Conto - Você?

Esse conto é diferente de outros que estão acostumados a ler, pelo menos de minha parte.

Espero que gostem. =D

Pertence a uma nova linha que já explorei em outros momentos, mas que nunca quis me aprofundar até agora... Tomara que eu consiga ir bem dessa vez.

Das outras vezes tive a impressão que dera certo, vou ver se encontro outros em meus arquivos e publico também, dependendo da repercussão desse.


Você...

Você chegou rápido naquele dia.

Passou pela porta antes fechada e caminhou sorrateiro até os limites de minha cama. Não nos encontrávamos haviam apenas poucas horas, ou seriam dias? Mas pareciam ser séculos. Seus olhos me devoravam com fervor, do mesmo modo que os meus. Éramos cúmplices de um pecado escrito em gozo e prazer que aconteceria há qualquer momento.

Você trajava-se de modo tradicional, reflexo de sua profissão dura e ingrata. Seu terno cinza grafite de lisura impecável e sua bela gravata vermelho sangue que sob aquele ambiente escurecido parecia destacar ainda mais seu belo corpo. Seu cabelo perfeitamente penteado e seu perfume... Ah o seu perfume... Que me eriçava os pêlos só de sentí-lo no ambiente, fazendo-me gozar somente por respirar de seu ar.

Por outro lado, eu apenas trajava a roupa com a qual nasci, coberta precariamente por um lençol branco. E sob esses lençóis, essa mulher ardia de desejo, como um vulcão incontrolável.

Desvencilhei-me de minha leve coberta e engatinhei provocante até você. Com minha boca vermelha e sedenta retirei sua gravata com os dentes. Sorria inocentemente enquanto continuava a devorá-lo com os olhos, ao mesmo tempo em que mordi os botões do paletó e o retirava com delicadeza. Já podia sentir seu fogo rígido e crescente dentro de ti, mas não podia te dar o luxo de me possuir... Não ainda. Retirei sua camisa e calças com a destreza de quem o conhece bem, e quando pensa que o deixaria nu, o puxo para sobre meu corpo na cama.

Você retribui meu apetite mordendo com delicadeza, e ao mesmo tempo volúpia, meus mamilos, tesos por seu toque leve e firme. Reviro os olhos enquanto você procura com afinco por áreas de meu corpo que somente você pode chegar tão próximo. Quando está chegando próximo de minha preciosidade, o puxo novamente para próximo de mim e com meus pés arranco sua última peça de roupa. Agora nada existe entre nossa paixão.

Com a fome de quem não se alimenta há eras me alimento de você. Sorvo de sua arma tudo que posso, com a fome dos famintos. Como se minha vida dependesse disso, tal qual a única coisa certa a fazer. Você corresponde procurando o céu com seus olhos, entrelaçando-os aos meus e ao mesmo tempo distantes demais em um mundo próprio de gozo e prazer. Não conseguindo controlar seus impulsos, afasta-me de ti e me coloca sob nosso ninho coma delicadeza de um leão.

Sinto quando seu corpo quente e pesado coloca-se sobre meu pequeno e leve. Do mesmo modo sinto quando seus dentes encravaram em meu pescoço e um arrepio grave percorre minha espinha até alcançar minha nuca, dando deliciosos e prolongados calafrios. Seu ar quente afaga meus seios, pescoço, orelhas... Trazendo-me pensamentos ardentes. Deixo escapar pequenos gemidos leves e prazerosos, e mordo seus dedos com fervor. E finalmente deixo-o penetrar em meu interior. Ao penetrar em meu corpo sinto cada centímetro de ti me invadindo, me possuindo, fazendo-me sua, lenta e prazerosamente.

Por um instante nossos lábios se tocam. Resvalam um no outro como espadas em um combate sem vencedores. Lençóis, travesseiros e fronhas são jogados no chão pelo ardor de nossos movimentos e enquanto você me ergue com seus braços fortes e joga-me novamente sobre a cama, sem perder o ritmo. Me penetra com mais paixão, mais furor. Sinto quando chega ao âmago de meu ser. Nossos olhos procuram um o do outro. O movimento frenético continua sem cessar. Você repentinamente se solta e desce por entre meus seios procurando pelo tesouro que somente você sabe como manipular. E o encontra com sua língua, que tal qual o movimento da serpente tateia lugares nunca antes vislumbrados, fazendo-me desejar mais e mais loucuras.

Mais uma vez ergue-me em seu colo e me gira, colocando-me de costas para ti. Seus braços fortes parecem ignorar meu corpo, meu peso. Sou novamente invadida por seus movimentos rápidos e constantes, e grito satisfeita. Seu ar viril e quente afaga minha nuca, sinto uma completa volúpia como nunca senti. Os movimentos tornam-se cada vez mais constantes e rápidos, mas sem perder a graciosidade. Eu peço para que pare, imploro que pare de possuir meu corpo. Você apenas ri e segura forte meus ombros, e me gira novamente, nos colocando novamente frente a frente.

Meus olhos novamente reviram, e o movimento não para. Eu grito o mais alto que posso, e você parece se divertir com isso. Vai de encontro em meus lábios e me beija, um beijo tórrido como se fosse o último de sua vida. Eu sinto cada fibra de meu ser pedir por mais e desejo do fundo de minha alma que aquilo nunca termine.

Você volta a se mover... Me penetrar... Me invadir com sua lança. Não consigo pensar... Apenas curtir o momento. Eu estou inerte, indiferente a tudo, menos a você. A sensação que tenho quando cada centímetro de ti percorre meu corpo causa-me um torpor completamente extasiante. Sinto-me como se nosso ninho de amor fosse parte dos céus, com um leve toque de inferno. Seus olhos reviram, nosso momento está quase terminando.

Você me abraça forte, e sinto quanto finalmente o líquido do pecado jorra de ti. Deixo me levar por seus gritos, segundos antes contidos e o acompanho nesse maravilhoso ode ao prazer. Nesse instante eu e você somos um só, um único ser de prazer e volúpia. Por um pequeno milésimo de segundo sou capaz de sentir nossas almas fundidas em uma única direção, em um único e ardente segundo que parece durar horas e ao mesmo tempo é curto demais quando acaba. E quando sai, de sua presença em meu interior apenas restam vestígios que escorrem lentamente por minha virilha.

Não tenho tempo de saber seu nome, ou mesmo de perguntá-lo. Ainda estou entorpecida em minha cama quando se levanta, veste-se com a presteza de quem faz isso sempre. Sem sequer dar uma palavra de carinho ou uma despedida sensível, você parte. Deixa-me só com meu próprio gozo e com o resultado de nosso encontro escorrendo por entre minhas pernas. Sequer saberei seu nome, a única coisa que deixa para trás são cinco notas de cem dólares. Novamente a porta se fecha e estou só.

E quanto a mim? Para esta mulher aqui apenas resta tomar um banho e aguardar o próximo cliente...

Espero que os de hoje sejam que nem você.

Somente você.

Até amanhã.


16 comentários:

  1. :D
    realmente não li,
    apenas o começo,
    quando percebi que o tal conto era erotico,
    parei. (:
    mas muito interessante, ate a parte que li :)

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  2. Nossa!
    Que sexy!
    Mostrou sensualidade sem ser nem de longe julgar!

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  3. Excelente! Pensei em tudo, menos numa prostituta. Muito boa a narrativa. Surpreendente mesmo.

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  4. Digo o mesmo que o Arthurius, o texto é bom e tem um final inesperado. Mesmo não fazendo meu "tipo" eu gostei bastante! :)

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  5. Creio que o clímax do conto está no desfecho, e não no desenvolvimento, como é de costume. Muito bem escrito, parabéns.

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  6. Estilo Bruna Surfistinha, com grife?

    eAHUEAheaUHEAuaeH

    Muito bom. =D

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  7. Erotismo em tona...
    Faz lembrar filmes que vi antigamente... Remete ao final curioso e aos porões de desejo de nossa mentes, que guardamos ou expelimos em nossas crônicas diarias...
    Abraços
    Everaldo Ygor
    http://outrasandancas.blogspot.com/

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  8. hummm.. Ainda não li tudo, mas vou continuar!
    vc como sempre escreve muito bem!
    Abraçs

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  9. Estilo Bruna Surfistinha ?

    muito bom cara,exitante até o certo ponto,e muito bem escrito.Boas escolhas de imagens.

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  10. cara, mto bom esse conto!
    bem escrito
    abraço

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  11. Profundo e bem escrito.
    Parabéns!!


    http://coisasqueeuvivendo.blogspot.com

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  12. Contos eróticos sem vulgaridade banal - não que eu seja contra isso. Tudo tem seu espaço - são sempre bem vindos. Gostei do estilo elegante e realmente erótico, não pornográfico.

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  13. Realmente, sensual sem ser vulgar...bem escrito.

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  14. Um toque sublime de sensualidade, sentidos lascivos ma sem agressões pejorativas, a realidade do prazer com uma versão singular, parabéns, achei encantador e supreendente!

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