Caos da Dengue: O problema é o Vetor?


Quem assiste televisão em qualquer horário, antes da nova polêmica em torno do caso de assassinato infantil de 2008, deve literalmente estar cansado de escutar que o problema da dengue está no mosquito e que combater esse pequeno animal vai reduzir consideravelmente a quantidade de casos de dengue.

Agora eu faço uma pergunta: será?

Estava conversando com o meu padastro - que é médico. - sobre uma outra vertente do combate a doença que não está sendo levada adiante, que é uma coisa mais simples: o modo de combater o mal.

Para exemplificar, criei em Corel um esboço traçado em cima do ciclo da doença, e é a partir dele que coloco meu questionamento, no entanto, não é uma opinião formada em cima de "achismo", mas em face do que foi alardeado pela mídia de forma massante desde o início dessa exploração da tragédia humana...

O pensamento é bem distinto do ciclo do mosquito, eu considero a realidade da cidade do Rio de Janeiro, e por sinal grande parte da realidade brasileira, onde por maior que seja o combate sempre existirão mosquitos enquanto existirem áreas verdes. Obviamente uma solução no padrão "sem árvores, sem mosquitos", essa espécie vai continuar se proliferando em lugares onde haja a predominância de áreas verdes, e o Rio de Janeiro, em especial, possui uma série de parques e florestas urbanas, logo, o argumento do "áreas urbanas não deveriam ter" não cola nesse caso.

O que questiono? A política de saúde do Estado do Rio de Janeiro no que diz respeito ao combate de doenças em geral (e não apenas a Dengue). Durante a explicação tudo se tornará mais claro ainda...


Vamos dar nomes aos círculos, primeiro. O círculo (ou "bolinha") vermelho(a) é o doente de dengue. O pobre coitado vítima da combinação fatal de política+ignorância do povo. Os círculos azuis representam pessoas saudáveis, ou melhor, que ainda não pegaram a doença. Esse esquema não leva em consideração, claro, quem dispõe de plano de saúde, as características dos hospitais particulares em geral não costuma dar margem ao problema.

O ciclo, tecnicamente começa quando uma pessoa é suspeita de dengue (o primeiro círculo vermelho do topo do ciclo). Normalmente a pessoa ou se auto-medica (e geralmente morre ou atrapalha tudo) ou tenta a sorte. Tentar a sorte, quando se fala em Rio de Janeiro é iniciar uma peregrinação por todos os hospitais e postos de saúde públicos que o dinheiro do ônibus permite pagar (ou os motoristas de ônibus deixam pegar carona).

Essa pessoa, até então suspeita de dengue permanece mais de quatro horas em uma fila com outras pessoas como ela (isso na segunda figura do cilo, o hospital). Enquanto espera ela convive com outras pessoas como ela, ou seja, suspeitas de terem a doença. Provavelmente uma terá. E é nesse momento que a fragilidade do sistema de saúde aparece.

Todos sabem e foi divulgado a exaustão que o mosquito age com maior eficácia e ataca mais em ambientes com calor excessivo, odores, sangue e tudo mais. Existe ambiente mais propício para um mosquito procurar eventuais vítimas do que em um ambiente quente, com pessoas suadas e muitas delas preocupadas demais com suas doenças para perceber que um sutil mosquinho pousou em seu braço? Se a pessoa não tinha dengue, com certeza ao passar em uma fila pegou.

E como é praxe, depois que a pessoa é medicada e recebe os cuidados necessários, ela só é internada se estiver às portas da morte e se, e somente se, tiver vagas disponíveis. Caso contrário, um novo ciclo de porta-a-porta por hospitais se reinicia, geralmente também em ônibus. Durante todo o trajeto a pessoa encontra pessoas e mosquitos e por sua vez outros mosquitos.

Mas, suponhamos, que seja apenas suspeita e que a pessoa seja enviada para sua comunidade (no sentido de Bairro, não no que a palavra adquiriu atualmente). Ela de volta a seu bairro, encontrará novamente seus vizinhos, seus amigos e as pessoas que a cercam. E, claro, mais mosquitos. Mosquito não se preocupa muito se você tem ou não dengue, ele quer sangue, e ele vai sugar o sangue do suspeito e depois de todo mundo que encontrar pelo caminho em seu ciclo vital. Se a pessoa tiver dengue, bingo! Quantos foram infectados? Provavelmente uma quantidade impressionante de pessoas, como mostra a conclusão do ciclo, onde mais uma pessoa irá ao hospital e reiniciará todo o ciclo vicioso.

E isso conclui a primeira parte do tema.

Na próxima postagem apresento o que penso que deveria ser feito...



* A quem procurava por atualizações: estou em época de provas concursais e até lá estudarei muito e postarei pouco. Até Junho volto ao normal, por enquanto, postagens escassas, dado que primo qualidade. O que quer dizer que o PK está com problemas. =p

5 comentários:

  1. Olá

    seu blog é muito legal...

    gostei...

    Ele informa bastante coisas !

    Continue assim

    beijooos

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  2. Muito legal esse post...

    achei legal seu ponto de vista

    adorei seu blog

    continue assim


    beijoos

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  3. Ih rapaz, esse caso da Dengue
    é um problema sem tamanho, quase infinito de tão grave e o pior é que está se alastrando cada vez mais.

    www.indicacao.wordpress.com

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  4. Não posso dizer nada ainda sobre o assunto, tanto por conhecer pouco, e tanto por ser isso que você mostrou uma coisa que não tem contestação, pois é o ciclo do mosquito e etc... mas como biologa posso dizer que é a femea que pica, pois é ela que gosta de sangue e ela faz isso apenas em epocas em que vai por seus ovos, agora se essa epoca dura o ano todo ja não sei, que vergonha, sei muito pouco sobre a dengue =(

    beijao

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  5. Poise o Aedes ja se chama "o mosquito da dengue" mas aqui na minha regiao todos sabem mais ou menos disso, porque até pouco atrás o Aedes daqui não tinah dengue, so que como uma pessoa foi para uma cidade do norte e voltou com dengue um dos Aedes daqui a picou e passou a portar o vírus em seu corpo, colocou milhares de ovos e dali tava feita a coisa, agora nos temos que nos preocupar com a dengue, mas acho que o pior mesmo não é apenas os ovos serem resistentes de durarem todo esse tempo, é que eles duram esse tempão mesmo estnado fora dagua....

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