[Opinião] Mais um sucesso do crime.

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Somos uma sociedade hipócrita. Cada vez mais hipócrita e que insiste sempre em tratar culpados como vítimas e as vítimas como culpados.

Quando fui assaltado meses atrás fui considerado culpado por ter dois celulares. Era culpa minha ter coisas de valor comigo no dia. Obviamente não me foi dito diretamente tal afirmativa, mas nas entrelinhas estava essa mensagem. A culpa não era dos fdps que me assaltaram, era minha porque portava objetos de valor.

Nessa mesma linha de raciocínio segue o que aconteceu ontem em Paraisópolis, na cidade de São Paulo. A população local demonstrando um comportamento típico de selvagens (apesar de salvagens serem mais civilizados) e varreram o bairro do Morumbi com caos, destruição e roubos. Pessoas verdadeiramente inocentes tiveram seus estabelecimentos comerciais saqueados, carros destruídos e bens roubados.

O motivo da revolta foi a morte de um bandido. Apenas a morte de um condenado que continuava exercendo sua função honesta e foi interceptado por policiais malvados, que o mataram em troca de tiros (se os policiais tivessem morrido, nada aconteceria, provavelmente apenas uma matéria de quinze segundos no jornal local).

Para piorar hoje de manhã vejo uma matéria dando a entender que na favela existe apenas gente honesta. Mostrava trabalhadores, mulheres desesperadas e tudo mais que está na cartilha do repórter hipócrita. A matéria tendenciosa dava a entender que as pessoas que destruíram aquela região deveriam ser de Marte. Afinal de contas, se a região foi assolada e as pessoas que saíram da favela não são da favela (porque ela tem apenas trabalhadores, sem nenhum criminoso) só podem ser de outro planeta.


A imprensa precisa urgentemente escolher um lado. Não dá para continuar mordendo e assoprando o tempo todo. Ficar em cima do muro não resolve situação nenhuma e não ajuda sociedade alguma.

Bandido tem que ser tratado como bandido e a vítima como vítima.

O que aconteceu em São Paulo foi vandalismo, foram saques e foi uma vergonha (aos moldes de Boris Casoy). Uma situação previsível e que pode se repetir. Roma caiu porque ignorou os povos bárbaros, estamos cometendo o mesmo erro.

Favelas são o câncer de uma cidade. E antes de se tornar maligno deve ser removido.

Antes que me acuse de ditatorial, já discuti o tema aqui no blog, em Favelização: Solução e Utopia:
- Parte 1;
- Parte 2;
- Parte 3.

E por falar em hipocrisia, vejam no Paquetrash minha opinião sobre o próximo sucesso nacional...

Fontes:
O Globo:
- PM ocupa Paraisópolis por tempo indeterminado;
- Morte de fugitivo foi o estopim para confronto em Paraisópolis;
- 'É pior do que no Iraque, porque lá eles sabem que estão em guerra', diz mulher que teve carro destruído em Paraisópolis;

6 comentários:

  1. Essa inversão realmente é a morte, não a física, mas da sociedade.
    O bandido pode fazer o que quiser, e você tem que entender que ele fez isso por falta de estrutura e ignorar tal fato. Mandar o cara se ferrar é algo que não pode (aos moldes da personagem do Zorra).

    Se pegar arruaceiro como os de ontem e arrebentar o cara, creio que isso diminuiria o incentivo (educação sempre será a forma eficaz de resolver a causa) e minimizaria os efeitos. Mas aí entra o pessoal dos direitos humanos para humanos não direitos.....


    []´s

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  2. A suprema verdade é que o morador de favela se vale do crime para obter benefícios que normalmente estariam além de suas posses.

    O poder público peca por não intervir com dureza e prontidão nesses territórios porque os políticos optam sempre por agradar a massa eleitoral que decide (obviamente os pobres que são a maioria). Com isso, a população que realmente banca a nação é entregue numa bandeja para todo tipo de criminosos e facínoras com total apoio do estado.

    A imprensa televisiva, principalmente, aplica essa teoria hipócrita porque também faz sua programação e tem seu anunciantes voltados para essas massas iletradas e de baixa perspectiva. Assim sendo, ofendê-los pode representar perda de penetração nesse mundo e consequente perda de dinheiro.

    É a matemática cruel de uma nação de semianalfabetos e de um povo que não é capaz de compreender que todo o sofrimento que passa é de única e exclusiva culpa dele próprio.

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  3. Deixa eu te contar outra historinha sintomática destes tempos hipócritas em que vivemos.

    Na cidade de Barreiras, oeste da Bahia, duas adolescentes picharam o chão de um supermercado com palavrões ofendendo uma policial militar que era responsável pela segurança do estabelecimento ( nesse caso, o mercado é a "Cesta do Povo", do governo estadual).

    Detalhe: as adolescentes são problemáticas e já fugiram de instituições "de apoio" diversas vezes. ALém disso, já xingavam verbalmente a policial.

    O que os policiais fizeram? Pegaram as duas adolescentes e fizeram com que elas limpassem com a mão a pichação que fizeram.

    Os policiais foram afastados e responderão processo administrativo. As ONG's de "direitos humanos" falam de "truculência" e evocam o ECA. A imprensa coloca como manchete "humilhação".

    Aí lembrei do meu primo que andou pichando uns muros quando criança. Meu tio descobriu e levou o moleque ( puxando as orelhas, no meio da rua) até uma casa pichada e fez com que o moleque, além de pedir desculpas, prometesse limpar e pintar o muro pichado. E meu primo levou sermão do meu tio e do vizinho. Tudo isso na rua.

    Meu tio, hoje, seria "processado". As ONG's de direitos humanos falariam em truculência e humilhação.

    E está assim, hoje. Não é porque é pobre que se justificam atos de barbárie. Existe um lado, sim, de exclusão e opressão muito grande, mas há meios para se lutar contra isso - e um deles é a educação. E olha que o governo até PAGA para estudarem.

    Enfim, deixa eu parar por aqui senão acaba te cansando...rsss

    abs!

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  4. Sempre fui contra essa "vitimização" das favelas. Nunca disse que todos que moram lá são bandidos, ou que todos merecem o que lhes acontece de vez em sempre.

    Mas TODO mundo sabe que as favelas são controladas por bandidos e um conjunto de muitas coisas erradas e contra as leis e a sociedade.

    E mesmo com tudo errado, só vejo cada vez mais e mais apoio a isso! E realmente me chateia! Ver bandido controlando a cidade onde vivo, ver pessoas morrendo a toa, escutar salva de tiros por bandido que morreu, ver aréas sendo destruidas para construção de casa, casas essas que abrigaram familias que não pagaram nada! impostos, água, luz!

    Sem esquecer dos vários programas de apoio do governo! Muitos vivem BEM! e bota Bem nisso..

    ahn, sei lá... meio revoltante...

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  5. Concordo plenamente com os outros intervenientes!!
    Há uma inversão total de valores e parece que o mal está prevalecendo sobre o bem!
    Infelizmente não vejo saída e como nunca houve e nem há uma política inteligente e eficaz para atacar o crime organizado, só nos resta nos proteger na medida do possível e é como ouço desde há muitos anos: as pessoas de bem vivem atrás das grades e os bandidos na rua, de preferência bem a vontade e sem serem importunados!!!!!!!!!!

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  6. Fico profundamente preocupado com o escrito citado acima, tomei a liberdade de citá-lo novamente:”(…) Roma caiu porque ignorou os povos bárbaros, estamos cometendo o mesmo erro.
    Favelas são o câncer de uma cidade. E antes de se tornar maligno deve ser removido”.
    Evidente que as favelas se constituem em problema seríssimo para o Brasil, principalmente para as pessoas que ali vivem. Há alguns anos atrás, tanto as autoridades quanto intelectuais e urbanistas, acreditavam que a saída para esse mal seria acabar com as favelas. Hoje essa mentalidade está superada, sabe-se que é inviável fazer isso, uma vez que a população que se encontra nessas condições em nosso país é absurdamente grande, não há condições materiais, tampouco espaciais para alocar essa população em outro lugar. A saída é considerar a realidade existente, levar em consideração a complexidade e os dilemas que afloram ao se pensar na resolução desse grande problema.
    Uma possibilidade seria urbanizar, aperfeiçoar, melhorar as favelas, promover dentro delas condições adequadas de vivência e de convivência, além disso políticas públicas que visem a promoção da cidadania em efetivo seriam, no mínimo, bem vindas.
    P.S. A organização jurídica e administrativa da Europa contemporânea, por exemplo, é bem híbrida. Tal ordenamento tem sua origem na convivência, nas trocas culturais entre os bárbaros e os romanos, além disso, a história da humanidade está marcada pela contribuição dos diferentes povos.
    Favelas nascem quando há desigualdade social exagerada. A desigualdade social é um câncer, deve ser combatido antes que se torne malígno.

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