[Opinião] Policia do Rio colocará administrativos nas ruas.

Um dos maiores problemas que assolam a segurança pública do estado do Rio de Janeiro (e acredito que de muitos outros) é o efetivo policial.

Há um déficit já histórico na polícia carioca tanto no que diz respeito a treinamento quanto a valorização dos agentes efetivos da lei e a cada ano que passa, em virtude dos problemas e da baixa moral da tropa (internamente e externamente) cada vez mais policiais migram para outras áreas da segurança pública ou para fora dela.

Para tentar sanar esse problema a cúpula da PM (obviamente que com motivações político-mesquinhas-eleitoreiras de resultado) decidiram que vão colocar nas ruas 1000 homens que atualmente prestam serviço burocrático na corporação. Ou seja, impossibilitados de criar vagas de concursos públicos eles improvisam usando o que possuem.

Obviamente uma das desculpas é a lei de Responsabilidade Fiscal, hoje um dos escudos que justifica morosidade de algumas áreas públicas. Ainda que um tema controverso quando a usam para justificar falta de investimento nas áreas básicas, no caso, o trio Segurança, Educação e Saúde.

O problema é que seres humanos não são computadores ou máquinas. Quando uma copiadora não usada do terceiro andar de uma empresa é levada para outro andar que precise para conter custos é uma coisa diferente. É uma máquina, ela vai executar a mesma rotina e a mesma função, só muda de lugar. Não é o caso desses mil homens da Polícia Militar.

São pessoas que exercem funções administrativas há mais tempo do que são policiais. São pessoas que por capacidades pessoais, morais ou mesmo movidos por alguma espécie de trauma ou problema na ficha (como alguém que em uma incursão a uma favela tenha perdido o controle e gerado perigo e vítimas) foram reinseridas na corporação para funções burocráticas, funções para as quais não existe concurso pois são realizadas por policiais ou tercerizadas (como cozinhar, uma coisa "simples").

Ainda que o problema seja apenas "medo" das ruas, são pessoas que estão fora das ruas e que apesar de enfrentarem o perigo da carteira funcional (afinal de contas em determinadas comunidades a carteira da PM é igual a sentença de morte) perderam o tino. Não adianta apenas reformular e enfiar um treinamento de seis meses, depois que uma pessoa perde o anseio do combate ela não recupera. O Rio de Janeiro é um estado em guerra civil não anunciada (e as taxas de homicídios violentos dentro da própria PMERJ comprova isso) e não se escolhe como combatentes pessoas que tem algo a perder.

Será um genocídio a longo e médio prazo. Inicialmente acredito que serão deslocados para funções de apoio em operações policiais, até porque se morrerem muitos a imprensa fará matérias a respeito. - em geral imediatista e com memória apenas do que vende mais jornal... e morte de policial não vende jornal. A médio prazo serão inseridos no dia-a-dia da guerra, no front e é quando ninguém lembrar dessa determinação que os incidentes ocorrerão.

Morrerão tanto PMs sem noção de combate quanto pessoas inocentes que serão alvejadas em ataques de pânico. Todos vítimas de uma política de segurança que não funciona, onde só se combate o superficial e faz-se uma indústria do tiroteio para mídia. Onde é muito mais compensador ir ao morro esporadicamente e matar alguns garotos do que ocupar em definitivo e em contrapartida prender as cabeças dos criminosos (ainda que nesses casos o STF decida pelos bandidos, como ocorre de uns tempos para cá) para transmitir imagens do caos diário em algum noticiário qualquer que geram audiência imediata.

No final perdem os mil homens jogados nas ruas, a sociedade que receberá apenas quantidade e não qualidade e ganha o crime, que cada vez mais capta para suas fileiras mais jovens descartados pelo serviço militar obrigatório e se profissionaliza e se organiza cada vez melhor que a sociedade democrática. E ganha mais ainda os políticos que se aproveitarão dessa derrota travestida de vitória e ganharão votos com a política do enfretamento sem ocupação.

Que a PM cerece de policiais é fato, mas como manter em suas fileiras homens dispostos a lutar por algo quando existem concursos públicos muito mais satisfatórios tanto moralmente quanto financeiramente e os poucos policiais que ficam ou estão porque gostam ou porque são bandidos fardados? Muita gente, sem opção, faz concurso para a polícia não pelos salários, mas porque é um concurso fácil (em quantidade de vagas e em grau de instrução comparado com outros de mesmo nível) e que além de dar poder (arma) ainda permite com convênios tirar diplomas e os usarem para procurar coisa melhor (se não se corrompem, claro).

E já passou da hora da PMERJ realizar concursos específicos para áreas administrativas, ao invés de aproveitar soldados para tal como é praxe na corporação, isso quando não se terceriza.

E a culpa é nossa, que votamos em quem votamos.

E aos que pensam que o RJ não está em Guerra ou preferem não admitir: tenham câncer. em alguma parte do corpo que não pode ser retirada por operação (como ânus ou genitália) Digam com força que "câncer não existe" ou "não estou morrendo de câncer" e não combatam o câncer, apenas usem analgésicos ou remédios como morfinapara amenizar o sintoma. O que acontecerá: morrerão ou vão se curar milagrosamente? Crime é um câncer, não basta apenas combater a dor que causa, precisa ser destruído e ter suas causas dilaceradas.

Fonte:
O Globo
- Para acabar com déficit na tropa, PM gastaria mais R$ 281 milhões ao ano;

Um comentário:

  1. Nem é preciso realizar concursos.

    O efetivo da PM nas ruas pode dobrar sem ser necessário contratar um único homem. Como? Mágica? Milagre?

    Nada disso. Basta estabelecer-se o horário de trabalho normal e diário de 8 horas. Assim, a PM teria todo o efetivo nas ruas todos os dias. O grande problema, é atrapalhar os bicos da rapaziada. Porque com a miséria que ganham e trabalhando apenas dois ou três dias por semana, a polícia é que se transformou num bico.

    E o custo político de obrigar o pessoal a trabalhar sem dar aumento nosso governador falastrão não quer ter. Aí pintam esses malabarismos idiotas que só servem para aumentar a insegurança.

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