A Crise Americana

Oi povo!! Sangue (e perfume) novo no blog!! Nossa, tão honrada de ter sido convidada!! Como o Dragus já avisou por alto, meu primeiro post é sobre a crise americana... não sou especialista e talvez possa dizer alguma bobagem, fiquem a vontade para me corrigir, tá! mas tentei fazer um resuminho!

Bjuuu!


EUA e a crise

Tudo começou a alguns anos atrás, quando a taxa de juros americana girava em torno de 1% a.a (siiim, ao ANO!). Para vocês terem uma noção ainda maior do significado disso, a brasileira é em torno de 13% a.a.

Com a economia estável e o juros em baixa, um mercado muito visado foi o imobiliário, muitos americanos buscaram por crédito e pelo refinanciamento (empréstimo calculado sobre o valor do imóvel, oferecendo um dinheiro rápido que será pago em longas prestações). Com este cenário econômico e visando um certo lucro, surgiu o subprime, que nada mais é do que empréstimos e hipotecas de alto risco, isto é, concedido a clientes com altas chances de não efetuar o pagamento de suas dívidas (mau pagadores). O resultado é uma alta e acelerada demanda e o aumento recorde no preço das casas, levando o presidente do FED (banco central americano) a ficar preocupado com o crescimento da inflação, o que ocasionou a elevação da taxa de juros para algo em torno de 5% a.a.

Com essa nova taxa o preço do imóvel começa a cair, pois o mercado já não está tão atraente, porém o valor das hipotecas (imóveis dados como garantia) também caem e outros produtos básicos sofrem um aumento. Agora vamos a uma simulação beeeem básica: você tem como renda $800, gastava $400 com "sobrevivência" (alimentação, luz, gás, roupa...), $150 pagava a faculdade e os outros $250 era da prestação do empréstimo.... agora vamos supor que esse mesmo "kit sobrevivência" passasse a custar $500, o que você faria? Mudaria o seu estilo de vida e suas necessidades? Trancaria a faculdade? ou deixaria de pagar suas dívidas. Bom, a opção dos americanos foi clara: Deixar a dívida correr e ir vivendo.

Logo, o número de inadimplências crescia e o consumo caia. E já no ano passado, essa crise chegou a bolsa de valores e começou a atingir os bancos (afinal eles negociavam com um dinheiro que só existia na promessa). Vendo que a situação não ia muito bem o FED resolve diminuir a taxa de juros continuamente, porem as perdas já eram bilionárias, as inadimplências cada vez maiores, haviam problemas e risco de falência em vários bancos e foi verificado o menor crescimento do PIB americano em anos, logo o que se via era uma crise que já estava sendo comparada com a de 1929. Várias medidas iam sendo tomadas mas nenhuma apresenta real efeito, inclusive a última, o plano de injeção de $700 bi que visava comprar essas dívidas.

E o que visa esse plano? O Governo iria "comprar" as dívidas, pagaria por elas no intuito de evitar a quebra dos bancos e injetar dinheiro no mercado, fazendo com que as pessoas voltassem a gastar e investir, isso é, o americano não ia deixar de dever, mas com essa medida talvez a economia saísse da retração e os devedores voltassem a ter dinheiro e pagassem suas dívidas ao governo, repondo futuramente, parte do que foi investido com o plano. Contudo, mesmo com a aprovação, esta medida não teve a "aceitação" esperada e as bolsas do mundo inteiro continuam caindo devido ao medo por parte dos investidores, só a brasileira já caiu algo em torno de 40%.

A Crise e o Brasil

É óbvio que com uma das maiores economias do mundo em crise, todas as outras seriam afetadas. Até onde eu sei o Brasil é afetado por dois motivos.

1º) E.U.A e China são nossos maiores importadores. Logo se o americano está deixando de consumir, nós estamos deixando de vender para eles.

2º) O Brasil ainda é considerado um país de risco, logo com a crise, os investidores preferem retirar seus investimentos. Com a saída de investimentos menor é a disponibilidade financeira para empréstimo (restrição de crédito) e também aumenta a taxa de câmbio pois a retirada é feita em dólares.

7 comentários:

  1. putz... eu não tava conseguindo (ou pelo menos tentando) entender essa crise toda... finalmente uma explicação sem o padrão Globo de Complicação...

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  2. Legal a explicação mais técnica, provavelmente de um conhecedor da área.
    Mas para mim, um leigo, é só um retrato desta sociedade onde o dinheiro e a ganância de alguns é desmedida, onde se vive de aparência, se empresta dinheiro de compromisso e quando vem alguém e fala que de fato ele não existe, fica todo mundo em polvorosa.

    Escrevi algo a respeito, se quiser.....
    http://mundiota.blogspot.com/2008/10/recesso-oba.html

    []'s

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  3. Bom texto Lara, mas há um fato que não foi mencionado.
    A diminuição da liquidez da economia norte-americana se devei tambem ao fato do financiamento da estrutura politico-miltar na ocupação do exercito norte-americano no Iraque.

    Quando houve a invasão norte-americana, vários economistas avisaram sobre os custos de uma guerra e da ocupação posterior no longo prazo. o exérico está lá mais de 4 anos e não há sinais nem de melhora nem de uma retirada.

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  4. Ta na cara que o Brasil irá sofrer com essa crise.
    Na verdade ele já está sofrendo.
    Como vc mesma disse, um dos maiores clientes dos produtos brasileiros está deixando de comprar e com isso o Brasil perde grana.

    O que piora pro lado brasileiro é que o EUA é o maior comprador de qualquer país do mundo, ou seja, se ele deixa de comprar produtos Russos por exemplo, a Russia freia a compra de varios produtos dentre eles o de carne brasileira. Desta forma a coisa vai aumentando e quando se vê ta todo mundo na lama junto com os americanos.

    O setor de contrução civil é o que mais cresceu nos últimos anos, mas com a valorização do dolar os produtos tendem a aumentar e com a crise os creditos para compra da casa nova ou para reformas tendem a diminuir e com isso as pessoas para de construir.

    Adivinha o que vai acontecer?

    Blog Esponja ®
    www.blogesponja.net

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  5. Pois é esponja... Já viu que a Russia tá meio na merda, né? supermercado vazio... sinceramente, me revolta um país (EUA) conseguir influenciar tanto nos outros...

    bjuuu =*

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  6. Oi Lara
    Vi tu falando dos juros, eu também andei postando sobre isso, sobre a crise. Mas os juros chegaram a 1% num momento posterior a febre da compra de imoveis, pra salvar as empresas dotcom, em crise lá por 2001,2002, o FED jogou o juro lá no chão pro papel podre seguir recebendo grana especulada. A trampa toda, e pra mim o que teve foi sacanagem, já que juro baixo é igual a dinheiro barato e dinheiro barato faz o capital correr, entre quem tem MUITA grana, bilionários, mesmo numa economia como a americana. Também foi mencionado ( nos comentários ) que a economia americana virada pra indústria bélica deixou de priozar outros pontos. Meia verdade, a grana que manda buscar a indústria bélica transcende ela mesmo, com grana de guerra se refaz um país. Não vamos esquecer do Plano Marshall....
    Quanto a crise chegar aqui, de fato vai nos furar um lado pelo fato dos EUA encolherem o consumo, mas a economia brasileira nos ultimos 8 anos vem se construindo justamente como catadora de alternativas, não depende de maneira tão crucial de exportação pros EUA. A escolha da política dos juros, pelo menos pra mim, tem um caráter muito mais de buscar quem será beneficiado. Se é verdade que juro alto encarece o dinheiro e deixa a economia restrita a alguns movimentos mais ousados, o que se pode esperar de um país que devia até as calças como o Brasil? Me parece acertada a política do juro alto, não fosse por ela hoje, agorinha, a coisa ia tá feia, bola dentro do Lulinha.
    E bola dentro tua também, excelente e bastante bem escrito e esclarecido o artigo todo, tanto que me fez publicar uma resposta do tamanho de um post :P

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