[Contos] Hugo e Vanessa...

Um cálice de vinho tinto estava sobre a mesa fria de mármore da cômoda daquele quarto. As formas voluptuosas de Vanessa destacavam-se sob o lençol de seda deixando-a ainda mais ardorosa. Um sorriso maroto delineava-se aos poucos no rosto de Hugo, cuja vontade de possuí-la era ainda maior que sua razão, mas mesmo assim não que sua vontade.

Hugo bebeu todo o vinho em um único gole e voltou para a cozinha de seu apartamento, deixando Vanessa descansar. A noite anterior tinha sido muito agitada para ambos, principalmente considerando que até então não se conheciam...

Vanessa era uma morena de cabelos negros e lisos, com uma certeza descendência indígena e um olhar penetrante. Era magra, mas não ao ponto de ser comparada com uma tábua, lembrando mais uma adolecente de dezesseis anos, mesmo tendo vinte. Freqüentadora assídua de inferninhos, ou melhor dizer, boates mais alternativas da capital paulista era avessa a aventuras como essa, mas não conseguira resistir ao charme do jovem chamado Hugo.

Hugo era estudante de medicina na USP. Tinha um metro e oitenta de altura e corpo mediano, mas sem barriga. Seus cabelos eram negros e encaracolados e sua pele branca. Tinha a face quadrada, seu rosto perfeitamente simétrico, e um olhar arrebatador. Era conhecido entre os colegas da faculdade como "Gavião", por seu olhar capaz de localizar com precisão qualquer presa que pudesse ser abatida. E Vanessa seria a sua vítima.


Hugo encheu novamente o cálice de vinho tinto e sentou-se em sua sala. Olhava com prazer o sol nascendo e iluminando pouco a pouco todo o Parque do Ibirapuera. A cada segundo que passava imaginava estar invadindo e profanando o corpo daquela jovem, mas sua experiência com mulheres o avisava para ir com calma, apesar da menina vestir-se de preto e ter piercings pelo rosto era apenas uma menina, sua idade não condizia com a mentalidade.

"Presa fácil...", comemorava em seus pensamentos.

Vanessa acordou de sopetão. Estava deitada em uma imensa cama redonda e confortável. Ainda estava vestida, nitidamente intacta. Pouco a pouco se lembrava da boate, do som dançante e do rapaz de olhos penetrantes. Sentiu-se mal consigo mesma por ter se deixado levar por ele, e ao mesmo tempo satisfeita na medida que seu olhar vislumbrava que Hugo não era apenas um rapaz bonito, ele era também rico.

Levantou-se da cama e foi até a janela, partilhando da bela vista para o Parque do Ibirapuera. Pássaros cantavam enquanto o sol brilhava forte. Decidida a ir embora, foi para a sala, onde Hugo a aguardava. Ao lado dele uma garrafa de vinho vazia e uma outra de whiscky pela metade. Vanessa sentiu um arrepio nas costas, mas aproximou-se do rapaz:
- Bom dia. - Falou Vanessa, quebrando o silêncio.
- Boa... Opa, muito bom dia. - Respondeu Hugo, com a voz um pouco alterada.
- Sabe... Ontem... Er... - Balbuciava Vanessa, sem encontrar palavras certas.
- O que? - Interrompe Hugo, com a voz mais rígida.
- Obrigado por ter me trazido para sua casa, mas, sabe como é... Eu preciso ir pra minha.
- Já? Tão cedo? Porque não se junta comigo antes de partir?
- Não... É...
- Por... que... não... se... junta... comigo! - Interrompe Hugo, com um tom de voz imperioso e quase ameaçador, levantando-se e indo na direção de Vanessa.
- Mas...
- Desculpe, tudo bem... Você precisa ir, não?

Hugo deixa o copo de bebida no sofá, se levanta e vai até Vanessa. Ela dá um passo para trás e sente a parede atrás de si. O homem antes atraente tem uma postura ameaçadora, ele a observa com voracidade e Vanessa sente medo. Hugo se apoia na parede com as mãos e cerca Vanessa. A moça pensa em sair, mas não vê nenhuma saída, e ao procurar com olhos uma porta, vê que a que leva para a rua está sem a chave, provavelmente trancada.

O aluno de medicina começa a cheirar o cabelo de Vanessa, que sente a contragosto um arrepio maravilhoso na coluna. Em seguida ele morde o pescoço da moça, que pede que pare. "Parar? Agora? Relaxe e curta...", diz Hugo enquanto a abraça e a beija com um fogo que assusta a moça tanto quanto a agrada. Vanessa tenta em vão se desvencilhar do homem, mas não consegue juntar forças enquanto as mãos dele percorrem suas costas e desabotoam seu sutiã.

"Pare...", diz Vanessa com a voz ofegante enquanto o homem arranca sua blusa negra e deixa o sutiã a mostra, seguro apenas pelo rigor dos seios perfeitos dela. Hugo está completamente tomado de volúpia e admira sedento os seios duros e perfeitamente delineados da moça. "Maravilhosa", diz o rapaz enquanto coloca-se entre os seios e alimenta sua sede.

Sem opção e já sedenta, Vanessa apenas olha para o teto e curte o momento...




...Duas horas depois a casa de Hugo está coberta pelas roupas de ambos. O vapor do banho que tomaram juntos ainda sai do banheiro e os dois repousam nus em cima da cama. Hugo fuma um cigarro do diabo enquanto Vanessa está em choque consigo mesma. Apesar de seu visual, de sua postura, nunca havia feito nada, não desse jeito.
- Sexo... Puro e simples sexo. - Fala Hugo, percebendo o olhar estarrecido da moça, dando uma nova tragada em seu cigarro.

Vanessa levanta-se da cama e veste sua calcinha, que está abandonada no chão entre o caminho da sala até o banheiro dentro do quarto de Hugo. Ela olha para o rapaz e recorda-se das últimas horas, a culpa mesmo existente é menor que o prazer que sentiu e a vontade de repetir. Hugo deixa transparecer sua vontade de começar novamente, tornando-se novamente rígido.

A moça salta na cama e recomeçam.
- Dessa vez, eu comando... -Diz Vanessa, deixando de lado todas as suas imposições morais.

Duas horas depois Vanessa vai embora do apartamento de Hugo, com a promessa dele de que ligaria e repetiriam a dose... Mas isso nunca aconteceu.

4 comentários:

  1. Felizmente não houveram muitas palavras libidinosas, isso causa uma impressão bem mais 'clean', dá vontade de ler mais.


    :)
    Abraço
    www.lizziepohlmann.com

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  2. Aplausos incansáveis ao Conto!
    Muuuuito bom!

    Quando vi que o post era de Conto, não tive dúvidas em ler até o final. Sou professora de Literatura, então já viu neh...
    Essas coisas mexem comigo...

    Umas das poucas coisas boas que encontro em blogs.

    Destaque para esse humor aqui:
    "Sentiu-se mal consigo mesma por ter se deixado levar por ele, e ao mesmo tempo satisfeita na medida que seu olhar vislumbrava que Hugo não era apenas um rapaz bonito, ele era também rico."

    Vou linka-los no meu blog.
    A-Do-Rei

    ;)

    Beijos
    e passe no meu:
    www.fernandapansica.blogspot.com

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  3. Eu ja escrevi muitos contos, ja ate tive blog entao nao eprco a chance de ler um, parabens por esse, o uso de palavras simples, mais claro com conteudo atrai o leitor muito, parabens por essa escolha e pela otima historia

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  4. Muito bem descrevido, escrevido e criativo! Parabéns pelo seu conto, vi teu blog pelo orkut!

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