Contos - SdD - Triste Fim Para Um Final Feliz.

Seu corpo estava completamente rachado pelo baque sofrido nas últimas horas. Pior que o ferimento físico era o ferimento moral. Milhares de anos planejando vingança, planejando vencer, para ele próprio causar mais uma vez sua derrota. Não fosse a ajuda providencial de seu servo, provavelmente naquele momento não estaria mais entre os seres existentes, sequer entre os mortos.
- Vergonhosa a derrota, Mestre? - Insinuou o servo, enquanto depositava o corpo ferido de seu mestre no meio do saguão. - Ainda bem que sempre fui fiel a ti, caso contrário terias perecido contra eles.
- Cala-te! - Berrou o mestre, ferido. - Tu não és fiel a causa alguma que senão a sua, cão sarnento!.
- Porque essas palavras tão cheias de ódio... Afinal de contas, foste tu que me escolheste, não o contrário.
- Cala-te, ou...
- Ou o que? Destrói-me? Liberta-me? Dá-me aos que me querem? - Provocou o servo, com um largo sorriso diante da prostação de seu mestre.

De repente ambos sentiram uma presença ameaçadora no ambiente. O mestre ergueu-se com dificuldades, mas não daria a ser algum o gosto de vê-lo tombado. Já lhe bastava as humilhações que sofrera com o fracasso. Olhou em torno de seu saguão e encontrou a fonte de sua ameaça em pé, a uns vinte metros de onde estava.

Era um guerreiro de armadura negra, com ombreiras repletas de pontas compridas. Não portava elmo, deixando aparecer um estranho penteado no qual os cabelos loiros do guerreiro erguiam-se em várias direções, lembrando uma espécie de penteado punk. Uma cicatriz podia ser vista se iniciando logo abaixo do pescoço e avançando até desaparecer no interior da armadura. Os olhos do guerreiro eram azulados, e brilhavam, emitindo uma tênue névoa brilhante, também azulada, e ameaçadora. Seus braços eram cobertos por uma cota de malha prateada e usava duas enormes manoplas, onde afixadas nestas estavam duas gemas. Uma de tons azulados e a outra de um tom acre, quase avermelhado, lembrando ferrugem.

A mão esquerda do ameaçador guerreiro segurava uma enorme espada, com uma lâmina de uns trinta centímetros de largura e pelo menos uns dois metros de comprimento, sem contar a medida de seu cabo. A espada estava apoiada calmamente sobre o ombro do guerreiro, que parecia não sentir o peso. A mão direita portava um escudo circular, menor que a espada, mas com lâminas serrilhadas em toda a borda do escudo. Pendurado no cinturão da armadura tinha a corrente de um relógio de bolso, quase imperceptível, mas que sua visão causava receio em seu observador. O guerreiro tinha um semblante sério, e observava com muito ódio tanto o mestre quanto o servo.

- Gigantus... - Balbuciou o Guerreiro.
- O que deseja de mim? - Respondeu o mestre, concentrando-se com todas as suas forças, tanto mentais quanto divinas, para manter-se de pé. - Veio rir as minhas custas? Se é isso, entre na fila...
- Vim levar sua cabeça. - Respondeu áspero o guerreiro. - Sua e a desse servo que foge apavorado.
- Ah! Mais um! - Indagou Gigantusl, com ironia. - Gente melhor que você tentou e não conseguiu, por sinal, VOCÊ tentou e não conseguiu... Lembra? De onde acha que agora vai conseguir, garoto? Eu sei TUDO do que você é capaz, eu tenho tudo que disponho para derrotá-lo em apenas um estalar de dedos... Coloque-se em seu lugar, Akkira, eu já o derrotei antes e quando estava muito mais fraco que agora...
- Blasfêmia! - Interrompeu Akkira. - Mal consegue se manter de pé, como pensa que vai escapar do fio de minha espada hoje?
- Com ajuda, estúpido.

Imediatamente o corpo de Gigantus tremeu. Akkira correu para impedí-lo de fazer o que quer que fosse, mas foi interrompido pelo servo de Gigantus, que se colocou entre o dois transformando-se em uma pasta negra e pegajosa, lembrando uma sombra sólida, e enrolando-se no corpo de Akkira.
- Deixe-me passar Balzac... Eu sei que você é reflexo de seu mestre, e que sente-se tão mal quanto ele. - Ameaçou Akkira, cobrindo seu corpo com uma aura azulada.
- Também sabe que não posso soltá-lo a não ser que eu morra! - Berrou Balzac, apertando mais ainda Akkira.

O deus-guerreiro valendo-se de seus poderes deixou que sua aura azulada manifestar-se em forma de uma violenta explosão que espalhou Balzac por todos os cantos do saguão. Sem descansar saltou e ergueu sua espada ameaçadoramente ainda no ar contra Gigantus, que tremia caído no chão. A ponta da espada de Akkira brilhou intensamente a medida em que traçava um arco que dividiria o corpo de Gigantus em dois. Quando faltava um milésimo de segundo para o golpe fatal, inúmeros fios de prata, invisíveis para olhos não treinados, enrolaram o corpo de Akkira e o arremessaram para o outro lado do saguão.

Akkira voou alguns metros e se transformou por um segundo em areia, desvencilhando-se dos fios, e no segundo seguinte pousava com tranqüilidade no chão. Seus olhos procuraram pela fonte do ataque misterioso, e sua atenção permitiu-lhe perceber quando um vulto saltou do teto do saguão e com isso bloqueou o ataque com seu escudo. O vulto golpeia violentamente o escudo de Akkira com garras absurdamente afiadas e salta novamente para o teto do saguão. Akkira não deixa por menos e acompanha a fera em seu ataque e voa em sua direção, acompanhando sua velocidade.

No meio da correria vê que seu inimigo veste as roupas da ordem de Gigantus. Trajes negros que cobrem o corpo todo, como uma espécie de batina muito larga, e um chapéu pontiagudo que cobre todo o rosto. A figura assemelhava-se muito a um outro dos servos de Gigantus o qual Akkira odiava por completo, Apolo, que usava vestes brancas idênticas. Precisava descobrir quem era esse servo, mas algo em seu interior lhe assegurava que a descoberta não seria agradável.

De repente o ser envolve-se de fogo e para subitamente. Akkira não consegue parar e o atravessa, caindo que nem um bólido em chamas e destruindo o piso do saguão até chocar-se violentamente contra a parede. Ainda grogue da pancada é novamente envolvido pelos fios de prata e é girado no ar e arrastado pelas paredes daquele saguão. Sentindo-se zonzo pelos ataques intermitentes Akkira saca as garras de suas manoplas e arrebenta o fio, e com uma acrobacia bem executada consegue atingir o chão sem sofrer mais danos. Assim que se levanta pressente um novo ataque de seu adversário e decide surpreendê-lo, transformando seu corpo em lama.

O homem de vestes negras encrava suas mãos no corpo de Akkira e fica preso a ele. Sem dar tempo de reação Akkira solidifica seu corpo e transforma-se em chumbo, e vê o olhar espantado de seu adversário ao se dar conta que está preso no corpo de Akkira.
- Agora você vai sofrer... - Fala Akkira, sorrindo.

Sem pensar duas vezes Akkira simplesmente impulsiona o peso de seu corpo contra o adversário e corre em direção a parede, o esmagando-o. O homem grune alguns palavrões e tenta se desvencilhar sem sucesso. Akkira continua insistindo em esmagar o homem e coloca ainda mais força. Em seguida, decidido a fazê-lo sofrer, inúmeras esporas emergem do corpo todo de Akkira, fazendo com que tudo aquilo torne-se ainda mais dolorido. O homem berra de dor, enquanto vestes, pele e carne são dilacerados pelas esporas do corpo de Akkira, e de repente uma parte da máscara dele finalmente se rasga, revelando quem é o agressor. Chocado com a descoberta, Akkira hesita, dando ao homem a oportunidade de se transformar novamente em fogo e se afastar. Mas os ferimentos causados por Akkira foram sérios, e ele apenas consegue se afastar alguns metros antes de tombar de joelhos enfraquecido.
- Gokuu? - Pergunta Akkira. Então é verdade...
- Gokuu não, Jamal. - Responde o homem, arrancando o que resta de suas roupas.

Jamal é um homem, ou ao menos algo parecido. Sua cabeça é a de um tigre branco, com feições levemente humanas, que usa apenas uma tiara ricamente trabalhada e ameaçadora, com uma pequena gema azul celeste no meio. Seu corpo é coberto de pelos, também brancos, mas com rajados negros. Veste uma armadura de couro rígido que deixa a mostra parte do peito e os braços. Usa também uma calça vermelha, presa por um cinturão dourado onde nele está afixado uma espada que emana constantemente uma áura elétrica, lançando aleatóriamente algumas descargas elétricas inofensivas. Seu olhar parece distante, e não transmite nenhum desejo de lutar, ao mesmo tempo que passa a impressão de que fará tudo para deter Akkira. Usa dois braceletes similares aos de Akkira, com uma gema alaranjada incrustada no esquerdo e uma gema azul celeste no direito.
- Diga-me, porque está ao lado de Gigantus? - Indaga Akkira, enquanto prepara-se para dar continuidade a luta, se necessário, portando novamente sua enorme espada.
- Porque tenho que permanecer ao lado dele até o fim... Seja o meu, o dele ou de seus opositores, o que inclui você. - Respondeu Jamal, aproveitando os segundos preciosos para se recuperar.
- Existe como te tirar dessa?
- Acha que se soubesse ainda estaria aqui? Servindo de guarda-costas de um fracassado? E agora, moribundo? Existem coisas que você não sabe, mas... mas... mas...
- Mas o que?
- Mas tenho que te matar, desculpe-me por isso, não é o que quero, é o que TENHO que fazer.

Sem dar a Akkira tempo de argumentar, Jamal saca sua espada e avança violentamente contra o deus-guerreiro, envolto por uma aura que mistura fogo e eletricidade, em uma intensidade que qualquer mortal presente àquele embate seria desintegrado sem perceber o que o atingira. Akkira se defende como pode, está chocado com a situação. Ele precisa vencer Jamal para dar cabo de Gigantus, mas até que ponto é justo ou não sacrificar seu amigo de longa data nisso tudo. Akkira divaga e Jamal sabe disso. É uma chance que no fundo Jamal não queria aproveitar, pois apesar de sempre ter desejado digladiar-se com seu amigo, queria uma luta limpa, sem apelos morais ou objetivos. Luta pela luta, apenas. Akkira, ao contrário, sofre, e imerso em seu sofrimento deixa-se golpear violentamente por Jamal e tomba no chão com a espada de seu amigo cravada em seu peito.

Quase inconsciente, enquanto uma quantidade absurda de eletricidade percorre seu corpo quase levando-o a inconsciência, sua mente perturbada o leva a muitos anos atrás, quando lutara pela primeira vez com um dos maiores adversários da Legião, chamado pelos Deuses de Monstro Conquistador, mas que Akkira se dava ao luxo de chamá-lo apenas de Ignus...


Eles estavam em um imenso vale desolado nas terras de Ignus travando um combate sangrento. Armaduras e espadas eram apenas acessórios naquele momento, o personagem principal era a luta.

Havia um equilíbrio desequilibrado entre as partes. Akkira parecia não levar a luta a sério, sorria e saltitava entre os golpes violentos de Ignus, que sequer falava durante a luta. Em um determinado instante, entre uma firula e outra, Akkira desequilibrou-se e foi violentamente atingido por Ignus. O golpe foi tão forte que a armadura de Akkira quebrou-se em duas e Akkira só não voou metros de distância por seu estado divino. Por sinal, se fosse um mortal teria conhecido a morte nesse momento. Logo após o golpe Akkira se assustou e pela primeira vez escutou Ignus falar durante o combate.
- Você não leva nada a sério. - Falou Ignus. - Apenas seus valores morais...
- Já me falaram isso. - Respondeu Akkira, confiante, e se preparando para dar prosseguimento a luta.
- Você não entende não? Você não se leva a sério... - Respondeu Ignus. - Você não leva essa luta a sério, está ciente de que se não tivesse me segurado o teria matado, seu tolo?
- Como assim?
- Olhe para trás de você, e pense antes de sorrir...

Akkira olhou para trás e viu que a montanha que cortava o vale tinha sido cortada completamente pela onda de choque gerada pelo ataque de Ignus. "Se tivesse me atingido teria morrido...", pensou Akkira, assombrado com isso. Ele tornou a olhar para Ignus e viu que seu adversário havia embainhado sua espada e partia, nitidamente decepcionado.
- Vamos continuar a luta. - Insistiu Akkira.
- Que luta? Eu não luto com moleques que brincam com espadas... Quando aprender a levar a sério um combate, volte a me procurar, até lá suma da minha frente! - Falou Ignus, resignado.
- E como levar a sério um combate? - Perguntou Akkira.
- Tenha sempre em mente que uma luta é de vida ou morte sempre, que ou você vive ou morre. Não existe amizade num combate, apenas luta. E enquanto seus valores internos forem maiores que seu anseio por lutar nunca será um guerreiro completo, no máximo um fanfarrão que luta por valores abstratos. Não lute porque é legal, nem porque seus amigos dependem disso, lute porque tem que vencer, porque tem que sobreviver. Porque precisa esmagar seu adversário. Aí sim, estará lutando.

Segundos depois Akkira e Ignus recomeçaram o combate. O resultado da luta nunca foi revelado, mas a sobrevivência de ambos é a melhor resposta.


A lembrança acendeu uma luz interna em Akkira que estava há milhares de anos apagada. "Como pude ter me esquecido disso!", pensou enquanto seu corpo era tomado por uma nova força e expulsava a espada de Jamal de seu corpo como se fosse uma espinha. A essa altura Jamal já estava ajudando Gigantus a se levantar, e sequer se importava com o que acontecia com Akkira. Sabia que seu amigo vivia, mas preferia evitar pensar nisso ou talvez lhe fosse ordenado que o matasse. Foi com surpresa que viu sua espada voar e cravar no teto do salão, enquanto uma aura azulada começava a tomar todo o saguão. Akkira estava voltando para uma nova etapa da luta.
- Acredito que não honrei nossa amizade... Agora vou honrá-la com todos os louros. - Dizia Akkira, enquanto pequenos dragões negros começavam a sair de seu corpo e a percorrer o ambiente.
- Vai lutar a sério? - Disse Jamal. - Não esperava por isso... Não hoje e nem dessa forma, mas vou honrar nossa amizade.

As veias do pescoço de Jamal saltaram. Seus olhos começaram a se esbugalhar. Os músculos de Jamal inflam a ponto de quase rasgar suas poucas vestes e deixá-lo nu. Seu pelo fica ouriçado, completamente em alerta. Apesar de ter usado esse golpe diversas vezes nos últimos anos, esse era um momento especial, e precisava fazê-lo digno de sua plenitude. Gigantus e Balzac perceberam o que estava para acontecer, mas estavam fracos demais para fugir ou sequer ajudar Jamal. Gigantus tinha gasto suas últimas forças invocando o mais poderoso membro de seu séquito, o único capaz de defrontar Akkira. Agora estava preocupado com sua integridade. Observava as paredes do saguão e se sentia agora em uma prisão. Amaldiçoava-se por ter criado uma sala sem portas, onde somente a magia era capaz de trazer ele e a seus servos em seu interior.

Todo o cenário está tomado por pequenos e poderosos dragões de cores azuladas ou enegrecidas que saem do corpo de Akkira. A armadura de Akkira se dissolve, assim como sua espada e manoplas. A camisa de Akkira se rasga e revela em suas costas uma enorme tatuagem que mostra um dragão negro causando um eclipse em Zanku, a lua do mundo de onde Akkira veio. O rosto de Jamal parece contorcido, seus olhos estão mais esbugalhados que nunca. Uma névoa esbranquiçada cobre o corpo de Jamal, e pequenos raios saem dele atingindo aleatoriamente o salão, que ao tocarem em algo queimam como pequenas bolas de fogo. Uma rápida troca de olhares denuncia o momento derradeiro. Gigantus e Balzac estão espremidos na parede, logo atrás de Jamal, procurando se proteger como podem. Gigantus tenta em vão criar uma barreira mágica, apenas consegue se sentir pior. Akkira dá um passo para trás e se posiciona. Jamal estufa o peito e seus olhos ficam vermelhos.
- Adeus, velho amigo. - Balbucia Akkira, antes de fazer sua última invocação. - DRAGÃO NEGRO DE GAULAR! - Berra.
- EXPLOSÃO DE FEÍURA DÁURIA! - Berra Jamal.

- Explosão de Feiúra!!!!!!

Akkira une e aponta a palma de suas mãos na direção de Jamal e todos os dragões que voam no ambiente se juntam em suas palmas e se mesclam formando uma enorme e majestosa cabeça de dragão, completamente envolvida por uma aura negra e ao mesmo tempo com uma tonalidade azul escura muito forte. O Dragão Negro avança imponente como um raio abrindo sua enorme boca e indo engolir Jamal e a quem mais estiver no caminho.

Em contrapartida, Jamal deixa toda sua energia se manifestar fazendo uma enorme e ridícula careta. Todos o seu corpo participa da careta, que é algo completamente indescritível, mesmo porque só se vê o início dela, quando a boca do homem-tigre se abre completamente e a enorme língua de Jamal se mostra, nos segundos seguintes nada mais é visto porque uma aura esbranquiçada toma tudo em volta, destruindo qualquer coisa que esteja no caminho da careta de Jamal. É seu pior e mais terrível ataque, mas ao menos ele se gaba de matar seus adversários de felicidade, pois geralmente estão rindo quando o ataque é feito.

Mas a explosão não consegue conter o avanço do Dragão Negro, e Jamal é engolido pelo ataque e jogado contra a parede, com o ataque de Akkira esmagando tanto a Jamal quanto os que se protegiam atrás dele. Entretanto a vantagem dura pouco tempo e as forças de ambos os ataques se misturam e uma explosão absurda ocorre. Akkira é acertado diretamente e imprensado contra a parede do outro lado do saguão. Todo o saguão é destruído pelo ataque, mas ainda assim suas paredes e teto resistem, aumentando conseqüentemente a duração da explosão e o sofrimento de todos.

A poeira ainda está baixando quando Akkira surge entre os destroços e voa violentamente contra Jamal, que naquele momento ainda cambaleia. Jamal sequer percebe a investida de Akkira e quando o primeiro soco o atinge, apenas cambaleia com dois passos para trás, cuspindo sangue e dentes. Jamal sente que sua divindade está diminuída naquele momento, mas Akkira está impossível de conter, e não consegue impedir seu amigo de acertá-lo com um chute na boca do estômago. Jamal desiste de tentar entender a situação e arranca sua tiara, ele precisa se afastar desse insano.

Quando Jamal retira a tiara ela manifesta uma espécie de campo elétrico violento, que atinge a qualquer criatura que esteja em um raio de pelo menos dois metros de seu portador. Ao menos era isso que deveria ter acontecido, o choque entre a Explosão de Feiúra e o Dragão Negro causou mais danos em Jamal do que imaginava. Sua tiara não funciona, e Akkira apenas sorri quando acerta um forte soco na mão de Jamal que segura a tiara, fazendo o artefato voar longe. Jamal desiste de usar seus pretensos poderes e se lembra que apesar de tudo, ainda é um homem-tigre, e é muito mais forte que o humano que Akkira deve ser naquele momento, e ele sabe disso.
- Você sabe o resultado disso. - Fala Jamal, quando segura a mão direita de Akkira e tenta girá-la sem sucesso, espantando-se. - Como?
- Eu sabia que você ia achar que estou ferrado... Eu dosei minhas forças esperando por isso... Eu quero Gigantus, não você!

Para espanto de Jamal, as manoplas de Akkira ressurgem, assim como sua armadura, e ele é golpeado por uma sequência de disparos da energia azulada que Akkira manifesta. Seu corpo tomba contra a parede, e ele é golpeado diversas vezes por Akkira, tantas que sua visão começa a ficar vermelha. Até que consegue pegar uma pedra entre os destroços da sala e a quebra violentamente contra a cabeça de Akkira. O deus-guerreiro cambaleia e se afasta, e Jamal aproveita para enrolar Akkira com seus fios de prata e aplica-lhe uma rasteira. Já vencera adversários piores, não era porque Akkira tinha ganhado cérebro que ele perderia, mesmo querendo muito perder.

Akkira fica zonzo, ainda mais quando cai no chão e Jamal sobe em cima dele com duas pedras na mão para golpeá-lo. As pancadas doem, apesar de ter reservado magia para enfrentar Gigantus, estava sentindo os efeitos da luta, principalmente a fadiga mental. Se a luta contra Jamal se arrastasse mais, teria dificuldades para qualquer coisa, até fugir, e fatidicamente viraria estatística entre os que perderam para as tropas de Gigantus. Não podia perder essa luta de modo algum. Olhou para os lados procurando uma saída e viu a espada de Jamal caída no chão. Sabia que a espada reagia violentamente se outra pessoa tentasse utilizá-la, mas estava disposto a correr o risco. Respirou fundo, e num movimento rápido pegou a espada e a cravou no peito de Jamal.

Jamal foi acertado subitamente por sua própria espada. Estava com a visão turva demais pelas pancadas de Akkira e por outro lado, concentrado demais em golpear o guerreiro com as duas pedras, para perceber quando a mão do deus-guerreiro se esticou e pegou sua própria espada. Viu os raios e os relâmpagos atravessando o corpo de Akkira, mas ignorou os riscos e pagou o preço. Sua mente aos poucos escurecia, em poucas horas ressuscitaria como servo de Gigantus, mas sentia-se feliz por ter perdido desse modo. Apesar de tudo, tinha sido uma luta boa.

Akkira joga o corpo inerte de Jamal no chão e se levanta. Está ofegante, seu nariz sangra, sua boca tem gosto de sangue, sua visão está vermelha, mas sente-se satisfeito em saber que a situação tanto de Gigantus quanto de Balzac não é das melhores. Falta muito pouco para dar cabo desse maldito ser, de uma vez por todas, e pagar pelo erro de outrora quando o deixou escapar. Gigantus está caído no chão, semi-consciente, ao lado de um Balzac inconsciente. Seriam dois calhordas pelo preço de um. Olhou em volta procurando por surpresas desagradáveis, e não as encontrou. Seu corpo ainda tremia por causa da espada de Jamal, mas era um dano mínimo se comparado aos que sofrera durante o combate. O momento derradeiro chegara, e Gigantus finalmente pagaria por tudo que fez.
- Prepare-se para encontrar seu destino maldito! - Falou Akkira, enquanto erguia sua espada e traçava o arco decisivo para a vida de Gigantus, visando separar a cabeça de Gigantus de seu corpo e destruí-lo em definitivo.
- Bu! - Berra uma voz no ouvido de Akkira o desequilibrando de susto. - Você é muito lerdo, heim, Senhor do Tempo?

Akkira não tem tempo de reagir. De repente sente uma pressão muito forte na barriga, suas costelas se partem e sangue sai de sua boca, e em uma velocidade absurda voa em direção da parede do outro lado do saguão. Quando está quase se chocando contra a parede algo segura seu pé direito, o gira violentamente e em uma velocidade ainda mais absurda. Akkira sente todo seu sangue indo para a cabeça, causando uma dor fortíssima. De repente é solto e jogado contra o chão como um saco de batatas. Akkira quica de forma violenta na sala, batendo primeiro no chão e depois no teto de tão forte que se choca. Isso ainda se repete mais duas vezes antes que Akkira pare de quicar. Akkira tenta se manter acordado o máximo que pode, sente seu poder esvair por seus dedos, e precisa fugir. Concentra-se em se teleportar quando algo segura-o pelo pescoço e o ergue do chão.

Seus olhos estão tão vermelhos e inchados que sequer consegue enxergar quem é seu algoz. De repente uma luz branca tênue invade seus olhos. Apesar de cego pela luta, ainda assim consegue ver essa luz. É uma luz pacificadora, lhe trás uma profunda paz. E muita dor. Uma dor começa a percorrer todo o corpo de Akkira, desde os pés até os últimos fios de cabelos. Suas forças parecem faltar, sua mente parece perder o raciocínio lógico, não consegue sequer pedir por socorro. Um desespero sem igual toma conta de toda sua mente, tenta se debater e não consegue. Sente-se finalmente fraco, lentamente a carne de seus dedos dos pés lhe abandonam e sente que seu corpo resseca em uníssono. Está morrendo, sabe disso, sente-se vazio, completamente só, e em seus últimos segundos de vida ainda consegue pronunciar uma palavra, quase uma despedida...
- Kaira...

Akkira está morto.

Seu algoz joga os ossos do que restou de Akkira no chão e caminha até Gigantus. Um largo sorriso pode ser visto nessa figura sinistra, e ao mesmo tempo Gigantus parece desesperar-se. O homem coloca-se de cócoras ao lado de Gigantus e aperta o pescoço do outrora ser mais poderoso do universo. Gigantus tenta falar algo, mas o pescoço esmigalhado não permite. O homem arremessa Gigantus no chão e se levanta.
- Acho que vocês precisam da ajuda de um profissional...

Fim?

15 comentários:

  1. Oh my god! That's a sucker!

    Se vão entrar e não vão ler, não comentem.

    Se vai insistir, dedico esse post:
    Se não vai ler, por que comenta?

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  2. muito louca essa aventura quixoteana!!! Parabéns

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  3. é.
    mas a tristeza a qual me refiro é boa. é digna.
    é aquela tristeza meio angustia de quem não quer, não aceita, viver por viver.
    entende? ;D

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  4. foooda.

    ahsuahsauhsua explosão de feiura d:

    o final ficou meio no ar...
    E isso ficou bom (:
    parabéns!

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  5. Engraçado que quando finalmente o Akkira resolve levar algo a sério, se fode!

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  6. Surpreendente esse conto, estou de bobeira até agora!!
    Um abraço!
    www.memoriasnotempo.wordpress.com

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  7. Amigo sou um leito de serra maneira assíduo do seu blog.
    Estes seus contos são como viagens para dentro de nos mesmos gosto do seu estilo "HERRIPÊGIANO" de escrever.
    Creio que inventei uma palavra nova neste momento.Rsss...
    Conto bem amarrado com um desfecho que nos prende até o ultimo parágrafo... Muito bom mesmo.


    Mais uma vez estou esperando outro excelente conto seu...



    []s L.Sakssida

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  8. Realmente uma viagem. Um combate digno de grandes seres. Mas como PK falou, achei injusta a morte de Akkira. Afinal depois de derrotar seres tão espetaculares, já estava despertando a simpatia quando... dançou.
    Mas é assim mesmo, na vida e na literatura. (rs)

    Mais um post cheio de qualidades e talento.

    um abraço.

    Arthurius (voltando dos mortos)

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  9. Ah!
    Entendi o pq de tão subta vontade de mestrar hauhauhauha.

    To vendo que sábado vai vir com areia né? Você inspirado é foda huauhauha

    Ah! Muito bom o conto em =)

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  10. Bah cara, pq vc matou o Akkira?? Gostava das lutas com ele, hehehehe. Mas ta de boa, ótimo grande conto, hehehehe. abs!

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  11. As vezes devemos no preender nos conto porque se formos ver nossa realidade desse mundo estaremos num veraddeiro cnt!
    http://fbr-pinheirro.blogspot.com/

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  12. Po cade o resto da favela,
    morreu geral?
    po queria o Sayuki nisso...
    mais também foi "sério" com o sayuki num seria...
    uhauhahuaahau
    valeu abraços.

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