Como Não Ir... Fazer uma trilha.

Antes de iniciar mais um "Como Não Ir..." é preciso salientar o seguinte: todos os "Como Não Ir..." são feitos em cima de fatos que deram errado durante algum "passeio" previamente marcado e planejado, mas este de hoje foge a regra, pois enquanto nos outros algo deu muito errado e a experiência não foi nada satisfatória, neste as coisas fluíram muito bem, bem até demais...

Começando de fato o relato em si, a primeira coisa que se deve ter em mente quando você e seus amigos forem fazer um trilha é: "iremos fazer tudo, menos uma trilha"; tendo tal pensamento em mente você está apto a fazer uma trilha (da pior forma possível). Outros pré-requisitos básicos e indispensáveis: ter vida sedentária, pesar mais de 100 kg, estar completamente despreparado, dentre outros.

Tudo começa quando alguém burro tem a maravilhosa idéia "vamos à Floresta da Tijuca" e outro alguém mais burro resolve aceitar a proposta. Após uma noite conturbada e mal alimentados nossos tolos aventureiros resolvem dormir tarde, para acordarem cedo, pois a idéia era acordar por volta das 07:30 da manhã e sair por volta de 09:30. Celurares e despertadores são postos para despertarem no horário combinado, mas devido a preguiça, o cansaço e o sono, ninguém acorda no horário, e todos se levantam justo na hora em que deveriam estar saindo.

Após um café-da-manhã nada nutritivo, nossos tolos aventureiros e suas respectivas esposas resolvem ir ao destino, exatamente duas horas depois do que havia sido combinado. Chegando lá o plano era bem simples, iriam até o Lago das Fadas, onde ficariam um tempo, depois subiriam até a Vista Chinesa, logo em seguida desceriam e voltariam sãos e salvos.

Entrada da floresta

A chegada ao local foi tranqüila, o tempo estava bom: céu aberto, sol, temperatura bem amena... Um dia perfeito para se estar com a natureza! Ao adentrarem no espaço da floresta nossos intrépidos e gordos aventureiros recebem uma breve orientação dos seguranças locais, de se manterem sempre na parte direita da pista devido ao trânsito de carros (orientação essa devidamente ignorada após sumirem do campo de visão dos seguranças). Poucos minutos depois eles avistam uma placa e um desvio do caminho normal, uma trilha, que é por onde resolvem seguir. A escolha embora possa parecer leviana, foi bem acertada, já que cortaram um bom caminho e chegaram bem rápido ao primeiro destino, a Cascatinha.


Pela hora em que chegaram e o fato de não terem se alimentado direito, os estômagos de todos já começava a dar algum tipo de sinal de existência e, como eles haviam levado apenas um parco lanche (que constituía apenas de dois sanduíches para cada um), a visão de um restaurante foi algo realmente mágico, mágico também eram os preços que para o local em que se encontrava, era bem atrativo e nada caros. Porém, mais mágico ainda foi saber que num lugar lindo como aquele, que deveria receber centenas de visitantes por dia, o único restaurante existente não aceitava nenhum tipo de cartão, nem de crédito, muito menos de débito, coisa que uma minúscula lojinha de lembranças para turistas aceitava, pois vale lembrar que ninguém ali levou dinheiro, a não ser para pagar as respectivas passagens de ônibus de ida e volta do local.

Momento turista: a alegria antes do martírio!

Após o "momento turista" (que inclui fotos de frente ao local, fotos da atração e blablabla...) nossos aventureiros burros demonstraram um pingo de inteligência, ao irem ao melhor local de visualização da cascata que misteriosamente estava vazio, o que mostra claramente que nossas aventureiros não são tão burros assim e não têm alma de turista (pois turista que é turista, não pensa). Após mais algumas fotos no padrão "turista", a aventura segue, só que desta vez, ao invés de seguirem pela trilha, eles resolvem seguir pelo caminho regular ( por onde também passam os carros), o que lhes rende uma caminhada mais longa e cansativa do que o normal, com direito a uma inútil parada a beira da estrada, feita poucos metros antes de um local próprio com cadeiras e mesas (foto abaixo).


Uma visita a capela local (foto ao lado), ver o Dragus quase ser rebocado (vide foto abaixo) e um rápido lanche depois, começa então a esperada ida ao Lago das Fadas, mas é aí meus caros leitores que realmente começa o nosso "Como Não Ir..." Pois perceberam como tudo até o momento tem dado relativamente certo? A burrada se deu devido ao seguinte, a ida até o Lago da Fadas poderia ser feita de duas formas; ou seguindo caminho regular por onde também transitam os carros, ou por uma trilha que beira o rio, do ponto onde eles estavam só haviam três caminhos a seguir, sendo que, apenas um era o caminho errado. Dragus e Pk (este que vos escreve) eram os únicos que sabiam o caminho correto (ao menos era o que parecia), já que a esposa de Dragus (também conhecida como Tia Lu), parecia não conhecer direito o local e minha esposa (também conhecida como Cida) nunca havia ida a Floresta.

Uma foto vale mais do que mil palavras!

Sendo as chances de errarem o caminho quase nulas, nossos burros aventureiros escolhem justamente o único caminho que não iria levá-los onde eles queriam. A caminhada segue e os ânimos estão bons, afinal o que poderia dar errado, eles estavam seguindo tudo de acordo com o plano! Mesmo com a estranheza de não verem o rio beirando a trilha, Dragus, Pk e suas respectivas esposas seguem trilha acima felizes e contentes. Eis que surge o primeiro problema, uma bifurcação e duas placas, numa estava escrito "Bandeira", seguido de um símbolo estranho para todos (duas setas paralelas apontando em direções opostas); e outra placa que indicava o caminho para o "Conde", seguido de um símbolo que lembrava um símbolo de reciclagem.

Foto das placas, ou ao menos deveria ser...

Ambos decidem seguir na direção "Bandeira", que deveria dar no "Alto da Bandeira", como indicava uma placa que estava no ponto onde eles pararam para fazer o lanche e contemplar um churrasco familiar. A trilha era definida e simples, a subida, embora ingrime, era bem tranqüila e poucos minutos depois eles chegaram ao que parecia o "Alto da Bandeira", que nem ficava tão alto assim, a vista não era lá essas coisas, além de não possuir bandeira alguma, o que levantou a questão do porquê do nome. A volta foi até mais tranqüila do que a ida, mas aí as esposas de nossos gordos aventureiros decidem pegar o outro caminho, o que levaria até o alto do Conde.

- A quanto tempo já estamos andando? - Pergunta Dragus após alguns mintos e muitas paradas depois.
- Sei lá! Uma hora talvez - Responde Pk, sem saber ao certo. - Já estamos aqui nessa trilha há uns vinte minutos, talvez mais...
- Essa trilha aqui leva uns 60 minutos para ser feita, segundo a placa que estava lá embaixo! - Anuncia Tia Lu.
- O QUE!? - Surpreendem-se Dragus e Pk ao mesmo tempo.
- A não! Se é pra gente andar uma hora para um lugar que não vai ter nada como o outro, é melhor a gente voltar logo - Reclama Pk.
- Não! Vamos seguir a trilha que logo-logo deve acabar - Incentivou Cida.
- É vamos logo! - Concordou Tia Lu.

O cansaço já toma conta

E eles seguem, e seguem, e seguem, e andam, e param, e sobem, e param, e seguem, e andam, e param... E assim foi por muitos e muitos minutos, até que alguém observando a paisagem diz:

- Ei que pedra é aquela? - Pergunta Pk apontando uma grande pedra no alto de um morro.
- Sei lá! - responde Tia Lu.
- Tô achando que é a Pedra da Gávea. -Diz Pk

Pedra da Gávea, no centro da imagem ao fundo.
(Cliquem na imagem para vê-la melhor)

- É ela sim. - Confirma Dragus.

Após a constatação de que estavam muito alto (a Pedra da Gávea estava na mesma altura em que eles só que bem distante), eles seguiram em sua caminhada. E eles seguem, e seguem, e seguem, e andam, e param, e sobem, e param, e seguem, e andam, e param... E lá se foram mais alguns minutos e lá se foram as esposas de ambos os gordos aventureiros, que seguiram na frente devido ao seu porte físico muito mais esguio, do que o de nossos paquidermes blogueiros.

Dragus tentando vislumbrar o fim de seu martírio.

No meio do caminho, havia um casal que vinha na direção oposta e após uma rápida conversa o casal informa que eles estão próximo ao final da trilha, restando mais uns 20 minutos de caminhada. A falsa esperança da aos nossos tolos aventureiros uma ponta animo que os faz seguir mais rápido, mas logo a altitude, a falta de fôlego e, principalmente, o excesso de gordura localizada em todo o corpo falam mais alto, outra parada é feita. Alguns minutos depois eles seguem novamente.

Pk: exemplo de alguém em forma de bola.

Quase uma hora depois, com direito a muitas subidas, caminhos estreitos, paradas para respirar e repor as energias e muit, mas muita subida, enfim eles chegaram... A mais uma bifurcação! Havia mais duas placas: uma apontando a direção do alto do conde ( com o símbolo das setas paralelas mostrando direções opostas), e a seta que apontava para o "anhangüera" (não confundir com o bairro paulistano, eles estavam longe, mas não tanto), seta esta que tinha o símbolo de "reciclagem". Mais alguns minutos de descanço, mais subida, mais caminhada, mais parada, mais subida, mais parada, mais subida, e as esposas de ambos bem longe zombando deles quanto mais elas se distânciavam.

Ao final de pouco mais de duas horas de caminhada eles enfim chegam ao quase fim da trilha, do ponto que estavam, estavam tão alto, mas tão alto, que era possível vislumbrar todos o Rio de Janeiro. Via-se a Ponte Rio-Niterói, a Central do Brasil, o Maracanã, Ilha do Governador, até mesmo Paquetá podia ser vista do ponto em que estavam, era uma visão magnífica.




Depois de algum tempo de contemplação a descida foi realizada em tempo extremamente curto em relação a subida, exatos 40 minutos descendo contra pouco mais de 2 horas subindo.

Saldo da aventura: cansaço, pernas doloridas por 6 dias, alguns arranhões, muito suor, pernas trêmulas durante a descida, exaustão e a certeza de que um dia voltariam para realizar as outras trilhas. Sem contar, é claro, as magníficas imagens que ficaram de lembrança e em nossas mentes, pois apesar de todas as dores e o cansaço, valeu muito a pena ver a cidade lá de cima. Pelo menos uma vez poderemos dizer que subimos e muito na vida, literalmente!

Moral da estória: Se um vocês um dia quiserem fazer alguma trilha, pesquisem muito bem antes como é a trilha, alimentem-se bem ante, se preparem muito bem física e psicológicamente antes, levem um lanche bem leve e bastante gatorade, ou se for pão duro leve garrafa com água.

3 comentários:

  1. Bah, eu sou gorda tb dhasuihdausisda, e uma belo dia decidi q iria para a Flona (Floresta Nacional de Passo Fundo), com todos os meus coleguinhas, magros e em forma, apesar de mtos avisos da minha mãe de que esse seria um momento dificil, la fui eu, e caminhei das 9 horas e 30 min as 17 horas e 30 min, com apenas uma parada para almoço e 3 4 paradas para observação da flora e fauna, cara nao sei mas nos gordos nos superamos, literalmente falando... dhasuhdsauihdsadsa... vejo q nao sou so eu q passo por isso..

    abraços

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  2. Não precisa ser garrafa com água, leve apenas a garrafa.

    Água pega-se por lá mesmo, é de graça.

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  3. rapaz...nunca vi tanto erro de concordância!! Estude mais viu?

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