Contos de Legião Drax - Em Busca da Vingança - Parte IV

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Capítulos anteriores:

- Reunião - I
- Caçada - II
- O Senhor da Guerra - III
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Mesmo após tudo o que sofrera e mesmo após ser decapitado, Jazão permanecia de certa forma vivo, isso graças a sua condição divina, apenas. Argos garantiu uma sobre vida para sua cabeça, apenas para que tivesse condições suficientes para lhes falar o que queriam ouvir.

- E então, onde estão seus amigos Balzac e Apolo? - Perguntou T-Paia.
- Por que... Eu falaria? - Respondeu Jazão com dificuldade.
- Porque existem coisas muito piores do que simplesmente morrer! - Disse Gohkuú com grande ironia e um sorriso cínico no rosto.
- Façam o que... Bem entenderem... De nada vai adiantar...
- Se você não percebeu - começou Tairon - estamos lhe mantendo vivo de propósito, sei que deve estar doendo muito estar sem o restante do corpo. Agora imagine a dor de ter o corpo recolocado e uma forma nada amistosa!
- Suas torturas não vão me afetar!
- Acho que você ainda não entendeu - Disse Kaira - Não vamos matar você, mas vamos garantir que sinta muita dor, caso não fale.
- Vocês não farão isso... - Provocou - Sua honra estúpida não deixaria, além do mais isso não condiz com o que fazem.
- Isso é um desafio? - Questionou Gohkuú.
- É uma afirmação dos fatos.
- Você quem sabe.

Levaram calmamente a cabeça de Jazão, puxada pelos cabelos e balançando bastante para causar o máximo de dor. O corpo estava muito ferido, com várias feridas abertas, justamente o que queriam. Usando seus poderes de cura e regeneração, Argos repôs a cabeça no lugar, mas não da forma correta. Assim que a ligação terminou injetou um mínimo de energia no corpo, imediatamente Jazão começou a urrar de dor e se contorcer, mas cada movimento seu apenas piorava ainda mais seu quadro atual.

- E então está disposto a falar agora? - Perguntou Kaira.
- Vocês vão se ver...

O queixo de Jazão fez um sonoro estalo quando foi atingido pelo violento chute dado por T-Paia. Ele agora se contorcia ainda mais e grunhia de forma estranha, por conta de seu maxilar que havia sido deslocado. Tairon agarrou-lhe a face com força, provocando ainda mais dor, repôs o maxilar no lugar de forma bem dolorosa e lenta, para finalizar sua parte na tortura, ainda congelou a parte do maxilar que havia sido partida. O frio instantâneo e intenso o fez segurar o rosto e urrar mais um pouco de dor, mas por mais forte que fosse a magia de Tairon, o mesmo fez o suficiente para não deixar-lhe com a boca dormente, para que pudesse falar.

- Agora está mais disposto a colaborar? - Perguntou Argos.
- Balzac está com Gigantus!
- Pensei que ele fosse mais esperto - Disse Gohkuú.
- Por que? - Questionou Kaira em dúvida.
- Pouco depois de ser liberto, Cronos apareceu lá com um outro dos novos Seguidores. Foi por causa dele que nos libertamos. Balzac e Gigantus estavam muito debilitados, ao contrário de Cronos e do outro.
- Mestre Balzac e Gigantus não sucumbiria apenas para esses dois. - Provocou Jazão.
- Em outras condições não duvidaria, mas da forma que estavam... E pelo visto estavam vindo mais reforços.

O contentamento no rosto de Gohkuú era evidente enquanto via Jazão se encolher de temor. Os outros se entreolharam também satisfeitos com o resultado. Jazão tentou usar seu teletransporte, mas não conseguiu, estava fraco demais e muito ferido para se concentrar em algo.

Apesar dos esforços Jazão não disse mais nada, não por resistência, mas por não saber mesmo. O paradeiro de Apolo continuava um mistério, mas o fato de saberem onde estava ao menos um dos grandes causadores de seus problemas já era alguma coisa. Decidiram que não perderiam tempo a procura de Apolo, iriam atrás de Balzac primeiro, afinal isso poderia servir como chamariz para ele.

Novamente arrancaram a cabeça de Jazão, Gohkuú incinerou o corpo e Tairon congelou a cabeça por completo, guardando-a em sua capa, na intenção de mantê-lo vivo, mas sem condição de fazer absolutamente nada. Antes de partir reviram o plano e ponderaram algumas coisas, como provavelmente um combate envolvendo Balzac e Gigantus estaria acontecendo quando chegassem, não fariam intervenção alguma, mas garantiriam para que Balzac desse "um pequeno passeio" por alguns instantes, o que para eles não interferiria muito no combate.


As terras de Awrrack foram deixadas para trás, agora eles partiam em direção ao local onde antes Ignus reinou absoluto. Quase tudo que o antigo rei daquelas terras havia construído, fora sido desfeito por culpa de Gigantus, que se aproveitou do fato de o irmão estar no comando, para dominá-lo a assim mudar quase todo o panorama local. Agora depois de tantas batalhas apocalípticas, pouca coisa restava daquela parte do continente. Uma das poucas coisas que ainda se mantinha de pé a era a montanha que abrigava o palácio do soberano daquele local, mas agora estava oculta pelas ruínas que haviam se tornado o oval palácio de Gigantus.

Assim que chegaram os sons da batalha eram ouvidos com grande nitidez. Clarões, explosões e gritos se seguiam de forma desconexa, alguma coisa estava errada, pensavam eles. Kaira tornou-se invisível e foi o mais rápido que pode até o campo de batalha, lá viu dois Seguidores do Dragão, Cronos e Ensabanur, lutando ao lado de seus companheiros da Legião Drax contra Gigantus e Balzac que pareciam recuperados. No instante seguinte ela estava de volta e contou ao seu grupo o que estava acontecendo. Arquitetaram um plano que deveria ser feito com a maior precisão possível para não serem detectados. Argos deveria anular qualquer som durante exato um segundo, enquanto Kaira usaria seus poderes de luz para camuflar Tairon assim que ele surgisse atrás de Balzac, para levá-lo para o mais longe possível, os outros garantiriam a retirada do grupo seguindo-os depois até o local de encontro.

Esperaram um momento onde todos estariam concentrados demais na batalha e botaram o plano em prática. Argos anulou todo o som exatamente no momento em que Tairon desapareceu envolto por sua capa. Ninguém pareceu notar o repentino silêncio, muito menos Balzac que havia sido apanhado por Tairon e sumido em seguida. Kaira viu a imagem de Balzac se desvanecer lentamente da sua frente e tratou de criar a réplica da imagem dele para distraí-los enquanto Argos restabelecia o som e Tairon se teletransportado definitivamente. Como parte do engodo, Kaira fez o Balzac ilusório se envolver em sombras e sumir na frente de todos, deixando Gigantus sozinho durante a batalha.


- Onde estou? - Perguntou Balzac quando percebeu que não estava mais ao lado de Gigantus, muito menos nas terras de Ignus.
- Chame seu lacaio até aqui agora! - Bradou Gohkuú.
- Vocês...

A tentativa de Balzac em atacá-los foi inútil, antes mesmo de liberar uma de suas sombras para atacar alguém aleatoriamente, uma imensa e ofuscante coluna de luz se ergueu a volta dele. A luz era tão intensa que podia feri-lo, além de impossibilitar a criação ou a evocação de alguma sombra. Nunca antes Balzac havia se sentido tão acuado como naquele momento, cercado pelos guerreiros que outrora seguiam suas ordens por conta do domínio que tinha sobre eles, a exceção de Kaira.

- O que está esperando? - Questionou Tairon - Chame logo seu lacaio.
- De quem estão falando? - Retrucou Balzac com certa ironia.

Para o grande azar dele nenhum dos presentes estava tolerante a nada, muito menos nenhum deles tinha algum pingo de paciência para desperdiçar como ele. Gohkuú percebendo a ironia latente na voz lançou-lhe uma poderosa e repentina rajada de fogo, não dando chance nenhuma de defesa por parte de Balzac. A chama mágica criada pelo deus ferino parecia arder e aumentar cada vez mais, Balzac se debatia na inútil tentativa de extinguir o fogo que lhe consumia rápida e violentamente.

Da mesma forma que as chamas surgiram elas se foram. Agora o deus sombrio estava caído no chão, enquanto a fumaça saia de seu corpo. Se continuasse assim ele não teria chance, teria de pensar em algo o mais depressa possível, mas nada do que pensava lhe dava alguma saída.

Algo surgiu em sua mente. Se eles queriam Apolo, eles teriam Apolo.

- Eu digo onde Apolo está. - Falou Balzac.
- Então fale de uma vez! - Ordenou Argos.
- Na verdade eu não sei onde ele está, mas posso trazê-lo aqui.
- Então traga logo!
- Preso nessa coluna de luz não posso evocar as sombras que o trariam para cá.

Ambos os deuses se entreolharam, ninguém ali confiava em Balzac, mas o que ele disse fazia sentido, mesmo assim não concordaram de imediato. Trocaram olhares e expressões faciais por alguns instantes, seus pensamentos fluíam de forma alucinada e indecifrável, embora cada um parecesse compreender o que o outro pensava. Um plano foi traçado de forma sutil e transmitido mentalmente.

A poderosa e ofuscante coluna luminosa desapareceu, Balzac se sentiu aliviado e impelido a fugir, mas um cerco havia se formado a sua volta, não teria tempo de fugir, além do mais, seria mais vantajoso e prazeroso fazer o que estava sendo pedido. Concentrando-se um pouco logo algumas sombras formaram um turbilhão, um braço sombrio avançou turbilhão adentro. Logo depois o braço retornou trazendo Apolo consigo.

2 comentários:

  1. muito bom PK


    pena que vc sempre corta qaundo a porrada vai começar

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  2. Ainda no aguardo da parte 5.

    Pena que sinto que será curto esse conto... =(

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