FORJANDO UM GUERREIRO - SPATIUM PARTE 2

Olá povo!

Como havia prometido, essa é a segunda estória de "Spatium" (intervalo em latim), do conto "Forjando Um Guerreiro". Essa segunda estória mostra um personagem já apresentado na estória, porém com um enfoque rápido sobre sua vida e alguns fatos paralelos a estória principal. Quem não conhece a estória, não precisa se preocupar, pois esse capítulo é uma estória independente, mesmo fazendo parte do contesto geral, pode ser lido sozinho sem nenhum problema de entendimento.

Boa leitura, aos que tiverem coragem e vontade de ler!
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O NECROMANTE

A arte da magia é algo extremamente belo e complicado ao mesmo tempo, não é uma arte que se aprenda com uma dúzia de lições teóricas, para aprendê-la realmente é preciso antes compreendê-la. É preciso muitos e muitos anos de estudo e prática, além de é claro afinidade para tal, pois do que adianta insistir em algo para o qual não se tem vocação?

Nascido em família nobre e de uma linhagem de exímios feiticeiros, Teryon era a personificação da palavra prodígio, seu talento e aptidão para a magia eram maiores até do que a de seus pais. Seu irmão mais velho, Gigantus, não possuía o mesmo talento, nem se interessava tanto pelas artes praticadas pela família, embora isso não afetasse seu relacionamento com seus pais. Eram altamente conhecidos não apenas por seu título de nobreza, mas também por conta dos serviços que prestavam ao reino, além do fato de Tharion ser um dos instrutores de uma das mais renomadas escolas de necromancia. Ilia era uma bruxa da natureza extremamente forte, conhecedora de várias magias e feitiços capazes de subjugar muitos magos de uma só vez.

Desde cedo Teryon e Gigantus eram doutrinados nas artes da magia e em outras artes, mas a forma como Teryon se destacava era impressionante. O relacionamento de ambos era muito bom, estavam sempre juntos e eram muito companheiros, mas as regras de sua sociedade eram rígidas no que dizia respeito a irmãos, um deveria se mostrar superior ao outro perante a família e a sociedade, não importando como. Foi pensando justamente nisso que um dia Teryon tomou a decisão que mudaria suas vidas para sempre, utilizando de magias de paralisia e sono, raptou seu irmão e levou até uma cidade próxima na carruagem da família, sobre olhares desconfiados do condutor. Sabia que na cidade funcionava um comércio regular de escravos, controlados por um homem chamado Gal, cujo qual foi procurar assim que chegou, mas ao invés dele encontrou o Oráculo, um amigo de seus pais de longa data.

- Ora, ora! Quem eu vejo aqui! Como vai pequeno Teryon? - Saudou o oráculo fazendo uma reverência profunda, mas aparentemente zombeteira.

- Até agora bem. - Respondeu secamente, embora sincero, pois tinha pressa antes que seu feitiço perdesse o efeito, ou seus pais dessem pela falta de ambos.

- Estranho... Não vejo seus pais...

- Eles não estão por aqui. - Interrompeu rispidamente.

- E o que fazes por aqui só? - Questionou duvidoso.

- Procuro Gal, o mercador de escravos. Sabe onde se encontra?

- Creio que ele não está mais por aqui, se não me engano, fazem duas horas e dezoito minutos que ele foi embora.

A frustração nos olhos do menino era evidente, assim como também era o espanto pela precisão de como o Oráculo informou o tempo que Gal havia partido da cidade. Depois de muita insistência Teryon acompanhou o Oráculo até a praça onde conversariam com mais liberdade, mesmo o garoto dizendo que não poderia ficar por muito tempo. O condutor tinha instruções para que ele não permitisse que Gigantus fugisse, além disso, Teryon havia lhe aplicado uma magia para garantir que ele cumpriria a ordem, mas sabia que o irmão, poderia escapar de alguma forma.

- Sei que não é da minha conta, mas o que trataria com Gal? - Perguntou o Oráculo repleto de curiosidade e malícia.

- Tenho uma mercadoria para negociar com ele.

- E quem seria? - Perguntou ainda mais curioso.

- Meu irmão.

Mesmo estando acostumado com diversas coisas, o fato de Teryon querer negociar o próprio irmão com o um mercador de escravos, e a forma como disse, espantaram o Oráculo que engoliu em seco perante a frieza do garoto. Mas isso não o abalou por muito tempo, nem sequer deixou tal sentimento transparecer, logo começou a demonstrar certo prazer na situação e tratou de se aproveitar dela.

- Então vejo que alguém está virando adulto bem cedo. - Concluiu com um sorriso malicioso.

- É a regra não é? - Questionou Teryon - Ou ele ou eu... Sendo assim ele terá de aprender a se virar.

- Encanta-me a tua astúcia pequeno mestre - Afirmou com sinceridade - Mas acho que não haverá negocio, a não ser...

- O que? - Interrompeu.

- Bom, gosto muito de você e de sua família, sendo assim, eu comprarei seu irmão.

- Fala sério? - Perguntou Teryon de forma defensiva e duvidoso.

- Sim, claro! E farei ainda melhor, pagarei o dobro do que Gal pagaria.

- Não sei por que faz isso, mas não me importa, vamos até minha carruagem, ele é todo seu.

- Ótimo! Pena não termos uma xícara de chá para comemorarmos - Lamentou o Oráculo.

Após pegar Gigantus o Oráculo pareceu imensamente satisfeito, mostrando em seu semblante um sorriso que beirava o sádico, agradeceu a Teryon mais uma vez e partiu. Agora que estava só, Teryon observava a bolsa repleta de moedas, para ele aquilo não tinha utilidade alguma, pensando nisso deu ao primeiro aldeão pobre que encontrou, sem ao menos ficar para ouvir os agradecimentos do mesmo.


O orgulho e a alegria no rosto dos pais foi evidente enquanto o garoto relatava o que havia feito, sem ao menos demonstrar remorso pelo ato, mas demonstrando certo incomodo pela reação exagerada dos pais. No mesmo dia foi feita sua iniciação na escola de necromancia onde o pai era um dos instrutores. A cerimônia foi totalmente preparada para ser perfeita, e foi. Acompanhada por todos os necromantes possíveis, que observavam cada gesto e palavra de Teryon com grande atenção e contentamento. Não errou uma palavra muito menos entonação dos rituais e cânticos, sempre seguidos pela voz grave do coro que o acompanhava. Para concluir a cerimônia Teryon teria de fazer o sacrifício em nome de algum deus e ofertar sua alma em seguida. O ritual do sacrifício foi feito com perfeição e esmero nunca antes vistos, mas o que mais surpreendeu os presentes foi o fato de Teryon ofertar o sacrifício e sua própria alma para Kaougo, umas das duas grandes forças criadoras, o que muitos consideraram depois um ato de grande valor.

Dia após dia, Teryon demonstrava um crescimento espiritual muito maior do que se podia imaginar, tanto que em apenas um mês já estava a ponto de se graduar como necromante mestre, um feito notável para alguém de tão pouca idade. Seu nível perante os outros alunos era tanto, que ele próprio já começava a criar seus próprios feitiços. Aproveitando-se do conhecimento de seus pais, unia feitiços por vezes opostos e conseguia cria algo inédito, assim também fazia com os feitiços mais simples e conhecidos, modificava-os a ponto de se tornarem completamente diferentes.

Não era apenas na área da magia que Teryon se sobressaltava, um de seus talentos mais notórios era a arte da manipulação. Desde pequeno gostava de brincar com jogos de palavras, adivinhações e charadas, além de qualquer coisa que envolvesse estratégia, isso lhe deu uma capacidade impressionante de raciocínio. Quase sempre estava cinco passos a frente de quem fosse, mas nunca admitia, fazia tudo parecer mero acaso. Quando algo estava ocorrendo de forma indesejada, rapidamente pensava em alguma maneira de ajeitar os fatos para que ocorressem de forma tal a lhe favorecer, Teryon nunca se envolvia em algo desvantajoso para ele. Sua capacidade de manipular as pessoas era tamanha, que conseguiu vencer um duelo contra um de seus mestres apenas convencendo-o de que o mesmo já havia sido derrotado antes do duelo acontecer, pois enquanto conversavam, ele já havia sido afetado por uma série de feitiços lançado contra ele de forma discreta e imperceptível, seu mestre após detectar a presença de energias residuais se deu por vencido, mas logo em seguida Teryon confessou que não havia feito absolutamente nada.

O nome de sua família foi elevado ao posto mais alto na tribo dos necromantes quando se envolveram em um conflito com alguns bandoleiros e, por conseguinte com toda a tribo. Aprisionaram um número razoável de bandoleiros e ainda em dúvida sobre o que fazer Teryon e seu pai decidiram utilizar um feitiço que haviam criado juntos, mas não haviam testado em humanos ainda. O feitiço constituía em deformar a pessoa atingida em níveis inimagináveis, criando não apenas deformações físicas aparentes, mas sérias alterações em seus órgãos internos e também fortíssimas alterações mentais, levando a pessoa a um estado quase próximo do primitivo, devido não só as alterações físicas, que causavam dores indescritíveis, mas também por que realmente afetava a mente e mais diretamente o espírito do afetado. O êxito dos primeiros experimentos foi recebido com grande fervor pela comunidade necromante, que logo tratou de aprender o feitiço e usá-lo como principal arma contra seus oponentes, mas a maioria não aprendeu o feitiço da forma correta, o que acabou por criar terríveis bestas completamente horrendas e disformes, ainda mais horrendas do que deveriam ser, mas completamente acéfalas. Esses novos seres criados por conta dessa magia que foi considerada a pior de todas as maldições, tornaram-se eternos escravos dos necromantes, embora alguns poucos tenham conseguido manter um pouco de sanidade e fugido, tornando-se párias independentes, mas completamente isoladas do mundo e conseqüentemente, tornando-se grandes receptáculos de ódio e rancor.


Apesar da fama e todas as vantagens que ela poderia trazer Teryon mostrava-se completamente insatisfeito, ainda mais por sempre viver a sombra principalmente do pai, mesmo todos sabendo que ele era muito mais habilidoso que o próprio genitor. Decidiu que seguiria um caminho diferente do dele, não queria ser reconhecido apenas como o filho de Tharion, muito menos, por ser um simples mestre necromante e transmitir o seu conhecimento para outros, seus planos eram muito mais ambiciosos, seus pais sabiam disso e tentaram ao máximo refreá-lo, mesmo ele já não sendo mais criança há muitas décadas.

No dia de uma grande celebração de sua ordem Teryon decidiu que poria um ponto final em muitos assuntos que o incomodava, fez questão de convencer que todos sem nenhuma exceção, comparecessem a celebração, o que para ele não foi difícil de conseguir devido ao seu "carisma". Participou ativamente de todos os preparativos e revisou pessoalmente cada arranjo, cada magia de proteção que ele mesmo pôs com muito cuidado. Durante a celebração ele interrompeu o pronunciamento do grão mestre a ordem, para o que o próprio anunciou ser um marco na história da necromancia e do mundo.

Além de seu grande talento e astúcia Teryon era reconhecido por outra qualidade, esta sendo talvez a mais intrigante de todas, ele nunca mentia, mesmo quando usava de sua lábia para convencer alguém de algo vantajoso para ele, usava de todas as armas possíveis, mas nunca apelava para a mentira. Tamanha sinceridade era assombrosa para todos, mas muitos não o levavam a sério, o que era um descuido fatal e assim o foi naquele dia, quando perante todos de sua ordem e mais alguns convidados Teryon revelou suas intenções.

- É muito bom tê-los todos aqui presente - Falou em seu tom calmo de sempre. - Hoje vocês verão algo que há de mudar o rumo de suas vidas.

- E o que seria, Teryon? - Perguntou o grão-mestre da ordem.

- Hoje irei demonstrar um novo feitiço que venho desenvolvendo há tempo.

- Que feitiço seria esse filho? - Perguntou seu pai tomado de curiosidade.

- Uma magia forte o suficiente para sugar todas as almas aqui presentes de uma só vez.

O tom calmo e seco da voz de Teryon deixou todos sem reação, embora parecesse um completo absurdo, sua postura altiva e seu olhar não deixavam dúvidas quanto a veracidade de suas palavras. Pouco a pouco a perplexidade foi dando lugar a revolta, os protestos começaram a surgir e logo tomaram conta de todos, mas antes quem o coro pudesse falar a mesma coisa, um dos presentes resolveu atacar Teryon, com as costas da mão lhe desferiu um tapa, que mais serviria de golpe moral do que físico, mas antes que o mesmo se aproximasse, os olhos de Teryon foram tomados por um estranho brilho e repentinamente seu pretenso atacante parou. Teryon apenas moveu seu braço esquerdo ate a testa de seu paralisado oponente, tocou-o levemente com a ponta dos todos e este em seguida começou a ter espasmos violentíssimos, enquanto a aura de Teryon parecia inflar-se. Foi chocante para todos ver um de seus companheiros definhar em espírito em também fisicamente, ainda mais na impressionante velocidade em que acontecia, pois não durou se quer um minuto. Só quando tombaram no chão as roupas vazias e o pó do que um dia foi o necromante, Teryon pareceu satisfeito, retomando sua atenção para o restando de público que mais do que nunca prestava atenção nele. Sua expressão ainda mantinha a mesma serenidade de antes, embora um parecesse um pouco mais impaciente.

- Esta foi uma ínfima demonstração de minha magia, espero que compreendam a importância do que estou por fazer e colaborem.

Seu tom de voz era o mesmo e imutável tom calmo e pacífico de sempre, mas estava repleta de uma indescritível emoção. Desta vez a perplexidade deu lugar a um pânico massivo e irracional, em meio a empurrões desesperados, a maioria tentava fugir, mas era um esforço completamente inútil, pois ninguém sabia exatamente o que fazer, nem para onde ir. Enquanto isso os que estavam próximos de Teryon tentaram detê-lo da forma que puderam, mas todos tiveram seus próprios feitiços devolvidos e atingindo-os em seguida. Calmamente Teryon caminhou em meio a confusão desviando-se e contra-atacando ocasionalmente pretensos oponentes, se dirigindo ao altar principal. Lá havia um artefato que ele chamavam de Esfera das Almas, tratava-se de uma esfera mágica que continha a força vital de todas as almas sacrificadas pela ordem desde sua criação. A esfera vermelha pulsava intensamente quando Teryon apanhou-a sem nenhum problema, pois estava envolto em uma barreira mágica feita para evitar que fosse interrompido.

Toda a ação seguinte levou instantes, mas que para Teryon pareciam momentos intermináveis. Ao pegar a esfera concentrou-se o máximo que conseguiu e começou a absorver a força das almas contidas nela. Eram muitas almas, a cada nova alma que absorvia Teryon podia sentir toda a agonia que passou enquanto aprisionada, aquilo ia crescendo nele cada vez mais, enchendo de ódio proveniente dos muitos anos de confinamento e tortura que as almas sofreram. Teryon se esforçou ao máximo para transformar aquilo tudo em energia para fazer o que pretendia, mesmo sabendo que o esforço poderia ser fatal para ele.

O grão-mestre da ordem tentou evitar que Teryon absorvesse as almas contidas na esfera, não apenas pelo fato de ele absorver uma quantidade de energia muito grande, mas também pelo fato de que se o processo desse errado, todos sairiam prejudicados. Todos os seus esforços foram inúteis, pois quando chegou perto Teryon estava envolto em uma forte barreira energética. Repentinamente tudo começou a tremer e no instante seguinte tudo parou, um silencio mórbido tomou conta de tudo e as pessoas ali presentes olharam na direção do altar e viram Teryon agachado com seus longos cabelos negros e perfeitamente lisos lhe encobrindo a face.

Tharion e Ilia observavam perplexos um pouco ao longe, nunca imaginaram que seu filho fosse capaz de tal loucura, ele nunca havia demonstrado grandes ambições, muito menos motivos para trair sua ordem de tal forma. Uma repentina onde de choque arremessou todos para trás no mesmo instante que Teryon levantou-se erguendo o punho esquerdo espalmado, seus olhos tinham uma expressão cruel, porém serena. Uma estranha aura pálida surgiu a volta de Teryon, ao mesmo tempo em que a mesma aura surgiu a volta de todos os presentes e também a volta das plantas. Uma a uma as pessoas foram tombando inertes, os olhos vazios, a pele murcha e seca, completamente sem vida.

As várias almas começaram a pairar no ar e ir em direção a Teryon, ao mesmo tempo em que a aura do mesmo ia aumentando e o número de amas absorvidas por ele apenas crescia. Os necromantes mais experientes resistiram o máximo que puderam, o que não foi muito devido ao alto nível de Teryon, ainda mais aliado a sua atual força espiritual que só aumentava a medida que absorvia mais e mais almas. Minutos após o último corpo tombar sem vida o cenário era de completa desolação, até mesmo as plantas e alguns pássaros que passavam foram vítimas da ação de Teryon, os únicos que sobraram ilesos foram seus pais, propositalmente poupados, que observavam a tudo atônitos. Teryon se voltou a eles transmitindo-lhes um olhar de puro prazer, arrumou suas vestes e caminho calmamente por entre o amontoado de cadáveres do local.

- O que acharam de minha mais nova criação? - Perguntou calmamente aos seus pais.

- Você enlouqueceu de vez? - Vociferou sua mãe.

- Você... - Tharion tentou pronunciar algo, mas sua perplexidade e o choque do ato de seu filho ainda eram muito grandes, para que pudesse se expressar de forma correta.

- O que eu fiz foi simples. Considerando que sempre iria ficar ligado a esta ordem, sempre estaria a sombra dela, incluindo nisso meus atos, ou seja, tudo que eu fosse fazer deveria ter a aprovação da ordem, o que fiz foi simplesmente me "tornar" a ordem, tornando-me assim totalmente independente dessa corja de controladores, que não admitem alguém de nível superior ao deles. - Explicou calmamente.

- E acha que isso vai passar desapercebido pelos outros necromantes? - Questionou seu pai.

- Claro que não, meu pai. Espero realmente que eles saibam o que fiz e porquê fiz!

- Sua mãe tem razão, você enlouqueceu de vez! - Bradou Tharion.

- Enlouqueci? - Questionou Teryon de forma irônica - Não vejo desta forma.

- Você acaba de desgraçar o nome de nossa família...

- Família? - Interrompeu tomado por uma repentina irá - A quê família se refere? A nossa?

- É claro!

- A família a qual você se refere meu pai, não existe mais, aliás, existiu, mas deixou de existir muitos anos atrás.

- Do que está falando? - Perguntou Ilia.

Repentinamente Teryon surgiu ao lado da mãe assustando a mesma não pelo fato de sua aparição ao seu lado, mas por ele ainda permanecer a sua frente ao mesmo tempo em que um duplo seu surgia ao seu lado.

- Estou falando do dia em que permitiram sem pestanejar que eu vende-se meu irmão. - Falou secamente o segundo Teryon.

- Mas você sabe que um dia, um de vocês deveria mostrar superioridade perante o outro, de alguma forma...

- São as normas da sociedade, é isso que iria dizer, pai? - Questionou um terceiro Teryon que surgira ao lado de Tharion.

A perplexidade de Tharion foi ainda maior que a de sua esposa, nunca imaginaria que seu filho fosse capaz de utilizar uma magia tão poderosa quanto essa. Examinou o melhor que pode os clones e viu que não se tratavam apenas de imagens, era realmente Teryon replicado duas vezes no ambiente, com a mesma força espiritual do original. Tharion resolver agir antes do filho, virou-se na direção do que aparecera ao seu lado e disparou em direção a ele um jorro de energia vermelho, que simplesmente transpassou o terceiro Teryon como se ele fosse apenas um fantasma. Antes mesmo de Tharion pudesse fazer qualquer outra coisa, Teryon já estava a sua frente segurando seus punhos, impedindo-o de fazer qualquer tipo de magia.


- Pare com isso Teryon! - Vociferou sua mãe.

- Parar? Eu mal comecei, minha mãe! - Disse com um sorriso sarcástico no rosto.

- Você nos enganou o tempo todo! - Disse Tharion olhando no fundos olhos do filho.

- Eu nunca enganei ninguém, sempre disse o que iria fazer, apenas não disse exatamente tudo.

- O que te fizemos para agir dessa forma conosco? - Questionou novamente sua mãe?

- Destruíram nossa família, ao afastar Gigantus de nós. - Concluiu secamente.

- Mas foi você que...

- Não pai. - Interrompeu - Vocês permitiram que isso acontecesse. No momento em que minha superioridade foi provada, o que vocês fizeram para reaver meu irmão?

- Mas...

- Não há explicações para isso minha mãe. - interrompeu novamente - Isso só prova o quanto ele e eu importamos para vocês, absolutamente nada.

- Como pode dizer uma coisa dessas Teryon? - Questionou seu pai em fúria.

- Simples, se fosse o oposto, se eu tivesse sido vendido, vocês teriam feito a mesma coisa.

Antes que qualquer um dos dois pudesse expressar qualquer explicação, os duplos de Teryon seguraram seus pais e começaram a sugar-lhes a força vital de forma lenta e dolorosa. Tharion lutou e se desvencilhou da cópia de seu filho, usando uma espécie de semi-explosão energética, em seguida ajudando sua esposa a se soltar com algum custo, mas estranhou os duplos de seu filho não oferecem tanta resistência. Após libertos ambos atacaram juntos o filho, no mesmo instante, uma das cópias segurou os cabelos de Ilia e atirou-a no chão enquanto o outro atravessava Tharion como um espectro, enquanto Teryon apontava sua mão em direção a ele e pronunciava as palavras "chagas da penitencia".

O feitiço teve eficácia imediata, várias pústulas e feridas simplesmente explodiram pelo corpo de Tharion fazendo-o tombar e urrar de dor enquanto seu sangue jorrava de praticamente todo o seu corpo. Ignorando o pai que se contorcia cada vez mais a cada ferida que surgia, Teryon foi até a mãe, acariciou-lhe a face e olhou em seus olhos com ternura fraternal, Ilia por um instante se comoveu com o olhar do filho, nunca imaginara ver o olhar que um dia virá quando ele ainda era um bebê, no adulto que agora estava a sua frente.

- Hora de por um fim ao sofrimento de meu pai. - Disse calmamente no ouvido de sua mãe - Macula!

As palavras ressoaram em sua mente como o eco de uma explosão, no mesmo instante seu espírito foi tomado por um desejo assassino que Ilia nunca sentira, ela se ergueu e viu o marido no chão, contorcendo-se e gritando de dor. Vendo o sangue que empoçava no chão bem em baixo do corpo de Tharion, Ilia que agora estava sobre o comando da maldição emitida por Teryon, segurou a cabeça de seu marido e começou a martelá-la contra o chão. Foram incontáveis golpes até que o corpo de Tharion estivesse completamente inerte, seu rosto completamente desfigurado e o crânio afundado.

A cena fez com que ela despertasse do transe imediatamente, o horror tomou conta de sua mente quando se deu conta que ela havia feito tal coisa. Teryon esboçou nítido prazer com o decorrer da cena principalmente com a reação de sua mãe ao ser liberta do feitiço, aguçando seus sentidos notou quando a alma do pai se desprendia do corpo, usando uma magia proibida até entre os necromantes, destruiu o espírito do pai por completo, o que lhe enfraqueceu muito, pois era necessária muita força para se destruir um espírito, ainda mais um tão bem treinado quanto o de seu pai.

Sua mãe permanecia ajoelhada perante o cadáver do marido, apesar de seu relacionamento com ele ter sido um relacionamento distante e por vezes frio, ela realmente tinha afeição por Tharion e ele por ela. A última coisa que viu foi um facho energético negro transpassar seu peito dilacerando seu coração, a dor era grande, mas mais intensa, foi a dor de sentir sua alma ser destroçada e extinta.

Sem nenhum remorso, ou qualquer sentimento de arrependimento Teryon se retirou do local. O cenário mórbido do que um dia foi a mais poderosa ordem necromantica dentre todas as da tribo dos necromantes, foi deixado para trás pelo seu mais habilidoso e cruel filho. Teryon se quer olhou para trás, apenas voltou seu rosto para o alto, onde em cima de um dos muros uma figura o observava.

- Espero que agora as coisas estejam acertadas entre nós, irmão.

3 comentários:

  1. texto muito grande depois eu leio

    valeu

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  2. Um belo texto, sem dúvida!


    Minha sugestão é que ele deveria ser publicado em três ou quatro vezes. Muito longo para leitura num blog (com base apenas no meu caso, que leio todo ele logo na primeira vez.)

    Experimente fazer isso nos próximos casos.


    Abraços, flores, estrelas..

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  3. Não li, mas para massagear seu ego:

    + 1 comentário. ahaha

    Abraços.

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