FORJANDO UM GUERREIRO - BATISMO DE SANGUE SEGUNDA PARTE

Depois de muita demora ai vai mais um capítulo da saga que conta a origem de um vilão, demorei a escrever, pois estava sem o office novo e o arquivo original dele estava formatado para ele, mas agora tentarei manter um ritmo de pelo menos um capítulo por semana, sem mais enrolação ai vai ele, divirtam-se!
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NOVA FAMÍLIA


O dia estava calmo, havia muitos pássaros voando tranqüilos, o ar fresco... Seria um belo dia para qualquer criança aproveitar a inocência que lhe é d direito, aproveitar a tenra idade e brincar, correr, sorrir... Sim seria um ótimo dia para qualquer criança, menos para Ignus, amarrado e jogado em uma carroça, como um fardo qualquer sem importância. A viagem estava sendo desconfortável, pois além de ter seus movimentos limitados, Ignus tinha que dividir lugar com um amontoado de outras coisas que estavam jogadas na carroça.

Como Gal havia falado antes, eles fizeram mais outras três paradas em outras três vilas. Gal comprará mais três meninas, que também foram amarradas e jogadas na carroça assim como Ignus. Uma delas, a aparentemente mais nova, chorava muito e chamava pela mãe, as outras duas tentaram em vão consolá-la. Ignus mesmo vendo a dor da garota e sabendo o que ela sentia, preferiu ficar quieto e se recolher a sua própria melancolia, até agora não entendia como seu avô havia sido capaz de vendê-lo.

- Calem-se ai atrás! - Berrou Gal - já estamos quase chegando à cidade, é melhor estarem quietos e bem comportados.

A viagem não foi tranqüila, todos estavam inquietos: as crianças pela tristeza de terem sido rejeitadas por suas famílias e Gal, por não saber se conseguiria fazer um bom negócio, já que só conseguiu arranjar um menino desta vez.


Quando era por volta de uma hora após a hora de descanso da tarde (depois que Kioran alcançava seu ponto mais alto no céu), eles finalmente chegaram ao seu destino. Era uma cidade bem grande, na verdade era a cidade principal do reino. Ela era cercada por um forte muito bem vigiado, era limpa, bonita e muito movimentada. Havia um grande mercado ao ar livre que funcionava todos os dias, lá se encontrava de tudo, desde quinquilharias sem valor algum, atém jóias preciosíssimas. Gal sempre ia lá umas duas ou três para vender seu principal produto: escravos, em sua maioria crianças, pois era a preferência, já que quanto mais novos, melhor podiam ser doutrinados, mas novos demais não serviam para muita coisa. Alguns diziam que algumas famílias até compravam as crianças de Gal para torná-las parte de suas famílias, mas isso não era de sua conta, por tanto que comprassem e pagassem bem, o que faziam das crianças não era de seu interesse. Já tinha ouvido várias estórias sobre o destino delas, muitos diziam que alguns necromantes compravam as crianças para depois sacrificá-las em rituais, mas isso também não era problema seu.

Assim que chegou ao seu local onde sempre vendia as crianças, Gal tratou de tirá-los de cima da carroça, com muito cuidado, retirou a poeira de suas roupas, lavou-lhes o rosto e arrumou-lhes os cabelos, para ficaram mais apresentáveis. Depois de arrumados, Gal levou-os até um pequeno palanque de pedra, onde ficariam mais visíveis para que todos que passassem pudessem vê-los.

Não demorou em aparecer gente curiosa pelas crianças, enquanto as meninas estavam assustadas, Ignus parecia olhar nos olhos de cada um que passava e olhava para ele com grande curiosidade, parecia estudar cada um que passava por ali. Todo o tipo de pessoa passava por ali, alguns olhavam brevemente e se afastavam, outros olhavam com mais atenção, alguns até tocavam neles, olhavam os cabelos e os dentes, mas iam embora. Ignus notou que haviam um homem ao muito longe dali, que os observava com grande atenção, era um homem de vestes simples, trajava uma longa capa de viagem, tinha um rosto de traços firmes, aparentando uns quarenta anos e cabelo castanho escuro bem curto, seus olhos eram escuros também e seu olhar era pura curiosidade obscura.


Um casal se aproximou e Ignus desviou a atenção do homem, para observar o casal. O homem era bem alto, tinha um longo cabelo negro extremamente liso, que ia até a metade de suas costas. Seu rosto longo e fino tinha uma expressão vazia, que não combinava com seus olhos prescutadores, seu longo manto preto feito de um tecido fino, combinava perfeitamente com o longo vestido também preto de sua acompanhante, uma bela mulher um pouco mais baixa do que ele, com cabelos iguais ao de seu parceiro, seus olhos eram como duas esmeraldas e tinha um olhar sedutor, que encantou Gal, assim que o mercador de escravos a viu. Duas crianças acompanhavam o casal, provavelmente seus filhos, pensou Ignus.

- Boa tarde, nobre senhor e nobre senhora! - Cumprimentou-os Gal, fazendo uma profunda reverência. - Posso ajudar-lhes em algo?
- Quanto está querendo por cada uma destas crianças? - Perguntou secamente o homem, que possuía uma voz grave e um tom imperativo.
- Nobre senhor, cada um possui seu preço, mas prefiro negociar com que estiver interessado, acho que é mais justo.
- Entendo... Deixe-os ir brincar por ai Ilia - Disse o homem a sua esposa que liberou os dois garotos, que saíram correndo.
- Está interessado em uma menina, nobre senhor? Como pode ver hoje possuo três, cada uma de uma idade diferente e todas muito saudáveis e...
- Que Ouwin amaldiçoe meus olhos, Tharion velho amigo! - Interrompeu um homem que se aproximava dali, fazendo referência ao deus Ouwin.

Prontamente Tharion se virou e viu seu velho amigo Izac se aproximar, era um homem elegante, no alto de seus um metro e setenta, ostentava em seus rosto arredondado, emoldurado por curtas madeixas castanhas, a jovialidade de um moço, quando na verdade já passava de seu segundo século de vida. Estava bem alinhado trajando uma toga de seda bege muito bem desenhada, deixando a mostra seu tórax. Sua mulher vinha logo atrás, com seus cabelos acinzentados esvoaçantes como sempre, um belo vestido azul e uma expressão alegre no rosto. Trazia em seus braços seu filho, que se mexia freneticamente, como se pedisse a atenção da mãe.

- Izac! Que bom vê-lo! - Cumprimentou Tharion - E pelo que posso observar teu herdeiro já nasceu, que bela criança. Como chamas?
- Ezequiel, Ezequiel Vandorf! Irá levar apenas o nome nobre da família! - Disse com grande alegria olhando para o filho - Espero que seja alguém importante no futuro.
- O Oráculo nos disse que seria, meu marido. - Respondeu a esposa de Izac.
- É verdade! Mas o que faz aqui Tharion? Procurando mais um filho? - Riu Izac.
- Não, não, algum ajudante quem sabe, filhos já tenho demais, dois são o suficiente.
- Por falar nisso onde eles estão Ilia? - Perguntou a mulher de Izac.
- Estão brincando por ai. Teryon! Gigantus! - Chamou Ilia.

Os dois garotos voltaram correndo e pararam de súbito, esbaforidos sem fôlego. Estavam com as roupas cobertas de poeira, pareciam que haviam acabado de cruzar um deserto, quando na verdade, estavam apenas correndo um atrás do outro. Teryon era um menino grande, tinha por volta de uns dez anos de idade, tinha o olhar da mãe, mas o resto todo era idêntico ao pai, exceto pelo comprimento do cabelo. Seu irmão Gigantus era um garoto um pouco mais franzino, era dois anos mais velho que Teryon, porém mais baixo, mas tinha muito mais vigor que o irmão.

- Estão enormes! E você como sempre bela Ilia! - Elogiou Izac.
- Mas e vocês o que fazem aqui? - Perguntou Ilia.
- Viemos procurar um escravo, mas agora que vejo esses quatro, fico em dúvida...
- Fique a vontade para examiná-los, nobre senhor, estou ao seu dispor. - Interrompeu Gal.

Izac e sua mulher examinaram as crianças com muita atenção, todas se mostraram bem calmas, para o contentamento de Gal. Ignus observou atentamente os dois cassais conversarem e se assuntou quando viu um dos garotos olhar para ele.

- Qual é o seu nome?
- Ignus.
- Eu sou Teryon, aquele ali é Gigantus, meu irmão - falou Teryon indicando o Irmão, que estava próxima a mãe. - Por que está aqui?
- Meu avô me vendeu. - respondeu Ignus secamente olhando para o lado, tentando ocultar a própria raiva.
- Está com raiva não é? Eu também ficaria se fosse vendido para ser um escravo! Tenho sorte, minha família é importante e não passamos dificuldades. Não se preocupe, um dia você vai superar isso!

Aquilo perturbou Ignus, com aquele menino desconhecido, poderia saber que ele estava com raiva? Ele parecia ocultar algo, que Ignus não saberia definir, mas essa mesmo coisa emanava de seu pai, porém de maneira mais intensa.


Após examinarem mais duas vezes as crianças, Izac e sua esposa ainda não haviam se decidido, sobre quem levar, todas estavam muito saudáveis. Foi como que de súbito a mulher de Izac se lembrou de quando se consultou com o Oráculo pela última vez. Ele havia lhe dito várias coisas que se provaram verdade, mas quando questionado se deveriam comprar um escravo, o Oráculo se mostrou duvidoso. Após alguma reflexão, afirmou com certeza que se ela realmente desejasse adquirir um escravo, que a melhor escolha seria um menino e que fosse órfão, pois daria menos trabalho para ser educado. Ao lembrar-se disso, imediatamente perguntou a Gal se o menino era órfão, ele não se lembrou, então ela resolveu perguntar diretamente a Ignus se ele tinha família. Ignus prontamente respondeu que sua única família eram seus avós, mas que esses o haviam vendido, por isso agora não tinha mais família alguma. Satisfeita com a resposta ela decidiu levar Ignus, Izac se mostrou meio relutante, mas ela lembrou-lhe que havia sido um conselho do Oráculo e como tal, merecia alguma atenção, afinal ele nunca havia errado em um conselho.

Assim que decidiram, trataram de negociar qual seria o valor do menino. Gal se mostrou resistente em por um preço mais baixo, mas nada que os encantos de uma bela mulher não pudessem dar um jeitinho. Alguns minutos de negociação e finalmente chegaram a um acordo satisfatório para ambas as partes, embora ainda não fosse o que queriam, mas era melhor do que pagar o absurdo que o negociante pedia. Izac chamou um homem que estava um pouco distante, tinha a pele escura e poucos cabelos, vestiasse de forma simples e estava descalço, o rosto quadro mostrava as marcas de alguém que mais trabalhava do que descansava. Izac lhe pediu que levasse o menino para a sua carruagem, pois logo iriam voltar para casa. Gal desamarrou Ignus, que se sentiu muito mais aliviado, por um instante sua mente trabalho rápido e ele pensou em fugir, mas antes que seu corpo pudesse agir, ele foi dominado pelo homem de vestes simples e levado dali.


Pouco depois que Ignus partiu com um de seus serviçais, Izac se despediu de Tharion e Ilia, convidando-os para que os visitasse qualquer dia. Saíram da cidade sem muita pressa, observado algumas coisas pelo caminho, mas nada lhes chamou a atenção. Assim que chegaram do lado de fora, Izac viu seu empregado parado ao lado de sua carruagem com o pequeno Ignus ao lado.

- Como se sente filho? - Perguntou Izac a Ignus.
- Aliviado, sem as cordas me apertando. - Disse Ignus sem demonstrar nenhuma emoção olhando diretamente para Izac.
- Como se chama?
- Ignus, senhor.
- Não se preocupe Ignus, logo você conhecerá seu novo lar, espero que goste.

Após dizer isso, Izac pediu ao seu empregado que abrisse a carruagem, deixando sua mulher entrar na frente e fez sinal para que Ignus entrasse logo em seguida. Assim que entrou, fez sinal para que partissem e pediu para irem em marcha um pouco acelerada, pois queria chegar sedo.


Muito distante dali, imerso em um amontoado de livros, pergaminho e anotações, estava o Oráculo, debruçado em uma das várias mesas de sua imensa biblioteca. O ambiente era sempre bem iluminado e tranqüilo, o único som que se ouvia era o da pena arranhando alguma página de um livro ou de algum pergaminho, além do som de páginas seno viradas às vezes com grande curiosidade e rapidez. Mas o silêncio costumeiro foi quebrado pelo som de uma porta sendo escancarada com grande violência, seguida de passos apressados. O Oráculo se assustou, pois estava completamente concentrado, quando ouviu estrondo e viu se aproximar o mesmo homem que falara com ele da última vez.

- Precisamos conversar, agora! - Falou o homem com grande impaciência.
- Boa tarde para você também, irmãozinho! - Ironizou o Oráculo.
- Sabe de onde eu acabei de vir?
- Sabia que não é nada educado sair entrando assim, principalmente em uma biblioteca?
- Não se faça de cínico, estou falando sério.
- Eu também, a educação manda batermos antes de entrar sabia. - Disse o oráculo zombando enquanto se voltava para a mesa.
- Acabei de ver mais uma de suas ações como "oráculo" dar certo, meus parabéns! - Disse ironicamente batendo palmas.
- Muito obrigado! É bom ver que até você reconhece meu trabalho.
- Trabalho? Você está mais uma vez fazendo o que não deve, está interferindo na vida das pessoas...
- Escute aqui Merac, antes que você venha com esse seu discurso decorado, deixe eu te dizer uma coisa: eu não estou interferindo na vida de ninguém, conheço muito bem as regras e sei também dos riscos que há em alterar o curso natural das coisas.
- Se sabe tanto, por que continua a influenciar as pessoas?
- Influenciar, eu? - Indignou-se o Oráculo.
- Pare de fingir! - Vociferou Merac - Então não chama o Que fez com aquela pobre moça de manipulação? E agora empurra aquele casal na direção do menino, você está louco?
- Eu não fiz absolutamente nada! Quando a "pobre moça", como você mesmo diz, estava mal, a única coisa que fiz foi acalmá-la. Quanto ao casal, apenas disse a mulher para que se ela quisesse um escravo, que comprasse um escravo homem? Isso é influenciar alguém?
- Sabe muito bem que as coisas não eram para acontecer dessa forma irmão, sabe muito bem o perigo que o garoto pode significar.
- Isso já é uma outra questão. Não há com que se preocupar irmão, tudo vai estar como tem que ser.
- Assim espero! Sabe que pessoas como nós não podem interferir no curso natural das coisas, ou devo lembrá-lo disso mais uma vez "Oráculo"?
- De forma alguma, Merac, o Senhor do Tempo! Ah já ia me esquecendo, quer chá?



Leia o Restante.

A Piada Mais Engraçada do Mundo...

Uma terrível arma de destruição em massa oculta do homem até que alguns ingleses descobriram sua verdadeira história...

Cuidado pra não morrerem, se entenderem alemão.





BÔNUS:

Novo trailer de Transformers... Agora com bastante ação (só estranho os robôs serem mudos)...
Leia o Restante.

Cientistas desenvolvem corpo humano em 4D.

Antes da notícia uma coisa:
A 4ª dimensão é o tempo.

Corpo humano em 4D é criado no Canadá
Publicada em 24/05/2007 às 17h24m
O Globo Online e agências internacionais


OTTAWA - Cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, criaram a primeira imagem computadorizada do corpo humano em 4D - além de largura, altura e profundidade, o sistema mostra o que acontece com o funcionamento do corpo com a passagem do tempo. Batizado de CAVEman (homem das cavernas), o atlas humano é uma inovação, pois as pesquisas poderão ser feitas em quatro dimensões, ajudando médicos em cirurgias complexas e no estudo de doenças como o câncer e o diabetes.

O CAVEman funciona dentro de uma cabine virtual chamada de Cave (caverna), onde o modelo do corpo humano em 4D flutua no espaço. A imagem é projetada através de três paredes e do chão, o que permite médicos a trabalharem com um corpo como qualquer outro, só que virtual. O equipamento abrange três mil partes do corpo, independente de sua altura, profundidade e largura.

Através do "homem das cavernas" os cientistas poderão reproduzir imagens de ressonância magnética, tomografia e Raio-x, oferecendo aos clínicos imagens em alta resolução do funcionamento interno do corpo humano.

- É um grande progresso na medicina computadorizada e nos sistemas de biologia - disse o diretor do curso de Medicina da universidade, Grant Gall.

- Parabéns à equipe por criar uma ferramenta que não irá apenas ajudar pesquisadores, mas clínicos que pretendem planejar cirurgias.

- O design do CAVEman é de um humano, mas também pode variar de tamanho de acordo com as necessidades dos cientistas - explicou Christoph Sensen, autor do estudo. - Além disso, podemos exibir todas as partes do corpo ou apenas algumas delas.

O "homem das cavernas" é visto na frente do clínico através de um óculos 3D. Como nos videogames, as partes do corpo, como pele, ossos, músculos, órgãos e veias, podem ser manipulados.

- As pessoas dizem que é divertido matar monstros nos jogos, mas curar um câncer é muito mais importante - disse o matemático e cientista da computação Andrei Turinsky, ao controlar o equipamento por um joystick.

Médicos serão beneficiados com o novo equipamento

O CAVEman foi criado para ajudar cientistas a investigar diversas doenças genéticas e chegar a tratamentos mais eficazes.

Segundo a equipe, a comunidade médica será beneficiada, pois poderá unir diagnósticos - tanto computadorizados como exames de sangue -, permitindo os especialistas a trabalharem juntos.

- Há seis anos nos juntamos - cientistas de computador, biólogos, matemáticos e artistas - para iniciar o projeto - contou Christoph Sensen, autor do estudo. - Nosso objetivo era construir um modelo completo do ser humano, com uma resolução 10 vezes maior do que havia no mercado. Tenho orgulho de dizer que conseguimos fazer isso - comemorou.

Para criar o atlas humano 4D, cientistas usaram como base de dados livros de anatomia. As funções fundamentais e órgãos do corpo humano foram criados em desenhos animados por um designer gráfico e convertidos para a linguagem de programação Java 3DTM para trazer vida ao ambiente da "caverna".

O próximo passo dos autores será desenvolver versões mais novas para vender para os hospitais de todo o mundo.

Fonte: O Globo.


Impressionante o quanto estamos cada vez mais próximos dos filmes de ficção científica... Só falta agora admitirem a vida em outros planetas, estabelecermos relações comerciais com outras culturas e aprendermos a viver em paz entre nós mesmos (essa última é utopia).

Parabéns aos médicos que desenvolveram a técnica e a quem divulgou pelo mundo... É sempre bom ver notícias desse tipo. Quando a versão 10.0 chegar lá fora teremos nossa 1.0 =/
Leia o Restante.

Aprofundando no assunto "Violência".

Peguei um post meu em no fórum da CDJ (que está na barra lateral, inclusive), e estou transpondo-o do ponto onde parou e dando continuidade a ele... O Adm local o considerou longo demais, e concordei.

Portanto, transfiro-o para cá, onde creio, será um ambiente melhor... A quem quiser discutir a respeito do tema, sinta-se livre. Se for pra dizer que o post está longo, melhor não comentar... Indico para vocês: http://www.fotolog.com, provavelmente os textos desse site serão de melhor gosto a quem não gosta de caracteres demais.

Origem da discussão: Fórum Casa Dos Jogos.




Vou começar citando a CONSTITUIÇÃO.

XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Bem grande, espero que tenham lido, serve de início pra argumentação, antes que os demagogos de plantão que dizem que "todo favelado é santo" apareçam.

Primeiro umas definições:
1º Não existe favelado que não seja bandido.
Todos eles cometem alguma espécie de delito, seja ele contra o patrimônio público ou encaixado no trecho acima. Seja porque a sua moradia não seja 100% legalizada ou mesmo porque assiste sua net-gato, ou mesmo porque dá calote em ônibus (isso também é crime, independentemente de qualquer justificativa, e no final das contas o motorista paga pelo calote junto com o cobrador).

2º O que digo se aplica ao Rio de Janeiro, não a outros estados.
Sou a favor de uma mesma idéia defendida pelo nosso atual Governador e por outros, inclusive o de São Paulo, que é: Independência REAL dos estados no que diz respeito a Justiça, nos moldes dos EUA, onde cada estado é uma espécie de país a parte no que diz respeito a criminalidade.

3º Escrevo seco e mau, maligno mesmo
Você vai ler coisas que vai julgar assombrosas e a primeira vista vai me considerar o cão chupando manga. Mas depois que você anda pelas ruas e literalmente chuta cabeças no chão, para de ver a vida com bons olhos e, principalmente, bandidos. Sim, já quase biquei a cabeça de uma "queima de arquivo", no Andaraí por volta de 2000 +/-... Não tinha visto e se não me avisassem teria jogado um futebol macabro.

4º Não se vende Crack no Rio de Janeiro como se vende em São Paulo
Simples, crack é uma droga ruim. Vicia rápido e mata rápido. Exige do viciado um poder aquisitivo que aqui no Rio é menor que em Sampa, onde há muito dinheiro e muito mais pessoas dispostas a essa modalidade de "barato". São poucos viciados que podem pagar o preço no Rio e durar tempo o suficiente pra disseminar o vício. As drogas padrão daqui do Rio são maconha e cocaína, e agora estamos partindo direto pras sintéticas, como o Ecstasy, utilizadas mais em Raves.

5º Favela é uma coisa, mendigo é outra, morador de barraco é outra ainda.
Não confundam favela nos moldes atuais com suas formações iniciais (amontoado de barracos de papelão). São coisas distintas. Em favelas as casas em geral tem alguma espécie de acabamento (são feitas de tijolo e têm telhado, aliás, laje), ali moram famílias grandes, sim, mas em geral todos trabalham nos arredores e não passam fome. Os que por ventura passem fome acabam na rua como mendigos, pois favelado paga contas a uma entidade superior, o chefe da boca ou da comunidade. E se não pagam são despejados e o barraco é alugado pra outra família que tenha como pagar o que pedem. Em suma, favelado não passa fome, já queimou essa etapa gerações anteriores ou vai queimar essa etapa. Geralmente quando estão no desespero os filhos viram soldados do tráfico e a fome acaba enquanto o filho viver (de um a dois anos).

6º Falta de educação e de emprego é causa da violência
Mentira eleitoreira. Mentira da brava. Causa de violência é falta de educação dos pais, do lar. Conheço gente miserável e vi que dignidade é algo que se aprende em casa, não na escola. Na escola geralmente se aprende a fazer coisa errada, a ler, a escrever e a somar. Não necessariamente na mesma ordem. Há uma idéia errada, evidentemente comunista, de que a função do estado é EDUCAR. Mentira, a função do estado é ENSINAR. Educação se obtém em casa. É obrigação da sua mãe e do teu pai (ou de quem te cuide) ensinar o certo e o errado, mesmo que somente fique cinco minutos com você. Jogar essa responsabilidade na mão de educadores que tem que lidar com pelo menos 15 criaturinhas tão irritantes quanto você é no mínimo imbecíl. Se seus pais que são 2 (ou mais, se contar parentes) contra 1 não conseguirão, não será uma professora de creche que vai conseguir.
Emprego também. Se você aprendeu a ter dignidade na infância, vai aprender a catar latinha pra arrumar um trocado, a procurar uma árvore pra podar. Algo do tipo. Se nunca teve nenhuma noção de valores pra entender que é errado roubar, mesmo sendo obviamente mais fácil, então a função do estado é te convencer do contrário através do medo. Se você não vai deixar de roubar porque não tem noção de que é errado, vai desistir se tiver a certeza de que se fizer será exemplarmente punido. A impunidade deturpa mais que falta de emprego. Roubar não é opção... Não deveria ser. Deveria ser "trabalhar ou estudar", não aceitar que se a pessoa não trabalha de alguma forma tenha como opção "Roubar" é no mínimo aceitar que se pessoa X não consegue namorar porque nunca aprendeu a conquistar pode estuprar, conseguir a força. É o MESMO pensamento.
Um detalhe curioso: os chefes do tráfico geralmente são estudados. Beira Mar era elogiado na escola.

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O Estado de violência em que se encontra o Rio de Janeiro é resultado de uma política desastrosa que predura por anos aqui dissimulada pelo falecido Leonel Brizola onde influenciado por sabe-se deus que capeta, ordenou que as polícias não poderiam mais entrar nas favelas... E isso quando a coisa ainda era quase desconhecida. Sob o natural e corriqueiro mote de "ocupar a favela com educação."... A balela que elege muitos e que estranhamente não funciona em nossa realidade.

Com isso os ricos daqui subiram o morro e financiaram os traficantes. Com o dinheiro, e necessidade de ampliar negócios lucrativos, foi necessário formar bases sólidas. Que a príncipio os traficantes exerciam sobre os favelados em uma relação de fidelidade onde o chefe do tráfico fornecia a dignidade que o Estado não dava. O bandido então passou a ser tratado como herói por seus semelhantes. Era gente como eles, da comunidade que dava remédio aos doentes e comida aos famintos. Em troca apenas queria vender seu bagulho em paz.

Mas como toda instituição, uma dia a casa cai. E em uma sociedade forjada no crime e na ilegalidade começou a existir dissidências em torno do dinheiro. Com isso, começaram as primeiras guerras. E nessas guerras a cabeça dos traficantes mudou de enfoque, ao invés de simplesmente ajudar as pessoas, passaram a exigir em troca serviços. "Se você quer o remédio do seu filho, manda ele fazer isso pra mim...", e em pouco tempo essa troca de favores era transformada em quase uma obrigação civil. A lei do silêncio ainda impera, se você denuncia, você morre. Simples assim, que nem um "Pou!".

Chegamos então ao final dos anos 90, onde os traficantes da velha guarda (que defendiam a intereção com a comunidade, não o domínio dela) foram substituídos a bala e vítimas de sua "bondade". Pois o mesmo povo que ajudou, formou os bandidos que os mataram e esse mesmo povo os abandonou. Agora a nova face do bandido é voltada na arte do Terror. Eles intimidam as comunidades, matam aqueles que discordam e obrigam a realizar seus serviços qualquer pessoa que seja capaz. Se eles sabem que você tem computador em casa com internet e precisam vender bagulho online, ou você faz o que mandam ou foge antes que morra. Se for parente de polícia ou entrega ele pra morrer, ou morre junto. Se for polícia morre no microondas. Se for da imprensa ou publica matéria a favor ou vai sofrer a pena pela lei deles. A sentença geralmente é vai a morte até a sovas onde sobrevive se conseguir agüentar.

É uma corja que tomou conta dos morros, criada pelos próprios morros e que por causa de um sistema penal ineficiente cercado de políticos corruptos acaba sempre voltando anos depois. Corja essa criada pelo sistema, o mesmo que cria coisas absurdas como:
1- Aprovação automática dos reprovados.
Não precisamos mais estudar, basta bater ponto e ir embora. O professor não pode nem mesmo avaliar seus alunos mais. Bom pra unesco que recebe "dipromas". Ruim pro país que recebe idiotas.

2- Enfia um sistema de cotas para alunos formados no modelo acima.
Os MESMOS imbecis que se formaram sem terem formação - alguns sequer sem saber escrever o nome, ou mesmo lê-lo, vão entrar nas faculdades sejam favorecidos pela cor ou pela formação. Adeus mérito, olá demérito.

3- Taxação de pelo menos 27,5% de tudo que se produz legalmente.
Se você ganhar 1 milhão, deve dar sempre no MÍNIMO, 27,5% de tudo que ganhou para o fisco.

4- Corrupção.
De que adianta querer punir quem mora na favela se quem mora no asfalto e no planalto nunca é preso? Alguém acredita realmente que Maluf um dia pagará pelo que fez? Sérgio Naya? João Alves? Fernando Collor? Garotinho? Eurico Miranda? Não há como fazer isso em um país onde o judiciário se iguala a nosso congresso, julgando apenas o que convém ou que vai dar mais ibope no Jornal Nacional.

5- Povo desinteressado e desunido.
O povo só se une pra coisa inútil. Diego Alemão foi sagrado campeão do Big Brother com pelo menos 150 milhões de votos, somados os dias de votação (isso porque estou contando no achômetro, provavelmente foi muito mais). Todo mundo sabe quem ele é, o que faz, se está ou não com a Siri. Agora, pergunta se sabem em quem votaram, aliás, se sabem o que a pessoa que votaram fez ontem? Olha a votação do Cristo pra maravilha do mundo... Menos votos, correndo o risco de sair da votação sem sequer ser indicada pra 10ª... E com menos votos que o Diego Alemão.

6- Direitos humanos não protegem os Humanos Direitos.
Se um bandido invade sua casa e estupra todos na sua casa, até o papagaio, e é preso, ele vai ser julgado em dois anos. Se for réu primário pode alegar insanidade e com Habeas Corpus sai da cadeia pra ser julgado em liberdade. Se for filho de juiz ou político conseguirá. Não irá UMA representante sequer de algum movimento ou ONG de direitos humanos na sua casa, a não ser que alguém comente na imprensa sobre isso, daí irá o Viva Rio.
Agora, se quando esse bandido invadir sua casa você estourar os miolos dele a cadeiradas... VOCÊ É UM MONSTRO! COITADO DO BANDIDO! UM POBRE QUE NUNCA TEVE ESTUDOS NEM OPORTUNIDADES... e por aí vai, conhecemos a cartilha do bandido coitado muito bem. Isso leva direto ao 7, pois ambos parecem ser iguais...


7- Quando a polícia ocupa os morros, rapidamente pelo menos 3 jornais (ou mais) Publicam matérias com tragédias envolvendo moradores dessas favelas.
A mira de policiais é muito ruim mesmo... Treinam durante um ano (no curso inicial), fazem aulas de tiro e incursão, são obrigados a subir morro sem colete, revisam anualmente o treinamento e tem acompanhamento psicológico... E invadem morros com a quantidade de balas geralmente contada e de calibres inferiores aos dos traficantes (e portanto, não podem atirar muito) e sempre aparece um morador atingido por FUZIL...
E o mais impressionante! Traficantes, em geral drogados, que nunca fizeram um curso sequer (exceto quando ex-pqds dão aula, mas pqd não é instrutor de tiro...), NUNCA ERRAM UM TIRO. Eles sempre atingem ou policiais ou parede. A coisa ficou tão ridícula que os jornais já até publicaram que nessa "invasão da polícia" que teve nos últimos dias os próprios traficantes atiraram nos moradores e os obrigaram a culpar a polícia pra conseguirem que as ONGs cancelassem a operação... Lindo, não?




"Ótimo, Sr Dragus, você apresentou os problemas... E as soluções? Você só vê problemas... É que nem os radicais de plantão!"

Soluções? Ei-las...

A curto prazo:

Primeiro: Liberar na lei a autorização da polícia de criar sua elite de sniper (nossa legislação não permite o uso de armas de precisão, sei lá porque). Treinar todo o efetivo de operações especiais nesse quesito (Bope, Core e Federal).

Segundo: Descobrir quem são os líderes das bocas dos morros e colocar os dados em fotos entregues a cada um dos snipers. E treiná-los.

Terceiro: Declarar Estado de Guerra Civil nas áreas controlas pelas facções criminosas, declarar as mesmas como organizações terroristas e pedir ajuda de tropas internacionais se for preciso.

Quarto: Depois, ocupar um morro. Ocupar mesmo, colocar a PM nas entradas do morro e mandar todo mundo descer. Quem descer se investiga se tem ficha limpa ou não, quem ficar morre. Simples assim. Se dá vinte e quatro horas pra desocupação total do morro. Quem ficar nele vai morrer, não importam direitos humanos ou qualquer outra coisa. Obviamente os traficantes irão pegar o povo de refém.
Terceiro: Sabendo que os traficantes obviamente vão utilizar escudos humanos, mandar os snipers agirem. Se matarem os líderes das revoltas, a revolta termina. Prendam os menores e execute os subalternos dos chefes pra evitar reorganização.

Quinto: Realocar os moradores em suas residências. Transformar as bocas de fumo em escolas padrão, com professores dignos e que sejam estimulados a lecionar. Colocar oficinas e ocupar o local com o Estado. Depois investir na infra-estrutura da favela.

Sexto: Fechar as entradas do estado. Não vai adiantar nada limpar tudo se continuarem vindo retirantes. Fiscalizar de modo ostensivo e impedir a formação de novas favelas.

Sétimo: Repetir os procedimentos até que todos os morros estejam filtrados.

Obviamente, para algo assim acontecer PRIMEIRO, o estado deveria ser independente. Depois uma devassa nas ONGs procurando por brechas nelas, como ligações com bandidos e outras. E muita, mas muita inteligência. Numa guerra não se mata os soldados rivais, anulam-se os alvos. Os soldados estão apenas nos alvos. E vítimas eventuais.

(Aqui termina a parte referente ao que foi postado na Casa dos Jogos...)

Uma coisa que seria interessante fazer durante esse processo seria legalizar as drogas. Todas. Isso faria um buraco tão grande nas finanças do tráfico que eles teriam problema de gerir tamanho rombo que isso causaria no arsenal deles (sem contar nos ganhos pessoais de todos). Obviamente começariam a se matar pra manter quadrilhas de assalto, e como existem menos bancos que bocas-de-fumo, provavelmente acabariam por se matar em disputa de pontos de assalto. Bastaria apenas a polícia investir em ivestigação pra prender as quadrilhas que estivessem armando...

Opa, esbarrei em um problema. Ao que me consta, e corrijam-se se estiver errado, no Brasil NÃO É CRIME PLANEJAR. Ou seja, eu posso colocar aqui um plano de destruição em massa utilizando apenas coisas simples (como detergentes... só preciso de um químico pra me ajudar), comprar todo o material necessário, e somente posso ser preso quando executar o ato, antes disso não. Por serem produtos inofensivos, com um bom advogado posso alegar qualquer coisa que escapo, a não ser que faça algo... Aí dependeria de Habeas Corpus, mas se fosse vereador quando fizesse isso, seria intocável \o/!

Concluindo, de vez, para resolver o problema da violência só começando do zero no âmbito político e, conseqüentemente, legal (nossa corja atual ganha votos apenas com as promessas de combate ao crime, então porque combatê-lo? Pra acabar com o estoque de promessas?) Não creio que a Justiça não queria dar cabo da criminalidade (existem bons juízes, advogados, promotores... aos montes, ilhas de pureza num oceano de podridão), mas de que adianta prender se existe lei pra soltar? Brechas?

E de que adianta querer isso, se como disse acima, estamos mais interessados no que saiu na seção de fofocas do jornal do que em vigiar nossos votos? É difícil, pra não dizer, impossível, melhorar algo em nossa democracia se continuarmos desse jeito... Por isso que digo que nosso modelo democrático falhou. Só me resta torcer para que tenhamos um bom ditador, que arrume tudo... Pois se formos esperar mobilização da sociedade o máximo que teremos serão protestos vazios de prática (de teoria estamos cheios) e de vez em quando uma matéria nos jornais.

Mais, se você conseguiu ler esse post inteiro do início ao fim, mesmo que discorde de mim completamente, em parte ou concorde, sinta-se diferente... Ao contrário da grande maioria absoluta, demonstrou que ao menos se interessa pelo assunto e não pelo comprimento do post.

Olha que nem citei a mídia direito nesse post...
Leia o Restante.

E a hipocrisia continua solta... Viva a demagogia \o/

Como bem disse o Pk, estamos cercados por hipócritas de todos os lados... Nesses últimos 100 anos em que o ser humano se "humanizou", as estatísticas de violência só aumentaram, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial.

Não sei de onde veio essa onda toda de "coitadinhos" que nos assola. Vivemos um mundo onde se seu filho faz besteira e leva palmada existem mil psicólogos pra te culpar disso. E se o seu filho te dá as palmadas, você também é o errado. No final das contas não podemos educar porque existem um monte de criaturas dizem que é errado bater, é errado apanhar, ou seja, você tem que conversar... Mas como se dialoga COM ANIMAIS? Nunca vi um psicólogo travando uma discussão acirrada com um cachorro, com um gato ou com um (des)cantor de Funk, então fica difícil ponderar o quão próximos da realidade estão...

Por outro lado a mídia nos pressiona a levarmos vida de novela e a sermos guiados pelos especialistas em sociedade que aparecem por cinco minutos no programa mais ridículo de nossas tardes, sempre pregando que temos que nos submeter ao que acontece e deixar pra lá. Em contrapartida colocam pessoas que pensam mais de acordo com o deveria ser feito, mas que se comportam como animais enfurecidos, que levam ao ridículo qualquer tipo de reação mais, digamos, ativa da sociedade.

Hoje em dia somos todos bandidos, menos os bandidos. Eles são vítimas. Somos nós que vivemos encarcerados enquanto eles passeiam pelas cidades sendo alimentados, e muito bem alimentados, pelos políticos. Tão bandidos ou mais que os da rua, mas que roubam com caneta e mesmo que uma canetada mate muito mais que um tiro, continuam livres, leves e soltos.

E nosso judiciário? De que adianta colocar na cadeia se o juiz solta? E de que adianta o juiz prender se a lei manda soltar? Caímos no mesmo problema do parágrafo acima, vivemos em um país onde as leis são e foram feitas de bandidos para bandidos. E não de pessoas de bem. São leis que por causa de uma desculpa esfarrapada galgada em uma ditadura (que hoje em dia duvido que tenha sido tão ruim, ainda mais pelo que os mais antigos falam) criaram distorções que impedem qualquer tipo de punição que não a lei dos homens. Esta obviamente recusada pela força da mídia.

E aonde quero chegar?

Exemplo disso é a matéria abaixo...

Número de mortos em confrontos com a polícia dispara no primeiro trimestre
Publicada em 22/05/2007 às 17h02m
O Globo Online e Antônio Werneck - O Globo


RIO - O Instituto de Segurança Pública divulgou nesta terça-feira as estatísticas da violência no estado do Rio de Janeiro no primeiro trimestre do ano. Os casos de "auto de resistência", que registram as mortes em supostos confrontos com a polícia, subiram nos três primeiros meses, em relação aos números do ano passado. Entre janeiro e março deste ano, 318 pessoas morreram em confronto com a polícia, contra 228 mortos no mesmo período do ano passado, uma diferença de 90 mortes. Os números aumentaram em quase todas as regiões do estado: na capital foram de 142 para 187, na Baixada, de 53 para 84, em Niterói, de 17 para 32. Houve queda apenas no interior, onde a variação foi de 16 para 15 mortos em confronto.

Os números de março reforçam uma tendência e uma política de confronto da atual cúpula da segurança pública do Rio. Como o "O Globo" noticiou na edição desta segunda-feira, 207 pessoas morreram em supostos confrontos com a polícia nos dois primeiros meses de 2007, no mais violento início de ano na última década no Rio. Segundo o ISP, foram 117 mortos em janeiro e 90 em fevereiro. Em 1998, 46 pessoas foram mortas no mesmo período (janeiro e fevereiro) em confrontos com a polícia. Os números revelam um aumento de 350% no período de dez anos.

Número de roubos também cresceu em relação ao ano passado.

Entre os três delitos que apresentaram maior redução no estado, neste primeiro trimestre, comparados ao mesmo período do ano anterior estão: extorsão (menos 28,7%); latrocínio (menos 27,3%) e roubo a estabelecimento comercial (menos 13,4%). Os três delitos que apresentaram maior alta, no mesmo período, foram: roubo a transeunte (mais 29,9%); roubo em coletivo (mais 18,5%) e lesão corporal culposa no trânsito (mais 5,2%).

Segundo o ISP, a queda na estatística de roubo de veículos na Zona Norte demonstra a eficácia do trabalho de inteligência da polícia. A área que abrange os bairros da Penha, Penha Circular, Complexo do Alemão, Olaria, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral e Jardim América teve a maior queda de roubo de veículos no estado. De janeiro a março de 2007 foram registrados 608 casos. No mesmo período do ano passado foram 712, o que dá uma diferença de menos 104 registros de roubo de veículo. No entanto, uma tentativa de roubo a carro em Oswaldo Cruz, também na Zona Norte, acabou sendo o crime mais traumático do ano no Rio, quando o menino João Hélio morreu ao ficar preso ao cinto de segurança e ser arrastado por sete quilômetros.

Além disso, a estatística de roubos a pedestres na Zona Norte subiu de 3.748 no primeiro trimestre de 2006 para 4.770 no mesmo período de 2007, uma variação de 1.022. O número de roubos em ônibus subiu de 527 para 725 (+198). O total de roubos na Zona Norte subiu de 11.210 no primeiro trimestre de 2006 para 13.287 no mesmo perído deste ano, uma variação de 2.077.

Na Zona Sul, diminuiu o número de roubos a residência (22 para 18), mas aumentou o de assaltos a transeuntes (719 para 899), veículos (114 para 143) e coletivos (123 para 169). Na Zona Oeste, os assaltos a pedestres foram de 1.527 para 1.880, uma variação de 353. Esse tipo de crime também aumentou muito no Centro da cidade, de 781 para 1.067.

As estatísticas de balas perdidas serão divulgadas pelo ISP nesta quarta-feira.

Clique aqui e confira todos os números na página do ISP.

Fonte: O Globo.


Bem, não é de hoje que leio em jornais uma certa maquinação e uma nítida destruição da mídia brasileira em detrimento da indústria da fofoca. Foi-se o tempo onde os jornais informavam. Atualmente os jornais deformam. Ao invés de dizer "aconteceu", dão uma série de informações deturpadas que têm o objetivo puro e simples de imbutir em sua mente a opinião do editor. Tentam buscar utopias ao invés de simplesmente informar... E como se tornou praxe, passaram a defender bandidos.

Pois como se diz na constituição, no artigo 5...
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;

Em suma, se existe boca de fumo ou algum ato desse tipo ocorrendo na sua área e você não denuncia, está se omitindo. Se você se omite, é bandido. Pura e simplesmente assim. E denunciar nem é difícil, basta apenas saber denunciar. Você não precisa denunciar a boca de fumo do lado de sua casa, mas com uma boa combinação dá pra você denunciar a boca de fumo do morro ao lado em troca de alguém de lá denunciar a boca de fumo do seu morro... Dessa forma não tem como te rastrear a não ser que você seja bem burro e deixar todo mundo saber. =/

Lembrando que não desejo de forma alguma desmerecer o jornal, mas sim criticar a imprensa como um todo... Pois não é de hoje que passamos a possuir uma classe jornalística digna dos piores tablóides ingleses. E isso é reflexo do público que consome essas porcarias. O mesmo público que vai passar de ano direto nas escolas sem precisar fazer prova, que será favorecido por cotas e que votará no governante que está dando mais mesada.

Em suma, estamos perdidos... A democracia falhou.
Leia o Restante.

DIREITOS HUMANOS = HIPOCRISIA

Ontem a semana começou com uma notícia que me deixou animado: um homem que assaltou um ônibus em São Paulo, foi pego pelos passageiros e espancado até a morte.

Sabe o que realmente me deixou animado? Não foi o fato de espancamento, muito menos a morte do assaltante, mas sim o fato de ver que a população está começando a reagir perante esse tipo de coisa. Há algumas semanas atrás, um outro assaltante que ameaçou passageiros com uma granada, aqui no Rio, também foi espancado pelos passageiros, mas não veio morrer.

Mas ao ler uma notícia hoje fiquei revoltado com o tamanho da hipocrisia das pessoas. É no mínimo engraçado ver o pessoal dos Direitos Humanos querendo defender um bandido, que é espancado, enquanto a população que sofre diariamente com a violência, é simplesmente descartada pelo mesmo pessoal dos Direitos Humanos, que aparentemente só tem olhos para quem não merece.

Bom segue abaixo a notícia sobre o assaltante e a parte onde Arial de Castro Alves, secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Governo do Estado de São Paulo (Condepe), defende o criminosos e quer a punição dos passageiros.

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"Homem espancado roubou R$ 60 de ônibus em SP

Jovem de 24 anos anunciou assalto e foi dominado por passageiros.
Ele levou socos e pontapés e morreu minutos depois em hospital.

O ajudante Túlio Márcio Nascimento da Silva, de 24 anos, conseguiu roubar R$ 60 de um ônibus da Viação Tupi antes de ser espancado por passageiros na madrugada de domingo (20) na Zona Sul de São Paulo e morrer minutos depois no hospital. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o jovem não tinha passagem pela polícia.

O ônibus fazia a linha Jabaquara/Jardim Santa Bárbara. O assaltante entrou no ônibus na Avenida Senador Teotônio Vilella e anunciou o assalto. Segundo as informações que constam no boletim de ocorrência, ele simulou estar armado e ameaçou o cobrador, que entregou o dinheiro.

Em seguida, Silva – que aparentava estar sob efeito de drogas - ameaçou os passageiros. Cerca de 20 pessoas cercaram o jovem e o espancaram a socos e pontapés. A informação inicial da polícia era de que os passageiros usaram também paus e pedras durante a agressão, o que não foi confirmado no boletim de ocorrência.


Assim que conseguiram dominar o assaltante, os passageiros perceberam que o homem havia entrado em convulsão. O motorista parou o veículo no posto da Polícia Militar no Jardim Progresso. Túlio Silva chegou a ser levado pelos policiais ao Hospital do Grajaú, também na Zona Sul, mas morreu dez minutos após dar entrada no local.


O laudo do Instituto Médico Legal (IML) que determinará a causa da morte deve ficar pronto em até 30 dias. Ele será decisivo para o inquérito, de acordo com a polícia, porque irá determinar se o jovem realmente morreu em decorrências das agressões.

A polícia ainda não identificou os passageiros que espancaram o jovem. Assim que o ônibus parou, as pessoas deixaram rapidamente o local. Cinco pessoas foram citadas como testemunhas do caso, entre elas o motorista e o cobrador do ônibus. O caso está registrado no 101º Distrito Policial do Jardim Embuia.

Justiça com as próprias mãos

O secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Governo do Estado de São Paulo (Condepe), Ariel de Castro Alves, disse que a entidade irá cobrar a apuração do fato e a eventual punição dos culpados.

“A gente repudia todo tipo de violência. Toda a forma de justiça com as próprias mãos é inaceitável. Isto mostra a falta de credibilidade da polícia e da justiça no país”, disse. Ele lembrou que o homicídio é um crime mais grave, de acordo com o Código Penal, do que o roubo. “Não é desta forma que iremos resolver o problema da violência no Brasil.”

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Fonte : G1
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL39935-5605-133,00.html
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É incrível, como nessas horas aparece gente de todos os lados, reivindicando os direitos de um bandido, mas quando o lesado é o cidadão de bem, que paga seus impostos, que é refém da violência diária que assola o nosso país, ninguém faz absolutamente nada.

Onde está esse senhor dos Direitos Humanos, quando alguém é ferido, ou morre por uma bala perdida? Onde está qualquer pessoa dos Direitos Humanos, quando um idoso morre na fila do INSS para pegar sua aposentadoria? Onde?

Leia o Restante.

Missão -> Sétima Fase da Missão, "Clímax.".

Então, como se possuído por um desejo de escrever súbito, finalmente termino a saga de Jonas do modo como esperava fazer. Agora vou ficar uns tempos sem postar contos porque cansa (mas não deixarei de colocar aquele que se passa na Segunda Guerra), e também porque uma maratona vai começar.

Tenho que imprimir tudo, revisar um pouco os erros que têm (sempre existem erros... sempre) e depois disso imprimir de novo pra em seguida correr atrás de editoras.

Não vou cometer o mesmo erro que outrora procurando uma editora qualquer, quero ver se publico em alguma grande, só espero que meu material seja bom o suficiente para elas. Eu tenho certeza que é, só falta eles concordarem. =p

Sem enrolar muito mais, porque o texto tá enorme, segue o sétimo e último capítulo da Missão.


Missão:
Sétima Etapa da Missão: "Clímax.".


Uma névoa densa cercava Jonas. Ele via quatorze pessoas, dentre homens e mulheres envoltos por essa mesma névoa. Estavam todos parados observando para além do campo de visão de Jonas. Dentre elas conseguia reconhecer claramente as figuras de Albano e Fernando. E tal como as demais estavam completamente imóveis. A névoa diminuiu gradativamente na medida em que Jonas escutava um zumbido irritante aumentar. Procurou sem muita demora pela fonte do som e viu finalmente que cada uma das pessoas carregava consigo uma caixa com um display vermelho dando contagem regressiva.

E faltava um minuto para o contador chegar a zero.

Uma certa inquietação tomou o peito de Jonas que instintivamente tomou a caixa das mãos de Fernando e a jogou em direção ao infinito. "Pronto, está terminado.",comemorou antes de olhar novamente para Fernando e ver que a caixa continuava no mesmo lugar. Novamente jogou a caixa distante e como da primeira vez seu retorno se repetiu. Um certo desespero começou a tomar conta de seu peito a medida que o display mais e mais se aproximava do zero. De repente as quatorze pessoas começaram a olhar para o horizonte e Jonas acompanhou-as com o olhar.

Eram os fogos de fim de ano que começavam. As pessoas se abraçaram felizes enquanto largavam as caixas no chão. Jonas escutou uma espécie de estalo e viu os contadores de todas as caixas zerarem. E de repente uma luz branca tomou conta de tudo. Ao invés de sentir a dor que esperava Jonas, apareceu novamente em Santa Tereza, no mesmo lugar onde morrera. As pessoas todas estavam trajadas de branco, sorriam. Pelo que podia ver no relógio de rua faziam cinco minutos que 2007 havia começado. Sentiu-se mais calmo e sentou-se em um dos bancos do largo dos Guimarães e escutou o bater de asas dos pássaros.

"Pássaros? A meia noite?", espantou-se Jonas olhando pro céu e vendo uma imensa nuvem negra se aproximar de Santa Tereza vinda do sul. Com um olhar mais apurado viu que não era uma simples nuvem, mas sim uma imensa horda de criaturas tão horripilantes quanto os Vermes do Vazio, mas aparentemente muito mais fortes. As pessoas eram incapazes de ver o que estava por acontecer. Jonas viu aquela velha senhora negra de nome Glória correndo pelas ruas pedindo ajuda pelas almas. Ela tentava em vão tocar nelas e afastá-las de algum perigo iminente.
- Assassino! A culpa é sua! - Berrou Glória, vendo Jonas.
- Minha culpa? - Questionou Jonas, sem entender o que acontecia.
- Sim, você e aquelas pessoas cheias de ódio no coração fizeram isso...
- Isso o quê?
- Isso!

Glória apontou para o lado oposto da nuvem negra e viu uma imensa horda de seres da Luz indo de encontro com os seres enegrecidos. Ambos tocaram enormes cornetas, mas um dos seres de luz se destacava. Era um anjo de vestes completamente brancas portando uma corneta de ouro que brilhava tão forte que de onde Jonas estava podia-lhe ofuscar a vista. Um dos demônios da horda oposta se destacou. Era uma criatura enorme, de forma que lembrava um canino. Ele observava as pessoas caminhando na rua alheias a toda essa tempestade que se formava nos céus. Com uma voz assombrosa, a criatura bradou.
- Ande cria de Deus! Dê a ordem! Que comecem os jogos! - Berrou a criatura.
- Que seja feita a vontade de Deus! Que o apocalipse de João se inicie!

A voz soberba do anjo ecoa por todos os lados, parecendo cruzar os mares e os oceanos, em seguida a figura imponente toca a corneta. Segundo depois um grunhido agudo é escutado e Jonas vê uma enorme figura montada em um cavalo negro passar voando rápido vindo do sul. Era uma mulher de roupas rasgadas coberta por trapos negros. Por onde ela passava uma fumaça verde dilacerava tanto pessoas quanto almas. A mulher passa por ele e um ar completamente carregado invadiu o que seriam os pulmões da alma de Jonas. Se isso acontecesse antes do treinamento, com certeza teria morrido. Mas ainda assim isso não evita a dor lacerante de sentir-se praticamente virado do avesso.

Glória, vendo a cena e a mulher se aproximar, é tomada por um desespero sem igual e corre levando consigo todas as almas que consegue carregar. Infelizmente apenas ganha alguns segundos a mais de existência, a mulher a alcança e com um simples toque nas costas faz Glória desaparecer como purpurina ao vento. Jonas permanece parado querendo assistir a tudo. As pessoas, ainda vivas, começam a cair uma a uma nitidamente sufocas por algo que Jonas não vê, mas sabe o que é. É radiação. Não muito longe, uma televisão ainda ligada anuncia que em outras seis grandes potências do mundo ocorreram tragédias iguais. Além do Eixo Rio e Sampa, os EUA, Suíça, África do Sul, Rússia, Austrália e China também tiveram ataques iguais.

Mas antes do repórter tenta completar a matéria, o sinal é bruscamente interrompido quando um machado de guerra coberto de sangue brilhante acerta a televisão. As hordas demoníacas estão materializadas, é o que vê Jonas. Um demônio voa em direção de Jonas e ergue enorme sua espada ameaçadora e violentamente. Não há tempo de desviar, apenas de lamentar não ter percebido a tempo. Com um arco perfeito a lâmina transpassa a cabeça de Jonas, dividindo-a em duas metades brilhantes. Jonas sente cada segundo de dor como se fossem horas. Tudo começa a ficar escuro. Completamente escuro...




Fernando desperta de seu transe poucos segundos antes de ativar o dispositivo. Graças aos efeitos das festas fim de ano toda a Usina relaxava a vigilância e associado a seu tom de pele e a noite que caíra, ficara fácil chegar até o prédio da refrigeração. Era uma enorme estrutura cônica de alumínio completamente isolada termicamente e sempre ligada, por onde enormes dutos levavam o ar gélido para dentro dos reatores em um processo de resfriamento absolutamente necessário para manter todos os dispositivos da Usina funcionando em perfeita ordem. A bomba seria instalada em um canto escuro próximo ao painel de controle do sistema de refrigeração. Se acaso encontrassem a bomba no reator, essa bomba aqui dificilmente seria encontrada a tempo.

Porém, a visão que tivera foi bem clara, e ele não podia simplesmente negá-la naquele momento. Foi como Albano dissera minutos antes, os planos da Organização iam muito além de um simples ataque terrorista. Lembrou-se de quando perguntou a Albano se iam ficar com as motocicletas e ele nem entrou no assunto. As motocicletas não seriam necessárias no mundo dos mortos. Pra sanar suas dúvidas, aciona o dispositivo e vê que tinham menos tempo do que Albano dissera, ou sabia. A bomba não explodiria quando estivessem em segurança, mas exatamente no primeiro minuto de 2007 e em diversos pontos do mundo. Nesse momento estariam perto o suficiente pra morrer.

Sem hesitar Fernando corre até a praia e arremessa o dispositivo o mais longe que pode para dentro do enorme oceano. Mesmo que exploda, o próprio oceano protegerá a Usina de seus efeitos. Mais calmo pelo que fez, Fernando respira fundo e se dá conta que terá uma missão difícil pela frente, convencer Albano a desistir. Enquanto caminha em direção ao prédio da Administração da Usina, Fernando se deixa levar por uma curiosidade quase mórbida e olha para as nuvens do céu. Sorri maliciosamente ergue seu braço direito e coloca seu dedo médio em riste, numa chacota clara a quem quer que esteja observando tudo aquilo. Se seus olhos humanos pudessem ver, teriam visto uma enorme fera rosnar de raiva pela insolência.
Enquanto isso os ecos traziam sons de tiros.



Marta estava sentada em sua mesa da recepção de Angra I. Ela se preparava para comemorar mais um final de ano naquele prédio deserto, mas dessa vez providenciara tudo para que estourasse fogos durante os fogos. Um dos seguranças da Usina, o Armando, estaria lhe esperando no segundo andar para comemorarem juntos o romper dos anos. E fariam jus ao trocadilho infame. Ela e Armando curtiam um caso desde que o enorme e másculo segurança negro de vinte e oito anos aparecera para prestar serviços pela sua firma de segurança. Marta, uma mulher bem vivida, funcionária pública, casada há vinte anos e no auge de seus quarenta anos bem conservados com muita malhação e um pouco de muito tratamento hormonal. Era um "tesão", como diziam seus companheiros de trabalho. Ninguém desconfiava do caso dos dois, que havia começado dentro do carro de Marta logo no primeiro dia de trabalho de Armando, na garagem da Usina.

De repente seus afazeres extremamente importantes envolvendo maquiagem foram interrompidos pelo súbito som de pancadas do lado de fora do prédio. Pareciam estampidos de fogos contidos por alguma coisa. Marta estranhou e passou um rádio para a equipe de segurança externa. Não obteve resposta. Um calafrio percorreu sua espinha e ela imediatamente pegou o telefone para chamar pela polícia. Completamente mudo. Mais apavorada ainda tentou pegar seu celular apenas pra sentir-se pior ao constatar que o bloqueio de sinal funcionava perfeitamente bem. Estava completamente isolada de tudo.

De repente um dos seguranças externos invadiu o prédio dando disparos a esmo para o lado de fora. Marta jogou-se desesperada no chão, colocou a mão sobre a cabeça. Escutou mais tiros, gritos do segurança, e de repente um baque forte contra sua mesa. E mais nada, apenas um silêncio profundo. Não ousou se mexer, mas então sentiu um líquido pingar em sua nuca e escorrer por seu pescoço e entre os cabelos até chegar a sua boca. Instintivamente tenta ver o que é, mas antes que possa perceber ou confirmar do que se trata, uma mão a agarra pelos cabelos e a ergue violentamente de seu esconderijo até um enorme homem loiro de olhar cruel.
- Por favor... Não me mata! - Implora Marta, com o corpo todo banhado do sangue do segurança, que jaz morto no balcão.

Tirolez olha a mulher nos olhos e diz "Ula Ta'lan L'nis'yuna.", em seguida aponta sua FiveSeven munida de silenciador na cabeça de Marta. Uma lágrima escorre de seu rosto quando de repente ela escuta um tiro e um zumbido passa próximo dela. Tirolez se esquiva quase que instintivamente, mas deixa os cabelos da mulher escaparem de sua mão. Com uma procurada rápida com o olhar vê um enorme segurança negro apontando uma arma para ele. "Esse negro é bom...", pensa Tirolez, dando conta que o tiro passou raspando pela proteção do ombro de seu sobretudo. Se fosse mais para a esquerda estaria morto.
- Largue a arma e erga as mãos. - Disse Armando, enquanto Marta corria até ele toda banhada do sangue de seu parceiro.
- Com prazer. - Responde Albano.

O assassino solta a arma com certa violência contra o chão e de modo tal que assim que cai dispara aleatoriamente e diversas vezes, e ao mesmo tempo se joga na direção do balcão. Armando leva um susto e se coloca diante de Marta, para protegê-la de eventuais disparos. Esses milésimos de segundo dão tempo suficiente a Tirolez de sacar uma granada de fragmentação e a arremessar contra o casal enquanto salta para trás do balcão que agora serviria de trincheira. Pra aumentar a proteção puxa o corpo do segurança morto e cobre-se com ele, levando um banho de sangue.

Armando não pensa duas vezes quando vê a granada e só pensa na segurança de Marta. Ela tem uma família, e ele? Apenas é um enorme consolo que as mulheres utilizam pra satisfazer fantasias. E no fundo, ele realmente ama Marta e quer salvá-la de qualquer jeito. Por isso, sem hesitar salta sobre a granada e a cobre com seu corpo. Marta tenta algo, mas apenas escuta o som abafado da explosão destruindo Armando e o corpo de seu amante sacudindo por causa do impacto contido. "Corre", diz Armando um segundo antes de tocar o chão.

Marta hesita por um instante querendo abraçá-lo e beijá-lo uma última vez, mas precisa correr como nunca. Deixa seus sapatos de salto alto para trás e corre em direção a saída, mas antes de passar pela porta é atingida por algo nas pernas e rola pelo chão. Ainda grogue vê uma cadeira da recepção ao seu lado, coberta de sangue, e sente uma dor enorme na canela direita. Ao olhar para a perna vê o osso exposto, fraturado pela violenta pancada. O louco arremessara a cadeira da recepção contra ela e agora caminhava friamente em sua direção.

"Amem!", fala Albano, sacando sua segunda pistola e disparando contra o rosto de Marta, que tomba no chão, ainda viva. Obviamente Albano percebe, mas pra não desperdiçar mais balas, ele ergue a cadeira que arremessou segundos atrás e golpeia Marta diversas vezes até que de sua cabeça apenas restem fragmentos dos ossos do crânio espalhados pelo chão cobertos de sangue. Satisfeito com o resultado, joga o que sobrou da cadeira sobre o cadáver e vai até o elevador da Administração. Falta muito pouco para concluir a missão, e quando estiver na porta da área restrita ele e Fernando cumprem a missão e partem o mais rápido que podem. Apesar de não estar incluída nas ordens sua sobrevivência, Albano não deseja morrer ali. "Morte é a falha da missão do soldado.", pensa.
No caminho Albano ainda mata mais dois seguranças e vai para o local de encontro.



Ele aguarda solenemente o momento em que deve aparecer. Está sentado em uma cadeira na ante-sala do objetivo de todos. Ajeita seu terno impecável e penteia seus longos cabelos loiros. Precisa estar perfeito para o grande momento. São nove horas da noite, ainda faltam três horas para tudo acontecer. E vai acontecer. O insolente pode ter feito o que fez, mas ainda restava um dispositivo. Malditos anjos caídos, sabia que não podia confiar neles jamais, mas as circunstâncias tornaram isso obrigatório. Naquele momento era a única maneira. E tudo isso por causa daquela zombeteira que atrasou o plano dos planos.



Fernando chega correndo ao saguão de entrada precisamente as nove e meia da noite. Demorou a chegar porque no caminho teve que espantar dois drogados que vieram assistir o tiroteio. Por sorte não precisou matar os dois, mas evitaria falar disso a Albano porque ele odiava testemunhas. Por sinal, o rastro de Albano era nem um pouco delicado. Até chegar a entrada viu pelo menos dez seguranças mortos, e quando coloca os pés no interior do prédio principal a primeira coisa que vê é uma mulher de aparentemente quarenta anos com a cabeça esmigalhada e espalhada pelo chão.

Não muito longe desse cadáver vê um outro segurança deitado no chão com uma poça de sangue debaixo dele. O cheiro recente de queimado e alguns fragmentos de granada dão a Fernando a noção exata do que ocorrera e desiste de virar o corpo pra ver o que acontecera. No final do saguão vê um corpo jogado no chão e um rastro de sangue leva até um dos elevadores. É fácil para Fernando saber para qual andar Albano foi, o botão do subsolo está marcado de sangue. Por um instante Fernando mostra-se preocupado com a quantidade de sangue.

Nove e quarenta da noite ele finalmente encontra Albano sentado diante da porta de acesso aos níveis restritos. Sua cadeira é formada por dois corpos dos seguranças amontoados um sobre o outro, formando uma espécie de cadeira mórbida. Seu parceiro está completamente coberto de sangue, mas aparentemente inteiro. E pra variar, está fumando apesar dos avisos do perigo de se fumar naquele ambiente. "Pra que se importar com avisos, se isso vai explodir mesmo?", fala Albano notando o espanto de Fernando. O jovem negro pensa em avisar a Albano do perigo que correm naquele momento, mas é melhor fazer isso quando virem o timer se ativar. "Talvez o susto da proximidade da morte o torne mais sensato e menos obcecado.", pensa Fernando, com muita esperança disso.
- Você chegou vinte minutos mais cedo. - Comentou Albano. - Nem comecei direito a fumar meu primeiro cigarro... Vamos logo, fez tudo direito?
- Sim. - Mentiu Fernando, descaradamente. - Estava pensando, quantos meses passamos juntos?
- Acho que quase seis meses, meio ano. - Disse Albano.
- Gostaria de dizer que foi muito bom ter você como amigo.
- Já vai começar com seus trejeitos? - Comentou Albano, rindo. - Te mato aqui mesmo...
- Bem, tem algo que quero lhe dar, pois estou com um pressentimento ruim. - Disse Fernando, sentindo-se estranhamente confuso.
- O que?

Fernando salta sobre Albano e o beija apaixonado. Inicialmente, e provavelmente completamente chocado, Albano fica estático por muito segundos que nem uma estátua. De repente se dá conta do que está acontecendo e joga Fernando contra a parede. A primeira coisa que faz é puxar sua faca de caça e imprensá-la contra o pescoço de Fernando, quase degolando-o. Entretanto, pela primeira vez em sua carreira toda ele hesita. Não vai matá-lo naquele momento, apesar de Fernando ser completamente descartável, ainda mais depois dessa ousadia, ele surpreendentemente não quer vê-lo morto.
- Nunca mais faça isso. - Diz Albano, com o olhar cheio de ódio e ao mesmo tempo completamente chocado por dentro.

Albano limpa sua boca com o sangue espalhado em suas roupas e pega um dos cartões de identificação dos soldados mortos. Digita a senha que obteve enquanto mentia dizendo que pouparia a vida deles se a fornecessem, e depois passa pela identificação de retina arrancando o olho de um deles. Um apito rápido e uma luz verde se acendem, dando aos dois a autorização necessária para avançar. Uma névoa branca e muito fria se espalha pelo corredor, cobrindo ambos até um metro de altura. Nesse momento ambos agradecem por terem lembrado de colocar sobretudo.

O assassino, munido de seu revólver, é o primeiro a entrar, seguido de Fernando. É uma sala branca, ampla, cheia de macacões brancos revestidos com chumbo. Um pouco mais a frente existe uma porta de vidro reforçada que dá em um outro ambiente que de lá podem ver que tem diversos chuveiros. Imediatamente os dois percebem que estão nas câmaras de descontaminação. Para evitarem problemas, ambos começam a se vestir adequadamente para o que têm que fazer juntos. E avançam para a sala seguinte.



Os ímpios estão vestindo as roupas de proteção. O primeiro verme a entrar na sala de desintoxicação é o loiro oxigenado. Não gosto dele, ele fede a sangue e veste-se com o sangue dos inocentes. Mas ele é necessário. O insolente o segue como o pecador que é. Não importa, eu vou deixá-los darem passos largos em direção de minha humilde presença. Não quero que me percebam até que a porta esteja trancada. Providenciei névoa fria o suficiente para ocultar-me deles até julgar necessário. Eles precisam estar desse lado em que estou. Se quisesse os puniria de imediato, mas apenas Ele pode fazê-Lo e autorizar-me, mas darei a Ele a chance de escolha.



Fernando e Albano caminham pelos chuveiros paramentados completamente para adentrarem no coração da Usina, o reator. Albano carrega consigo o dispositivo explosivo enquanto Fernando estuda formas de convencer Albano a desistir da missão. "Como convencer um homem a parar... Ainda mais um homem que usa corpos como cadeira?", indaga Fernando perdido em pensamentos. Sempre de arma em punho, os dois evitam caminhar rapidamente e serem surpreendidos por algo desagradável saindo dessa névoa, que obviamente não é normal nesse ambiente. Está frio até demais para os padrões informados nos planos que estudaram nos últimos meses. Com cautela passam para a sala seguinte, faltando apenas mais uma para chegarem finalmente ao reator principal.
- Tome cuidado. - Falou Albano. - Não sabemos o que nos espera aq...

Albano não consegue completar sua frase, uma força misteriosa o ergue no ar e o choca violentamente contra a parede. A arma de Albano é jogada do outro lado da sala e quando pára todas as balas da mesma se espalham pela sala saltando uma a uma do tambor do revólver. A caixa com os explosivos cai do mesmo jeito, desaparecendo na nevoa. Fernando até tenta fazer algo, mas a mesma força age sobre ele e o joga contra a parede diversas vezes. As pancadas são tão fortes que a roupa que usa se rasga, expondo-o a radiação. Uma dor terrível imediatamente percorre o corpo de Fernando, muito mais motivada pelo psicológico do que pela radiação em si, que é mínima. Os dois presos na parede por essa força misteriosa procuram pela origem do problema e vêem uma pessoa se aproximando vinda da sala seguinte.

É uma mulher de aparentemente vinte e poucos anos. Cabelos loiros e cacheados, olhos azuis e um semblante pacífico. Usa um batom levemente avermelhado e seu rosto está levemente corado. Veste um terno branco igual aos dos malandros da lapa, que deixa suas belas curvas ainda mais sensuais, com uma rosa vermelha na lapela. Sua mão direita segura o tradicional chapéu de palha, completando o visual. Fernando e até mesmo Albano ficam hipnotizados pela beleza pura e profunda da mulher de vestes pouco usuais. Mas algo na moça faz com que ambos sintam-se um tanto perturbados por sua presença.
- Ímpios... - Balbucia a mulher de voz doce e serena, sem aparentar nenhuma raiva. - Vieram até aqui para falhar?
- Falhar? - Estranhou Albano. - Como assim falhar?
- Exato, Albano. - Disse a mulher. - Existe uma mácula em seu plano.
- Se você sabe meu nome, acredito que mereça ao menos saber o seu...
- Sônia,... Ou arcanjo Bismaah, 15º das tropas de São Rafael... Só não sei que diferença faz saber meu nome...
- Faz, ao menos tenho o que colocar na lápide.
- Na situação em que se encontra, acreditas realmente que vai conseguir algo além de quicar na parede até eu me cansar?

As palavras da mulher foram enfáticas e num piscar de olhos Albano quicou na parede diversas vezes. O som dos ossos de Albano estalando e sendo quase quebrados era escutado por todos na sala. E apesar de todos esses atos o olhar de Sônia não mudava, ela continuava calma e serena. Fernando em paralelo se indagava em como ajudar seu parceiro a sair dessa situação, mas não conseguia pensar em nada.
- Satisfeito? - Afirmou Sônia, jogando o corpo dolorido de Albano no chão. - Agora pode me ouvir ou continuo de onde parei?
- Fale... - Balbuciou Albano. - Nada que disser vai me convencer a não te matar.
- E quanto a matar o negro ao seu lado?
- Ele?
- Sim, acredito que esse PC de bolso que carrega seja capaz de ver um vídeo interessante filmado pelas câmeras de segurança... Não?
- E onde está esse vídeo?
- Aqui.

Sônia sacou do bolso um pequeno cartão de expansão de memória. Foi calmamente até Albano e o encaixou no PDA que seria utilizado para sincronizar os explosivos. Albano nada podia fazer a não ser assistir, pois estava completamente imóvel. Subitamente Fernando sentiu um calafrio ao ver o PDA ser ativado por Sônia e abrir o programa de executar arquivos de mídia. Propositalmente Sônia se colocou na frente de Fernando, impedindo-o de assistir ao vídeo. Fernando viu nitidamente o semblante de Albano mudar e seu olhar assassino assumir o comando novamente. Um novo calafrio percorreu sua espinha.

Sem demonstrar nenhuma emoção, Sônia se levantou e foi até a arma de Albano. Analisou-a, abriu o tambor vazio e uma a uma as balas que estavam espalhadas pelo chão voam e voltam para o lugar onde tinham saído. Albano e Fernando permaneceram calados o tempo todo, vendo a arma ser colocada de volta em atividade. Quando a última bala encaixa no tambor, Sônia deposita o revólver no chão e o chuta até Albano. Imediatamente o assassino se vê livre novamente e pega sua arma. Fernando se esforça pra se mexer, pressentindo que algo está errado, mas a única coisa que consegue é rasgar o que resta de suas roupas sendo novamente chocado diversas vezes contra a parede.
- Quer ver o vídeo, meu amigo? - Fala Albano, olhando fundo nos olhos de Fernando.
- Do que está falando que tem no vídeo? - Pergunta Fernando, nervoso, mas sem entender o Téo do vídeo.
- Este vídeo...

Albano pega o PDA e mostra o vídeo a Fernando. É uma gravação do sistema de segurança, mostrando exatamente o momento em que Fernando ergue o dispositivo em frente o cais e o arremessa no mar. Os olhos de Fernando não acreditam no que vêem e passa a ter a certeza de que tudo está perdido.
- Em uma guerra, sabe o que acontece com os soldados que traem a tropa?
- Albano, deixe-me explicar... Nós vamos morrer! Fomos traídos e sacrificados pela Organização! A bomba está programada pra nos levar junto! Espere!...

Fernando não consegue completar a explicação. Albano dá seis tiros no peito dele, que tomba no chão já morto. Sônia finalmente sorri quando vê o corpo morto de Fernando no chão e comemora internamente. Ela vê no braço de Fernando a marca daquele que mais odeia, a assinatura da Sombra. Dessa vez a maldita Sombra não conseguiu adiar o inevitável. Dessa vez, ela foi derrotada. Dessa vez tudo vai acontecer do jeito que querem, mesmo que para isso tenham que ter ajudado os malditos anjos caídos. Albano abaixa a arma e algo em seu semblante parece mudar, mas que Sônia, imersa no próprio orgulho, não percebe.
- Parabéns soldado. - Falou Sônia, trazendo consigo o dispositivo explosivo e o entregando nas mãos de Albano. - Agora, a próxima sala é seu destino. Os técnicos lá dentro estão mortos... Seus corações pararam, sabe?
- Diga-me uma coisa, porque vocês fizeram isso? - Pergunta Albano, enquanto confere seu revólver.
- Porque há anos vemos a humanidade se degradar, se destruir uns aos outros... E nada podemos fazer a não ser pescar entre os ímpios poucos dignos de escapar da entropia humana. Se não fosse o Pacto das Águas, já teríamos dizimado sua civilização e eliminado esse câncer que tanto alimenta as hordas infernais... Tudo por causa do Livre Arbítrio.
- Estranho, não deveriam proteger a humanidade? Não foi esse o motivo da queda de tantos de vocês? Discordar disso?
- E é o que faremos... Protegeremos a humanidade dela mesma. Uma nova era, sob o nosso julgo, pois ganharemos dos cães do Inferno na guerra que eles querem começar. Assim está escrito.
- E todos os seus são partidários disso?
- Nem todos... Existem alguns que ainda acreditam na raça humana, cegos por um amor que não deveria existir.
- No final das contas vocês são bem parecidos com os sem asa...
- Encare como quiser, soldado... Faça o que sabe fazer de melhor, cumprir ordens.

Albano ergue-se a caminha calmamente em direção a próxima porta. Sônia sorri discretamente, satisfeita por ter dado a vitória aos inferiores a ela. Sabe que cometeu pecados, mas Ele perdoará todos os seus irmãos que participaram disso. Ele perdoará quando assistir os frutos de seus atos. Todos os seus irmãos alados avessos a essa visão os perdoarão por isso, todos. E agora falta tão pouco para a primeira trombeta soar, que Sônia se deixa escutar ao longe o bater das asas das tropas ávidas pelo combate. E então escuta um som nada convidativo, o de uma arma sendo engatilhada.

O assassino aproveita-se da distração da mulher e gira o corpo disparando os dois últimos tiros de seu revólver. As balas atravessam o peito de Sônia, que cai no chão completamente desconcentrada, e incapaz de manifestar seus poderes por causa da dor intensa no peito. "Malditas carcaças...", lamenta Sônia por estar presa a carne e suas dores. Ainda caída no chão ela gira seu corpo e olha Albano nos olhos, ergue sua mão direita para invocar suas últimas forças. Albano saca sua faca de caça e decepa a mão de Sônia antes que possa fazer seu truque novamente. Sônia grita de dor e segura o coto de sua mão que solta muito sangue.
- Tem uma coisa que eu quero que você leve contigo para seus semelhantes... - Diz Albano.
- O que? - Pergunta S6onia, antevendo seu destino.
- Isso!

Tirolez rasga a roupa de proteção e seu sobretudo com a faca. Expondo exatamente a mesma marca que há no corpo do recém-falecido Fernando. A marca da Sombra. Sônia observa estupefata a revelação de Albano e é tomada por uma fúria tamanha que seus poderes voltam a funcionar. Ela produz um vento misturado a chamas divinas, e joga Albano novamente contra a parede. O ataque é tão violento que pedaços do chão são carregados pela ventania, atingindo Albano diversas vezes como se fossem navalhas. Albano não demonstra sofrer, e apenas exibe um sorriso malicioso nos lábios, deixando bem clara sua mensagem. Os olhos de Sônia já estão pesados por causa da perda de sangue, mas ela está completamente disposta a levar Tirolez com ela.
- Sabe o que mais gosto nesse país? - Berra Albano, sentindo a pressão de ar querendo tomar-lhe a consciência.
- O que? - Berra Sônia, querendo prolongar o sofrimento de Albano.
- A eficácia de nosso serviço público.

Sônia é atingida em cheio por um pedaço de reboco que solta do teto. Como seu próprio vento era violento por demais, o reboco joga a mulher contra Albano que a pega num abraço mortal. Sônia sente quando Albano encrava-lhe a faca na barriga e a gira. "Nos vemos no inferno.", diz Albano, e sem tirar a faca do corpo de Sônia faz um arco para cima abrindo um enorme corte na mulher que começa em sua barriga e vai até seu ombro direito. Já sem nenhum esboço de vida Sônia cai no chão e toda a violência de seus ataques cessa. Albano, livre de tudo, pega novamente a caixa explosiva e caminha cambaleante em direção ao reator. Ele vê a hora, ainda são dez horas da noite, ainda há tempo de cumprir sua missão.
- Um soldado sempre cumpre sua missão.



Em todo o mundo a rede da Organização entra em colapso. Não há resposta alguma dos dispositivos que deveriam ter sido instalados na Usina de Angra I. Regina recebe diversas ligações.de outros líderes, querendo respostas sobre a falha do núcleo do Rio de Janeiro. E falha significa morte na Organização. Ela tenta diversas vezes ligar para o celular de Albano e de Fernando, mas a única coisa que escuta é a mensagem da operadora avisando que os celulares estão fora da área de cobertura. Faltam apenas um minuto para a meia-noite e nada de obter resposta.

Regina naquele momento está dentro da sede da Organização, preparando seu helicóptero para fugir dos detritos nucleares que chegarão depois da explosão. Mas a falta de informações a respeito de seus assassinos a preocupa. Os satélites informavam que nada ocorrera, então não tinham morrido por causa de nenhuma explosão, e Albano era bom demais para falhar desse jeito. Já escutava de longe o eco dos fogos sendo disparados pelo Rio de Janeiro. As luzes de 2007 estavam à espreita e nada tinha acontecido. Faltavam menos de um minuto para explosão.

De repente Regina escuta o som de tiros, muitos tiros. E gritos. Ela rapidamente chama pela segurança pessoal e se lembra que enviou seu soldado principal para a morte. Por ordens do maldito Niamaran. Ela nunca sacrificaria seu melhor soldado e amante, nunca. O som de tiros cessa e alguém gira a maçaneta da sala de Regina. Ela sente a morte próxima, mas quem vê entrar na sala é Albano.

Suas roupas estão em frangalhos. Ele está coberto de sangue e seus olhos estão tomados por sua fúria assassina. Regina, ignorando o perigo corre até ele e o abraça. É um abraço sincero, ela realmente gosta dele. Abados se importa com Albano. A retribuição vem na forma de um chute violento na barriga que a joga contra a mesa. Regina tenta se levantar, mas não consegue. Dói muito e várias costelas quebraram com a pancada.
- Albano? O que aconteceu? - Pergunta Regina, assustada.

Tirolez não responde e apenas mostra a ela o dispositivo explosivo restante. Ele aperta o botão azul do dispositivo e o display mostra que restam apenas três minutos. Regina desespera-se mais ainda, e se esforça em se levantar para correr. Albano saca sua pistola e atira nos joelhos de Regina, que cai no chão gritando de dor e chorando. "Eu te amava maldito... Eu te amava! Eu nunca quis te enviar para lá! Nunca!", berra Regina, sofrendo mais pela traição súbita dos sentimentos de Albano do que pela dor física. Sem olhar para trás Albano abandona o dispositivo e parte, deixando apenas o dispositivo.

Regina se arrasta em vão pelos corredores da Organização tentando fugir.



É zero hora e três minutos do primeiro dia do ano que se inicia, 2007...

Os fogos tomam conta de Copacabana. É um espetáculo maravilhoso de luz e sombras. Como nos anos anteriores o investimento no espetáculo provoca maravilhas nas pessoas. De repente uma enorme explosão é escutada por todos e um clarão vem do centro da Cidade. Todos imaginam se tratar de parte da comemoração e aplaudem felizes pelo início de um novo ano. No centro da cidade os últimos andares do prédio 1056 da Avenida Presidente Vargas estão em chamas. Os bombeiros, ainda entorpecidos pelas comemorações demoram pelo menos cinco minutos para chegar e vêm um espetáculo de chamas e horror que muitos carregarão para sempre com eles. A explosão foi tamanha que havia chamas em pelo menos quatro prédios vizinhos, e até mesmo a pista central da Av. Presidente Vargas estava coberta de destroços. Se existia algum ser vivo naquele lugar, não teria o que se enterrar.



Em um desfiladeiro vermelho, em algum lugar muito distante, duas taças de champagne chocam-se uma com a outra. São seres satisfeitos e felizes com o resultado de tudo. Bebem com louvor do líquido e tornam a encher os copos. Há muito que comemorar naquele início de ano. No último gole arremessam a garrafa e as taças na imensidão do Rio Cinzento.
- Eu falei que conseguiria... - Diz a Sombra.
- É, eu sabia, nunca duvidei de você. - Respondeu o outro ser, envolto por um manto cinzento.
- E agora o que faremos?
- Curtir nossa vitória...

E os dois seres gargalharam...


Fim da Missão.


Acabou-se.

Na verdade ainda tenho um epílogo, e como esse capítulo está enorme, não coloquei junto.

Então, se ainda existe algo a ser explicado, será explicado no Sétimo Capitúlo das Revelações, O Epílogo.

Daí em diante, enfim tudo termina.
Leia o Restante.

Monty Python - Just an accident

Um vídeo dos mais engraçados que já vi do Monty Python (por sinal, devem notar que somos fãs desse pessoal).

Não vou dizer o que acontece, mas você ri pacas com esse vídeo...

Leia o Restante.

Visual novo, casa velha!

Olá povo!
Como podem ver estamos de visual novinho em folha, foi um trabalho enorme, mas espero que gostem. Se não fosse o Dragus quebrando a cabeça até altas horas da madrugada, ainda estaríamos testando e testando...

Para comemorar o novo visual,decidi dar um refresco para os nossos leitores, depois de tantos textos violentos, trago para vocês um vídeo bem divertido, que ensina como e, a importância de não ser visto.
Divirtam-se.
________________________________

Leia o Restante.

Missão -> Sexta Fase da Missão, "Execução.".

Eis que coloco a penúltima parte da Missão.

Ficou meio grande sim, mas foi de acordo com o que queria... Se fosse subdividir, o capítulo ficaria enrolando demais e do jeito que estou demorando a postar ficaria difícil. =p

Essa etapa é pacífica, se comparada a anterior, e provavelmente não teremos grandes tiroteios como o anterior, pois se colocar o último capítulo da missão será extenso demais e ele será um dos mais viajantes deles.

Não vou falar do final, porque ainda temos esse capítulo antes... E depois me preparo pro próximo, situado na Segunda Guerra Mundial (esse vai ser difícil pacas... muito). Talvez antes coloque o de terror que queria colocar, mas ainda não sei... Pode ser que sim ou que não, apenas saberei com o tempo.

Sem enrolar muito, segue o penúltimo e sexto capítulo da Missão...


Missão:
Sexta Etapa da Missão: "Execução."


Os corpos foram queimados nos minutos que se seguiram. Tirolez jamais perderia essa oportunidade, por mais que doesse sua perna em virtude do tiro que levara. Ainda tinha disposição suficiente para correr uma maratona se precisasse ou se ordenassem. Providenciou durante a queima que a Carne Moída ficasse em uma posição de destaque e deu-lhe um banho especial de gasolina para queimar melhor e por mais tempo.

Enquanto isso uma equipe da Organização providenciou uma substituição do carro queimado de Albano por um de seus outros dez carros. Como estavam próximos de uma das bases operacionais, a Ilha do Fundão, a substituição ocorreu em menos de dez minutos dando aos dois agentes tempo o suficiente para seguirem viagem rumo ao aeroporto ainda a tempo de acompanharem Amanda para Angra dos Reis. Fernando permaneceu o tempo todo calado, voltando a falar apenas quando entraram novamente no novo carro.
- Como você conseguiu sobreviver? - Perguntou Fernando, depois de muito tempo sem falar.
- Sorte e um pouco de habilidade. - Respondeu Albano.
- Habilidade? - Perguntou Jonas.
- Sim, treinei rolamento por muitos anos e fiz cursos de dublê de filmes de ação em Hollywood, com isso aprendi que tipo de roupa vestir e como preencher minhas roupas com química de escola.
- Roupas? Química de escola?
- Você realmente acha que eu vestiria um sobretudo num calor tropical só por causa de visual?
- Bem...
- Não, ele é preenchido com uma camada protetora que agüenta alguns tiros, e na camada superficial tem bolsas de plástico recheadas com sangue do diabo... Está vendo sangue em mim além do da perna?
- Não.
- É disso que eu falei... Sangue do Diabo é uma substância que se fazia em casa nos meus tempos de escola. Misturamos Lactopurga com amônia e temos um sangue falso muito convincente, mas que some depois de alguns minutos.
- Estranho...
- O que?
- Quem te vê com toda essa calma nem imagina que minutos atrás você estava queimando um monte de gente...
- É porque matei... Como te disse mais cedo, eu sou viciado em matar, e quando mato fico calmo demais.

Fernando se calou novamente. Já tinha visto e ouvido demais para aquela noite, e só queria terminar aquele serviço o mais rápido que pudesse. Primeiro uma qualquer que se achava a rainha da cocada preta, depois um tiroteio. "Preciso dormir logo", pensava Fernando quase dando cabeçadas na janela do carro.



Amanda aguardava impaciente pelo retorno dos agentes. Sua vontade era ter pego o jatinho assim que cegaram ao aeroporto. Mas não! Ela era obrigada a esperar por ordens expressas de Regina. Ao final de uma hora entediante os dois chegaram. Albano mancava e estava com uma das pernas coberta de sangue. O negro parecia estar bem. Amanda queria que o negro tivesse morrido. Ela odiava essa raça, e depois de iniciada continuava a odiar ainda mais.
- Saudades... - suspirou Amanda, diante dos outros agentes que a acompanhavam.
- Do que? - Perguntou o agente, estranhando a súbita mudança no tom de voz sempre arrogante de Amanda.
- De meu outro eu... Se fosse naqueles tempos não me sentiria suja. - Respondeu Amanda.
- O que você era antes? - Continuou o agente.
- Ku Klux Klan. - Afirmou Amanda, olhando com orgulho enquanto notava que Fernando escutara tal nome.

Fernando bem pensou em responder Amanda a altura, mas foi contido por um puxão de Albano em sua camisa, fingindo pedir auxílio para andar. "Não... Deixe o dela pra depois... Primeiro as ordens! Sempre as ordens!", sussurrou Albano no ouvido de Fernando. O jovem negro precisou realmente se controlar para ao menos não dar um sonoro bofetão naquela mulher irritante, mas pelo olhar de Albano sabia que nada de bom viria. E pra evitar problemas passou o restante do tempo cantarolando músicas em sua mente pra escapar das provocações que escutaria durante a viagem.



Mesmo com todos os atrasos, os quatro agentes da Organização e Amanda ainda conseguiram chegar até o pequeno aeroporto de Angra por volta das quatro da manhã. Para evitar complicações nos ferimentos de Albano, o assassino foi direto para um hospital particular financiado pela Organização para tratar da perna. Fernando permaneceu na pousada onde se hospedaram o restante da madrugada e até o horário em que Albano retornou. Nitidamente aborrecido porque os médicos queriam que ficasse em repouso, mas Albano somente o faria após cumprir suas obrigações. Por volta das cinco horas da tarde do dia seguinte o telefone celular de Albano tocou. Ele e Fernando já estavam num táxi a caminho do aeroporto quando Regina fez sua ligação revoltada:
- O que diabos vocês estão indo fazer no aeroporto a essa hora?
- Bem, você disse para não sairmos de Angra... Ia te ligar do Aeroporto. - Respondeu Albano, relativamente ríspido.
- Pois então voltem para a pousada. Amanda irá encontrá-los dentro de meia hora. - Ordenou Regina, desligando o telefone em seguida.
- Droga. - Reclamou Albano, enquanto colocava o telefone no bolso.
- O que foi? - Perguntou Fernando, não gostando do tom de voz de Albano.
- Temos que voltar, aquela filha da puta da Amanda tem ordens da Regina para nós!
- Merda!

Imediatamente Albano ordenou ao taxista que os levasse de volta a pousada e em menos de vinte minutos estavam novamente no saguão do local. Amanda, estava sentada no bar do hotel, bebendo um whisky e tragando um charuto provavelmente de Havana. Como sempre, ela estava acompanhada de seus seguranças, pelo menos oito seguranças dessa vez. Era estranho ver uma mulher com tal fisionomia tragando um charuto com tamanha facilidade, mas era exatamente isso que ocorria. E o charuto fedia tanto que o gerente do hotel sentia-se incomodado, mas por ela ser quem era deixava passar direto e fingia ignorar.

Os dois agentes da Organização sentaram-se diante de Amanda, puxando um banco de madeira cada. Albano puxou um cigarro e começou a fumar, fazendo questão de soltar à fumaça em cima de Amanda. Fernando pensou em sorrir com isso, mas pra evitar maiores discussões optou por ficar calado enquanto pudesse.
- E então? Diz logo... - Falou Albano, deixando transparecer sua irritação.
- E perder a chance de saborear o momento? - Respondeu Amanda, dando uma longa tragada no charuto e retribuindo o banho de fumaça de Albano. - Falo quando quiser, o interesse é de vocês... Se quiser espero o dia todo só pelo prazer de tê-los submissos ao meu lado.
- Devo lembrá-la que posso ligar para Regina a qualquer momento? - Disse Albano, com um sorriso no rosto e pegando o celular em seu bolso e começando a ligar. - Se por acaso suas atitudes prejudicarem a Organização, estou autorizado a... Você deve lembrar, não?

Amanda gelou e parou de fumar. Acenou aos seguranças que foram direto até o gerente e pediram a chave de um quarto. De chave entregue, um dos seguranças vai em direção aos quartos e os sete restantes foram Os três - Albano, Fernando e Amanda. - se levantaram e caminharam até esse quarto, acompanhados de perto pelos seguranças da mulher. No que chegaram, foram recepcionados pelo segurança que saiu na frente. Para entrar no quarto dois seguranças acompanharam Amanda e os cinco restantes ficaram no corredor em frente a porta do quarto.

Não que não quisessem entrar, mas o quarto era pequeno para tanta gente. Dentro do quarto ficaram então três dos seguranças de Amanda, a própria, Fernando e Albano. Era um quarto típico da região. Apenas um armário simples, uma cama de casal e a porta do banheiro da suíte. Ao menos tinha uma enorme janela que dava para ver a Praia do Retiro. Amanda sentou-se na enorme cama e tornou a acender o charuto, ordenando aos seguranças que trouxessem a encomenda. Imediatamente um dos seguranças que ficou do lado de fora foi correndo em direção ao carro dela.
- Deve demorar uns cinco minutos... Podemos conversar enquanto isso... - Balbuciou Amanda, sem retirar o charuto da boca. - Você, crioulo, como conseguiu entrar na organização? Ouvir dizer que é biba... Como consegue não agarrar esse deus romano ao seu lado?
- ...
- É preta e muda? - Disse Amanda, continuando a provocar. - Deve ser o sotaque de Paraíba dele que te irrita, não? Eu também odeio essas merdas... Pretas, paraíbas... Essas porras tinham todas que morrer! Mas eu? Sou uma mulher perfeita! Tenho o dinheiro de meu marido pra me sustentar e um monte de político querendo meu rabo... Vou ficar cheia da grana em pouco tempo! E vocês? Vão encher o rabo de chumbo mais cedo ou mais tarde... Pelo menos a pretinha vai curtir.

Fernando fez menção de avançar e quebrar a cara de Amanda, mas ela foi salva pela chegada repentina do segurança que fôra até o carro. O rapaz trazia consigo uma pasta preta grande, no formato A2 e a colocou sobre a cama. Amanda a abriu e retirou dela algumas plantas avulsas. Fernando e Albano observaram os papéis com interesse e leram em diversos que se tratavam de material da EletroNuclear, a agência nuclear do Brasil. Eram todas as plantas da Usina Nuclear de Angra I. Sem entender do que se tratava, Albano e Fernando analisaram o material sem compreender a magnitude de tudo aquilo, até que Amanda recomeçou a falar:
- Bem, seus cérebros atrofiados não devem estar compreendendo... Essa é a missão de vocês.
- Missão? - Perguntou Albano, sem levar Amanda a sério.
- Sim, no dia 31 de dezembro desse ano, quando derem onze horas e cinqüenta e nove minutos, vocês deverão explodir todo o complexo nuclear de Angra I.
- Entendo. - Respondeu Albano, sem demonstrar muita preocupação.
- Dentro em breve as pessoas da organização entrarão em contato com os detalhes da missão, até lá serão felizes habitantes de Angra dos Reis.
- Essa era sua participação na missão? - Perguntou Albano.
- Sim, porque a pergunta? - Respondeu Amanda. - Eu deveria trazer e obter os planos e mapas de Angra I para vocês, depois estaria livre pra curtir a vida.
- Ótimo.

Angra I, um belo lugar, não?

Antes que Albano pudesse fazer o que queria, Fernando sacou sua arma FiveSeven e disparou duas vezes acertando o peito de Amanda, que voou pela cama em direção a parede do quarto. Os seguranças tentaram ensaiar algum movimento, mas foram mortos por Tirolez que foi mais rápido e deu um tiro certeiro no joelho de cada um. Os dois assassinos rapidamente trocaram olhares e Fernando caminhou até Amanda, que estava caída no chão chorando cheia de dor.
- Dói, não? - Perguntou Fernando, enquanto recarregava a arma e se aproximava mais.
- Preto desgraçado... Preto desgraçado... - Falava Amanda, com as mãos no peito.
- Sabe, até te conhecer eu pensava duas vezes antes de matar alguém... - Continuou Fernando, até se aproximar de Amanda e poder sussurrar em seu ouvido. - O legal é que vou te destruir em definitivo, vês a sombra? Diz a ela que a "preta biba" te aguarda...

Os olhos de Amanda viram algo que não tinha percebido antes e ela tentou gritar por ajuda, mas era tarde demais. Fernando descarregou a arma na cabeça de Amanda, que no final dos disparos era apenas um enorme cadáver decapitado coberto de sangue e restos de crânio. Tirolez se aproximou de Fernando e colocou-lhe a mão direita sobre o ombro de Fernando. "Matar é viciante...", disse Tirolez enquanto dava um último disparo sobre Amanda, cujo corpo ainda apresentava espasmos involuntários. Os seguranças foram poupados, não por piedade, mas porque eram membros da Organização, e conseguiram avisar Albano a tempo. Se tivessem demorado, com certeza teriam sido todos mortos. Minutos depois do assassinato, enquanto o corpo de Amanda estava sendo levado para o esquecimento, o telefone de Albano tocou, era Regina novamente:
- Você não consegue deixar de matar, não? - Perguntou Regina, com a voz carregada de ironia.
- Dessa vez não deu tempo... O calouro foi mais rápido que eu, quando vi já tinha dado dois tiros na vagabunda. - Respondeu Albano, fazendo questão que Fernando escutasse. - Qual a missão exatamente?
- Bem, vocês dois vão passar o restante do ano aí observando os hábitos de Angra dos Reis para na ultima noite do ano instalar um dispositivo que vai destruir a usina nuclear de Angra I.
- Posso saber o motivo?
- Não, apenas cumpra as ordens... Mas não se preocupe, o dispositivo tem um timer e ele vai explodir três horas depois que tiver partido, logo, terão tempo pra fugirem.
- Não me importo em fugir, apenas em cumprir a missão... A qualquer custo.


Os meses se passaram. De Maio a Junho de 2006 era tempo o suficiente para que conseguissem mapear toda a cidade e criar rotas de fugas que lhes permitissem fugir caso algo desse errado e para evitar atrasos se desse tudo certo. Fernando e Albano receberam informações o suficiente para saber que a explosão nessa área afetaria as duas usinas e que fatalmente todos numa área de pelo menos quinze quilômetros morreriam sem saber o que os atingira. Os demais, em um raio de pelo menos 100km, morreriam em conseqüência da nuvem de radiação.

Durante esse período os contatos entre Fernando e a Sombra cessaram. Jonas tentava todas as noites viajar até o desfiladeiro vermelho, mas não encontrava nem a Sombra quanto nenhum dos demais. Até mesmo as tropas de Dragon estavam ausentes. Em contrapartida, Albano todos os dias ligava para Regina e prestava relatórios sobre seus avanços na cultura local. Em diversas noites Fernando jurou ter escutado gemidos femininos e ter reconhecido a voz de Regina no quarto de Albano, mas desejando evitar problemas Fernando nem comentou a respeito.
E o tempo passou...


Dia 31 de Dezembro de 2006

Ao amanhecer o telefone de Albano tocou. Era Regina avisando que "os fogos chegariam a Angra por volta das duas horas da tarde". O assassino avisou a Fernando do fato e precisamente às duas horas da tarde, um carro preto da organização chegou à pousada. De dentro dele saíram dois agentes carregando uma enorme mala de metal que deixaram aos cuidados de Fernando. O rapaz levou a mala, muito pesada, até o quarto de Albano e a abriram. Dentro dela tinham duas caixas cinzentas com um display negro apagado e um Pocket PC desligado. Sem entender o funcionamento do equipamento, Albano telefonou para Regina novamente, querendo entender o que faria.
- Estamos com os fogos... Mas como funcionam? - Perguntou Albano, direto e sem rodeios.
- Existe em cada dispositivo um botão azul. Esse botão ativa o contador de tempo dos explosivos e os deixarão em modo de espera aguardando uma confirmação à distância. Para essa confirmação, junto com os explosivos virá um PDA com dispositivo com comunicadores sem fim em diversas bandas, desde a Infra Vermelha a Wireless. O PDA é que vai fazer a sincronização entre os dois, ou seja, vocês ativam os dois explosivos, e o timer vai se iniciar, em seguida deve ativar a sincronização pelo PDA que vai fazer com que o contador de ambos se iguale tomando como base o dispositivo ativado primeiro. - Explicou Regina.
- E o que acontece se não ativarmos o PDA?
- O dispositivo ativado primeiro, explode primeiro... Simples assim. O contador funciona de modo independente, vocês apenas sincronizam a explosão com o PDA.
- Entendi, e qual o raio de explosão dessas coisas?
- De três quilômetros separadas, e de pelo menos 8km juntas... Sim, elas afetarão Angra II, se é essa sua dúvida... - concluiu Regina, desligando o telefone.
- Ordens são ordens. - Afirmou Albano, guardando o celular diante do olhar preocupado de Fernando. - E como soldados, as obedeceremos a qualquer custo. Qualquer custo.
- O que ela disse? - Perguntou Fernando?
- Desejou sorte, apenas. - Responde Albano, com sua franqueza tradicional.

Fernando aceitou a falta de informações de Albano e continuou estudando os explosivos. A única coisa que Albano explicou a Fernando foi que o botão azul servia para iniciar o timer das bombas, do resto nada disse. "Não vale a pena dizer a ele, isso não é algo que lhe cabe...", pensou Albano ao terminar de mostrar o que fazer. Com esses últimos detalhes, apenas faltava agora executar o plano. Curtiriam um almoço como se fosse a última refeição e depois dariam conta dos últimos detalhes antes de iniciarem efetivamente essa missão.



Os planos de invasão da Usina de Angra I eram bons o suficiente e dentro do esperado pelo que a Organização sempre fornecia. A única exigência era que os explosivos deveriam ser colocados nos pontos desejados até as onze e quarenta da noite, no máximo. Qualquer atraso significaria fracasso total e os dois agentes pagariam pela falha. Albano e Fernando passaram o restante do dia verificando o equipamento. Para sorte de ambos era um dia frio e movimentado. Era bom estar frio porque tornaria mais suportável utilizarem os sobretudos da Organização, e a movimentação era boa porque ninguém repararia em dois indivíduos de sobretudo passeando pela cidade em plena festa de ano novo.
Para evitar problemas com engarrafamentos, ambos optaram por utilizarem motos, que rapidamente foram cedidas por uma das concessionárias locais após duas ligações para a Organização. Eram duas belíssimas motos da Harley-Davidson de 1948, idênticas, que haviam pertencido antes a Marinha do Brasil e foram vendidas como sucata a uma das concessionárias. Fernando sentia-se um deus sobre a moto, e até mesmo o sempre sisudo Albano parecia maravilhado pela oportunidade de pilotar tal raridade.
- Penso seriamente em ficar com ela depois da missão. - Comentou Fernando.
- Que bom. - Respondeu Albano, sem dar muita importância a empolgação do jovem rapaz.



Se olhos humanos pudessem ver seriam tomados por um completo horror. Além das nuvens, onde o céu é mais azul uma enorme massa negra sobrevoava a cidade de Angra dos Reis. Uma horda absurda de feras das sombras urrava ansiosa pelo primeiro badalar dando a elas total liberdade. A liberdade de se alimentarem de todas as pobres almas da face da Terra. Dentre elas uma se destacava. Sua forma era bestial, assemelhava-se com um imenso cachorro de olhos vermelhos e chifres enormes semelhantes ao de um bode. Sua boca tinha enormes presas de trinta centímetros de comprimento em média. Ele era inteligente como um predador observando sua caça e desejava muito saborear o espírito humano.
- Mestre... Mestre... Quando poderemos descer? - Perguntava um demônio de asas pequenas e corpo ainda menor, mas com olhos famintos.
- Em breve... Apenas devemos aguardar que as carniças cumpram sua missão, e então... Poderemos nos alimentar. - Respondeu o enorme ser, sem sequer dirigir o olhar à criatura inferior.

Não muito longe dali, em um pequeno hospital psiquiátrico do governo, a maioria dos pacientes berrava incessantemente. Dentre eles destacava-se um senhor de aproximadamente oitenta anos, chamado entre os seus de "Profeta". Ele debatia-se violentamente contra as janelas de seu quarto, tentando fugir de algo que os médicos julgavam ser a loucura causada pelos fogos de fim de ano. Se os médicos pudessem ver o que o "Profeta" via, com certeza se juntariam a ele como os demais "loucos" fizeram.
- Eles estão a espreita! O capeta quer nossas cabeças! - Berrava o "profeta". - Jesus! Tende dó de nós! Jesus!



Finalmente Albano e Fernando chegaram a porta das instalações da Usina Nuclear de Angra I. Devido aos problemas típicos de ano novo, os infernais engarrafamentos que ocorriam sempre e os muitos quebra-molas pelo caminho, mesmo indo de moto apenas chegaram no local por volta de oito horas da noite. Albano sacou de seu bolso dois relógios de pulso e os sincronizou, entregando-os a Fernando. Fernando pegou o relógio, o colocou no pulso e notou que não havia sincronização de horários, mas apenas um timer digital marcando o tempo que ainda tinham para ativar os explosivos.

Os dois tinham todo o mapeamento da área na cabeça. Diversas vezes se passaram por estudantes para conhecer pelo menos os corredores da administração do prédio principal. Nada poderia dar errado, estava tudo contabilizado. Fernando seria responsável por colocar os explosivos no sistema de refrigeração do Reator, que ficava em um prédio anexo ao principal, e Albano invadiria o prédio principal e tentaria chegar até o reator para instalar o último explosivo. Se por acaso desativassem o explosivo principal, o acidente nuclear ocorreria por falta de resfriamento e se o inverso ocorresse, não precisariam interromper nenhum resfriamento, pois a explosão resolveria tudo. Se ambos explodissem, a missão estava perfeita e nenhum ajuste seria necessário, mas prudência nunca era demais. Albano até lamentava não ter mais explosivos.

Como o serviço de Fernando era dos mais simples, estava tudo calculado que quando faltassem duas horas para a ativação total do sistema, ou seja, apertar o último botão, Fernando estaria encontrando Albano no prédio da administração, exatamente na porta de acesso para a área de acesso restrito. Até aquele momento provavelmente Albano já teria feito a maior parte do serviço sujo e matado a maior parte das pessoas do prédio.
- É agora? - Perguntou Fernando, observando pela última vez as motos e toda a cidade de Angra dos Reis. - Se conseguirmos esse lugar nunca mais será o mesmo.
- Então devia ter tirado uma foto... Essa é a última vez que vemos a civilização. - Respondeu Albano, enquanto subia em uma árvore para cortar os fios de telefone da Usina.
- Por quê? - Perguntou Fernando, sentindo-se intrigado.
- Se destruirmos isso aqui, destruímos a civilização, pelo menos a Brasileira... E sendo a Organização do jeito que nós sabemos, acredito que não seja um objetivo apenas e meramente "terrorista"...
- Como assim?
- Pense, você é capaz de chegar a uma conclusão...

Fernando pensou, calado, alguns minutos. Minutos que Albano utilizou cortando todos os fios de telefonia que podia ver. Não interessava se cortasse o fio certo ou errado, mas sim que cortasse todos. Era fim de ano, e mesmo que a operadora local de telefonia fosse chamada para consertar algo, só atenderia no ano seguinte. Com os cabos cortados e a certeza eu tecnologia celular não funcionava naquela área por causa de espionagem industrial (Albano havia testado todas as operadoras de telefonia móvel antes, pra confirmar), o isolamento de Angra I era completo. Agora apenas faltava-lhe iniciar a invasão.

Albano procurou nos muros cercados de arame farpado uma parte que estivesse mais danificada pela maresia e nem demorou muito a encontrar. Nessas horas era ótimo poder contar com a incapacidade do Governo Brasileiro na gestão de segurança. Havia literalmente um buraco no muro, provavelmente feito para invadirem os bosques dentro dos limites das instalações. Era o tipo de sorte que lhes fariam ganhar pelo menos alguns minutos preciosos para cumprir a missão. Quando Albano começou a invadir o terreno, Fernando finalmente voltou a falar:
- Se for o que estou pensando... Será terrível!

Albano apenas consentiu com a cabeça e sorriu.

Continua...


Pronto.

Agora falta pouco pro fim... Pra quem acompanhou até agora, preparem-se pra se despedirem de Albano e de Fernando, ao menos até que eu tenha idéia do que fazer com eles. Provavelmente um deles vai ter aventura própria... Mas ainda estou bolando algo.

Próximo capítulo, o final da missão. Conseguirão os dois cumprir sua missão? E a missão de Jonas? Aparecerá? Surpreendentes respostas no último capítulo da Missão.
Leia o Restante.