FORJANDO UM GUERREIRO - MARTELO E BIGORNA

Esse é um capítulo que já estava pronto há algum tempo, mas estava querendo terminar o seguinte para poder publicá-lo. É curto e mostra um evento paralelo aos acontecimentos da estória.

A quem for ler fica aqui meu agradecimento e a quem não interessar busque algum outro artigo e/ou assunto, pois aqui diversidade é o que não falta.

Para ler os capítulos anteriores:
Forjando Um Guerreiro

Boa leitura!
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Interlúdio


O negrume intenso daquela noite contrastava com a luminosidade do grande salão de reuniões de Letaran, conhecido pelo povo como "o Oráculo", seu suntuoso palácio estava impecavelmente em ordem, em especial sua preciosa sala de reuniões. Estava sentado em sua poltrona estudando um livro com grande atenção enquanto degustava uma fumegante xícara de chá, o pequeno candelabro de prata atrás dele permitia-lhe uma luz perfeita para a leitura, pois ele não se dava por satisfeito apenas com a luz que vinha dos muitos candelabros e lustres espalhados pelo salão.

Um criado veio até ele e falou calmamente ao seu ouvido anunciando a chegada de seus convidados, com um suave aceno de cabeça dispensou o criado entregando-lhe a xícara após esvaziá-la, terminou de ler o parágrafo onde estava e fechou o livro pondo-o na mesinha ao lado. Dois homens adentraram no salão de forma imponente, um deles trajava uma roupa que em muito lembrava um hábito religioso, de um negro profundo e o tecido perfeitamente impecável, era Zarrantas, Rei Zarrantas como era, deveria e exigia ser chamado. Seu companheiro era Fonan Drax, sua grande constituição física e seu tamanho lhe davam uma altivez intimidadora, ainda mais aliada a sua expressão sempre meio carrancuda, diferente da placidez de Zarrantas.

O Oráculo estava sentado em uma das cabeceiras de sua belíssima mesa de reuniões, Zarrantas por sua vez sentou-se na outra extremidade e Fonan se posicionou no assento à sua direita. Imediatamente mais cervos de Letaran apareceram e serviram frutas, pães, bolos e bebidas diversas, em seguida saíram.

- Qual foi o motivo da convocação, Letaran? - Perguntou Zarrantas.
- Na verdade não fui eu quem os chamou aqui. - Disse enquanto se servia de um pouco de chá verde.
- Eu solicitei a meu irmão que os chamassem, Rei Zarrantas.

Um homem trajando um longo manto de viagem marrom e com capuz ocultando a face surgiu por trás de uma estante de livros, tinha estatura mediana e um tom de voz firme, sentou-se ao centro da mesa. Ao ver os serviçais de Letaran correndo para servi-lo também, fez um sinal efusivo para dispensá-los. Outros dois homens vieram em seguida e se colocaram ao seu lado, um deles era Schneider, só que agora, ele estava armado com dezesseis espadas, sendo quatro em cada lado do corpo presas na faixa e mais oito dispostas em forma de circulo nas costas, além de seu típico chapéu cônico. O outro era um homem que tinha a mesma altura de Fonan, mas tinha a constituição física um pouco maior, usava calças largas e uma camisa sem mangas, ambos de cor cinza, um cabelo loiro espetado e uma expressão sarcástica no rosto. Seu nome era Abrolion.

- Por que trouxeste teus cães de guarda, Kryzalis? - Perguntou Fonan demonstrando irritação.
- Se prefere chamá-los assim... - Disse calmamente - Mas devo adverti-los que diferente de vocês dois - fez um gesto para Fonan e Zarrantas - eu não posso agir com liberdade.
- É justo! - Concordou Zarrantas - Prossiga e diga o que tem a nos dizer Kryzalis.
- Quero alertá-los para o perigo em que os senhores estão se envolvendo!
- E que perigo é esse? - Questionou Fonan.
- Em alguns anos uma grande guerra entre os deuses há de eclodir, essa guerra será uma conseqüência de outra guerra, a guerra dos imortais.
- Estás insinuando que uma suposta contenda entre meros imortais, culminará em uma guerra entre nós? - Ironizou Zarrantas. - Isso é um completo absurdo!
- Eu não os subestimaria tanto assim, muitos deles conseguiram evoluir ao ponto em que seu poder se equipara a muitos de nossos irmãos mais jovens.
- Ainda assim continuam sendo meros seres inferiores, que caso não nos contenhamos, seriam destruídos perante nossa simples aproximação. - Retrucou Zarrantas.
- Se o que diz é verídico, me explique então, Rei Zarrantas, por que Schneider e Abrolion permanecem ao nosso lado, sem que nenhum de nós esteja se contendo.

Todos permaneceram mudos, mas Zarrantas se sentia ultrajado, ele não costumava se conter, e aquela ocasião não era diferente, sentiu raiva do irmão não só pelo fato de tê-lo contrariado, mas pelo fato de por imortais próximo a ele, isso o deixava enojado. Zarrantas nutria uma grande repulsa por qualquer ser não divino, ainda mais por aqueles que não demonstravam o devido respeito que ele exigia, assim como agora faziam os acompanhantes de Kryzalis. Sentia vontade de destruí-los, de exterminá-los ali mesmo, mas estava se contendo, não se permitia sequer sujar sua energia divina com dois meros imortais.

- Recentemente descobri que um desses "meros imortais" previu uma grande catástrofe que envolveria não só os imortais, mas também os deuses.

Retirou um livro de seu manto abrindo-o em seguida, passou para Zarrantas que leu com atenção o que estava escrito, ao que parecia se tratava de uma profecia de uma guerra que seria iniciada por um grande governante e que esta guerra envolveria a todos os seres viventes. A profecia seguia dizendo que a guerra dizimaria muitas pessoas, sociedades inteiras morreriam, povos seriam dizimados... E a guerra se refletiria entre os deuses, muitos iriam perecer e os que permanecessem seriam poucos. Outro ponto da mesma profecia dizia que uma grande separação ocorreria por conta da guerra, os deuses enquanto lutassem destruiriam o mundo, seria o fim de tudo, até os deuses sofreriam as conseqüências.

O Rei dos Deuses gargalhou ao terminar de ler enquanto o livro simplesmente se extinguia da existência. Fonan se recostou na cadeira e olhou nos olhos de cada um dos presentes, até mesmo nos de Schneider que notou o olhar do deus e retribuiu a altura. Fonan não nutria o mesmo ódio pelos imortais que Zarrantas, mas tão pouco simpatizava com eles, achava que eles eram inúteis e desnecessários, mas já que existiam preferia não se envolver com nada relacionado a eles.

- Você é discípulo do mestre ferreiro chamado Hatsunei, não? - Perguntou Fonan.
- Sim. - respondeu Schneider secamente, mas voltando-se para o deus para demonstrar um mínimo de respeito.
- Mesmo entre nós a habilidade de teu mestre é apreciada. - Disse Fonan com sinceridade.
- Isso é verdade, Hatsunei é um talentoso ferreiro, ainda mais para alguém como ele. - Observou Zarrantas.
- Irmão, por que está tão preocupado com essas questões tão mundanas? - Perguntou calmamente Letaran.
- Questão mundana? Eu sei muito bem que você e eu não podemos interferir em nada do que acontece devido a nossa posição, mas isso é algo que nos afeta diretamente.
- Sou obrigado a concordar com isso, mas que provas tem de que isso realmente vai acontecer? - Questionou Letaran.

Não houve resposta verbal, ao invés disso Kryzalis apenas mostrou um pequeno relógio de bolso, mas que possuía diversos tipos de mostradores, com ponteiros que giravam em direções e velocidades diferentes. Letaran empertigou-se ao ver o relógio, ele mesmo possuía um e toucou-o levemente.

- Se esse imortal conseguiu vislumbrar algo do futuro, o que duvido muito, nós seremos capazes de contornar qualquer problema. - Falou Zarrantas calmamente enquanto se servia de um pouco de vinho.
- Espero que realmente consiga.

2 comentários:

  1. muito bom PK eu estava aguardando a volta desses contos

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  2. Muito bom esse capítulo. =)

    Deveria produzir mais e mais rápido =p

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