FORJANDO UM GUERREIRO - MARTELO E BIGORNA

O Invencível

Mais um dia se iniciava com o soar das trombetas que anunciavam a troca de turnos, após uma breve, porém atenciosa revista, o Chefe da Guarda autorizou a substituição da segurança do portão principal, assim também foi em todos os postos de vigília. Ignus estava no posto da torre sudeste, propositadamente o último local a ter a guarda trocada, pois Haldar queria muito falar com Ignus, mas só poderia fazer isso com conforto após a troca de turno.

O guarda companheiro de Ignus nesse turno parecia muito satisfeito ao ver Haldar se dirigir até a escada que levava a torre onde estavam, tivera uma noite cansativa, por muitas vezes cochilou e teve medo de ser pego dormindo durante seu turno, mas sempre que acordava via Ignus de pé como se ainda fosse o seu turno e agradecia aos deuses por seu companheiro ser alguém que estava sempre alerta. Seu nome era Omar, pai de duas filhas frutos de um casamento conturbado, mas nada que ele não conseguisse resolver com alguns argumentos simples. Era dedicado ao serviço, mas ultimamente não rendia o tanto que antes, devido à misteriosa doença de sua filha mais nova.

Assim que Haldar se aproximou, ambos, Omar e Ignus se puseram em posição de sentido e bateram continência para seu superior. Como de praxe a revista foi rápida, mas sempre cuidadosa e após o ritual a última troca da manhã foi feita. Omar suspirou com alívio e calmamente caminhou ao refeitório para fazer a tão esperada refeição matutina, para depois pode ir para casa repousar devidamente, cumprimentou os colegas que assumiriam seu posto, saudou mais uma vez o Chefe da Guarda e despediu-se de Ignus com um meio sorriso sincero de agradecimento, tanto por ter-lhe ajudado durante a noite, tanto por não ter revelado nada a Haldar.

Enquanto caminhava em direção ao refeitório, pouco atrás de Omar, Ignus foi parado por Haldar que pediu que o encontrasse após sua refeição na área de treinos. Mesmo Ignus questionando o porquê da aparente urgência, Haldar não disse mais nada, apenas se afastou para designar suas ultimas funções da manhã. Ignus foi até o refeitório onde comeu o pão que acabara de sair do forno juntou com queijo fresco que estava sendo servido. Foi uma refeição farta e bem animada devido aos outros guardas e a alguns soldados da tropa que riam o tempo todo ou zombavam de alguém que estava caindo de sono. Ignus mesmo ria vez ou outra de alguma zombaria, ali ele se sentia entre iguais, mas ainda havia algo dentro dele que dizia que ele ainda poderia ser muito mais do que somente aquilo.

Após a saborosa e rica refeição Ignus saiu aos tropeções com alguns de seus companheiros, que ainda um pouco exaustos da noite passada se apoiavam nele e riam devido à embriaguez do sono. Mas ao contrário dos companheiros Ignus não foi para o alojamento, mas sim, foi encontrar com seu antigo mentor. O campo de treino estaria vazio não fosse a presença de Haldar que manejava uma pesada lança de guerra. A lança produziu um zunido bem audível quando passou poucos a centímetros da cabeça de Ignus, depois Haldar girou-a no ar mais duas vezes e pousou seu cabo no chão habilmente.

- Já utilizou uma dessa alguma vez, Ignus? - Perguntou Haldar oferecendo-o o cabo da lança.
- Nunca! - Respondeu com sinceridade.

Era a primeira vez que segurava uma lança de guerra, devido ao tamanho e ao peso era uma arma desengonçada, ainda mais para alguém que só estava acostumado a manejar espadas. A empunhadura do cabo era revestida com tiras de couro para aumentar a aderência, também dava certa maciez e conforto para quem a segurava. Mas mesmo assim Ignus se sentia um pouco desconfortável em manusear a arma, afinal, ela era bem maior do que ele e suspeitava que poderia pesar o mesmo que ele. Esse pensamento de certa forma o animou, pois imaginou quão potente poderia ser um golpe desferido com essa arma.

- Existem dois tipos principais de lanças, as lanças de guerra e as de cavalaria. - Explicou Haldar.
- Você não me chamou aqui apenas para falar sobre lanças, chamou? - Questionou Ignus com certa ironia.
- Que bom que perguntou! - Respondeu com nítida zombaria. - As lanças de guerra são...
- Estou falando sério, Haldar! - Reclamou Ignus visivelmente irritado.
- Eu também estou. Por acaso já usou um escudo alguma vez?
- Também não... Haldar, o que isso tem a ver com o motivo de você querer falar comigo?
- Simples, pois a partir de agora você vai ter que aprender a manusear ambos! - Falou com firmeza.
- Não entendi. - Disse confuso.
- Você não faz mais parte da guarda real!
- Como não? O que houve? - Perguntou Ignus tomado de ira repentina.
- Hoje você se tornará oficialmente um soldado, membro das tropas reais.

A perplexidade e a surpresa e também a parcial irritação com Haldar deram lugar a uma alegria inesperada, Ignus poderia esperar tudo daquela conversa, menos aquilo. Mesmo contento com a notícia de mudança de posto e cargo, Ignus não compreendia o porquê da repentina ascensão, afinal, tornar um soldado da tropa era algo muito difícil, pelo que soube, além de uma honra concedida a poucos que provavam valor, Ignus não se lembrava em momento algum de ter provado absolutamente nada.

- Não exatamente hoje, - disse Haldar interrompendo o fluxo dos pensamentos de Ignus - daqui a dois dias haverá uma solenidade para aclamar a nova tropa e você fará parte dela.
- Estou realmente surpreso! - Falou Ignus com nítida sinceridade e contentamento.
- Mas não estou lhe falando de lanças apenas por conta disso, mas também por isso, afinal, um bom soldado tem que saber manejar muito bem uma.
- Aprenderei a manejar uma lança tão bem quanto manejo uma espada...
- Não! - Interrompeu - Terá de fazer muito melhor! Já esteve em algum combate de tropa contra tropa? Um combate contra um exército de verdade?
- Não.
- Por isso, logo após a cerimônia sua tropa partirá marchará para combater nas fronteiras do leste de nosso reino, por isso em dois dias você terá de aprender muito bem a manejar uma lança.


No dia seguinte Haldar acordou Ignus mais cedo do que o normal e o levou para o campo de treino, a fim de começar o treino prático com uma lança de guerra, e isso seria o que fariam até o dia da partida de Ignus, pois segundo ele, Ignus marcharia no pelotão de frente, por tanto não haveria necessidade de treinar com a lança de cavalaria. Além da lança outros apetrechos também foram trazidos, dentre eles um escudo, pois segundo Haldar, Ignus deveria aprender a usar um tão bem quanto usava uma arma.

Ignus parecia um pouco desconfortável de ter o pesado escudo de madeira em seu braço esquerdo, não que o peso o incomodasse, mas se sentia desconfortável. No início confundia-se um pouco com os movimentos de bloqueio, mas logo pegou o jeito e conseguia aparar qualquer golpe que vinha em sua direção, apenas os golpes visando suas pernas lhe eram um problema. Sempre que algum golpe tentando atingir-lhe as pernas era desferido ele saltava ao invés de tentar bloquear, Haldar desaprovava tal atitude, pois argumentava que durante um confronto real Ignus talvez não tivesse tempo nem espaço para saltar.

Após o treino com escudo eles passaram a treinar o uso da lança junto com o escudo, Ignus mais uma vez teve dificuldade de manusear os dois ao mesmo tempo, mas logo já estava conseguindo atacar e bloquear, bloquear e contra-atacar, tudo com grande perícia. Só que ele precisaria de muito mais do que apenas perícia, em poucos dias ele enfrentaria um batalha de verdade, não contra um punhado de aventureiros, como estava acostumado, mas contra um exército de verdade, bem treinado, armado e pronto para matar, sua perícia seria uma arma muito valiosa, mas isso só não bastaria.

- Você ainda não me disse uma coisa, Haldar. - Falou Ignus enquanto faziam uma pausa pouco antes de almoço.
- O que seria?
- Por que me tornei um soldado da tropa tão rápido?
- Pergunte ao Comandante Slav, ele que incluiu seu nome na lista.

Isso explicava muita coisa, o Comandante Slav não gostava de Ignus nem um pouco, e fazia questão de demonstrar isso de todas as formas sempre que possível. Após o incidente com seu o irmão e o mesmo anunciar que o nome de seu algoz era Ignus, as coisas só pioraram. O fato de Ignus ser nomeado para se tornar um membro da tropa e ser designado para fazer parte da linha de frente, só poderia significar que Slav não desejava o retorno de Ignus da batalha.

- E como o irmão do Comandante está? - Perguntou Ignus com um sarcástico sorriso no rosto.
- Pior do que antes, a febre piorou e essa noite perdeu totalmente a consciência e tem constantes convulsões. - Respondeu notando a satisfação de Ignus enquanto ouvia. - Você por acaso não teve nada a ver com isso, teve? - Perguntou já prevendo a resposta.
- Como faria ele ter febre, se não mexo com ervas ou feitiços? - Rebateu com ironia.
- Sabe do que estou falando Ignus! Foi você que o feriu daquela forma, não foi? - Questionou Haldar com grande rigidez.
- Sim, fui eu. - Falou finalmente - Há uns dias atrás minha cabeça ficou a prêmio por conta de um serviço que fiz que não agradou muito a alguém, foi quando soube que um bando de mercenário estaria atrás de mim. Resolvi facilitar pra eles e armei uma "armadilha" para eles me pegarem.
- Pelo visto alguém sobrou vivo para contar o que houve...
- Mas quem disse que eu matei alguém? - Interrompeu. - Eu deixei todos vivos, mas em um estado próximo da morte, para que pudessem se lembrar de mim, caso fossem fortes o suficiente para se recuperarem, pelo visto um foi.

A atitude do antigo pupilo não era surpresa para Haldar, conhecia sua personalidade melhor do que ninguém e sabia muito bem o que ele nutria em seu intimo. Sempre soube o prazer que Ignus sentia pela selvageria da batalha, mesmo sendo alguém de temperamento calmo, pois desde garoto ele alimentava um ódio incomensurável dentro de si, sentimento esse que lhe dava forças, e Ignus sabia muito bem como extrair o poder de sua ira.

Ele tinha um estranho senso próprio de justiça que o tornava intolerante a muitas coisas, principalmente quanto à covardia e no que lhe dizia respeito, ser atacado por um bando enquanto estava sozinho, não era uma atitude louvável. Isso para ele era uma ótima justificativa pra puni-los de forma exemplar, o que para ele significava fazê-los sofrer e muito, para isso não havia pior forma do que deixá-los num estado próximos da morte e implorarem por ela.


Após uma tarde de intensos treinos Ignus foi, por fim, repousar, mas quando estava entrando no alojamento ouviu o chamado furioso do Comandante Slav. Após ser repreendido desnecessariamente Ignus ficou sabendo que iria ficar de guarda em uma das torres da muralha sul, mas mesmo argumentando que agora não era mais um guarda e que ele não desempenharia mais essa função, ele não conseguiu se ver livre da tarefa, pois segundo o comandante, Ignus agora estava sob sua tutela e deveria obedecê-lo incondicionalmente, o que significava que esta noite ele montaria guarda na muralha sul.

Seu companheiro mais uma vez fora Omar, mas esta noite ele parecia um pouco mais animado do que antes, aparentemente sua filha estava apresentando sinais de melhora. Ignus estava um pouco desanimado devido à desnecessária truculência do comandante e pelo fato de se sentir um pouco cansado e não poder repousar, pois sabia que amanhã teria mais uma intensa rodada de treinos. Mas mesmo com certa revolta e a contra gosto lá estava ele, montando guarda ao lado de Omar.

Era uma noite tranqüila como muitas outras, mesmo os boatos de um possível ataque de um pequeno grupo de exército inimigo não mudaram o clima de tranqüilidade daquela noite, tão pouco a proximidade do combate maior parecia os preocupar. Omar parecia muito mais interessado em falar de sua vida e de como sua filha parecia melhorar, seu comportamento era algo extremamente raro de se observar em qualquer habitante de Zeiram, mas isso não perturbou Ignus. O guarda era um homem de semblante jovial e se importava muito com suas filhas, muitos diziam até que ele era louco, pois não havia motivos para tal, já que quem deveria se ater a tais coisas era sua esposa, não ele, mas isso não o incomodava.

A lua já estava alta no céu quando uma nuvem a encobriu, no instante seguinte uma trombeta soou indicando a mudança de horário e de turno. Ignus foi chamar Omar para assumir o posto, mas o mesmo já estava na entrada da guarida da torre quando Ignus abriu a porta para sair. A atitude do companheiro o deixou surpreso e Ignus deu-lhe um leve tapa nas costas como incentivo, ao que Omar respondeu com um pedido para que Ignus trouxesse-lhe um pouco de hidromel para animar-lhe um pouco mais.

Tudo estava silencioso e calmo, o único som audível eram os passos calmos de um outro soldado que fazia a ronda e o das chamas crepitando nos archotes. Alguns soldados faziam uma pequena refeição e conversavam alegremente enquanto Ignus apanhava um odre de hidromel, eles o cumprimentaram e o convidaram para se reunir a eles, mas o pedido foi gentilmente recusado.

Enquanto subia Ignus deu um pequeno gole no líquido sentindo-se um pouco revigorado, porém enquanto saboreava o que havia sobrado em sua boca um som abafado chamou-lhe a atenção, e o som vinha de cima, bem da direção da guarida. Ele acelerou o passo e ao chegar lá, viu Omar caído no chão, imediatamente pensou que o amigo havia pego no sono, mas notou que sua mão ainda segurava com força a lança, isso não era um bom sinal.

A guarida tinha uma abertura grande para o lado de fora, quase do tamanho de uma janela, era ótima para observar qualquer coisa daquele ponto, mas uma pessoa passaria por ela com certa tranqüilidade, embora para isso precisasse escalar os mais de sete metros de altura da muralha até aquele ponto. Ignus observou o terreno e nada viu a não ser os próprios guardas, mas algo lhe dizia que havia algo de errado,só não sabia dizer o que.

Mal conseguiu ponderar sobre sua suspeita quando a ponta fria de uma lâmina encostou perigosamente em sua nuca, como aquilo era possível, estava se perguntando naquele instante, era impossível alguém estar oculto ali e ele não ter sentido. Mas aconteceu e lá estava ele a mercê de quem quer que fosse.

- Nem pense em tentar algo, no instante em que pensar em se mexer, eu atravesso sua garganta! - Anunciou seu pretenso algoz.
- Isso é uma ameaça? - Ironizou Ignus mantendo a tranqüilidade.
- Apenas um aviso! - Respondeu seu pretenso algoz mantendo o tom de ironia.
- Posso saber o que quer? - Questionou Ignus tentando ganhar tempo para pensar em como agir e obter alguma informação.
- Apenas sair sem causar qualquer perturbação, mas creio que você não ira permitir, estou certo?
- Sair?
- Sim, sair! Agora, por favor, permaneça exatamente onde e como está, enquanto parto.

Um estranho vulto passa por Ignus com uma velocidade impressionante, mas ele consegue reagir e avança mais rápido e bloqueia sua passagem com o próprio corpo, empunhando a lança em direção ao invasor. Ignus agora via como era o sorrateiro intruso, ele trajava uma camisa folgada de mangas longas e bem largas, sua calça tinha pernas bem largas, o que lhe dava a aparência de uma saia, portava além da espada que estava em sua mão esquerda, mais duas espadas presas a uma faixa, mas o que mais chamava a atenção era o estranho chapéu cônico que usava ocultando quase toda a face, deixando apenas o queixo a mostra. As espadas que portava eram um tanto singulares, pois possuíam lâminas finas bem diferentes do habitual, e caso todas fossem iguais a que estava segurando em sua mão, possuíam apenas um gume, ao invés de dois.

Em sua mão direita havia uma grande mochila simples com algo bem grande e volumoso dentro, mas Ignus não sabia dizer exatamente o que era, mas o que quer que fosse deveria ser bem valioso, caso contrário não valia o risco que esse homem estava correndo.

- O que carrega na mochila? - Questionou Ignus sem tirar os olhos da espada desembainhada.
- Um livro! - Disse secamente o invasor.
- Um livro? Quem invade um palácio e se arrisca tanto por um simples livro? - Questionou Ignus.
- Se este fosse um simples livro, eu não me arriscaria. Mas a propósito, quem disse que estou correndo algum risco?

A provocação surtiu o efeito que o invasor queria, pois Ignus rapidamente tentou estocá-lo com a lança, mesmo o golpe sendo muito rápido, preciso e muito bem executado, de anda adiantou, pois o intruso esquivou-se com uma perícia assombrosa. Após passar tranqüilo e ileso pela lança com um único e simples movimento ele fez com que a arma de Ignus fosse dividida em duas. A facilidade como fora desarmado deixou Ignus preocupado, mas não tinha tempo para tal coisa e tentou atacar com o que lhe sobrou da lança, mas seu oponente mais uma vez escapou do ataque direto com um movimento fluídico e preciso.

Vendo a persistência nos olhos do soldado que insistia em impedi-lo de sair, o invasor pegou uma das próprias espadas e arremessou para Ignus, que com grande incredulidade agarrou a arma e desembainhou-a um pouco, para em seguida examinar sua lâmina. Era impressionante como a arma era bem feita, além de aparentemente nunca ter sido usada, pois não havia uma imperfeição sequer em seu fio e nenhuma marca aparente em sua lâmina.

- Por que me cede uma de tuas próprias armas? - Questiona Ignus duvidoso pelo estranho ato de seu oponente.
- Se vamos nos enfrentar, que seja em pé de igualdade, agora que está bem armado pode se defender com dignidade.

Um sorriso malicioso se mostrou na face de Ignus, contente por encontrar alguém que pensasse de forma semelhante a ele, mesmo não sabendo muito bem manusear uma espada daquele tipo, Ignus parecia estranhamente feliz pela possibilidade do combate, ainda mais pelo fato de lutar em condições totalmente adversas. Uma das coisas que aprenderá com Haldar quando jovem e que carregou consigo para sua viagem, foi que para se obter uma vitória total sobre um inimigo, você deveria vencê-lo naquilo em que ele é melhor, pois superar uma fraqueza qualquer um poderia fazer, mas superar um ponto forte de um inimigo era uma tarefa extremamente difícil.

Ele estudou seu oponente com cuidado e viu que mesmo segurando a mochila em uma das mãos e a espada na outra, seu inimigo não demonstrava nenhum sinal de desconforto, mesmo tendo também, sua visão prejudicada pelo uso do estranho chapéu que com certeza não lhe ajudava em nada nesse quesito.
Ignus deu o primeiro ataque, foi um golpe lateral dado sem muita intensidade, feito apenas para efeito de estudar a reação do oponente, que apenas bloqueou o golpe com tranqüilidade, para em seguida se aproximar e tentar atacar a cabeça de Ignus com um golpe dado com o cabo da espada. O movimento foi rápido, mas Ignus conseguiu se esquivar abaixando-se e viu que havia feito a escolha certa, pois viu seu oponente mover o pulso fazendo um perigoso corte no ar.

Ainda em segurança Ignus tratou de desequilibrar seu algoz com uma rasteira, mas o mesmo fora mais astuto e mesmo Ignus tentado atingi-lo com a espada, ele já estava fora do alcance devido à força de seu salto. Ao fim do salto tomou novo impulso e avançou violentamente contra Ignus, pondo o braço que segurava a espada para trás e preparando um golpe poderoso que concluiria a luta. Ignus notou o movimento e rolou na direção oposta de onde viria o ataque da espada, mas isso era apenas uma armadilha, enquanto ele rolava para longe da lâmina desembainhada, seu oponente sacou a outra espada que possuía e consegui fazer um corte na perna de Ignus. O corte não fora mais profundo graças à proteção que usava, mas ele notou que o golpe não foi perfeito, o que diminuiu mais a gravidade do ferimento.

- Vejo que além de habilidade, você também possui um grande shii. - Falou o invasor enquanto observava Ignus se por de pé e em guarda novamente - Por que não o usa?
- Como sabe disso? - Impressionou-se Ignus.
- Posso observar sua aura transbordar através de seu corpo! - Anunciou fazendo com que Ignus desse um sorriso de contentamento - Então por que não usa seu shii para me enfrentar? Aposto que teria grandes chances de me derrotar.
- Seria injusto usar tal artifício contra alguém que usa apenas uma espada!
- Gostei de você! - Falou a Ignus com sinceridade

Um sorriso se esboçou no rosto de Ignus, ele pode jurar ver o mesmo sob o estranho chapéu cônico de seu oponente. Os dois avançaram um em direção ao outro ao mesmo tempo, Ignus preparou uma poderosa estocada, porém no instante seguinte seu inimigo havia simplesmente desaparecido de sua frente. Seus instintos o alertaram do perigo eminente, ele rapidamente virou-se para a direita e viu seu oponente mais próximo e se movendo ainda mais rápido. Quando finalmente se virou e preparou para aparar um possível golpe novamente seu oponente desapareceu, mais uma vez Ignus virou para a direita e viu que seu oponente estava ainda mais próximo. Desta vez resolveu atacar, mas sua investida fora inútil, sua espada apenas cortou o ar onde até a pouco estava seu inimigo. Uma última vez ele girou o corpo e viu que seu inimigo estava tranquilamente agachado com a espada embainhada na janela de observação.

Admitindo a derrota Ignus apanhou a bainha da espada que não estava muito distante, embainhou-a e jogou de volta para seu dono original que a agarrou ainda no ar com facilidade e prendeu-a na faixa amarrada na cintura.

- Você venceu, agora parta! - Anunciou Ignus apenas verbalizando o sentimento de derrota, mas que em nada o decepcionava.
- Sensato! Realmente gostei de você rapaz! Qual é o seu nome?
- Ignus!
- Schneider! Espero poder duelar contigo outra vez quando estiver em melhores condições.

Com um leve aceno de cabeça Schneider se despediu depois se virou para o vazio da noite e deixou o corpo cair, Ignus correu para a janela e viu que ele parecia correr pela parede em direção ao chão, para no momento derradeiro do que seria um violento choque contra o solo, vê-lo dar um salto magnífico usando a parede para lhe dar impulso e pousar em segurança, já bem distante da muralha. Ignus pensou em apanhar sua espada e seguir Schneider, mas seria inútil, ele já estava muito distante. Ao invés disso tratou de se desfazer dos restos da lança partida, em seguida acordou Omar, que inicialmente reclamou de uma dor na nuca, depois questionou sobre o tempo que havia dormido, Ignus mentiu dizendo que acabara de voltar da cozinha e foi apanhar o odre com hidromel que havia deixado do lado de fora da guarida.


- Um livro? - Perguntou Haldar ainda tentando entender porque alguém roubaria justamente um livro.
- Foi o que ele disse, mas não vi o que tinha dentro da bolsa. - Admitiu Ignus.
- Seja lá o que for que continha aquele livro, deveria ser realmente muito valioso, a propósito, fizeste bem em não contar nada ao comandante, pois do contrário à esta hora você estaria servindo de almoço para alguma ave de rapina.

Ambos, mestre e pupilo caminhavam pelas ruas da cidade, o dia já se aproximava de sua metade e Ignus ainda não havia repousado, durante a noite assumira um turno de Omar, ficando um três turnos sem nenhum repouso, mas isso não parecia tê-lo abalado. Enquanto caminhavam Ignus ia relatando a Haldar, com mais detalhes, o que havia ocorrido durante seu combate contra Schneider. Seu mestre ficou impressionado com o relato, afinal, não era todo dia que se ouvia falar de alguém tão habilidoso. Entretanto a habilidade não era o único fator que intrigava Haldar, a forma com lutava, as espadas que usava e o traje descrito por Ignus fizeram Haldar ter algumas suspeitas.

- Por acaso já ouviu falar do grande mestre espadachim Hatsunei? - Perguntou Haldar.
- Já, durante minha viagem ouvi falar muito dele, principalmente de seus discípulos.
- Chegou a conhecer algum?
- Não apenas conheci, mas lutei contra uns cinco se não me engano?
- Chegou a vencer algum combate? - Questionou Haldar duvidoso.
- Apenas perdi um, os outros foram fáceis. - Respondeu despreocupado.
- Tenho quase certeza de que esse tal de Schneider, que você enfrentou, é um dos discípulos de Hatsunei.
- Por que tem tanta certeza?
- Me responda outra vez, esse Schneider lutou com o que?
- Apenas com espadas. - falou secamente sem saber o motivo da sabatina.
- E esses outros "discípulos" que você alega ter vencido, lutaram da mesma forma que ele?
- Não! - Falou com convicção - Eles usaram de diversos artifícios, um até usou shii, mas nenhum dele lutou apenas com espadas, apenas um que foi justamente para o que perdi.
- Os discípulos de Hatsunei são conhecidos pela sua incomum habilidade com uma espada, além do fato de nunca perderem para alguém em um combate limpo, de espada contra espada, por isso, sinto lhe dizes, mas até hoje você só lutou com um verdadeiro discípulo de Hatsunei.
- E esse Schneider?
- Com certeza é um deles, não tenha dúvida!

Resolveram entrar numa taverna de boa aparência para comer algo, pois já estavam com muita fome e enquanto comiam Haldar continuou explicando a Ignus sobre Hatsunei e seus discípulos. Ele explicou sobre como firam treinados, suas técnicas e estratégias, pelo que dizia cada um dos discípulos de Hatsunei era mestre em um estilo diferente de espada e era praticamente impossível vencer algum deles em um combate limpo apenas com espadas.

Embora o fato de alguém ter tentado roubar algo do palácio não fosse algo tão estranho, o mais intrigante no fato era por quê alguém justamente roubaria um livro, ao invés de algo realmente valioso. Nem mesmo Haldar que conhecia boa parte dos tesouros do palácio, não fazia a menor idéia do que poderia haver de tão especial justo em livro, até onde sabia, não havia nenhum livro tão importante assim na biblioteca real que pudesse despertar tamanho interesse.

A taverna estava cheia aquele dia, pessoas iam e viam, comiam, bebia, falavam alto, riam... Volta e meia surgia um princípio de confusão devido ao calor da bebida, mas nada que seguia muito adiante. Haldar e Ignus comiam agora em silêncio aproveitando o momento para refletirem e saborearem o assado. Entre um pedaço e outro Ignus degustava um bom gole de cerveja , pensava no combate na noite anterior e ficava atordoado pelo fato de mal ter conseguido se aproximar de Schneider. Após mais um gole de cerveja ergueu a cabeça e contemplou as distantes tábuas do teto, sentiu o abdome inflar repentinamente e arrotou sonoramente.

Quando voltou a posição normal algo do lado de fora lhe chamou a atenção, algo não, alguém, Schneider, e Ignus tinha certeza de que era ele, pois vestia as mesmas roupas da noite anterior. Rapidamente apanhou sua espada que estava apoiada na mesa e saiu em disparada, deixando Haldar confuso e sem qualquer reação. Ignus alcançou Schneider alguns metros à frente, mas preferiu não chamar sua atenção, preferiu segui-lo com uma distância segura e o viu seguir para fora da cidade. Ele carregava a mesma mochila da noite anterior, que aparentemente ainda continha o fruto do roubo, o que deixou Ignus ainda mais excitado pela perseguição. Seguiu-o até fora dos portões da cidade, depois viu Schneider tomar um caminho alternativo a estrada principal, onde alguns metros depois parou e seu virou bruscamente, não dando tempo para Ignus encontrar abrigo.

- Já estamos bem distantes da cidade, agora pode dizer o que quer comigo. - Falou com rispidez.
- Faz jus a fama que tem, Schneider. - Disse Ignus com sinceridade lembrando o quanto Haldar enaltecera a perícia e perspicácia dos discípulos de Hatsunei.
- Se queria apenas me seguir já o fez, mas se quer outra coisa comigo fale de uma vez.
- O que um livro pode ter de tão valioso assim para alguém como você se arriscar tanto? - Questionou tentando obter a resposta para algo que o intrigava tanto.

Schneider suspirou profundamente.

- Primeiro que não corri risco algum, segundo que a muito mais valor em um livro do que se pode imaginar! - Ironizou.
- Mas por que exatamente este livro?
- É algo que está muito além de teus conhecimentos guerreiro, por esta razão não creio que valha a pena perder meu precioso tempo tentando explicar algo que sua pequena e reclusa mente não irá entender.
- Me julga sem me conhecer, mas por que não tenta me explicar? - Disse Ignus deixando transparecer uma parte de sua raiva com as constantes provocações.
- Fique em paz.

Com essas palavras Schneider deu as costas para Ignus e partiu lentamente, demonstrando uma calma até certo ponto irritante, ao menos para Ignus, devido também a nítida demonstração de desprezo. Vendo-o partir Ignus desembainhou a espada e jogou a bainha com força para longe, o som da lâmina ressoando e o som da bainha batendo pesada no chão chamaram a atenção de Schneider, ele lentamente se virou e Ignus pode ver um meio sorriso por baixo do estranho chapéu cônico.

A provocação por parte de ambos havia funcionado, ambos queriam o combate, mas nenhum queria iniciá-lo. Enquanto voltava Schneider rearrumava as espadas, pondo uma em cada lado do corpo e segurando uma ainda embainhada na mão direita, a mochila com o suposto livro roubado foi posta em uma árvore próxima com um nó simples, mas que garantiria sua permanência ali durante o combate, o que deixaria Schneider com as duas mãos livres, diferente da batalha na noite anterior. Não apenas isso era diferente, agora eles lutariam em campo aberto, Ignus tinha uma espada que sabia manusear muito bem e ambos estavam com vontade de lutar.

- Lâmina larga e longa, feita para ser usada com as duas mãos, não é uma espada muito rápida, é feita para ataques poderosos que costumam decidir a luta com um ou dois golpes. - Disse Schneider fazendo uma precisa análise da espada de Ignus.

Mesmo tendo Schneider tendo feito uma análise tão profunda e detalhada de sua espada, Ignus não se impressionou nem se distraiu, desde que havia desembainhado-a ele estava totalmente focado em seu oponente e não se permitia outra coisa, mal deu atenção à análise feita. Assim que Schneider terminou de falar Ignus correu em sua direção, girou a espada no ar preparando um golpe forte o suficiente para dividir seu oponente em dois. O arco mortal traçado no ar foi aparado de forma surpreendente, Schneider observou atentamente a movimentação de Ignus e só quando estava cara-a-cara com ele resolveu defender.

Apoiando o polegar na parte de baixo da guarda da espada Schneider desembainhou sua espada, deixando apenas uma medida de lâmina igual ao tamanho de seu polegar, o que foi o suficiente para bloquear com perfeição assombrosa o poderoso golpe de Ignus.

Perplexo ao ver seu golpe ser bloqueado com apenas um braço e a medida de apenas um polegar de lâmina exposta, Ignus não conseguiu esquivar da reação de Schneider, o espadachim utilizou a outra mão para golpear Ignus no abdome. Com um movimento rápido ele desembainhou a espada que estava no seu lado esquerdo, golpeando fortemente com seu cabo para em seguida recolocar a espada dentro da bainha. A força do golpe fez Ignus recuar dois passos, recuando também a espada, Schneider aproveitando desse momento girou acertando um golpe com a espada ainda embainhada no rosto de Ignus que tombou para o lado esquerdo. Ainda no chão Ignus tentou atacar Schneider com sua espada visando atingir suas pernas, mas o hábil espadachim conseguiu evitar o golpe com facilidade dando um salto curto para trás.

- A única forma que tem de vencer é usar o seu shii. - Anunciou Schneider dando tempo para que Ignus se levantasse.
- Por que está tão confiante de que vai me vencer? - Perguntou Ignus com um leve tom de ironia na voz.
- Há algum indício do contrário? - Rebateu Schneider.

Com apenas a força do polegar Schneider fez com que sua espada fosse arremessada no ar com força e impulsão impressionantes, em seguida arremessou a própria bainha contra Ignus que se defendeu com o braço e jogou-a para longe. A defesa havia sido fácil, mas somente quando atingiu a bainha percebeu quanto era rígida e pesada, parecia feita de metal, o que deixou seu braço um pouco dolorido. Entretanto, tal ataque era apenas uma distração, o ataque real veio de cima, Schneider assim que arremessou a bainha saltou e apanhou a espada ainda no ar, aproveitando de sua impulsão inicial desceu descrevendo um arco cortante no ar que foi semi bloqueado pela espada de Ignus, que notou o golpe no momento decisivo. A lâmina de Schneider ainda conseguiu rasgar sem muito perigo o peito de Ignus, mas o pequeno talho havia feito um grande estrago no ego do guerreiro.

Uma ira incomensurável se inflamou dentro de Ignus, podia sentir seu próprio shii pulsando de ódio, assim como ele. Deu um golpe lateral rápido, porém forte o suficiente para afastar Schneider que mais uma vez bloqueou com sua espada de lâmina fina. Olhou atentamente para seu oponente tentando ver seu shii e com isso tentar captar alguma coisa sobre ele, mas não viu absolutamente, era como se Schneider fosse uma pedra, não havia a menor emanação de nenhum tipo de energia.

O momento de distração de Ignus custou-lhe caro, quando deu por si Schneider simplesmente havia sumido, seus instintos imediatamente gritaram um alerta, mas já era tarde, Schneider aparecera repentinamente a sua frente dando-lhe um poderoso golpe com o cabo da espada no abdome, que seguiu com um corte não muito profundo ao longo do tórax de Ignus. A força do golpe foi tanta que conseguiu arremessá-lo alguns metros para trás, mesmo tendo tido êxito no ataque Schneider não se deu por satisfeito, saltou com força na direção de Ignus que ainda terminava de ser arrastado pela força do golpe, ergueu mais uma vez sua espada e preparou um potente golpe que deveria dar um fim no combate. No instante derradeiro Ignus viu o arco mortal feito pelo movimento da espada de Schneider, rolou para se afastar o máximo que pode e conseguiu se afastar da lâmina mortal.

Levantou-se o mais rápido que pode e se pôs em guarda novamente, foi quando notou que algo escorria pelo seu braço direito. Era sangue. Um grande rasgo transversal havia surgido em seu braço, mas isso era impossível, pensava Ignus, já que a lâmina de seu oponente sequer tocou nele. Em meio a sua incredulidade ele observou com mais atenção seu oponente e também o terreno a sua volta, para seu espanto notou que no ponto onde a espada de Schneider havia atingido havia se formado uma pequena cratera, mas grande demais para ter sido feito com um golpe de espada. Notou ainda um grande talho em uma árvore próxima dali, talho esse, que descrevia perfeitamente o movimento feito pela espada de Schneider.

- Hora de acabar com isso! - Anuncio Schneider com tom seco.

Seu corpo se torceu todo para trás, Ignus até pode ouvir com clareza o estalar de seus ossos, sua espada estava posta para trás, seus músculos ficaram tensos com a violência com que havia se contorcido. Sem êxitar Ignus bradou sua espada e correu em direção a Schneider. Foi um momento sublime, tudo pareceu parar a volta com o intuito de contemplar aquele momento. Schneider desfez a auto-contorção com uma velocidade e uma ferocidade impressionante, sua espada vinha cortando o ar descrevendo uma trajetória perfeita. Ignus por sua vez pôs toda sua força em golpe que vinha por baixo com a intenção de decepar Schneider. A força de Ignus era incomparável naquele momento, ainda mais aliada ao seu shii, que naquele momento estava incontrolável, mas a velocidade e a técnica de Schneider eram muito superiores. As espadas se encontraram, por um instante parecia que o violento choque produziria faíscas e um clangor como o de um trovão, mas o que se viu foi a lâmina de Schneider dilacerar espada de Ignus como se ela nem existisse.

A parte superior do tórax de Ignus estava cortada de um lado a outro, um corte profundo, perfeito e mortal. Ignus estava no chão, estático e atordoado pela perfeição e velocidade do golpe, o ferimento não doía, coçava um pouco, mas não o incomodava, não ainda. O sangue já havia inundado todo seu tórax quando finalmente resolver ver o estrago feito por Schneider, assim que viu a perfeição do golpe teve certeza de que não havia sido morto por pouco, ou por pura piedade.

Calmamente Schneider recolheu a bainha de sua espada que havia usada para ludibriar Ignus durante o combate, foi até a árvore onde havia deixado a mochila e com um simples golpe dado com a espada reebainhada o galho se partiu. Ele retornou e examinou o ferimento de Ignus, o olhar de perplexidade do guerreiro caído se transformou em desafio quando viu que Schneider o olhava, ele ainda tentou ver alguma coisa da face de Schneider por baixo de seu estranho chapéu cônico, mas este estava, talvez, estrategicamente na frente do sol, tornando quase toda sua silhueta um vulto negro.

- Você vai viver. - Falou com sinceridade - Esse ataque não foi suficientemente forte para te matar.
- Você teve a oportunidade, deveria ter me matado. - Retrucou Ignus.
- O que ganharia com isso? - Questionou Schneider rindo do tom de Ignus.
- A certeza de que não morrerá em um futuro encontro nosso.

O espadachim partiu rindo da afirmação, Ignus por sua vez permaneceu prostrado no chão contemplando o céu enquanto mais sangue ensopava o que sobrou de sua camisa. Ele não pensava em absolutamente nada, não sentia raiva, não sentia frustração, apenas contemplava o céu enquanto sua mente estava completamente vazia.

- Está atrapalhando minha visão! - Reclamou Ignus quando o rosto de Haldar surgiu encobrindo o céu com uma expressão de grave censura.
- Da próxima vez que sair em disparada como um louco ao menos explique o porquê.
- Fui buscar um livro! - Disse Ignus com um sorriso que se contorceu em uma careta, pois agora o ferimento começava a doer.
- Então aquele era o tal Schneider. - Falou enquanto observava o espadachim se distanciar.
- Ainda irei vencê-lo!
- Acho difícil, mesmo para você. - Falou com sinceridade.
- Só será difícil se eu acreditar que vai ser, afinal, ninguém é invencível.

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