Favelização: Solução e Utopia. - Parte 1


No início do ano fui defrontado com um comentário a respeito de minha postura um tanto quanto enérgica sobre criminalidade e o assunto favelas (o primeiro post do ano). Ano passado cheguei a dar uma pequena pincelada no tema, mas sem me aprofundar, mesmo quando tive a oportunidade quando começaram as notícias em torno do PAC das Favelas.

Obviamente é uma visão completamente utópica, pois dependeria de uma série de fatores nos quais todos se iniciariam com o fim do analfabetismo político e a conseqüente maior preocupação dos governantes com a população, ou seja, nunca.

Vou começar o texto com uma opinião controversa, porque é meio inaceitável aos olhos de alguns:

Não existe o dito "favelado" que não seja de certo modo criminoso.

Antes das pedras, deixo uma coisa muito clara, uma coisa é lei outra coisa é a sociedade. Nem sempre a sociedade caminha de acordo com a lei e, vice-versa, nem sempre a lei de acordo com a sociedade. Lei é papel, não tem sentimentos, não abre exceções exceto quando seus agentes fingem não existir ou quando essa é revogada. Você pode não considerar, mas a lei considera. Basta apenas ler.

Por exemplo, se uma pessoa invade um terreno, constrói casa, nele se instala e não paga nenhum imposto, aos olhos da lei não é um pobre coitado. É um ladrão de terrenos. Se a pessoa não paga conta de luz, não paga conta d'água, não paga sua televisão por assinatura, não é um coitado, é furto de luz, água e sinal. A Lei brasileira não abre margem para as pessoas dizerem "não sabia", se está lá não pode, independente do fato de ter lido ou não.

Agora existem dois problemas nessa equação, inicialmente, e os dois envolvem o tema:
1- Existe o favelado que quer pagar imposto e ter tudo direitinho.
2- Existe o que gosta e conta vantagem, que ri da cara de quem lamenta não ter TV a cabo mas tem no barraco porque o dono da boca mandou o cara da Net colocar ou metia chumbo nos "prayboy" da rua... Isso só no caso da TV.

Agora, se existe o praxe sobre a maioria ser honesta, porque as comunidades não fazem acordos com as empresas e passam a pagar pelo que consomem, ainda que uma tarifa diferenciada? Afinal de contas, quem paga conta em dia, quem sofre é quem paga conta. E tem na sua tarifa a conta do gato de luz, do gato d'água e do gatonet, não o cara do morro que só banca "a firma"?

A pessoa que quer ficar honesta não fica porque tem medo.

Não existe em comunidades qualquer presença de autoridade, exceto quando a polícia vai prender alguém ou acabar com guerras de quadrilhas rivais.

O honesto, está entre a cruz e a espada.

A polícia não ajuda porque aos olhos da lei todos são criminosos, em outros graus, e autoridades competentes, que deveriam ajudar de alguma forma só aparecem de dois em dois anos com assessores, promessas, cestas básicas, líderes comunitários contratados e pedido de votos. Depois nunca mais voltam, aliás, voltam, nas eleições seguintes com as mesmas promessas vazias e suas cestas básicas.

E ai do morador da favela que ouse quebrar a firma ou burlar esse sistema... A quem trai a firma só existe um destino...

O destino de quem trai o movimento.
(foto do filme Tropa de Elite)

Por isso acredito que extirpar as favelas seja a solução. E quando digo favelas, não falo de "favelados", falo do local físico.

É díficil, porque não dizer, impossível querer que algo funcione em algo que nunca foi consertado. Não dá, coisa que nasce torto, vai morrer torta. O que começa errado termina pior. Pode até tentar isso em casa. Tente equilibrar seus copos de vidro em cima de um copo de descartável. Não dá. Tem que começar de novo.

E esse é o tema do próximo artigo onde meto o bedelho num assunto bem delicado e cuja solução não vai surgir nunca, mas que prefiro dizer a ficar calado.

Até o próximo post... Ou não.

18 comentários:

  1. Gostei do texto, mas discordo em pelo menos um ponto: conserto há. Basta que haja vontade política e social de fazê-lo.
    A quem interessa? Essa pergunta do ilustríssimo Vladimir Lênin vale em toda a sua amplitude. A quem interessa que as coisas continuem assim?
    A discussão ganha profundidade quando se chega à conclusão de que o Estado necessita da criminalidade como forma de justificar sua (em muitos casos) inoperância. claro que é uma afirmação polêmica, mas que se deve discutir.

    Quanto à lei, isso é claro: a ignorância em relação a ela não retira a responsabilidade do indivíduo.

    Sempre é bom passar aqui pelas madrugadas.
    Continue esse bom trabalho, cara.

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  2. "Conserto" é o tema do próximo post.

    Falo justamente dessas coisas que cita, e até dei uma pincelada quando disse sobre ser utópico. =p

    Abraços, e espero que o seu também continue. =D

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  3. Olhando dessa forma, é realmente injusto usar e não pagar(no caso de quem mora em favela), enquanto pagamos IPTU e não temos retorno. Nossa rua continua sem asfalto e esgoto correndo a céu aberto!

    Empresas não vão subir lá p/cobrar, pq nem o governo sobe p/dar educação, saude e segurança.


    e a terra de "ninguem".

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  4. Aguardo o próximo post...

    Mas cuidado aí com o que você escreve...

    Se os caras do alto do morro virem isso... rsrs

    abraço.

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  5. Cara muito bom o texto...
    so discordo tb com a questão do conserto pq existe sim...
    so que o governo nao ajuda em nada.
    Muito bom ...
    espero o proximo post...
    abraços


    http://bombadigital.blogspot.com/

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  6. A favela é uma cidade paralela; é paragovernamental, pois está na circunscrição do governo mas não é governada por ele. A solução para as favelas só virá com o aumento do pib e as reformas jurídicas.

    Até mais!
    http://novelodigital.blogspot.com

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  7. é. tens toda a razão. A solução é mudar todo um sistema, acabar com as favelas mesmo. Mas isso é quase utópico.

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  8. muito bom o texto Dragus...
    como muitos já colocarma o ponto também discordo no fato do conserto..
    pois realmente o governo não ajuda em nada..
    Grande abraço e continuarei dando uma lida no seu blog.
    Abraços,
    http://polvoloko.blogspot.com/

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  9. As favelas são consideradas pelos governos como a "parte estragada de um bolo", bolo que simboliza a cidade.

    E quando alguma coisa estraga, é simples, se joga fora, é essa a atitude que os governos tomam, "jogam fora" as favelas, deixando-as sem estrutra alguma, como postos de saúde , escolas e delegacias...

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  10. bom nao posso falar mto de favelas pq aqui na minha cidade nao tem, tem sim um bairro mais pobre onde moram sim marginais e traficantes, mas as casas nao sao barracos empilhados, e todos pagam a conta de luz, água e telefone, por ser uma cidade mais recente com uns 100 anos apenas, ainda nao chegamos neste estagio de "desenvolvimento", concordo q tem q começar da base para formar uma coisa concreta e legal pq eh isso que as pessoas da favela querem, exceto os bandidos.
    e quanto ao seu comentario no meu post, sentir falta de alguem é saudade, mas nao so o amor como vc mesmo disse é complicado, todos os sentimentos são, pq cada um os sente de um jeito diferente...
    bjao parabens pelo blog

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  11. Gostei muito qdo vc disse a respeito da lei, que aos olhos dela todos os "favelados" são criminosos...Mtas vezes por não saberem, ou por não buscar saber!

    Abraço
    http://umpacheco.blogspot.com

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  12. Como reza o título: utopia. rsrsrs
    Pelo menos frente ao nosso atual governo bichado.
    As favelas são complexas demais.

    Abraço.

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  13. Oláááá ^^

    muito massa o seu texto,concordo plenamente o que você diz,pois tenho a mesma visão sobre as favelas

    beijos

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  14. Pois é, essa é uma verdade. Uma grande porção dos favelados gosta da criminalidade, mesmo que não participe. Pois pagam o que quiserem sem serem perturbados por autoridades e empresas concessionárias. Ou acham que a empresa de luz vai cortar a energia do favelado que não paga a conta? Por essas e outras, há a "lei do silêncio" nas favelas. Pois denunciar é fácil. Basta ir a um lgar distante, ligar de um orelhão sem se identificar e "dar o serviço" sem que ninguém saiba.

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  15. Tenho escrevido nesta página:

    www.hugomeira.blogspot.com/

    Visitantes e comentários são bem vindos...

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  16. Uma reforma em todo o sistema começando com a constituição ( que foi muito, mas muito mal feita) e culminando na reforma do código civil e criminal daria um facho de esperança de recuperação do sistema. Deveriam aproveitar a teoria da Justiça de Rawls.

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  17. Bem ricardo você sabe bem quel é a minha posição sobre isso, para mim não há um outra solução que não seja


    NAPALM

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  18. De fato muitos "favelados" se deslumbram com o (falso) poder que o crime proporciona. Ser criminoso nas favelas é ter um status alto na comunidade. Seduzidos desse jeito eles acabam incorporando a malandregam, tratando-a como uma coisa normal, banal.

    Só discordo com você em uma coisinha: quando você diz "Agora, se existe o praxe sobre a maioria ser honesta, porque as comunidades não fazem acordos com as empresas e passam a pagar pelo que consomem, ainda que uma tarifa diferenciada?" você esquece que muitos moradores de favelas estão muitíssimo mais preocupados com o que vão comer no outro diz do que com a conta de luz.

    Não dá para eleger o que é mais importante (civilidade ou sobrevivência), mas não podemos ignorar essa dicotomia.

    Excelente texto!

    ___________________________________
    TemPraQuemQuer <<< Entra!

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