[Desenho e Conto] Dragus.


Nota: Esse conto faz referência ao personagem que criei e que deu origem a meu nick, o que de certa forma diz descaramente que plagiei a mim mesmo e idolatro a mim mesmo. =)

Dragus.

Desde o início sempre houve apenas uma lei e uma única forma de encarar as coisas, a lei do rei-dragão Bakatarê. Um dia sabem os deuses porque o rei desapareceu e com ele surgiu uma nova ordem entre o povo-dragão ditada por inguém menos que o sumo-sacerdote Marduk. Marduk era o extremo oposto de Bakatarê, o que o rei-dragão possuía de horrendo aos nossos olhos humanos era o inverso em Marduk, por sinal, Marduk só viveu nos tempos do rei porque era exímio curandeiro, por sinal, o único. Os demais preferiam massacrar os seres inferiores ou os próprios irmãos.

Onde estava escrito "morte" e "destruição" na lei antiga Marduk inseriu "sobreviver" e "prevenção", dando início a uma nova era onde os dragões conseguiam viver em harmonia com o ambiente e não simplesmente agindo que nem humanos: destruindo tudo e migrando para destruir mais. Obviamente nem todos concordaram e o povo dragão dividiu-se entre os que seguiriam Marduk e os que passariam a viver como nômades independentes pelo grande mundo.

Dragus nasceu pouco depois que o povo de Marduk estabeleceu-se em uma imensa cordilheira repleta de desfiladeiros. Era forte e tinha suas escamas verde-esmeraldas cintilantes, e um hálito flamejante de fazer inveja ao mais incauto adversário. Dragus, como acontecia com todos os filhotes da época, eram encaminhados logo após a choca para a residência de Marduk, com o intuito de que esses aprendessem mais do que ferir, aprendessem a curar.

O jovem dragão verde aprendeu rápido as artes e foi o segundo de sua turma a formar-se curandeiro, e portanto, apto a aprender a lutar para os jogos. Apesar do aparente pacifismo Dragões são seres agressivos e Marduk sabia disso, instituindo entre os seus um período do ano que era dedicado aos jogos draconianos, um evento onde dragões interessados digladiavam-se uns contra os outros para obterem o título de mais forte. Dragus aprendeu a lutar mas nunca se interessou por isso, seus olhos estavam para algo mais interessante.

Seu interesse era por uma fêmea de olhos azuis, hálito gelado, polidas e cintilantes escamas azuis. A fêmea chamava-se Yirith, e ela fora a primeira da classe de Marduk. Os dois passavam muitas horas do dia juntos e por diversas vezes passearam sem rumo para além dos limites da tribo de Marduk, ignorando todo e qualquer aviso para que evitassem se distanciar.

Um dia, quando já dragões quase maduros, Dragus e Yirith se afastaram tanto da vila que precisaram pousar em um continente para descansar. Havia um cheiro estranho no ar e ambos sentiram suas crinas eriçarem enquanto algo parecia sussurrar em seus ouvidos que fugissem, mas ambos estavam ávidos demais um pelo outro para dar ouvido a suas consciências.
- Eu tenho medo daqui, Dragus... - Comentava Yirith, enquanto observava os restos de uma árvore chamuscada.
- Deixe disso, deve ser algum de nossos irmãos que espirrou... - Desdenhou Dragus, acariciando Yirith, sentindo o odor do cio de sua amiga e quase amante se aproximando. - Podemos fazer algo melhor do que apenas conversar.
- Hoje não... - Interrompe Yirith, escutando pequenos passos. - Está ouvindo?
- O quê? Meu coração palpitanto por ti?
- Não estúpido, passos! Cale a boca e escute!

Dragus silencia e procura por passos, mas nada escuta além do vento batendo nas árvores escurecidas e frágeis. "Deve ser apenas o vento nessas árvores podres.", comenta o dragão. De repente seus olhos vêm ao longe um estranho vulto se aproximar, é um dragão negro que voa até eles.
- Veja Yirith! - Aponta Dragus, enquanto o dragão negro pousa.
- Quem ousa invadir os domínios de meu mestre? - Pergunta o dragão, com aparência nada amigável e liberando fumaça pelas narinas.
- Somos Yirith e Dragus, voamos para longe demais de nossa vila e estávamos descansando... - Responde Yirith.
- Mardukianos? - Indaga o dragão, com desdém.
- Sim, e você? Nunca o vi por lá...
- Eu? - Espanta-se o dragão, nitidamente ofendido. - Fêmea estúpida... Pensa que eu, o grande Zargosth me rebaixo perante biltres que nem tu e esse encruado?
- Veja como fala de... - Ameaça Dragus, aproximando-se de Zargosth.

Zargosth não deixa Dragus completar a frase e lança um jato de fogo ardente que arremessa o jovem dragão verde contra um amontoado de fuligem. Yirith tenta fazer algo mas é contida pelo dragão negro, muito maior e mais forte, que a pega pelo pescoço. Instintivamente ela joga na cara do dragão negro seu hálito frio. O rosto do dragão congela por completo e em seguida solta Yirith que voa para acudir seu amigo.
- Dragus... Vamos embora!
- Yirith, cuidado!

Zargosth investe ferozmente contra Yirith em um ataque covarde e morde com violência o pescoço da fêmea. Dragus escuta com horror o som dos ossos de Yirith se partindo enquanto seu rosto é salpicado pelo sangue que jorra das feridas abertas por Zargosth. Tomado de fúria Dragus se levanta, investe violentamente contra Zargosth e o joga a quase quinhentos metros de onde está.

Sem dar atenção ao inimigo Dragus se agaixa e tenta ajudar Yirith, que agozina diante de si. Uma poça de sangue se forma e o desespero de Dragus é maior a cada nova convulsão de sua amada. Ela tenta balbuciar algumas palavras mas está afogando no próprio sangue. Zargosth observa a cena e parte, mas não sem antes cuspir no corpo agonizante da fêmea.
- Aprenda uma coisa, filhote... Eu sou o braço direito de Bakatarê, e você? Você não passa de comida... Apareça aqui novamente e não me satisfarei apenas com o sangue de sua consorte, devorarei sua carne e ossos até o talo... Leve o aviso de Bakatarê, que se mais alguém de seu arremedo de nação ousar passar das fronteiras do único rei verdadeiro todos pagarão com as vidas...

Dragus não escuta as palavras de Zargosth, está muito ocupado tentando em vão conter o sangramento. No mesmo instante em que Zargosth voa e volta para o lugar de onde veio, Dragus abraça a amada e começa a voar o mais rápido que pode até seu mestre Marduk. Nunca voara tão rápido em sua existência e enquanto voa deixa um rastro de lágrimas que marca os céus com sua tristeza.

Chega até Marduk poucas horas depois, o mestre vê com tristeza a pequena fêmea inerte nos braços do jovem dragão esmeralda. Uma lágrima corre no rosto de Marduk enquanto ele apenas cerra os olhos de Yirith, agora não mais que uma doce lembrança na mente desses dois.
- Nada posso fazer, me perdoe... - Lamenta Marduk, enquanto deposita a vítima em um local apropriado. - Quem fez tal atrocidade?
- Zargosth. - Responde Dragus, com a voz embargada e com a tristeza sendo pouco a pouco substituída por ódio.
- Ele? Pensei que tivesse morrido...
- Conhece?
- É idólatra de Bakatarê, quando assumi o posto o idiota foi procurar pelo rei morto...
- Não tão morto assim, parece que ele está vivo, e liderando dragões. Zargosth não falou dele como mártir, falou dele como líder.
- E o que mais disse?
- Não lembro... Estava chorando tanto que não dei atenção a ele, lamento.
- Vá para seu lar e descanse, meu jovem dragão, mandarei um emissário até os limites de nossa vila para vasculhar...
- Deixe-me ir. - Implora Dragus, observando com o canto dos olhos o corpo morto de sua amada.
- Não... Você é muito jovem, um dia quem sabe, mas esse dia não é hoje.
- Tudo bem.

Duas semanas depois Dragus partiu da vila de Marduk em busca de sua vingança...

E o emissário? Nunca mais voltou.

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Essa história faz parte do Livro que estou trabalhando, "O Círculo dos Doze", e escrevi exclusivamente para o blog e atendendo a pedido.

2 comentários:

  1. Simplesmente fantástico. A ilustração ficou demais. espero a continuação.

    Um abraço.

    PS: Tem indicações para vocês lá no Visão.

    Bom final de semana.

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  2. o desenho ficou otimo, e a historia tb, so nao sei pq a femea tinha que morrer, pq tudo eh tao tragico assim?

    beijos

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