória confusa.
Até a próxima!

5 comentários:

  1. Kara, sei que este blog é escrito a quatro mãos com uma sincronia perfeita e estilos diferente.
    Sou apaixonado pelos capítulos "forjando um guerreiro" de estilo RPG.
    As crônicas tbm são perfeitas, em resumo este blog é perfeito amigos...
    Falar mais o Q?
    Adoro o blog de v6.

    []s L.Sakssida

    ResponderExcluir
  2. E o sangue jorrou, =D

    Dá uma revisada em erros de digitação, que tem alguns ainda, e depois tira o sangue do teclado, que está escorrendo ainda. =p

    Ficou muito bom.

    ResponderExcluir
  3. Esse capitulo pareceu massa de pão.
    Mistura, apanha, vira, descansa..........descansa.........descansa, apanha, vira, descansa (jorra sangue), apanha....e depois de muito descanso sai perfeita.
    Parabéns.
    Novos personagens e velhos conhecidos, boa combinação =)

    ResponderExcluir
  4. Um final perfeito e bem sangrento ao estilo Ignus.
    Esperando ansiosamente o começo da próxima parte com os novos personagem.

    Um quando vocês tiverem tempo da uma lida nesse blog http://www.contosdolobo.blogspot.com/
    é de um amigo meu, eu particularmente gosto muito.

    beeijos

    ResponderExcluir
  5. Apesar do comentário "maldoso" do Dragus, achei que ficou show de bola o texto. Uma vigança a altura de um guerreiro lendário. Agora, resta apenas a pergunta: Continua?
    espero que sim.

    ResponderExcluir

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.