Contos de Legião Drax - Caçada - Parte II

Olá povo!

Esse é o segundo capítulo do conto "Reunião". No capítulo anterior, Gohkuú, Kaira, Tairon e Argos, foram em busca de um ex-companheiro de combate, o Senhor da Guerra, conhecido como T-Paia. Após conseguirem convencê-lo de unir-se a eles, a busca por seus alvos começa.

Boa Leitura!
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CAÇADA



O reencontro trouxe novo ânimo a todos, principalmente para T-Paia que passou anos enclausurado, longe de tudo e de todos, sentia-se estranho vestindo sua velha armadura outra vez, além do fato de que agora ela estava um pouco mais apertada devido a sua nova condição física. Enquanto voavam em direção ao seu destino ambos foram explicando como foram pegos e as torturas que sofreram, o que só serviu para deixar a todos ainda mais furiosos do que já estavam, principalmente Kaira que não fazia idéia do horror que seus companheiros sofreram.

Decidiram que, antes de procurar por Tempestri, acertariam as contas com os antigos traidores que geraram o grande problema e que agora respondiam pela alcunha de Jazão e Apolo. Eles eram antigos membros da ordem dos Seguidores do Dragão, que um dia fizeram um pacto Balzac, ficando assim vinculados a ele, devido aos seus sucessivos crimes, além da dívida por ele os ter divinizado, tornando-os mais poderosos.

O primeiro a quem procurariam seria Jazão, pois este estava sempre no mesmo local e dificilmente recusa um desafio, enquanto Apolo apesar de ser o mais falastrão, era o mais esquivo, além do fato de nunca estar no mesmo lugar. Jazão estava situado em Awrrack, o mundo desértico antes dominado pelo deus homônimo, mas que fora brutal e covardemente assassinado tempos atrás. Os restos do corpo de Awrrack jaziam crucificados e ainda presos pelas flechas outrora disparadas por Morrigan. Morrigan era esposa de Samur e pertencia a segunda geração de Seguidores do Dragão. Foi dominada por Balzac, o mesmo que dera a Jazão e Apolo seus atuais status, e forçada a matar Awrrack. Ela matou Awrrack com uma saraivada violenta de flechas depois que esse foi crucificado e imobilizado por Balzac. Foi um ataque covarde e sem piedade, do qual até hoje Morrigan chora quando se lembra do que fez.

Passaram rápido pelo corpo de Awrrack, não sem antes reverenciar e prestar respeito ao verdadeiro senhor daquele lugar. Seguiram em direção ao suntuoso palácio que se erguia a sua frente, com altas muralhas e torres de vigilância, enquanto o palácio esférico original de Awrrack jazia enterrado na areia do grande deserto, ainda preso as suas correntes de grossos elos. Se quer param para discutir um plano, que seria o de sempre: "entrar de sola, encher o cara de porrada e sair", segundo as palavras de T- Paia.

Não houve efeito surpresa, não houve sutileza alguma, sequer houve duvida no que seria feito. Uma barreira energética protegia o palácio de Jazão, mas tal proteção era insuficiente contra os poderes de Gohkuú. A grande explosão (proposital) alertou os guardas que inutilmente tentaram impedir a passagem dos invasores, mas nem ao menos ofereceram algum perigo. Antes que pudessem bradar suas armas já estavam todos completamente congelados pelo frio intenso de Tairon. Outros mais vieram do interior do castelo, estes também não foram ameaça, e serviram de alimento para os gigantescos vermes da areia após serem atirados no deserto por uma violente rajada de vento produzida por Argos.

Já no interior no palácio, os poucos soldados que sobraram mal se atreviam a aparecer, não queriam ser os próximos a provar da fúria de algum dos cinco deuses que caminhavam calmamente pelos corredores. Chegaram a um local que muito se assemelhava a uma arena, no centro estava seu alvo, Jazão. Sua pose era pomposa, de pé, os pés separados na mesma linha dos ombros, braços cruzados, cabeça levemente erguida e peito estufado, o olhar fixo nos pretensos invasores.

- O que significa isso Jamal? - Perguntou Jazão, dirigindo-se a Gohkuú que vinha a frente dos outros.

O deus de aparência animalesca irritou-se profundamente a menção de sua alcunha quando estava sobre o domínio de Gigantus, embora seu semblante não denunciasse isso. Fazendo-se de incrédulo, olhou para os lados como que a procura de alguém e voltou-se para Jazão. A pergunta foi repetida e Gohkuú novamente repetiu o seu, desta vez lançando-lhe um olhar e um sorriso irônico.

- Está ficando surdo? - Irritou-se Jazão - Estou falando com você! E por falar nisso, o que fazem aqui, Éter e Mercúrio? - Perguntou referindo-se a Tairon e Argos respectivamente.
- Como ousa nos insultar com esses nomes? - Disse Argos enfurecido, mas mantendo um tom neutro de voz.
- Então vocês estão libertos... - Concluiu Jazão que aparentemente só agora compreendia os fatos.
- Vou perguntar uma só vez, onde estão Apolo e Tempestri? - Perguntou Tairon.
- Isso é alguma piada de mau gosto?
- Você parece que não entendeu. - Adiantou-se Argos - Ou você fala onde eles estão...
- Ou então vocês me matam, é isso? - Ironizou Jazão.
- Deixa que eu faço ele falar - Disse Kaira que estava querendo e muito expurgar um pouco do ódio que sentia.
- Não. - Falou T-Paia enquanto bloqueava sua passagem - De todos eu sou o que mais ficou parado, preciso tirar um pouco da ferrugem!

A diferença entre os dois era grotesca, T-Paia media quase o dobro que Jazão em matéria de constituição física, além de mais alto. Ficou frente a frente com seu oponente e olhou-o brevemente nos olhos, vendo seu olhar irônico e convencido, como de quem já tivesse ganho a batalha. Não esperou abertura nem qualquer brecha, T-Paia de súbito, desferiu um soco com tanta violência e rapidez, que Jazão não teve chance alguma de desvio, sendo arremessado para o outro extremo do grande salão.

Os outros se afastaram o suficiente para dar espaço a batalha e poderem observar melhor, nenhum se atrevendo a interferir, mas com muita vontade de descontar em alguém, toda sua frustração e ódio. Jazão se levantou com alguma dificuldade, sentia o golpe profundamente, mas mesmo assim pôs-se em pose altiva, fingido não ter sofrido absolutamente, T-Paia já conhecia esse típico comportamento dele, pois já foram companheiros quando ambos faziam parte dos Seguidores do Dragão. Não houve muito tempo para Jazão proferir seu típico discurso de que estava bem e que o ataque inimigo em nada o afetara, T-Paia disparou em sua direção desferindo uma série de golpes que acertaram em cheio o corpo de Jazão, fazendo-o afundar na parede. Antes mesmo que a saraivada de golpes terminasse, Jazão libertou-se dos ataques se jogando para o lado, saltando em seguida com um chute atingindo o flanco esquerdo de T-Paia, que mal se moveu.

Por um instante os dois se encararam na tentativa de captar algo sobre o oponente, mas a única coisa que puderam ver é que ambos possuíam o mesmo pensamento, combater. Aproveitando-se da breve trégua, Jazão sacou sua espada e investiu contra T-Paia, que nada pode fazer devido à grande agilidade que Jazão possuía. O golpe atingiu o abdome de T-Paia fazendo apenas um pequeno arranhão em sua armadura. Após atingir T-Paia mesmo sem perceber que o mesmo não havia se ferido, Jazão seguiu afastando-se de seu inimigo. O deus da Guerra não esperou que ele parasse ou mesmo fizesse outro ataque, ele mesmo se adiantou aproveitando que Jazão estava de costas para ele. Naquele momento e sob aquelas circunstâncias, ele pouco se importava se aquilo era ou não covardia, conhecia muito bem o histórico de batalhas do eterno traidor e seus métodos de combate, por conta disso, o que T-Paia fazia agora não tinha muita relevância.

Sua espada deslizou rapidamente da bainha produzindo um pequeno zunido, o golpe descreveu um arco perfeito no ar, para depois atingir o braço direito de Jazão com tanta força, que o fez rolar no chão por alguns metros com o braço bastante ferido. Jazão trajava apenas sua roupa ninja de cor escura, completamente colada ao corpo, além de algumas proteções esparsas nos ombros, joelhos e peitoral, por isso deveria ficar mais atento ao ataques de T-Paia se não quisesse ganhar mais feridas. Ainda no chão devido à força do ataque, Jazão evocou várias serpentes energéticas que imediatamente investiram contra T-Paia, que não pode evitar ser apanhado por duas nas pernas quando tentou desviar.

- O que ele está fazendo? - Questionou Kaira.

Ela e os outros estavam flutuando no extremo oposto do salão, para poderem observar melhor todo o desenrolar do embate. Nenhum ousava piscar ou interferir, por mais que quisessem, mas sabiam que T-Paia precisava voltar, pelo menos um pouco, a antiga forma. Ela estava visivelmente irritada com o fato de ficar parada apenas observando, sabia que seria inútil tentar algo, os três restantes a impediriam de interferir.

- Ele está estudando o Jazão. - Falou Tairon secamente.
- Isso eu percebi, mas por que ele não usa um ataque de verdade e acaba de uma vez com isso? - Questionou ela mais uma vez.
- De que adiantaria isso, Kaira? - Perguntou Gohkuú - T-Paia está há muito tempo parado, mesmo que ele conseguisse vencer com um único golpe, o que acontecerá com ele quando tivermos que nos defrontar com Tempestri?
- Mas pelo menos eu e você somos rápidos o suficiente para podermos ajudá-lo, até o Argos é bem veloz.
- A questão não é apenas essa, além do mais, e se algo acontecer conosco antes, justamente por sermos os mais rápidos? Tempestri não vai ser tolo de nos deixar por último.
- Além do mais, olhe novamente Kaira, não vê que Jazão está apenas ludibriando o T-Paia? - Alertou Argos.

A deusa da luz observou com mais atenção o ambiente, tudo pareceu ficar instantaneamente mais nítido e claro para ela, via cada movimento de cada um dos que combatiam com exatidão e detalhes inimagináveis para qualquer um, cada músculo que moviam era notado por seu olhar divino, cada partícula de poeira que moviam, inclusive o ar eram perfeitamente visíveis para ela. Mas não foi isso que chamou sua atenção, mas sim o Fato de haver uma figura oculta nas sombras que aparentemente estava manipulando Jazão à distância, como quem controla um títere. Fez menção de alertar T-Paia, mas Tairon a impediu e lhe indicou que mais uma vez olhasse para seu companheiro. Foi só então que notou que T-Paia não estava tão atento a batalha quanto aparentava, pode vê-lo olhar nitidamente para a figura oculta nas sombras várias vezes.

Não estranhou mais quando viu que T-Paia propositalmente se deixava atingir por um golpe outro, em sua maioria golpes de maior intensidade. A armadura que o deus guerreiro usava era de um tom de cinza claro, com apenas alguns detalhes em preto e cobria quase todo o seu corpo, por isso os ataques pouco lhe afetavam, mas não era só isso que deixou-a animada, muito menos aos outros, todos conheciam a estranha propriedade que a armadura de T-Paia possuía. Quase ao mesmo tempo todos esboçaram um sorriso malicioso quando viram que a armadura aos poucos escurecia mais e mais.


3 comentários:

  1. Po PK, vai nos deixar na expectativa de mais uma combat bem animado???


    Abraços

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  2. sim, ele vai.

    Ele é mau, como um picapau.

    Mas vale a pena... =D

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  3. sucesso! Gostei!

    Posso linkar o seu blog com o meu?

    T+

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