O Pavão e o povo brasileiro.

Olá povo!

Hoje durante o meu curso de Técnico em Agente Comunitário de Saúde me deparei com mais uma coisa interessante que trago até vocês, tratá-se de um trecho do livro "A Casada Madrinha" de Lygia Bojunga Nunes, publicado originalmente em 1978.


Mas o que um livro infanto-juvenil com quase 30 anos tem de tão interessante? O livro que gira em torno de um menino da periferia do Rio de Janeiro e um pavão "diferente". A parte que foi lida em aula narrava uma parte específica sobre o pavão, que por muitas vezes conversava com o menino normalmente, mas depois apenas repetia o que ele dizia, depois ficava completamente mudo. Em um de seus momentos de lucidez o pavão explica porque age desta forma. Como essa parte em si, é um pouco extensa, ai vai um resumo:

"Levaram-no para 'uma escola feita de propósito pra atrasar o pensamento dos alunos'. A escola pra onde levaram o Pavão se chamava a Escola Osarta do Pensamento. Bolaram o nome da escola pra não dar muito na vista, mas era só ler o nome 'Osarta', ao contrário para saber qual era o objetivo real da escola. A escola dispunha de três cursos: O Curso Papo, o Curso Linha, e o Curso Filtro. No Curso Papo, conversavam bastante, porém o Pavão não podia emitir opiniões. Se assim o fazia, colocavam-no de castigo. Este primeiro curso criava medo de tudo, no aluno, pois quanto mais apavorado o aluno ia ficando, mais o pensamento dele ia atrasando. Para nada ouvir, o Pavão resolveu tapar os ouvidos com cera, pois assim não ficava com medo de tudo o que eles diziam. Vendo que o primeiro curso em nada adiantara, levaram o Pavão para o Curso Linha. Este curso era para costurar o pensamento do Pavão no que seus donos queriam. Travou-se uma briga entre eles até resolverem o que é que sumia e o que não sumia no costura do pensamento. Até na hora de escolherem a cor da linha para operação os cinco donos discutiram. Não conseguiram fazer a operação, pois o Pavão conseguiu sempre arrebentar a linha. Desistiram e encaminharam o animal para o terceiro curso: Curso Filtro. Nesse curso colocariam um filtro na cabeça do Pavão e filtrariam seus pensamentos. A operação foi um sucesso. Trancaram bem a torneirinha do filtro para só passar um pouquinho de cada vez. O Pavão começou a fazer o que seus donos mandavam . Mas a torneira tinha um defeito de fabricação e horas ela se abria por completo, deixando passar todo o tipo de pensamento, depois se fechava, deixando o pavão completamente sem idéia alguma, mas na maioria das vezes a torneira ficava na posição normal."

Depois de lido esse trecho do texto, discutimos sobre o que isso nos lembrava, foi quando disse que o pavão após passar por esses "cursos" me lembrava muito o povo brasileiro, Com medo de se expressar, com o pensamento amarrado e um filtro mental que o impede de expor suas boas idéias.

O mais curioso não é apenas o fato da grande semelhança do pavão com o povo de nosso país, mas também o fato de um livro infanto-juvenil com quase trinta anos, possuir uma narrativa tão atual e que combine tanto com nossa condição comodista e submissa. Devo confessar que desconhecia o livro, e se falassem que era um livro infanto-juvenil provavelmente iria fazer pouco caso, pois normalmente os livros direcionados para esse tipo de público, não trazem uma crítica social tão grande, mas quando trazem não são tão diretos.

Caso queriam saber mais sobre o livro, ao final deste artigo, colocarei um link com um resumo da obra, de onde tirei também parte do resumo que apresentei a vocês. Fiquei muito curioso quanto ao livro e vou procurá-lo para poder lê-lo por completo, seria bom se esse tipo de leitura crítica fosse abordada em escolas do ensino fundamental, para poder dar um rumo a nossas crianças.


Fonte do resumo e resumo do livro: Resumos Literários - A Casa da Madrinha.

12 comentários:

  1. Isso me remete ao meu próximo post, onde falarei sobre a educação (ao menos em termos). =p

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  2. Fiquei curioso sobre o livro.
    A Casa da Madrinha.
    Tenho algumas pessoas amigas que trabalham com ensino fundamental,
    Elas sempre dizem que estes livros que rematem a uma reflexão sobre o que estamos aprendendo ou como esta sendo direcionada a educação no país.
    São sempre abortados da lista dos livros utilizado na rede escolar.

    Resumo : continua-se a investir muito pouco em educação, e o pouco que se investe é de conteúdo alienatório e de baixa qualidade.



    []s L.sakssida

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  3. ótimo livro, ótimo trecho.
    Fiquei interessada , acho que vou compra-lo, tbm entrei no link e ao qual me deixou mais interessada para uma boa leitura em fim de tarde.

    Mikaella ;)

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  4. Já ouvi falar sobre o livro.^^
    nunca cheguei a ler.
    aumentou minha curiosidade...

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  5. Bom Livro! Falar de educação, no Brasil, é bem complicado... Tantas pessoas com um potencial tão bom, mas que não são explorados (no bom sentido).

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  6. Sr� Dragus,

    Muito bom. Lembrei-me daqueles tr�s macaquinhos que um tampava o ouvido, o outro a b�ca e o terceiro, os olhos.
    Qdo crian�a, me ensinaram que D. Pedro I era um her�i, D. de Caxias um grande guerreiro do ex�rcito e Tiradentes, um m�rtir. Descobr� com o tempo, que o povo for�ou a D. Pedro I � ficar, que Caxias era um carniceiro e Tiradentes traiu o seu pr�prio pessoal na hora do "vamos v�r".
    Tomara que um dia a leitura seja proibida, ai, tudo vai dar certo.

    um abra�o.

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  7. ótimo trecho,o livro deve ser tão bom,quanto este trecho,e a semelhança com o povo brasileiro é notorio.

    Abraço,e valew pla dica.!

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  8. mto legal..
    vou procurar mais pelo livro!

    abraço.

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  9. Nossa. Li este livro quando devia ter uns dez, onze anos...
    MUITO obrigado pela lembrança!

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  10. Tenho essa livro na minha casa há não sei quantos anos, só agora eu estou sabendo do que se trata, vou ler...

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  11. Uma vez me indicaram esse livro. Eu até comecei a ler e tal, mas achei chato. Por fim, parei antes da metade.
    Não é o tipo de leitura que me atrai. Mas muita gente já leu e gostou.

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  12. Vejo essa escola praticamente em cada esquina de nossa cidade. Vejo adolescentes com as mentes mortas e desprovidos de opinião e força de vontade. Escravos do comodismo e do pensamento de multidão. Afinal, uma nação assim é facilmente governada. Pode-se fazer de tudo que a massa não pensa e nem se importa. Como vc disse, o Brasil é assim. Desde o regime militar, as escolas foram transformando-se pouco a pouco em verdadeiras fábricas de descerebrados. E, pelo nível dos políticos atuais, continuarão sendo tocadas a passos largos rumo a formação de dementes e fantoches. O próximo alvo são as universidades públicas.

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