FORJANDO UM GUERREIRO - SPATIUM*

Olá povo! Depois de muito tempo, retomo a saga Forjando Um Guerreiro. Está parte agora (Spatium) trará duas estórias independentes do restante da saga, podendo ser lidas sem a necessidade de conhecimento prévio da estória. Elas vão apresentar dois personagens importantes para o futuro da saga um inédito e outro um pouco conhecido, mas que terão suas vidas resumidas e explicadas, servindo como introdução para a estória e o novo ambiente que a saga apresentará.

Como este capitulo ficou muito grande, até para os meus padrões, resolvi pô-lo em duas partes. Espero que gostem. Boa Leitura.
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O PALADINO

O que motiva uma pessoa? O que dá significado a sua vida? Muitas coisas podem responder a essas questões. Existem pessoas que são guiadas unicamente pela fé, outras são guiadas por suas ambições, enquanto outras possuem vários objetivos a serem concretizados, além daquelas que vão ganhando novos objetivos. Mas também existem aquelas que são guiadas por um propósito maior, algo que levariam talvez a vida toda para realizar, algo que lhes custará sua própria existência... Artan era um dessas pessoas.

Nasceu em família não muito abastada, mas isso nunca foi empecilho, sua maior dificuldade foi ter nascido sem os olhos. O choque de seus pais ao ver a criança com a cavidade dos olhos completamente fechada e sem nenhum sinal de que possuía olhos, a preocupação e o desespero foram evidentes. Como irão criar uma criança que sequer poderia ter a esperança de um dia enxergar? Como viveria alguém que nasceu sem olhos para ver o mundo a sua volta?

Mesmo tendo que conviver a cada dia com esse fantasma, os pais de Artan criaram ele da melhor forma possível, deram-lhe tudo que era necessário para ser uma criança feliz e foram bem recompensados. Artan se desenvolvia melhor até do que as outras crianças de sua idade, claro as dificuldades por ele não pode enxergar eram evidentes, mas à medida que o tempo foi passando, o próprio menino foi se adaptando a sua condição. Começou a andar antes do que o esperado, a fala surgiu com uma naturalidade e uma fluência impressionantes, sem falar de sua audição praticamente perfeita, nada escapava aos seus ouvidos. Aprendeu a reconhecer os objetos pelo seu cheiro, forma, textura e som. Com quatro anos Artan era como uma criança comum, exceto pela ausência de seus olhos. O preconceito existia é claro, mas era menor do que até seus pais podiam supor.

Quando estava para completar seu sétimo aniversário, uma tragédia arrasou toda a região em que vivia e poucos sobreviveram. Um confronto entre o reino em que vivia e um vizinho, trouxe grandes perdas para ambos os lados, mas foi seu reino que pagou o preço mais alto. A cidade de Artan foi completamente arrasada e sua família foi brutalmente assassinada, ele próprio sobreviveu por sorte e por pena dos assassinos de seus pais, que ao verem que não possuía olhos resolveram poupá-lo, pois acreditavam que sua atual condição já era castigo suficiente.

Mas o destino lhe sorriu, enquanto tentava sobreviver completamente abandonado em meio ao que sobrou de sua cidade, um homem que se dizia chamar Hatsunei, resolveu cuidar dele. Artan deixou a cidade e foi com Hatsunei, pois sentia que poda confiar nele. Hatsunei era na verdade um grande mestre espadachim e levou Artan para sua ilha, onde muitas crianças de idades variadas eram treinadas dia e noite por ele próprio, com ajuda de alguns poucos auxiliares, se comparado ao número de crianças. Meninos e meninas treinavam lado a lado sem distinção todos admiravam Hatsunei, pois este os tratava como filhos, embora fosse completamente rígido muitas vezes além de sempre querer extrair o melhor deles, sempre respeitando os limites de cada um, mas sempre os levando a extremos.

Seus "filhos", como Hatsunei costumava chamá-los, eram ensinados não apenas no campo bélico, mas também eram ensinados nas artes da escrita e leitura, além de outras ciências que não envolviam o combate, mas sim o cérebro. Por muitas vezes enquanto praticavam suas técnicas de combate, tinham que fazer algum cálculo, declamar algum verso, ou algo completamente antagônico ao que estavam fazendo. Hatsunei criava verdadeiras máquinas de combate e sabedoria, pois exigia sempre que traçassem algum tipo de estratégia de combate, para depois colocá-la em prática, justamente para que aprendessem a traçar metas e não apenas bradar suas armas como loucos sem objetivo.

Outra coisa importante era o treino espiritual, pois segundo Hatsunei, um guerreiro de verdade tinha que controlar não só seu corpo e mente, mas também sua alma. Muitos se mostraram ótimos conhecedores de seus próprios espíritos, um deles foi Artan, que com as orientações de Hatsunei acabou por desenvolver um extraordinário dom, enxergar a alma. Seu espírito se desenvolveu de tal forma que passou a enxergar as almas de todos que estavam a sua volta, não apenas isso, passou a enxergar todo e qualquer fluxo vital emanado por qualquer ser vivo, obtendo assim uma visão perfeita em todas as direções possíveis. Aquilo para ele foi uma grande alegria, pois pela primeira vez, pode saber como era o mundo ao seu redor, com o auxilio de emanações constantes de sua própria energia vital, ele era capaz de enxergar objetos inanimados.

Em pouco tempo Artan já era um perito em observar almas, tanto que essa habilidade se tornou algo comum para ele, tanto que inconscientemente ela se ativava. Era praticamente impossível surpreendê-lo, pois sempre podia "ver" quem estivesse para lhe atacar. Sua habilidade evoluiu a tal ponto, que ele era capaz de dizer com precisão assustadora o que a pessoa estava sentindo naquele momento. Valendo-se disso e de seus esforços em se tornar mais forte e evoluir seus conhecimentos e seu espírito, Artan se tornou um dos melhores pupilos de Hatsunei, além de mestre na arte das espadas longas, onde se tornou o melhor dentre os que dominavam tal arte.


Anos após terminar o treino com Hatsunei, Artan decidiu partir em sua própria jornada por um objetivo. Havia se tornado um adulto integro, alto e muito forte, um dos melhores pupilos de Hatsunei, mestre na arte da espada longa. Por conta de sua aparência, Artan passou a usar uma espécie de bandana que cobria metade da face, deixando apenas nariz e boca expostos. Seu porte físico e sua altura também era algo bem incomum, o que causava certo espanto nas pessoas, além do fato de quase sempre estar portando uma espada, que tinha quase a sua altura.

Tornou-se um guerreiro justo, não tinha a quem servisse diretamente, sempre ajudava onde considerava que precisassem de ajuda. Passou centenas de anos dedicando-se a ajudar quem quer que fosse, o fato de ver a alma de qualquer um e nela enxergar a verdade, foi-lhe um trunfo muito importante em sua jornada. Ficou conhecido por suas andanças por diversos lugares, sem nenhum tipo rumo específico. Sempre exibia no rosto semi-oculto um sorriso jovial, nunca pareceu estar triste ou desanimado, até o dia em que foi para uma praia de onde podia se enxergar o outro continente. Com a cabeça voltada na direção do outro continente, pode ver nitidamente uma imensa nuvem negra acima do continente, não se tratava de uma nuvem negra qualquer, era uma nuvem de maldade, ódio e rancor. A incomum habilidade de Artan de ver a essência das coisas permitia a ele ver muito mais do que qualquer um, às vezes mais até do que ele poderia imaginar. A visão daquela energia maléfica fez Artan refletir sobre tudo o que havia feito até aquele momento, sempre achou que estava ajudando quem necessitava, nunca imaginou que pudesse haver tanta maldade concentrada em um único lugar, certamente o povo daquele local deve ser um povo deverás sofrido, pensava consigo mesmo.

Por dias seu pensamento ficou voltado para o continente estrangeiro, sobre como as pessoas de lá sofriam, sua mente estava um caos. Por onde andava ia sempre cabisbaixo, seu sorriso jovial de sempre havia desaparecido. Um de seus amigos e companheiro durante o treinamento com Hatsunei, Akkira, percebeu a mudança em seu comportamento antes de todos, mas como dias se passaram e nada mudou, resolveu ele próprio tirar a situação a limpo.

- O que lhe aflige tanto irmão? - Perguntou usando a forma como todos os discípulos de Hatsunei se tratavam.
- Sabes muito bem Akkira, que nunca pude ver nada, pois nasci sem olhos. - Respondeu enquanto tirava a bandana - Por isso mesmo nunca pude nem ao menos derramar uma lágrima por meus pais, nem por meus amigos.
- Mas isto nunca lhe impediu de ser o que é hoje. - Disse tentando animar o amigo.
- Sim é verdade! - Concordou - Tive que viver assim, para mim isso é o normal, um mundo sem imagens, apenas com sons, texturas e sabores. Vivo cercado de escuridão por todas as partes, por isso mesmo quando comecei a desenvolver a minha visão, como o auxilio de Hatsunei, vi um outro mundo. Vi as pessoas como elas eram, vi suas almas!
- Deve ser algo perturbador...
- Sim, - interrompeu - realmente é, principalmente para alguém que nunca enxergou, pois para mim imagens eram coisas que os outros falavam, não existiam realmente. Mas quando pude ver o brilho da essência vital de Hatsunei... Tudo mudou para mim, toda minha percepção e noção de mundo, mudaram totalmente.
- Imagino que deva ter sido difícil pára se adaptar a nova condição.
- Durante algum tempo foi, pensei até que ficaria dependente disso, mas pior que isso, essa habilidade acabou se tornando algo natural, tanto que hoje em dia nem mais preciso me concentrar para usá-la. A partir do momento em que minha mente desperta, esse meu novo sentido desperta imediatamente.
- Isso é bom, afinal se tornou algo natural! - Falou Akkira tentando empolgar o amigo.
- De certa forma é. Com isso pude ver o que é o mundo de verdade, o que e quem são as pessoas que me cercam. Sei até que você está sentado em uma pedra atrás de mim e que está um pouco frustrado.
- Não se pode esconder nada de você! - Disse Akkira contente.
- É por isso que decidi que erradicarei o mal.
- Como assim? - Perguntou Akkira surpreso.
- O mal existe em tudo e em todos, sei que é impossível acabar com ele, mas pelo menos ei de eliminar sua fonte. - Falou enquanto se levantava e apontava sua longa espada na direção do outro continente.
- Ah claro! E será o grande salvador do universo! - Zombou Akkira.
- Agora sim é o Akkira que sempre conheci!

Artan e Akkira saíram caminhando juntos e rindo um do outro, fazia algum tempo que os dois não se encontravam e naquele dia riram para extravasar o que quer que fosse. Conversaram um sobre a vida do outro, o que fizeram, o que continuavam fazendo e relembraram os tempos como pupilos de Hatsunei. Artan perguntou a Akkira se ele fazia idéia de como era o continente estrangeiro, afinal ele era um deus, mas Akkira pouco sabia daquele local, a única coisa que sabia é que o local era regido por uma força antagônica a grande força criadora conhecida como Gouka, que regia o local em que viviam. Kaougo como era conhecido a outra grande força criadora, emanava energias completamente opostas as de Gouka e os deuses concebidos por ele, tinham uma essência energética oposta aos deuses filhos de Gouka, assim como seu mundo.


Um pouco mais conformado e animo Artan seguiu sua vida, agindo como sempre agiu, ajudando os necessitados e usando sua força para apartar as injustiças. Certa vez um exército liderado por um deus recém divinizado que buscava renome através de sua força bélica, atacava um reino que se recusava a se por sob seu comando. Artan logo que descobriu foi para por um fim nos combates. Usando de todos os seus conhecimentos táticos e combativos, não foi difícil ele sozinho derrotar todo o exército inimigo. O combate com o deus recém divinizado também não foi dos mais difíceis, a vitória de Artan foi mais moral do que qualquer outra coisa, já Artan não desferiu um golpe sequer, apenas mostrou para seu oponente a estupidez do que estava fazendo.

Após o fim da contenda uma idéia passou pela sua cabeça, iria até o continente estrangeiro para ele mesmo conhecer o local que tanto o intrigava. E assim o fez, três dias depois, seguindo as orientações de um sábio, partiu para o continente estranho usando sua técnica de vôo, desviando das armadilhas naturais que haviam no caminho, segundo as orientações do sábio. Mas nem mesmo seu extraordinário dom podia prepará-lo para o que sentiria. Assim que pôs os pés no continente todo seu corpo foi tomado por uma dor lancinante, como se a energia do local estivesse dilacerando-o e esmagando-o por todos os lados. Sua visão mental entrou em colapso, apenas conseguia ver traços luminosos indistintos, enquanto se contorcia violentamente de dor.

Muito tempo se passou, mas Artan não sabia dizer o quanto, só sabia dizer que finalmente estava se adaptando a nova condição. Algum tempo depois seu dom começou a se restabelecer, pode finalmente saber como era o local. Era escuro e hostil, mas o que mais lhe chamou a atenção foi a grande quantidade de almas que vagavam atormentadas e clamavam por vingança, almas de essência maligna que emanavam puro ódio e rancor.

- Mate-o! - Bradava uma alma.
- Desgraçado! - Gritava outra.
- Ele vai ter o que merece... - Maquinava outra.
- Eu o odeio! - Clamava uma alma enlouquecida.
- Eu não mereço isso!
- Quero voltar...
- Alguém me ajude...
- Socorro!

Em meio aos clamores e lamentos Artan se sentia cada vez mais perdido e confuso, até que viu uma alma que se destacava das outras, uma alma carregada de muito rancor, mas que estava isolada das outras e calada, apenas chorava. Era uma alma de uma mulher, uma mulher jovem, porém de rosto marcado e muito amargurado, trazia linhas de expressão fortes e profundas, seus cabelos eram longos e escuros, embora no seu estado atual tais coisas faziam pouco sentido. Ela notou a aproximação de Artan e se assustou ao notar que este estava vindo em sua direção, ele parou a sua frente e com um pouco de dificuldade se sentou a sua frente.

- Como se chama? - Perguntou Artan.
- Você pode me ver? - Perguntou a moça completamente assombrada.
- Tanto quanto posso ouvi-la. - Respondeu Artan.
- O que é? Um devorador de almas? Um domador de espíritos? - Questionou se afastando.
- Nem um, nem outro. Apenas alguém curioso sobre você. - Respondeu em tom apaziguador. - O que tanto lhe perturba?
- Aquele maldito, por culpa dele estou assim! - Falou com raiva.
- Ele quem?
- Ele é perigoso, ele tem que ser morto, eu tentei, mas não consegui, o desgraçado foi mais forte... - Disse a mulher enquanto lágrimas de ódio escorriam por sua face.
- De quem está falando? - Perguntou Artan preocupado.
- Você tem que detê-lo antes que ele fique mais poderoso, por favor mate-o, destrua-o!
- Por que? O que ele fez de tão ruim?
- Vai fazer, eu sei disso. Aquele demônio vai trazer a desgraça para este mundo, ele irá acabar com tudo! Esse lugar... Esse lugar inteiro é ruim, tem que ser destruído, tudo, tudo.
- Quem é essa pessoa?
- Meu filho!
- Seu filho? Quer que eu mate seu próprio filho? - Questionou Artan completamente confuso.
- Ele me matou e matou outros, sei que ele matará muitos mais sem nenhum rancor, isso da prazer a ele.
- Isso é terrível...
- Por favor destrua-o - Interrompeu a moça suplicando a Artan.

A mente de Artan estava mais confusa do que no início da conversa, como uma mãe poderia pedir para matar o próprio filho? Como um filho poderia ter matado a própria mãe? Mas antes que Artan tivesse tempo de perguntar mais alguma coisa, a mulher foi se afastando rapidamente, tardiamente Artan notou, a única coisa que conseguiu saber dela antes que desaparecesse foi seu nome, Araia.


Fraco e confuso Artan vagou sem rumo por aquele mundo estranho. Enquanto vagava ouvia as suplicas das almas perturbadas, que assim como ele vagavam sem rumo. Após muito tempo notou que estava começando a se adaptar ao ambiente local, embora este ainda o afetasse muito, mas já não sentia tanto os efeitos nocivos das energias locais. Enquanto descansava apoiado em sua espada Artan notou uma vila que não ficava muito distante, caminhou vagarosamente até lá esperando encontrar alguém que pudesse lhe dar algum auxílio. Sentiu um cheiro estranho no ar, era fumaça e ficava cada vez mais forte e vinha da mesma direção da vila, no mesmo instante seu sentido especial notou muitas pessoas mortas e algumas desesperadas ainda vivas. Reuniu suas forças e correu em auxílio dos que ainda se mantinham vivos, mas ao chegar lá, seu sentido viu algo chocante. Um exército de homens estava queimando as casas, torturavam e estupravam as mulheres, enquanto os homens e crianças eram violentamente mutilados e largados para morrerem em grande sofrimento.

Todo desespero das pessoas da vila, todo o ódio, sadismo e prazer que seus algozes sentiam, tudo aquilo feriu Artan como a mais mortal das lanças. Se pudesse enxergar como as pessoas normais, talvez aquilo não o afetasse tanto, mas Artan via a dor das almas torturadas e sentia a dor nele mesmo, como se ele próprio estivesse sendo ferido. Pior era ver o prazer doentio nas almas daqueles que destruíam tudo, matavam, estupravam e mutilavam, sem nenhum pesar.

Aquilo tudo foi demais para ele, repentinamente suas forças voltaram, parecia agora mais forte que antes, o lugar já não o afetava tanto, tamanha era sua fúria. Bradou sua longa espada no ar e com um salto investiu contra os assassinos. O primeiro mal teve tempo de ver Artan quando foi divido em dois pela longa e afiada lâmina, o golpe fora tão violente que as metades foram arremessadas contra uma parede de pedra ainda em pé, se espatifando em seguida. Não tardou para que os outros vissem o ocorrido e vissem Artan que já investia contra outra, que estuprava uma mulher. Este nada pode fazer, teve a cabeça dilacerada, o sangue voou quase todo sobre a pobre mulher que em choque agora tentava se livrar do corpo.

Furiosos e confusos vários dos assassinos partiram para um ataque que deveria acabar com Artan de uma vez, pensaram que por seu tamanho e grande porte físico, além do tamanho e peso da espada, ele seria bem lento, por tanto, um alvo fácil. Tolo engano, demonstrando uma agilidade fora do comum, até mesmo para alguém de estatura e peso comuns, Artan apenas girou sua espada dilacerando os corpos de todos que investiram contra ele. Os que restaram não se amedrontaram, muito pelo contrário, sua fúria apenas aumentara e continuaram o ataque esquecendo por completo a população da vila, que agora fugia desesperada.

Com um poderoso salto para o alto Artan escapou de três atacantes que perplexos acompanharam sua ascendência. Quando atingiu o ponto máximo de seu salto, Artan girou a espada preparando um poderoso e definitivo ataque contra os três. Quando estava quase tocando o solo, no último instante, Artan golpeou um deles com toda a força que pode, levando todo o peso do seu corpo para os seus punhos e depois para a ponta da espada. O corpo de seu oponente foi atravessado como se fosse de papel, mas a força do golpe foi tamanha que ao atingir o chão causou uma violenta onda de choque como uma explosão, desfazendo quase que por completo o corpo no oponente e arremessando para longe os outros dois, que morreram em seguida devido a força e velocidade do impacto.

Em meio ao incêndio da vila Artan dilacerou muitos corpos em um espaço de tempo muito curto, mais do que já havia feito em toda a sua. Eram muito, cada vez que matava um, outros apareciam e eram prontamente eliminados sem pena. O sentido especial de Artan apenas lhe serviu para identificar de onde vinham os ataques e onde os assassinos estavam, sua fúria o tornou mais cego do que sempre fora. Quando finalmente terminou, passou a mão no rosto e sentiu o sangue de suas vítimas que estava misturado ao seu suor. Estava satisfeito, havia acabado com todos os assassinos e saciado sua repentina vontade de matar.

Depois de algum tempo refletindo e quando finalmente se acalmou, seu sentido agora estava funcionando de forma normal. Mas a volta de sua "visão" lhe trouxe algo muito mais terrível do que imaginara, havia muito mais corpos do que apenas os iniciais e os dos assassinos. Tateando e sentido os corpos um a um, constatou algo que gostaria de nunca saber, entre os que foram vítimas de seus ataques, muitos eram aldeões. Artan não conseguiu acreditar naquilo, em sua mente refez todos os seus movimentos e viu que seu excesso realmente deveria ter feito aquilo. Sentiu o corte perfeito de sua lâmina em diversos dos inocentes corpos que ali jaziam inertes, sentiu também sua energia residual que apenas constatava a fatalidade.

Correu, em meio ao seu desespero e imerso em culpa, correu. Desesperado por ter cometido um erro tão grave e ao mesmo tempo tão tolo, a única coisa que pode fazer foi correr e gritar. Em sua mente ouvia agora os gritos de desespero das vítimas inocentes a quem massacrara, cego por sua fúria e um desejo sanguinário, muitos morreram por sua lâmina, agora essa macula permaneceria em sua alma eternamente.

Ouviu com clareza em sua mente, a gargalhada maléfica que ecoava por todos os lados, sabendo que era direcionada a ele devido a sua fraqueza e afobação. Pode ver literalmente a fonte da emanação da força local que o afetava, a mesma força que o tomara, corrompera sua alma e o fez estar sedento de sangue. Era algo de poder colossal, infinitamente maior do que o dele, mas em seu âmago manchando com sangue de inocentes, havia feito uma promessa, iria acabar com tudo aquilo, iria erradicar com aquela fonte de maldade de uma vez por todas.
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*Dentre muitos significados, spatium pode ser traduzido do latim como "intervalo".

9 comentários:

  1. E então essa risada o ofereceu chá.

    =p

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  2. Sinceramente eu nao li, Hehehe, nao é de meu interesse esse tipo de informação. Mas gosto do seu blog, por diversos outros motivos inclusive o tipo de visao dado ao nosso país por voce.

    Bom desde já me desculpo por nao ter lido, mas deixo meus sinceros apoios ao blogger.

    Um abraço

    http://inimigosocial.blogspot.com/
    l.Pietro

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  3. Um ótimo conto...
    De certo modo, envolvendo causa e efeito...
    E rebuscando diversos sentimentos de um homem... principalmente o de culpa, um dos mais corrosivos!
    Abração!
    Kemp

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  4. Respondendo ao Inimigo social:
    Se não leu, porque comenta?

    Escolhesse outro post então. =/

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  5. Eu li, isto é serio, não esotu mentindo. Bem o que posso dizer é que, não é só porquê você tem uma certa deficiência que você tem que se achar um inútil na vida, se você tem problemas, você é que teria mais motivos para viver, para sonhar, para aprender. Nesta história, este garoto cego pode derrotar um "GIGANTE" a qual achava que por não ter deficiência iria vene-lo mas não. Quem é cego, no caso, ouvi mais. Quem tem uma deficiência, Deus coloca um sentido mais forte para equilibrar. Sempre temos que seguir a vida... Muito bom o post.

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  6. Dá neles Dragus!

    Nossa, muito interessante a história, paladino sem olhos vingador e possuido por uma alma cheia de vontade de matar?

    O que poderia dar errado né?

    Eu gostaria de ver a alma das pessoas tbm. ;P

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  7. rhehehe..meio grande..mas muito legal!!!

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  8. Ficou bom, você quem fez?
    Parabéns! :}

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  9. Cara! De novo essa maldade? Devo protestar. No ápice da "coisa" você tira uma pausa. (rs) Sacanagem! (rs)

    Só me resta esperar...

    Gostei da idéia do homem sem olhos, e da forma como ele conseguia perceber as almas dos oponentes e dos que o circundavam.

    Brilhante.

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