[VÍDEO] Achmed, o terrorista morto.

Olá povo!

Esse vídeo de hoje eu já conhecia há algum tempo, mas só recentemente encontrei uma versão dele legendada para por aqui, eu detesto por coisas em língua estrangeira sem nenhuma tradução, afinal, ninguém é obrigado a conhecer outras línguas.

O vídeo é parte do show do ventríloquo estadunidense Jeff Dunham, onde ele tem um diálogo com um terrorista... Morto! Isso mesmo, morto! Eu ri muito da primeira vez que assisti. Espero que gostem!


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Amani... Spore??

Como se não bastasse eu ligar a tv e ver um documentário em que o foco era a busca pelo chupa-cabra, me deparo com isso lendo o jornal:



Que raio de bicho é esse?? Se alguém aqui já jogou Spore, vai concordar comigo que alguma fenda dimensional foi rompida e esse... ser... veio parar aqui!!

Segundo o jornal, isso é um porco-da-terra que foi batizado de Amani, nasceu nos E.U.A e é necessário fazer testes para saber se é macho ou fêmea.

Tá, !

Bjo
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[Opinião] GM-Rio e o Tiro ao Alvo.

Eduardo Paes foi eleito prefeito do Rio de Janeiro. Como era de se esperar de um candidato representante do mesmo partido da máfia dos Ragazzos ele selecionou para as secretarias de seu novo governo pessoas de índole inqüestionável, como Cristiane Brasil e Chiquinho da Mangueira.

Cristiane Brasil tem em seu honroso currículo um projeto de lei que permite a vereadores presos manterem seu status quo sem sanções (como cassação) apenas perdendo a remuneração, enquanto o suplente assume em seu lugar. Isso acontece porque as vítimas do estado policial que passam mais de 31 dias sem comparecer em sessões podem perder o mandato. Ela será da Secretaria de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida, considerando que ela investe na qualidade de vida de políticos de moral nada duvidável, nada mais justo que coordene uma cadeira que premia com votos os que mais fazem uso do dinheiro público pra se promover.

Chiquinho da Mangueira é aquele que criou um logotipo "para o Maracanã" e o espalhou no entorno do estádio de forma ilegal, ferindo a queima-roupa o princípio democrático da impessoalidade (não se pode "assinar" obras públicas). Além disso seu nome é citado em processos que investigam sua ligação com tráfico na Mangueira e até mesmo bicheiros. Ou seja, uma pessoa exemplar e de moral imaculada escolhida para secretário de esportes.

Censura a parte, em mais uma demonstração das mudanças que realizará em sua administração decidiu mudar as cores do uniforme da Guarda Municipal. Por anos o uniforme da Guarda Municipal do Rio de Janeiro adotou um tom de cor mais de acordo com diversos motivos práticos e o real: ser diferente do da PMERJ. Antes os GMs utilizavam um uniforme no padrão "a noite todos são pardos" e Guardas Municipais morriam ao ser confundidos com PMs por bandidos. A solução encontrada foi amarelar a GM-RJ que passou a utilizar uniformes de cor caqui, até porque por força da lei a GM não pode portar armas (na teoria).

Além desse motivo óbvio (afinal de contas, aqui no Rio bandido que mata PM ganha prêmio) existem fatores menos agressivos como a questão da tropicalidade. Estamos em um país quente e apenas líderes que vivem em ar condicionado consideram que roupas de cores escuras são mais frescas que roupas claras. Qualquer pessoa que passe o dia nas ruas do Rio de Janeiro em dias de calor sabe a diferença entre estar de roupas escuras e de roupas claras.

Outro adendo, esse econômico, é relativo a quanto custaria a prefeitura a mudança. Sendo uma decisão unilateral os GMs não podem e nem devem pagar pela mudança, ou seja, receberão os jogos de uniforme pagos inicialmente pela prefeitura. Isso significa uma demanda de custos de implementação da mudança que faz pensar: é realmente relevante mudar o uniforme no momento econômico atual?

A única coisa que vejo é que até o momento não houveram da parte do prefeito eleito proposições que representassem mudanças além das filosóficas. Que a prefeitura vai mudar, isso é verdade, pois ele vai mudar a cor-base daqui de laranja para azul novamente (o que considero ser uma piada política, pois logotipos e padrões públicos deveriam ser alterados apenas com consulta pública, pois o povo é o mais afetado com isso).

Ele chamou para si pessoas de índole questionável, cercou as secretarias de cargos políticos e agradando políticos que o ajudaram a se eleger, basicamente entregando a cidade aos mesmos leões que nas épocas áureas do futuro ex-Prefeito também mandavam. A cidade vai continuar do mesmo jeito, com as mesmas desculpas e as mesmas classes favorecidas...

Em suma: mudam-se as cores mantém-se os hábitos.

E que a população aplauda, afinal de contas, foi ela quem escolheu.

Do jeito que vai, o próximo uniforme da GM provavelmente vai incluir alvos com pontuação para tornar a coisa mais bem humorada...

Espero realmente errar nas previsões. Espero.

Fontes:

O Globo:
- Câmara dos Vereadores pode beneficiar Jerominho;
- PF investiga envolvimento de Eurico Miranda e Chiquinho da Mangueira com bicheiros;
- Cor de uniforme de guardas municipais vai mudar;

Terra:
- Agentes reiteram visita de Chiquinho a traficantes;
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[Conto] Vinho e Corpos Ardentes.


Ela caminhava sem pensar no dia seguinte com algumas compras de natal. Seu corpo exaltava a beleza de seus vinte anos incompletos e seus longos cabelos bem cuidados ressaltavam ainda mais a rigidez de seus seios cobertos apenas por um vestido vermelho. Não havia rubor em seu rosto ou mesmo pensamentos maldosos em sua mente, na sua cabeça era apenas um vestido simples, vermelho liso que chegava até seus joelhos. Nos olhos de quem a observava era algo um pouco mais complexo.

Chegou em casa apressada. Não demoraria muito e sua novela favorita começaria. Eram apenas duas da tarde, a novela começava as nove da noite. Preencheria esse tempo dedicando-se a algumas conversas no computador e um pouco de cochilo. Jaqueline, ou simplesmente "Quel" como era chamada pelas amigas, curtia as primeiras férias em dois anos de trabalho duro em uma firma de administração de imóveis no centro de sua cidade.

Quel caminhou perene até seu quarto e sentou-se na cama. Com calma despiu-se do vestido vermelho e olhou-se no espelho, como sempre fazia. Tocou seus seios ainda rijos da idade e sorriu marota para si mesma. Ela sentia o desejo querer escorrer por suas pernas, mas não tinha nada ou ninguém que lhe fizesse companhia. E nem teria.

Era dia 24 de dezembro, sua família morava toda em outro estado e esse ano, devido a escala de seu trabalho só viajaria no ano novo. Seria um natal solitário, ao menos por enquanto. Apenas vestida de calcinha caminhou até a sala e sacou da geladeira uma garrafa de vinho tinto. Não era a melhor marca do mercado, e particularmente lixava-se para valores sociais em casa. Se fosse Don Perignon ou apenas um Sangue de Boi beberia daquele que estivesse mais de acordo com seu humor.

Essa era a noite do "Boá". Pegou um copo de vidro sem requinte, encheu-o até a borda e tomou de um gole só. "Delícia!", comemorou enquanto sentia algumas gotas escorrerem por seu corpo. Tornou a encher o copo e foi para o computador. Não havia ninguém online, ao menos não interessante, apenas os mesmos colegas nerds incapazes de largar o computador pra se socializarem, mas nenhum eventual pretendente. A webcam lhe parecia cada vez mais ousada a cada gole.

O tempo passou rápido demais.

Já era noite quando saiu do computador sem conseguir mais do que conversar e bloquear em definitivo um qualquer que usava o nick "$$WARCRAFT É O PODER$$". Foi até a janela e observava de sua janela o vai e vem dos últimos carros transportando os atrasados do natal. Respirou fundo e lamentou que essa noite não teria nenhuma ave no natal. Caminhou até sua cama e deitou-se. Foi quando notou que não estava sozinha.

Sentiu uma estranha vibração nos pés parecida com dedos tocarem seus pés. Sentiu-se aflita, pois poderia estar muito mal. De repente os dedos continuaram a subir e um estranho vulto enegrecido formou-se diante de si. O vulto possuía braços com contornos femininos e uma leveza e suavidade no toque que transformavam o medo de Quel em prazer. Deixou-se dominar pela estranha força e não ofereceu resistência quando a sombra arrancou-lhe a única peça de roupa que vestia e transformava sua calcinha em meros fiapos espalhados pelo quarto.

Sentiu-se finalmente penetrada pelo vulto e seus olhos reviraram. Seus seios eram mordiscados com perfeição e cada espasmo a levava para mais alto. Seus olhos se reviravam, queria se contorcer ou berrar, mas o vulto a impedia de fazer qualquer movimento. E essa imobilidade apenas aumentava seu prazer.

De repente Quel sentiu-se extasiada e deu um berro de prazer. De repente tudo parou. Sua cama estava completamente encharcada por seu suor e seus fluidos. Não havia sinal algum da presença misteriosa, apenas via a garrafa abandonada de vinho no chão e os primeiros raios do sol penetrando por sua janela, iluminando seu corpo ainda rígido dos tórridos momentos.

Levantou-se decepcionada. Era bom demais para ser verdade. Ergueu-se nua e caminhou para o banheiro. Enquanto andava notou alguns sinais estranhos.

Sua calcinha estava realmente despedaçada no chão, ao seu lado na cama havia a silhueta de outra pessoa, que lembrava-se uma outra mulher. E seu maior susto ocorreu quando foi ao banheiro. Havia um forte vapor nele, como se alguém tivesse acabado de sair de um banho fervente. Sobre a mesa do banheiro flores brancas jaziam abandonadas e desenhado no vidro do espelho uma única mensagem:

"Foi ótimo."

E abaixo da mensagem nenhuma identificação, apenas um traço. E mais nenhum vestígio da presença de uma segunda pessoa, nenhuma pegada, nenhuma marca, nenhum sinal de arrombamento na porta. Nada. Apenas uma estranha sensação em Quel de que a observavam.

Quel dormiu fora de casa nas noites seguintes ao que foi seu melhor natal



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[Opinião] Impunidade, Injustiça e Brasil: Sinônimos.

Hoje um dos policiais envolvidos com o assassinato do pequeno garoto João Roberto foi julgado em primeira instância pelo Tribunal do Júri.

Havia um certo ar de corporativismo em tudo isso, até porque dependendo da condenação e do veredicto a culpabilidade do governo Sérgio Cabral seria exposta. São policiais que andam pelas ruas despreparados, em carros tão blindados quanto folhas de papel 75g e vestindo coletes pretos que funcionam mais como alvos do que como coletes. Não tem treinamento, não tem amparo moral da população e recebem um salário miserável para proteger pessoas que elegem miseráveis ainda piores e que cometem genocídios com canetas.

Até entendo e compreendo que o policial agiu movido pelo tradicional e habitual pavor que existe em todo PM do Rio de Janeiro - uma cidade de um país em guerra, onde se morre mais que no Iraque, com guerra declarada. - de ao abordar qualquer carro pode ser alvejado por mais tiros do que seu cérebro conseguirá calcular antes de virar pasta de miolos em alguma calçada e depois estampando a capa de algum jornal de 50 centavos com manchete de "Casaco Azul Fica Vermelho" ou algo pior.

Mas não posso aceitar de modo algum que não sejam punidos por homicídio. Existem atenuantes? Existem mil. Mas o júri condenar o policial a apenas 7 meses de trabalho comunitário e afirmar que tudo não passou de "Lesão Corporal" (nas palavras do Jornal onde li a notícia - link no final)?

Desculpe a falta de, digamos, decência e o uso que farei de termos chulos, mas preciso perguntar:

O JÚRI COMEU MERDA?


Na melhor das hipóteses tenho que acreditar que agiram sob ação de alucinógenos. Sério, ou de algum modo bíblico João Roberto voltou dos céus durante o julgamento ou há algo errado com TODO O SISTEMA. Não é a primeira vez apenas esse ano que o tribunal do júri julga homicídios como meros acidentes de percursos, desmerecendo sobreviventes ou família de vítimas.

De longe querer atacar o policial, mas que sistema é esse que ao invés de condenar o policial por homicídio prefere dizer que a morte não ocorreu?

Que país é esse onde simplesmente admite-se que uma criança não morreu, que foi apenas "lesão corporal"... Qual a justificativa em cima disso? Não existe. É muita falta de vergonha na cara de todo o júri. Que lisura pode se esperar e identificar de uma justiça que distorce algo definitivo como a morte e condena alguém que matou por puta lesão corporal?

Vale lembrar, com redundância, que esse ano não foi a primeira vez que a justiça do Rio disse: "ninguém morreu".

Policial acusado de matar Daniel Duque é absolvido


Entendam, há nítido corporativismo nisso. Em ambos os casos os assassinatos ocorreram porque os policiais envolvidos estavam nitidamente despreparados ou havia algo de errado no procedimento adotado. Daniel Duque podia ser um transgressor agressivo - como li em comunidades do Orkut a respeito dele... o que não garante se é ou não verdade. - ou podia ser a reencarnação de Cristo. Morreu porque o policial não soube fazer abordagem, não tinha curso de segurança ou qualquer tipo de preparo, tinha apenas uma obrigação: defender o filho da promotora. Ou ele fazia isso ou seria coagido a fazer, porque policial que não cumpre ordens superiores e não se vende, sobe morro e morre com fogo amigo disparado por arma de "bandido".

Condenar ambos é condenar o sistema, é admitir que há algo errado. Não foi um conluio visando proteger os policiais envolvidos, mas sim uma forma de proteger o sistema que não treina os policiais em técnicas de abordagem, que não contrata firmas especialistas em segurança, que não equipa a polícia, que não paga bons salários as pontas dos icebergs, que cria leis que obrigam o recém concursado a trabalhar enquanto funcionários estáveis coçam virilha e caçoam dos que furam greves ou que simplesmente tentam fazer algo por quem está do outro lado do balcão. Ou mesmo que o presidente da autoridade máxima da justiça age em prol dos amigos que ali o colocaram.

Melhor que mortes não existam do que o sistema admitir que precisa ser revisto.

E a culpa é minha, sua, nossa... Que deixamos existir uma democracia de mentira e elegemos sempre os mesmos partidos e políticos.

Enquanto isso que venham mais João Hélios, João Robertos, Eloás, Lindebergs e tantos outros... Até que não reste mais ninguém.

Fonte:

O Globo:
- PM acusado da morte de menino João Roberto é absolivdo de homicídio e condenado por lesão corporal;

Terra:
- João Roberto: PM é punido com serviços sociais;

UOL:
- PM acusado pela morte do menino João Roberto é inocentado;

Leitura Recomendada:
- Pensamentos Equivocados: [Opinião] A Ponta (Policial) do Iceberg;
- PoisBem: A violência me venceu;
- VisãoPanorâmica: A “PULIÇA”, A “ORTORIDADE” E O DESPREPARO.
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[Contos] Limão

- Amor?
- O que foi, querida? - Responde Ernesto, com sono e ainda babando na cama.
- Estou com desejo.
- Eu também, de dormir. - Novamente Ernesto se vira e volta a roncar.
- Amor...
- Hmm?
- Amor?
- Que foi?
- Estou com desejo! - Berra a esposa, arrancando as cobertas que cobrem Ernesto, fazendo-o tremer de frio.
- O que você quer?
- Eu quero chupar limão.
- Limão?

Ernesto senta-se na cama de sopetão. Já ouvira amigos pais comentarem de desejos estranhos de suas esposas, mas dessa vez Ana Lúcia se superara. Ela odiava completamente qualquer fruta cítrica simplesmente por suas características ácidas. De repente de madrugda decide chupar limão.
- Querida, você deseja mesmo isso? - Indaga, coçando o pouco cabelo que possui e esforçando-se para acordar.
- Quero.
- Vou na geladeira pegar um limão.

Ele se levanta e cambaleia pelo apartamento até a cozinha. Abre a porta da geladeira e procura pela fruta desejada. Nenhum sinal de limão. "Óbvio!", pensa ao lembrar que nunca compram limão, afinal de contas, até aquele dia Ana Lúcia odiava limão. Olha para o relógio da cozinha e vê que ainda são duas da manhã. Nem que queira conseguirá comprar limão. "Ela vai compreender... Não tem nada aberto a essa hora.", pensa novamente ao retornar para o quarto.

Cinco minutos depois está na rua vestindo pijamas e um roupão marrom que comprou dez anos atrás durante a lua de mel em Penedo. Ana Lúcia foi tão compreensiva quanto uma porta, e era uma porta que desejava limão. Ernesto, após ver sua esposa lacrimejar e lamentar que seu filho nasceria com cara de limão sente-se culpado e desejoso por voltar a dormir o quanto antes apenas vestiu a primeira roupa disponível e saiu.

Caminhando pela rua Dias da Cruz depara-se com um caminhão de uma rede de supermercados. Desesperado corre até o veículo berrando. O motorista vendo pelo retrovisor um louco de pijama e roupão correndo até ele não tem dúvidas: liga o motor e corre. Ernesto tem tempo apenas de proteger o rosto da fumaça que sai do escapamento.
- Filho da puta!

Desolado, pensa em desistir, mas imediatamente seu celular toca. Por um instante se amaldiçoa por ter trazido o que naquela hora é um localizador. É de casa.
- Querido, não esqueceu de nosso filho?
- Não, não esqueci. - Responde, frio.
- Que tom de voz é esse? Você não me ama? Quer que ele nasça com cara de limão?
- Não, Aninha, não quero. Mas são quase duas e meia da manhã, onde vou achar um limão a essa hora?

Ana Lúcia desliga o telefone e dá boa sorte a Ernesto.

Meia hora caminhando se passa. Nenhum caminhão aparece ou mesmo um mendigo que carregasse a preciosa fruta. Ernesto desistiu de andar sem destino e senta-se em frente ao portão de um hortomercado da Rua Magalhães Couto. Cochila cinco segundos e quando acorda vê que deixaram algumas moedinhas no bolso do roupão.
- Queria limões. - Lamenta.

De repente vê um novo caminhão estacionar em frente do mercado. Desajeitado se levanta e caminha até o entregador, que o observa com curiosidade.
- Tem limão?
- Tem cachaça? - Pergunta o entregador.
- É sério. - Fala Ernesto, irritado com uma gargalhada que escuta vir de dentro da cabine do caminhão.
- Imagino...
- Estou falando sério, eu queria um limão.
- Só um?
- Só.
- Não está meio tarde para uma caipirinha? - Responde o motorista, entrando na conversa e gargalhando.
- Eu não estou bêbado! - Reclama Ernesto.
- Eu não estou de roupão no meio da rua! - Chacota o motorista.
- Olha, minha esposa está grávida, e ela acordou com desejo de limão.
- Vai ser difícil, pois o limão não é nosso.
- Pago dez reais na fruta.
- Não disse, não é nosso. Somos muitos funcionários... Cinco.
- Cinqüenta serve?
- Serve! Moacir, pega o limão.

O carregador vai até o caminhão, abre a caçamba e entrega a fruta para Ernesto. O homem entrega cinqüenta reais, que é todo o dinheiro da casa, coloca a fruta no bolso e parte. Não existem cinco funcionários, Ernesto sabe disso, mas seu sono é muito mais valioso que qualquer outra coisa. Espera que tudo termine logo.

São três e meia da manhã quando chega em casa. Dormindo rápido ele terá perdido menos de duas horas de sono e não se sentirá tão mal na hora de ir trabalhar. Ana Lúcia pega a fruta com voracidade e a devora. Ernesto apenas se deita e fecha os olhos. De repente sente um cheiro forte de limão e a voz de Ana Lúcia em seu ouvido:
- Amor, eu quero mais!


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[Opinião] Cotas e o Tempo.

Esse ano foram enfiadas goela abaixo das universidades a obrigatoriedade das cotas.

Metade das vagas são de brancos e a outra metade é do "resto". E dentro desse "resto" as cotas do mesmo jeito que uma pizza foram divididas entre as cotas das raças negras, das raças indígenas, dos pobres (raça?) e dos estudantes de escola pública.

Não entendo o critério de avaliação de uma determinada instituição para definir em um candidato a qual time ele se encaixa. Conheço pessoas que nasceram como peixes fora d'água em famílias completamente negras e que não se encaixam nem na família do leiteiro ou do carteiro (para os maldosos), mas que nem por isso deixaram de passar pelas mesmas dificuldades e exclusões que uma pessoa de qualquer tonalidade sofre.

Por sinal, preconceito sofre o negro, o pardo, o mulato e até também o claro. Eu sou vítima, ainda que do lado contrário dessa moeda. Só por parecer tomar banho com água sanitária as pessoas pensam que controlo o mundo ou que nado em notas de cem dólares. Gostaria muito de ter metade do dinheiro que determinados grupos sociais pensam que possuo, pois estaria postando comendo caviar e não morando em uma casa alugada sem conexão com internet e postando de um quarto fedendo a mijo de gato onde estão meus móveis amontoados.

Agora o governo do Rio de Janeiro decidiu dar bolsas-auxílio aos estudantes de faculdades provenientes de cotas. Lindo, maravilhoso e completamente hipócrita.

Ao invés de investir no ensino público de qualidade, de dar condições ideais aos candidatos de seja qualquer origem de disputar em igualdade as vagas de vestibular (que até então eram conquistadas por mérito, não por pena) ou mesmo de fornecer bolsas de estudos aos melhores alunos das instituições para realizarem cursos pré-vestibulares o caminho escolhido é o de tampar o sol com a peneira.

O povo brasileiro é tolo por vocação e hipócrita por natureza. Quando essa brincadeira de cotas começou, por volta de 2001, a proposição era em cima da temporalidade do sistema. Ou seja, as Cotas seriam temporárias porque o ensino público melhoraria e tornariam as cotas desnecessárias. O que obviamente não acontece.

O ensino (ou melhor dizer: "encinu") publíco só piorou nos últimos anos e foi necessário o governo (nas três esferas: municipal, estadual e federal) mudar as regras de cálculo para suavizar o dano e viabilizar o prolongamento do que não deveria nem ter existido.

Nunca se deu tanto as faculdades uma responsabilidade como a de hoje em dia. Antes as faculdades eram pequenos nichos de desenvolvimento da voz político-social do país, vide o modo como a ditadura tratava os estudantes. Agora as faculdades dividem-se entre sobreviver com verbas cada vez menores e com alunos cada vez menos estruturados, vide o que acontece hoje em dia na UERJ.

A UERJ foi o berço do movimento das cotas. Hoje em dia é uma faculdade caindo aos pedaços, abandonada e entregue a própria sorte. Administrada por terceiros e que a cada dia que passa despenca mais um pouco sobre os poucos alunos que ainda restam em meio a tantas greves e problemas. Para piorar em 2009 a verba da UERJ será ainda menor.

A coisa ainda não está pior porque os alunos ditos "cotistas" que entraram na UERJ não são provenientes de escolas públicas tradicionais. São alunos que vieram de projetos públicos de ensino que hoje em dia estão caducando. São alunos que vieram de CEFETs, FAETECs, Colégios de Aplicação, Pedro II entre outros projetos que em 2001 eram potências de ensino. Hoje em dia padecem do ostracismo que se alastrou ainda mais e mais no ensino público.

Por sinal, moro na cidade Rio de Janeiro: a capital do tráfico onde existe o sistema de ciclos na rede municipal de ensino. Que é basicamente o "não sei ler e somar, mas passo... assino meu nome". O aluno que não conseguiria média para passar de ano é aprovado do mesmo jeito e jogado pro ano letivo seguinte, seguindo uma lógica que não entendo e que apenas empurra o problema para o ano seguinte e por aí vai. Quando o aluno chega ao ensino médio se souber escrever o próprio nome sem errar é um prodígio, culpa dele? Claro que não, mas culpa dos pais, do corpo docente e das escolas que deixaram essas coisas acontecerem. Principalmente dos pais, que esquecem que educar não é apenas seguir as regras da Supernanny.

Ou seja, não se investiu de maneira alguma nas bases dos estudantes que hoje adentram no regime de cotas. Mas para mantê-los estão dispostos a dar esmola.

Por que ao invés de dar esmola não decidem logo privatizar o ensino e pagar bolsas aos alunos todos? Melhores alunos ganham bolsas melhores e conqüentemente colégios melhores. Se é pra dar dinheiro a quem já está no fim do ciclo que se invista principalmente nao início. Até porque esse sistema por enquanto vai continuar favorecendo o aluno das elites das públicas. O formado em uma escola como a que existe aqui em Paquetá vai ter o mesmo destino de todos: 0 subemprego.

Outra coisa que as cotas não levam em consideração: famílias falidas. Uma pessoa que tenha sido criada em berço de ouro, criado nas melhores escolas, e que por morte de progenitor aos 18 anos passe a viver na miséria não tem direito a nenhum auxílio porque o histórico escolar não permite. É como na idade média, onde se considerava que quem nascia rico morreria rico e quem nascesse pobre morreria pobre, mas em tempos onde basta uma tempestade ou uma crise econômica para colocar o mendigo e o dono da mercedez em condições de igualdade (aliás, nessa até o mendigo ganha, afinal de contas, o dono da mercedez vai ter que aprender a sobreviver).

Não é sustentando a burrice que esse país vai pra frente... É premiando o mérito e dando a todos condições iguais de concorrer desde o início.

Peixe não se dá, se pesca. No máximo que dêem a vara e o anzol.

Nos EUA a luta racial foi contra cotas, contra segregação racial/social que se manifestava até em bairros cercados destinados a classe social, grupo étnico ou simpatizante X, Y e Z... Mas sempre insistimos em copiar os erros dos outros.

Deixando claro: não sou contra as bolsas, mas sou contra o uso dela para tapar o sol com a peneira. Ao invés de dar bolsas que melhorem a infra estrutura das faculdades, que insiram bandejões ou alimentem os alunos de graça, que viabilizem material acadêmico gratuito (ao contrário do que acontece com a "geração xerox"), que reformem os alojamentos estudantis, que dêem gratuidade do transporte público, e que passem a pagar pelas monitorias em salas de aula para estimular os bons alunos. Esmola é apenas isso: ampliação da dependência.

Fontes:
O Globo:
- Alerj aprova a nova Lei de Cotas das universidades estaduais, com 4 emendas
- Incêndio em prédio da Uerj: pilares e viga ficaram prejudicados
- Incêndio atinge prédio da Uerj
- Cabral corta verbas na Educação e na Uerj. (Matéria de 2007)

Diário de Iza:
- Consciência é algo que todos deveríamos ter e não precisa ter cor;
- Uma opinião sobre a questão do negro, marrom, branco ou bege no Brasil?;

Visão Panorâmica:
- PRECONCEITOS, MODAS E A IMBECILIDADE;

Revista Veja:
- Sistema de cotas;
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[Divulgando] Encontro em Pernanbuco/Recife.


Não moro em Pernambuco, muito menos em Recife (quem dera ao menos passar férias por lá) mas não é por causa disso que não vou estimular encontros entre blogueiros que ocorrerem fora de onde moro e, principalmente, fora do eixo Rio de Janeiro~São Paulo.

Este final de semana vai acontecer no "Habibas" da da Av, Rosa e Silva, em Pernambuco um encontro de blogueiros da região organizado pelo Blogs PE.

Diferente de outros eventos - pagos, em sua maioria desde que blogar virou moda e ter blog virou sinônimo de conteúdo, quando a verdade é que virou sinônimo de copy/paste. - a temática é basicamente trocar idéias, beber, experiências, falar mal de outros blogs, e se conhecer... ou apenas beber e conversar.

Como é uma iniciativa apoiada pelo Fábio do Pois Bem!, decidi colocar aqui também meu apoio, e quem sabe você que está lendo agora pode ser de Recife/Pernambuco e decide aparecer para conversar e beber?

Por sinal, de uns tempos pra cá venho sentido falta de eventos informais desse tipo no que chamam de "eixo", o que me faz ter certeza: a blogosfera está ficando chata.

Aos "de fora", esforcem-se para não seguirem o caminho daqui do "eixo".
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[Opinião] Daniel Dantas foi condenado, mas fica solto.

O Juiz Fausto de Sanctis fez o que podia.

Ciente e consciente do que aconteceria se ordenasse a prisão do homem bandido mais importante do Brasil, Daniel Dantas, o que controla o poder e um dos principais personagens antagonista ou protagonista? do processo que criou uma nova companhia de telecomunicações (um ensaio para o monopólio do ramo) que se alastra como câncer pelo Brasil e com conseqüências que atravessam o oceano e chegam até o Velho Mundo.

Para quem não sabe: Daniel Dantas (e seus amigos do Oportunity) não é apenas investigado no Brasil, ao contrário do omitido pela mídia, mas também em tribunais internacionais por crimes os mais diversos, dentre eles o uso de espionagem e coação. O que não se sabe até com certeza é se ele é efetivamente o comandante do esquema ou se apenas um equivalente a "PC Farias". Acredito que apenas livros de história saberão. Outro nome ignorado, mas do mesmo nível que Dantas é o nome Naji Nahas.

Segundo o que saiu nas páginas de jornais online, Daniel Dantas foi condenado a pagar uma pequena quantia - dado o tanto que faturou até hoje. - de 14 milhões de reais e a dez anos de prisão...

Mas nada de ser preso, apesar da condenação Sanctis não mandou prender. Não entendi bem o que os jornais disseram, pois não entendo como se condena a cadeia sem prender, mas está lá na página da Globo.com, como mostra a figura abaixo:


Se é erro de português dos jornalistas ou algum misticismo misterioso das leis e dos códigos, definitivamente não entendi nada, se a Têmis souber explicar essa possibilidade até melhor. =)

Pelo que entendi, na prática, o Juiz Sanctis sabe que se mandar prender o Mendes vai novamente soltar ou alguma outra garantia que o Daniel Dantas possua nos círculos do poder que seu dinheiro sustenta. Agregar o pedido de prisão talvez desse problema ao todo e ao invés disso separou um comunicado do outro, talvez para dificultar algum recurso ou despistar de alguma forma a grande mídia, essa interessada mais em defender a inocência de Dantas e execrar a imagem dos que o tentaram prender.

Logo, dividiu. Não sei se pode nem como funciona, em algum momento expedirá o mandado. Até porque Dantas não está condenado em definitivo. Enquanto o processo puder ser enrolado e Dantas puder pagar o custo disso (ainda que pague em fitas com gravações suspeitas), recursos serão sobrepostos sobre recursos e até lá ou tudo será esquecido pelas massas ou o tempo de julgar cessará e do mesmo modo que aconteceu com Maluf brechas na lei farão o processo simplesmente caducar, como acontece sempre.

Não desmereço o Juiz Sanctis de tentar, mas ele é apenas um pequeno ponto de luz na escuridão moral do Brasil. Escuridão essa complicada de fazer diminuir, até porque historicamente devido aos desmandos das elites nacionais o povo aprendeu a transgredir a lei. Os ricos não cumprem a lei porque não são punidos e o pobre não cumpre a lei porque cumprir é caro e não paga contas. Mas apenas o pobre paga pelos crimes que comete.

Ao menos existe a possibilidade dele ser preso.

Dinheiro acaba, influência também.

A quem interessar, algo que nenhum jornal veiculou e que me deu muito trabalho encontrar (mas existe), o (ou "um") número do processo contra Daniel Dantas, que ainda não foi atualizado (ou por ventura peguei algum outro processo, não sei dizer com exatidão):

Processo:
2008.61.81.010169-5

Você consulta o andamento aqui: http://www.trf3.gov.br/trf3r/index.php?id=26, bastando apenas colocar o número acima. Não está lá nada de chocante, pois pelo jeito corre em segredo de justiça e não tenho ainda a íntegra do despacho de hoje, espero obter algo a respeito e quando obter obviamente divido-o.

Também e se quiser, por incrível que pareça (para alguns estados é algo realmente surpreendente), existe RSS do processo. Se quiser se inscrever, cujo link é esse:
http://www.trf3.gov.br/rss/consulta.php?processo=200861810101695.

Estou procurando por outros números - se existirem -, se souberem agradeço.

Consultem com carinho.

Fontes:
O Globo:
- Satiagraha: Justiça condena Daniel Dantas a 10 anos de prisão por corrupção ativa;

Terra:
- Em decisão, De Sanctis pede respeito no processo;

UOL:
- Daniel Dantas é condenado a dez anos de prisão e pagamento de R$ 12 milhões.

Em tempo:
Espero que Arthurius melhore logo de seu problema de saúde. O Visão Panorâmica está desde o dia 25/11/08 sem novas postagens. Se acaso ler essa mensagem saiba que pelo menos de minha parte desejo que melhore logo e aproveite essa pequena amostra de sanidade de nossa lei e juristas para com sua habilidade tradicional esmiuçar também essa rara boa notícia em meio a tantas não tão boas.

E pelo que sei não o único a se preocupar, né Iza? =)
Leia o Restante.