FORJANDO UM GUERREIRO - SPATIUM

Como havia prometi, aqui está a segunda parte do capítulo anterior, que na verdade é um só, mas por conta de seu tamanho, preferi pô-lo em duas partes.
Boa leitura.
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O PALADINO - 2ª parte


- Você só pode ter enlouquecido de vez! - Bradava Hatsunei ao ouvir o relato do antigo pupilo.

- Nunca falei tão sério em minha vida mestre. - Respondeu Artan irredutível.

Nunca antes Hatsunei em sua longa existência havia ouvido algo tão sem sentido, como alguém pretendia erradicar o mal? Ainda mais alguém como Artan?

Era um dia como outro qualquer para Hatsunei, exceto pelo fato de um de seus ex-discípulos aparecer completamente arrasado em sua casa, além do fato de contar o motivo para tal. A longa barba que teimava em não se tornar grisalha era acariciada com vigor, enquanto ouvia o relato desesperado do ex-pupilo. Maior ainda foi seu assombro quando ouviu que este pretendia erradicar o mal, nem que isso lhe custasse a própria existência. Para ele Artan sempre foi alguém completamente decidido, não descansava até ver uma meta cumprida, mas aqui era simplesmente loucura!

- E o que lhe faz pensar que é capaz de tal feito mirabolante? - Perguntou com ar zombeteiro.

- Sei de onde vem a fonte, isso por si só já me basta! - Concluiu secamente.

- Escute aqui garoto, se pensa que vai entrar numa simples batalha contra um inimigo qualquer, então pode voltar para o que chama de casa e dormir. - Repreendeu-o Hatsunei.

- Mas mestre, sei que sou capaz...

- Ah sabe? Interrompeu Hatsunei elevando o tom de voz. - Se realmente soubesse, não teria passado pelo que passou, além do mais a morte daqueles inocentes é a prova de teu despreparo.

- Sei que cometi um grave erro, mas não falharei novamente.

- Ah não? O que lhe da tanta certeza? Você foi facilmente dominado pelas forças locais e tomado por um espírito sanguinário, segundo o que me disse. Alguém como você, que "vê" tudo de outra forma, teria grandes chances de evitar o que ocorreu.

- Foi um descuido grave que custou não só a vida daquelas pessoas, mas também minha alma, que agora está corrompida e comprometida para com aqueles que matei, quando deveria tê-los salvo. - Falou cabisbaixo.

- Pare com essa conversa mole! - Falou com sinceridade - Você não é o salvador do mundo, pare de agir como uma personagem de fábulas infantis!

- Você não entende mestre, todos lá são maus, todos! - Disse mostrando preocupação.

- E o que lhe faz acreditar nisso? - Questionou - Só por que a essência deles é oposta a tua? Só por que os atos deles diferem dos teus?

- Não mestre, eu vi a alma deles, vi o sadismo, vi o ódio e o prazer que sentiam em matar... - Disse em quanto as imagens nítidas voltavam a sua mente.

- Tua essência é oposta a deles, não acha que se um deles tivesse a mesma habilidade que tens o visse, não diria que tu és o maligno?

Silêncio. Por um tempo a única coisa que Artan pode fazer foi ficar em silêncio. O questionamento de Hatsunei era correto, mas Artan não havia ponderado esse fato, agora questionava-se sobre isso. Após tomar uma revigorante xícara de chá verde com seu mestre, Artan partiu, com muito mais questionamentos do que antes.


Dias depois mesmo tendo retomado sua vida "normal" (ao menos foi o que tentou), Artan ainda tinha a idéia fixa na cabeça, foi então que decidiu estudar sobre o tal lugar, saber como ele realmente era e quem eram seus governantes e deuses locais. Foi procurar informações no melhor local que conhecia, a biblioteca do Senhor do Tempo. Embora o Senhor do Tempo fosse um dos deuses menos acessíveis, sua biblioteca era aberta a quem quer que conseguisse chegar até ela, pois a morada do Senhor do Tempo, era um castelo com um labirinto mágico, que mudava para cada um de seus visitantes, além de que a maneira de encontrar a biblioteca nunca era a mesma. Mesmo para Artan que enxergava emanações energéticas, o labirinto era algo complicado, embora alguns truques mais simples fossem inúteis contra ele.

Como não podia ler Artan sempre que ia lá consultar algo, fazia questão de que alguém de sua inteira confiança fosse com ele, desta vez outro dos ex-discípulos de Hatsunei foi com ele. Yardovich era um dos melhores discípulos de Hatsunei, comunicativo, bem humorado e sempre solicito, foi um de melhores amigos de Artan durante a época do treinamento. Sempre vestia o mesmo kimono longo de cor encardida, mas sempre limpo e bem arrumado. Nunca dispensava companhia de duas espadas, e seu chapéu cônico que cobria-lhe o rosto quase que por completo, deixando apenas sua boca e queixo a mostra. Carregava sempre consigo uma enorme mochila de viagem com algumas coisas triviais dentro, embora alguns de seus companheiros digam que a maior parte das coisas que carregava dentro eram espadas.


Chegaram à biblioteca sem muitos problemas, era um local imenso, difícil de precisar as proporções, pois eram gigantescas. Várias estantes que iam até o distante teto se estendiam perante eles, formando imensos e intermináveis corredores, que mais se assemelhavam a um labirinto. Artan deu algumas instruções a Yardovich sobre o que exatamente estava procurando e começaram a busca. Na primeira meia hora recolheram vários volumes e levaram para uma mesa próxima, Yardovich foi estudando um a um com grande cautela, encontraram várias coisas sobre costumes, sobre a população os deuses que lá habitavam, mas na verdade o que Artan procurava era algo bem mais específico e incomum do que simples informações que poderia conseguir indo até lá. Por isso sabia que deveria ter grande atenção, além de muito cuidado, afinal não poderia contar com a ajuda do amigo. O máximo que Artan poderia fazer era identificar se havia algum resíduo energético, que pudesse lhes ceder algumas pistas, já que com seu dom podia ver com exatidão as impressões deixadas por quem havia tocado qualquer objeto, quem sabe poderia tentar captar alguma impressão do sentimento do autor.

Horas e dias se passaram e nada foi revelado, mesmo utilizando seu dom ao máximo, Artan nada pode fazer a não ser ouvir as palavras de Yardovich cada vez que lia um livro, ou ao menos indicá-lo algum que suspeitasse pela energia que poderia haver algo de interessante, mas a resposta era sempre negativa. Enquanto permaneceram lá, o Senhor do Tempo lhes providenciou alimento, banho e um local para descansar. Era comum que os visitantes de sua biblioteca ficassem lá por dias, semanas e até mesmo meses, por essa razão, havia um local reservado para tal coisa.

- Você bem que poderia aprender a ler... - Falou Yardovich distraidamente enquanto analisava mais um livro.

- Se pudesse realmente o faria! Mas infelizmente ainda não inventaram um método que permita que pessoas como eu possa ler! - Respondeu Artan com um sorriso.

- Desculpe... - Falou Yardovich com vergonha de si próprio - Às vezes esqueço que você não enxerga de verdade. Mas...

- Antes que você pergunte, não, não há forma alguma de eu ler. Entenda, meu dom permite que eu veja as coisas por conta de emanações energéticas, não apenas de coisas vivas, mas minhas também, o que me permite "ver" uma pedra, uma construção e outras coisas. Só que isso não me permite ver letras impressas em um livro.

Continuaram a examinar os diversos livros e pergaminhos empilhados sobre a mesa, embora o máximo que Artan podia fazer era apenas tentar captar algum resquício emocional, na tentativa de captar alguma pista do que procurava. Algum tempo depois sua mente se iluminou, levantou-se rápido e correu até o bibliotecário, um servo do Senhor do Tempo chamado Minín. Ele era o único além do Senhor do Tempo que conhecia toda a extensão da biblioteca, sabia com precisão absurda a localização de qualquer livro. Artan perguntou a ele se sabia onde poderia encontrar livros sobre profecias, no mesmo instante Minín o guiou até o local correto.

Atravessaram vários corredores de estantes, Artan mesmo com seu sentido especial sentiu-se perdido depois de tantas idas e vindas e curvas feitas entre as muitas estantes. Após alguns minutos finamente chegaram ao local, questionado sobre o que procurava exatamente, Artan nada respondeu, apenas concentrou-se máximo que pode e ali permaneceu algum tempo. Minín esperou pacientemente, pois seria necessário, caso contrário Artan se perderia.

Em meio a sua meditação na busca de algo, Artan sentiu uma energia residual incomumente forte vindo de um livro de proporções também incomuns, por conta de seu tamanho e grossura. Assim que retornou pediu que Yardovich parasse de ler o que estivesse examinando, para poder dar total atenção ao livro que ele trouxe. Yardovich estava completamente ciente dos planos de Artan, embora considerasse que a busca seria infrutífera, mas logo assim que pôs os olhos em uma página aleatória do livro, sua opinião mudou completamente. Era um livro que continha muitas profecias, muitas delas que já haviam sido concretizadas e outras ainda vindouras, mas o que chocou Yardovich, foi a exatidão com que os fatos era narrados. Não tardou muito e finalmente encontraram aquilo que almejavam. Perguntaram a Minín se havia a possibilidade de levarem o livro e devolverem em uma semana, após tomar nota de algumas informações, Minín liberou a retirada do livro, mas ressaltando que dali a exatos sete dias o livro deveria retornar intacto.


- Pelo visto você tem razão Artan...

Hatsunei foi pego de surpresa quando seus dois ex-discípulos adentraram sua casa, como se estivessem a fim de salvar alguém. Quando questionados sobre o porquê da repentina visita, Artan mostrou-lhe o livro, justamente onde queria. Tratava-se de uma profecia sobre um guerreiro nascido no outro continente, que assumiria o poder local e desencadearia uma guerra de proporções tais que até mesmo os deuses seriam envolvidos nela. O Autor do livro era um antigo e famoso profeta, que nunca antes havia errado uma palavra sequer de suas previsões.

Agora finalmente Artan havia conseguido provar a seu mestre que havia algo de errado com o lugar, ao menos em sua mente. Após uma conversa pouco produtiva, Hatsunei se deu por vencido e decidiu ajudar Artan, não sem questionar o que o ex-discípulo tinha em mente. Artan contou seu plano, pretendia unir todos os reinos em só, para em seguida destruí-los. Hatsunei considerou um bom plano, embora em seu intimo achava um completo absurdo, nunca que Artan sozinho conseguiria destruir quase todo um povo, apenas por conta de uma profecia, ou mesmo por uma primeira impressão.

Passaram e repassaram o plano, tentando amarras todas as pontas soltas, que não eram poucas, principalmente tentando prever as dificuldades futuras. Mas Hatsunei lembrou o fato de Artan ser afetado pela energia local, na expectativa de fazê-lo ponderar a situação e desistir de seu plano, mas até nisso Artan havia pensado. Hatsunei ouviu com atenção a idéia de Artan, sobre usar uma armadura para absorver e converter a energia local para que não o afetasse. Era nesse ponto que Artan queria a ajuda de Hatsunei, queria que ele forjasse a armadura e armadura que utilizaria. Hatsunei concordou, embora algumas condições tenham sido impostas, Artan deveria trazer toda matéria prima, o projeto e ainda deveria encontrar alguém para dar "vida" à armadura, pois segundo ele uma armadura com capacidade de absorver e converter energias, deveria ter "vida".


A busca pela matéria prima foi relativamente fácil, Akkira foi a pessoa escolhida por Artan para ceder o material, já que o deus possuía capacidade de gerar os minerais exatos e da melhor qualidade possível para forjar as armas e a armadura. Akkira aceitou a proposta, sem mesmo conhecer o plano de Artan.

O projeto Artan já tinha pronto há muito tempo, a única coisa que lhe faltava era alguém que pudesse dar vida à armadura. Nenhum nome lhe veio à mente, quanto o próprio Akkira deu uma sugestão. Magma era conhecido por ser um o mais sábio dentre os deuses, sempre solicito ajudava a quem lhe pedisse ajuda. Após ouvir o relato de Artan com grande atenção e cuidado, Magma refletiu por algum tempo, achou que a idéia da armadura funcionaria com certeza, discordou quanto ao resto de suas idéias, mas não seria ele e impedi-lo. Por fim, disse que faria o que lhe foi pedido assim que a armadura estivesse quase pronta, pois seria um processo demorado, Artan partiu imensamente feliz e agradecido.

Com o material e o projeto em mãos, foi até Hatsunei e este começou a forjar as armas e a armadura. O processo é lento e muito cuidadoso, Hatsunei trabalha com um afinco impressionante, faz e refaz vários passos diversas vezes para que tudo saia perfeito. Como auxiliar Artan faz apenas serviços simples, como trazer alguma ferramenta ou coisa parecida, Hatsunei era caprichoso demais em suas criações para deixar até mesmo que um discípulo seu interferisse. Quando o processo está chegando próximo de sua etapa final, Magma é chamado para começar o seu trabalho, enquanto Hatsunei trabalha a modelagem do metal, Magma deveria inserir essência energética nele para que tomasse vida mais tarde.

Após dois meses de trabalho árduo e ininterrupto tudo está pronto, o resultado foi exatamente o esperado. Ao experimentar a armadura, a espada e o escudo, a alegria de Artan é evidente. A armadura vestia-o com precisão, nem apertada, nem larga. A espada, embora curta para os seus padrões era perfeita, e o escudo era quase da sua altura. A aparência da armadura era imponente, porém malévola, um grande contraste com a personalidade de seu dono.

- De onde surgiu a idéia para a concepção de um visual tão peculiar? - Questionou Magma.

- Quando fui ao outro continente conversei com o espírito de uma mulher, enquanto falava com ela, vi imagens de lembrança dela, algo bem nítido, onde ela conversava com um cavaleiro que usava uma armadura exatamente como a que desenhei. - Explicou Artan.

- Mas como sabe que desenhou exatamente o que viu? - Questionou curioso Hatsunei.

- Na verdade não fui eu quem desenhou, descrevi-a para Yardovich e ele desenhou.


Alguns dias depois, partiu em definitivo para o estranho continente. De armadura posta Artan não foi afetado pela energia local, justo como esperava, sentiu que a armadura absorvia para si, tornando-a mais resistente. Por muitas vezes tentou ficar sem ela, mas o impacto energético parecia cada vez maior, mas isso ao o impediu de tentar não se tornar dependente da armadura. As poucos foi se adaptando ao local, embora quando finalmente sentia-se seguro para andar sem a proteção da armadura, surgiu a oportunidade que tanto esperava. Uma guerra eclodiu, vendo a oportunidade, Artan entrou na batalha também, não tomou um lado para si, estava de seu próprio lado.

As vitórias vieram, mas não sem esforço, assim como os aliados. Muitos se aliaram a ele, por conta de sua força e valor que reconheceram nele, a maioria era daqueles que foram derrotados e poupados por ele, assim em pouco tempo formou seu exército.

O levante das tropas lideradas por Artan logo se tornou conhecido e rapidamente temido, a notícia de que apenas um homem havia reunido tantos outros, não foi deixada de lado, cada vez que era contada a estória parecia mais e mais heróica. A guerra seguiu, um por um exércitos foram derrotados ou simplesmente se retiraram do conflito, até que apenas dois reinos dos vinte e nove, continuaram em combate, além é claro do exército liderado por Artan. Um desses era o reino da assim chamada Beleza Mortal. Seu nome era Astarte, uma deusa poderosa e impiedosa, que comandava seu povo com grande rigidez. Artan foi convidado a uma audiência amistosa, quando souberam da aproximação de seu exército, Astarte desejava conhecer o homem que praticamente sozinho estava acabando com um conflito continental.

O palácio era bem amplo e muito belo, todo construído com grande riqueza de detalhes e com vasta decoração em cores bem vivas, predominando sempre o vermelho. O salão principal mais parecia uma pérgola, com vários pilares por onde subiam trepadeiras repletas de flores, além de algumas parreiras. Astarte estava em seu trono, trajando um vestido branco que valorizava suas forma perfeitas, seus longos cabelos dourados caiam-lhe sobre os seios fartos de forma provocante, as pernas cruzadas ficavam expostas de modo sensual e proposital. Ao seu lado havia uma mulher com roupas de combate feitas de couro rígido e de beleza um pouco inferior a de Astarte, do outro estava um sacerdote com aparência pouco amistosa.

Artan adentrou no salão causando grande espanto, tanto por sua altivez quanto pelo fato de estar trajando sua armadura completa. A mulher ao lado de Astarte ficou visivelmente irritada, mal esperou Artan terminar a reverência e atacou-o verbalmente.

- Que tipo de tolo insultante pensas que é?

- Perdão senhorita? - Questionou Artan sem saber o porque da agressividade.

- Desrespeita a senhora destas terras e a insulta por adentrar em seus domínios trajando uma armadura de guerra, ainda por cima porta armas perante ela.

- Ibris! - Chamou Astarte.

- Sim alteza?

- Se nosso convidado assim deseja se trajar, não podemos impedi-lo. - Falou com ar descontraído vendo a fúria de sua serva.

- Peço perdão por meu excesso... - Respondeu Ibris curvando-se para Astarte e retornando ao seu lugar.

- Diga cavaleiro, qual é o teu objetivo? - Perguntou Astarte com sua voz sedutora e sensual.

- Desejo apenas por um fim nos conflitos desnecessários minha senhora. - Respondeu Artan com cautela.

- Não acredito em tuas palavras, embora esteja seguro quanto ao que diz. Mas desejo que seja sincero comigo Artan. Sei que não é daqui, então repito minha pergunta. Qual é o seu objetivo?

- Bom minha senhora, como bem sabe, muitos exércitos se uniram a mim no decorrer do combate, de início meu objetivo era realmente por um fim no conflito, mas depois de muito refletir, vi que poderia fazer algo maior... - Fez uma pausa proposital para poder tomar fôlego e continuou em seguida - Por que não forma uma única e grande nação? Com o mesmo objetivo?

Os servos de Astarte olharam para Artan com espanto, a idéia era no mínimo absurda, além do mais, como alguém como Artan era capaz de tal ousadia, pensavam eles. Astarte também considerou a idéia um absurdo, seria impossível unificar todos os reinos, mas ao mesmo tempo em que pensava isso divertiasse com a idéia. Uma idéia louca desenhou-se em sua mente, ponderou rápido e decidiu testar Artan, alguém que conseguiu reunir tantos exércitos sozinho e chegar onde chegou, não pode ser tão tolo.

- O que o faz pensar que tal absurdo é possível cavaleiro? - Perguntou Astarte de forma descontraída.

- Se sozinho consegui unir exércitos que estavam em lados opostos, por que não posso unir nações? - Respondeu Artan em tom jovial, porém seco.

- Façamos assim, se conseguir fazer com que o reino que se opõe ao meu, cesse suas atividades hostis, eu e meu povo nos uniremos a você.

Os servos de Astarte olharam para ela assustados, ela não deveria estar falando sério, era loucura. Ibris tentou argumentar, mas foi rechaçada verbalmente de forma bem rígida, Astarte não permitia esse tipo de coisas. Contente consigo mesmo Artan viu as coisas ficarem melhores para ele, viu no âmago de Astarte que ela estava sendo sincera, mas viu também a fúria ardente de Ibris, que tentava de todas as formas se controlar. O outro servo de Astarte estava confuso, embora compreendesse a manobra astuta de sua mestra, mas de qualquer forma era algo arriscado, caso Artan obtivesse êxito.

- Antes que parta cavaleiro, será que não me daria a honra de ver a face de alguém tão corajoso e altruísta? - Perguntou Astarte.

- Não creio que valha a pena senhora...

- Aposto que vale. - Interrompeu Astarte.

Moveu-se lentamente em seu trono, reclinando-se para frente projetando seu busto de forma ainda mais sensual, seu olhar transparecia certa volúpia, tudo de forma proposital para tentar Artan, que até o momento aparentava hesitar a tudo. Vendo que não havia escolha Artan começou a tirar o elmo, preocupou-se em ficar vulnerável ao ambiente, mas já estava um pouco acostumado, além do mais estava apenas sem o elmo, não sem a armadura por completo.

Após tirar o elmo removeu também a bandana que lhe cobria a parte superior da face, o choque foi imediato, principalmente por parte de Ibris, pois pensava que Artan estava apenas faltando com respeito para com sua mestra, agora entendia o porquê de se ocultar, em seu intimo sentiu-se envergonhada. Astarte também se chocou, nunca antes havia conhecido alguém que não possuía olhos, muito menos alguém em tal condição que fosse capaz de agira com tanta naturalidade e liberdade de movimentos. Aquilo para ela foi o sinal que Artan conseguiria fazer o que dizia.

Meses depois o inesperado aconteceu, o exército liderado por Artan havia conseguido com que o reino adversário de Astarte declarasse o fim dos combates. A notícia se espalhou por todo o continente, principalmente depois que Astarte anunciou que se aliaria a Artan e que juntos formariam um novo e grande império. Tal coisa abalou todo o continente, não penas pela súbita união do desconhecido cavaleiro com a deusa mais bela e poderosa de lá, mas também pelo grande número de simpatizantes da proposta que também se uniram com eles

E assim Artan ergueu seu império, um império que cada vez mais iria crescer, até o dia em que seria destruído pelo próprio, segundo seu plano original, mesmo sabendo que isso poderá custar sua vida.

6 comentários:

  1. Fala aí cara, blz?
    e o Dragus, como andas?
    to meio sumido, pos estou na maratona de vestibular, mas estou passando aqui para falar que tem um presente para o seu blog lá no meu.
    Peço que dê uma passada lá e aceite esta homenagem que lhe foi dada com sinceridade.
    Grande abraço!

    Caso não ache, aqui está o link: http://reflexoesdeumlouco.blogspot.com/2007/12/o-vestibular-e-o-otrio-e-um.html

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  2. Pk e Dragus,

    Gustavo, do D Bituca, um dos parceiros do Pensamentos.

    Tem indicação para vocês lá no blog. Quando puderem, passem lá.

    Grande abraço!

    D Bituca - dbituca.blogspot.com

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  3. Oh Dragus... Vc vai querer participar do projeto Curta Aí?

    Se vc não quiser, não esquente não é só falar comigo...

    É pq tem um cara querendo participar tb...

    Espero o Retorno... Um abraço!

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  4. Puts, fiquei com uma preguiçaaa de ler.
    Quem sabe leio mais tarde.

    Fiquei numa duvida em qual dos seus blogs entrar, e entro justo no de maior post. haha

    Cuidado com a intoxicação alimentar no verão hein? Olha a pancinhaaa. O.o

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  5. E aí Dragus!
    É simples, no blog lá do projeto Curta Aí, estão todas as partes da estória - a parte que eu fiz, a parte de Tatiana e a de Maximus...
    Você ler e cria a continuação do roteiro onde a estória parou...
    O destino da Estória está nas suas mãos.. :D

    Quando vc acabar a sua parte vc indica alguém que você acha q toparia fazer parte do projeto e que escreva bem... Tem um cara q escreve muito bem e tá querendo muito participar é o raphael (http://simplesmentecinema.blogspot.com/ )... Se você quiser você indica ele

    Um abraço, Cara!

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  6. Mais um grande texto que encontro por aqui. Clara e dramática estória. E com um final de surpreender; ainda mais com a intenção de acabar com tudo...

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