[Denúncia] Barcas S/A.

Pier da Ilha de Paquetá, Rio de Janeiro -RJ. Notem as toras serradas
que são um perigo a embarcação e que fazem da atracagem na Ilha
uma aventura e que devido as manobras necessárias para não rasgar
o casco obrigam a barca a parar "de ladinho".

Essa foto foi um aperitivo.

Para quem não sabe, eu moro no Rio de Janeiro, e nos últimos três anos virei migrante interno da cidade, e passei um ano em diferentes bairros até voltar ao que moro atualmente (e por ironia, o bairro inicial). Dentre uma mudança e outra acabei indo morar na Ilha de Paquetá, de onde um dia falarei ou o Pk, e, pois bem, vi, vivenciei e sofri de um mal que milhares de pessoas padecem todos os dias chamado Barcas S/A.

Barcas S/A é o nome de um consórcio que adqüiriu à brasileira o monopólio (sim, exatamente esse o termo mesmo, mas isso consta de boatos - não tenho acesso a licitação, quem tiver nos passe por email) de exploração do transporte público das águas do Estado do Rio de Janeiro. A então empresa pública Conerj (Companhia de Navegação do Estado do Rio de Janeiro) foi vendida a um consórcio que inclui dentre outras empresas a poderosa 1001 (que explora, e como, o transporte interestadual daqui da Região Sudeste).

No início, como em todo começo de namoro/contrato tudo parecia funcionar, e não tinha como dar errado. A Conerj de forma criminosa passou por um processo de sucateamento para justificar a privatização perante a opinião pública (leia-se: mídia tradicional) com o intuito de diminuir o preço no pregão. Feito o processo e tudo mais, iniciou-se então o namoro.

Algumas barcas foram pintadas e todas receberam televisões e algum conforto para a viagem, o que fazia diferença quando se viaja para longe (como a travessia Rio-Paquetá que dura em torno de uma hora). Depois, com o passar dos anos as televisões foram sumindo, a tinta caiu e revelou a ferrugem que antes aparecia apenas na forma de pitorescas bolhas ocultas pela tinta.

Se você acha ônibus desconfortável é porque nunca sentou nas cadeiras de uma barca. Acredito que poucos meios de transporte sejam tão desconfortáveis depois de uma hora de viagem. São cadeiras antigas (do tempo em que não existia a preocupação ortopédica) sem apoio para a cabeça e em geral sem nenhuma espécie de estofamento (salvo algumas barcas que são raras exceções). Dependendo da quantidade de pessoas, viajar em pé no baú de um caminhão é mais confortável. E eu já viajei em baú de caminhão.

Enfim, de uns tempos para cá esse descaso da empresa seja com conforto ou com o transporte em si e a ausência de uma concorrência eficaz deram frutos, e como em todo monopólio problemas surgem. É nítido que a empresa não faz a manutenção adequada visando conforto além do dono (provavelmente em uma sala confortável onde não tem banco de madeira pra ele sentar e com ar condicionado).

As barcas ou são antigas demais ou ruins. A empresa adquiriu barcas novas, mas a política de não-manutenção (ou de "enquanto der vai lá") não funciona com barcos novos, pois esses feitos de mais plástico e menos ferro tendem a dar problema mais rápido, e o resultado disso foram acidentes com barcos em diversos momentos do ano, e quem não viu, coloquei no final da postagem uma listagem com alguns portais que noticiaram os acidentes.

Notícia Sobre Acidente com Catamarãs:


Será que teremos que repetir um novo Bateau Mouche dessa vez no transporte público para que algo aconteça? É necessário sempre, como ocorreu recentemente nos casos da TAM e da Gol, que pessoas sejam sacrificadas para que algo seja feito?

Como sempre, martelo na mesma tecla:
Esse é ano de eleição, e não de ereção. Não faça do seu voto um modo de f*der seu país ou sua cidade, se não sabe ou não se interessa em quem votar vote nulo e deixe que alguém interessado decida.

A pior coisa que existe é votar focado em pesquisa. Pesquisas eleitorais não informam sobre caráter, honestidade, nada, apenas informam sobre popularidade. E popularidade e valores morais nem sempre andam juntos.

Pense nisso.

E agora, o estado de conservação da barca Vital Brasil, da empresa Barcas S/A, e de parte do cais da estação das barcas Paquetá, onde chegaram a iniciar uma manutenção mas que por motivos desconhecidos (que no entanto incluem o afundamento de uma embarcação e a destruição das janelas da estação em um acidente de trabalho) findaram-se inconclusas.


Aqui ilustro a falta de dragagem* onde a barca ancora,
que por causa disso em dias de maré baixa ela não fica
onde deveria ficar, pois atolará se o fizer.

Esse é um dos muitos pontos de ferrugem, a foto
péssima não mostra que esse cano vermelho não
é vermelho apenas por tinta.

Entra da casa de máquinas, podem ver pelo tom
laranja que a cor símbolo da Cidade Maravilhosa
é bastante presente.

A corda com a qual a embarcação se amarra nos cais.
Por incrível que pareça, está nova perto das outras.

Imagem que ilustra de outro ângulo o que
mostrei acima, mas de outro ângulo, do
quanto a barca é obrigada a ancorar errada
em virtude da falta de dragagem.

Essa foto é da parte abaixo da janela, vê-se pela cor
e pelo relevo enrugado que a ferrugem é bem antiga,
ao invés de raspar a ferrugem deram apenas um "jeitinho".

Caso aconteça algum acidente sempre podemos contar
com esses belos exemplares de coletes salva-vidas provavelmente
retirados de um museu de filme de terror-chanchada de 34 A.C....

Esses exemplares "no varal" nem sequer tinham lugar para ficar,
provavelmente a caixa que os escondiam quebrou e aconteceu
mais um jeitinho brasileiro. Reparem na cor "laranja-fungo".

Vejam o mofo! Um colete "100% confiável". E o detalhe
que uma barca para navegar nessas condições foi
aprovada pela capitania dos portos.

Um raro exemplar de uma enguia. Basta colocar as mãos
nessa mistura de jibóia com barco e descaso para ganhar
provavelmente uma viagem de ida até São Pedro.

Detalhe para a placa, mas fica a pergunta:
Como o "letricista" chega ali? E pra que diabos serve
um "Letricista"? =)

A janela reformada depois de terem deixado cair uma das
toras de madeira da reforma do pier na estação. Depois disso
a reforma parou como podem ver próximo da janela.
O incidente e posterior abandono foi em 2007, fez um ano em Abril.

Ali é onde se colocam as cordas, ou deveria-se. Como está só
serve de enfeite (?) e lembrete de onde estamos, e não me refiro
ao Kansas. Detalhe para a cor da corda que prende a barca ao pier.

Uma das toras que sustentam a parte de madeira do cais. Firme não?
Logo atrás podem reparar que o chão de cimento está um pouco liso demais.

Material abandonado sob sol e chuva. Não tem onde guardar.
Para que serve? Talvez usem quando a ferrugem estiver
bem avançada, ainda não está na cor laranja
que parece ser o tom das Barcas S/A.


Lembrando que os funcionários não são culpados pelo estado precário, ao menos não de todo (sempre podem fazer alguma greve, mas no máximo apóiam do jeito que podem e não vou entrar nesse tipo de detalhe aqui). Assim como o povo que utiliza são reféns dessa situação no mínimo calamitosa e quando alguma barca afundar - e isso é questão de tempo. - o mar não identifica uniforme, traga tudo mesmo.

E todos esses são reféns de quem vota mal...

Fontes:
- Acervo Folha:
---> Bateau Mouche, 1988.
- O Globo:
---> Pelo menos 20 feridos em novo acidente com barca na Baía de Guanabara
---> Desde 2002, pelo menos um acidente por ano na Baía de Guanabara
Último Segundo:
---> Barca afunda na Baía de Guanabara
- Terra:
---> Inquérito apurará causas do acidente com catamarã

5 comentários:

  1. não tenho muito a dizer, pq aqui onde eu moro as coisas sao diferentes,
    claro que existem corruptos, isso e aquilo0, monopolio e coisas que poderiam ser diferentes, mas a qualidade dos serviços eh boa, não da pra reclama. Realmente, todos sao refens de quem vota mal,o BRasil é um país de analfabetos eleitorais, pois so apartir de 1988 começaram a votar e foram poucas eleições ate agora, vamos vivendo e aprendendo, espero que as coisas realmente melhorem um ida.

    beijos

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  2. Passei só pra dar uma cutucada e acabei ficando pra ler

    Dragus é o garganta profunda da nova era o/

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  3. Olá,primeiro parabéns pelo blog, vou estar por aqui diariamente.
    Quanto ao assunto realmente um descaso mas o que me deixou abismada foi que as pessoas usam o barco! Alguém dirá que precisam se deslocar mas será que uma semana de greve dos usuários se deslocando de ônibus não chamaria a atenção e forçaria uma solução.
    Aprendi que neste país só se consegue algo quando se mexe no bolso, do contrário nossos discursos fariam efeito imediato.
    ainda bem que temos um espaço como o seu, parabéns

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  4. Não tem como realizar greve desse tipo porque a Barca é o único meio de transporte possível.

    O que poderiam fazer é utilizar um serviço alternativo, como ocorrem com as vans/kombis, pra forçar melhorias, mas não existe essa mobilização por parte do povo, pois se isso existisse não teria chegado a essa situação. =/

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  5. É bom ver pessoas como vc que denumciam mesmo!!!

    Isso é extremamente importante!!!

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