[Opinião] Resultados da Votação Rio de Janeiro


Ainda não foi dessa vez, ao menos no Rio de Janeiro. Não sei em outros lugares e aguardo relatos.

Como era de esperar, ao menos de acordo com o que eu esperava, não adianta ocupar comunidades de qualquer favelas se entre os criminosos e populações locais sabe-se de antemão que a presença é temporária. É impossível e ingênuo acreditar quando a mídia faz alarde a respeito da presença de forças armadas que algo efetivamente funcione.

Não vai funcionar e não funcionou. O exército Veni, o exército Vini, mas o exército não trouxe o Vici. Candidatos investigados em crimes foram eleitos, alguns conseguiram votos sem sequer saírem da cadeia, o que deixa claro que não se revolve tudo com presença temporária de fardas verde-oliva, mas com a presença definitiva do poder público.

Agora com certeza em meio as comunidades antes ocupadas pela ilusão do Estado há um movimento de contagem de eleitores. Cruzarão dados, e constatarão que pessoas não votaram e compararão dentro das seções eleitorais correspondentes os percentuais de votação dos candidatos (e essa informação pode ser facilmente obtida junto com os partidos onde estão inscritos).

Se alguém votou contra, se alguém ousou se opor ao domínio, será massacrado, humilhado e expulso. Com sorte sobrevive, com azar vira exemplo. Claro, tal fato não acontecerá amanhã, nem depois, mas passado um tempo, quando todos esquecerem eles lembrarão. No Brasil quem manda tem memória quem obedece esquece pra não apanhar. E muitas vezes apanha até quando esquecem. Com o punho duro e cerrado do domínio na falta de certezas escolherão baseados em "achismos" e alguém pagará o preço da traição, ou seja, será a lembrança a todos do que pode acontecer daqui a dois anos.

Essa é a cidade dita maravilhosa, mas apenas quem vê, ostenta e pode usufruir dessa maravilha é o crime.

Nessas eleições surge de forma nada surpreendente a eleição na capital da filha de Don Garotinho, sua pequena Clarrisa Garotinho, que com nome famoso e o poderio do pai consegue manter viva a chama do poderio da família mais poderosa de Campos na capital fluminense, um indício claro que se Sérgio Cabral seguir sua aspiração presidencial o futuro carioca é sombrio.

Outra prova disso é que Rosinha Garotinho foi eleita prefeita de Campos de forma massacrante. Conseguiu 80% dos votos depois que seu concorrente foi impugnado (ainda que temporariamente, pois não vejo inpugnações irem adiante em terras tupiniquins, vide a própria recém-eleita prefeita, que sofreu diversos processos por uso da máquina do Estado em eleições passadas e continua impune, agora eleita, ou seja, apoiada pelo eleitorado).

A cidade, diga-se de passagem, conseguiu em um dia emporcalhar-se completamente com os mais diversos modelos e tipos de galhardetes e santinhos. Não precisei me esforçar para escolher meu candidato: escolhi dentre todos o que não emporcalhou as ruas e constatei com meus olhos.

Eram tantos lixos, galhardetes, santinhos e cabos eleitorais que se a lei fosse posta em prática (o que acontece muito raramente de vez em quando, e apenas na frente da Imprensa) faltaria prisão e candidatos. Não tirei fotos porque devido a proibição de portar celulares nas seções nem levei o meu ao sair de casa. Pena, porque essa proibição não colou (ao menos não em minha seção) e se quisesse poderia ter filmado até os mesários.

Por sinal, um dos eleitos hoje foi também um dos que mais vi espalhados pelas ruas de meu bairro.

Agora a eleição acaba e mais uma vez fica aquela sensação triste de que determinadas coisas nunca mudarão, como a capacidade do povo de eleger bandidos e de insistir nos erros.


Dados preocupantes (ou não) que a Imprensa não leva adiante.


Nessas eleições, do eleitorado carioca, houveram quase um milhão de ausentes (por motivos os mais diversos, como até mesmo morte, viagem, idade, doença ou até mesmo preguiça e desinteresse). Temos um eleitorado de 4.579.365 pessoas, dos quais compareceram as urnas 3.759.129 sendo que foram computados apenas 3.171.879 votos válidos com votos perdidos (entre brancos e nulos) numa quantidade alarmante de 587.250 eleitores, aproximadamente 12% da quantidade de votos computados. Continuando com as contas, em um universo de 4.579.365 simplesmente 1.407.486 não opinaram. Basicamente 30% do eleitorado esteve ausente.


Em comparação, considerando a metrópole próxima, São Paulo teve índices parecidos e diferentes. De um universo de 8.198.282 eleitores cadastrados no TRE local votaram 6.915.248, ficando ausentes 1.283.034 eleitores. Somando-se os 547.356 votos nulos e em branco temos 1.830.390 eleitores que por mais particulares motivos simplesmente não participaram das eleições. Mais ou menos 22% do eleitorado em uma cidade com eleitorado total superior em aproximadamente o dobro do Rio de Janeiro e com menor percentual de ausentes e menor valor absoluto de votos nulos/brancos, como pode ver abaixo.

A mensagem que fica é: ou o eleitorado local do Rio de Janeiro é mais relapso que o de São Paulo (se considerar os argumentos de quem prega contra o voto nulo/branco) ou a desesperança é tanta que para 30% da população que vota não interessa mais nada.

Mas existe um lado bom, muitos vereadores que se perpetravam no poder carioca agora estão fora. Políticos em sua maior parte populistas e donos de um histórico de lutas em prol da demagogia e das soluções fáceis. Alguns dos novos nomes desconheço, mas dada a fidelização partidária e a presença desses que saíram nas lideranças locais dos partidos penso se devo realmente comemorar ou se devo me preocupar, afinal de contas, agora os lobos estão ocultos nas sombras.

E que venha o segundo turno.

Se interessa e deseja acompanhar de alguma forma as eleições em sua cidade, basta acessar o site abaixo e ver se seu candidato ganhou... Se seu partido está bem colocado... Ou simplesmente lamentar a continuidade de alguns grupos.


Lembre-de de desabilitar o pop-up de seu navegador temporariamente, pois a janela abre em pop-up (sei lá qual justificativa).

Dicas de leitura em outros blogs:
(se tiver o seu, troquemos links de postagens, pois no reino da ignorância quem tem informação é rei)

Pois Bem:
- Viva a maracutaia!

Um comentário:

  1. Pois é, para mim, mais uma eleição patética... detalhe para uma de nossas vereadoras: "CLARISSA GAROTINHO"! show, ein? É por isso que não consigo gostar de política... pelo menos o Crivella já está fora! Já estava imaginando, com medo, o que ele faria com o Rio...

    Quanto ao blog, não entendo naaaaaada, vide a falta de muitas funções... o que vc quer é colocar o link do pensamentos lá?? se for é só me dizer como faz isso que eu faço =D e te ajudar no que??? ajudo sim (e p.s: desculpa a minha ignorância "bloguistica")

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