FORJANDO UM GUERREIRO - MARTELO E BIGORNA

Olá povo!

Mais um capítulo de "Forjando..." saindo do forno, meio atrasado, pois esse já tinha terminado há algum tempo, mas preferi adiar a colocação dele aqui para ter alguns capítulos de vantagem.

Uma novidade, seguindo os conselhos de amigos, pegarei o primeiro arco da estória que vai até o ponto onde Ignus consegue sua vingança e farei dele um livro. Sim, tentarei publicá-lo. Esse já era um plano meu, mas esperava terminar o livro antes de tentar algo. A única coisa que ainda me impede de correr atrás de uma editora é o fato de não ter tinta na minha impressora para imprimi-lo e registrar, mas creio que ainda essa semana eu consiga fazer isso.

Bom, sem mais enrolação, ai vai nosso 20° capítulo, para quem ainda se aventura a ler. Boa Leitura!
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Cerco

O general estava absorto em seus pensamentos, mal podia ouvir a balburdia que se formava a sua volta. Membros de todas as patentes relevantes discutiam uma forma de sair da armadilha em que estavam presos. Logo após o ataque surpresa que culminou em muitas baixas, o exército recuou para retornou ao palácio por ordem do general. Mas a retirada não foi bem tão bem sucedida quanto se acreditava, o palácio estava cercado, torres de cerco haviam sido postas bem próximas a muralha, soldados se aglomeravam em todas as direções possíveis.

Mesmo tendo algumas horas de vantagem em relação ao inimigo que os seguia, porém isso não os deixava em uma posição muito confortável, tinham que tomar uma decisão o mais rápido possível e o tempo não estava ao seu favor. O general acariciava sua barba meio grisalha, seu rosto endurecido pelo tempo e pelas batalhas estava vago, nenhum dos presentes a reunião pareceu notar, cada um estava mais disposto a expor seu ponto de vista e a falar mais alto que o outro para poder ser ouvido, saber se o general estava ouvindo ou não parecia não importar muito.

Estavam em uma vila que havia sido parcialmente evacuada quando o exército inimigo chegou ao palácio, mulheres, crianças e velhos foram mandados para longe, algumas poucas mulheres permaneceram para ajudar, entretanto o número não era muito significativo e o fato de serem apenas simples aldeães não era muito animador, mas ainda assim eram reforços.

Vendo que a discussão não renderia bons frutos Ignus resolveu voltar até seu pelotão e ver como andavam os ânimos de sua tropa, muitos estavam feridos, alguns de forma mais grave, as armas estavam em um estado um pouco menos ruim que seus donos, o mesmo não se podia dizer dos escudos, poucos estavam realmente em bom estado, a maioria não suportaria mais do que uma forte investida.

- Comandante. - Chamou um soldado.
- Sim? - Questionou Ignus sendo retirado de suas ponderações.
- Qual a nossa real situação, Comandante? - Perguntou preocupado.
- Que tipo de questionamento é esse, soldado? - Disse com sua imperiosa voz trovejante, fazendo com que os soldados que estavam próximos se sentissem acuados. - Por acaso está com medo soldado? Pois se estiver vá embora e entregue-se ao inimigo! Não admitirei nenhum covarde medroso em minhas fileiras!
- Desculpe, Comandante... - Disse sentido-se envergonhado e abaixando a cabeça - Mas é que não sabemos direito o que está acontecendo...
- E isso é desculpa para agir como um covarde? - Disse encarando severamente o soldado. - Se continuar com essa atitude, soldado, eu mesmo farei questão de lhe arrancar a vida, então vá cuidar de seu equipamento, quando tiver alguma notícia concreta do que está acontecendo, vocês saberão. Até lá, cuidem de si próprios e de seu equipamento.

A situação realmente não era das melhores, Ignus sabia disso, porém teria de manter seus comandados calmos e seguros, só não sabia exatamente como iria fazer isso, já que nenhuma das poucas notícias eram muito animadoras. As baixas em todo o exército só preocupavam a todos e traziam ainda mais desanimo, enquanto isso as altas patentes estavam tentando debater o que seria feito, mas todas as opções só levavam a um confronto direto e desesperado. A única forma de saírem vitoriosos desse embate era reconquistando o castelo, mas para isso teriam de passar pelo cerco e terem a sorte de não serem atacados pela retaguarda, o que era uma hipótese muito vaga.

Enquanto todos estavam organizando suas coisas, pensando no que fariam em seguida, Ignus saiu do perímetro da vila e andou em direção ao palácio, sozinho. Enquanto andava viu a movimentação das tropas inimigas, aparentemente não estavam aguardando um ataque, pois não havia nenhuma formação de defesa ou coisa parecida. Na verdade, nem havia porquê se preocuparem, estavam em maior número, o inimigo estava cercado, tudo era favorável, não havia com o que se preocupar.

O palácio ficava em um ponto mais elevado o que garantiria ao inimigo uma completa visão da vila onde o exército de Ignus estava situado, ele sabia disso, sabia que isso daria uma vantagem ao inimigo ainda maior, mas isso parecia não o abalar, estava preocupado, sim, mas está preocupação o deixava de certa forma feliz. O fato de que iria encarar uma batalha onde as chances de vitória eram poucas o animava por dentro, pois caso conseguissem vencer, isso só traria ainda mais glória e renome a eles. Sentado em uma pedra ele observava atentamente a movimentação externa, estavam construindo torres de cerco, via escadas sendo levadas de um lado para outro apenas esperando pela ordem de serem erguidas. Arqueiros estavam dispostos aleatoriamente atrás da grande cerca.

Mesmo perdido em seus mais densos pensamentos, sobre como seria a batalha derradeira, sentiu alguém se aproximar, era o shii do general, um shii vigoroso e constante, mas parecia retraído.

- Como está a situação por lá? - Perguntou a Ignus.
- Estão calmos, não esperam por um combate. - Respondeu com sinceridade voltando-se para seu superior e fazendo uma reverência correta, mas que foi dispensada em seguida - Lá dentro creio que tudo esteja calmo, porém um pouco tenso devido ao cerco.
- Também acho. - Respondeu olhando intensamente para o palácio sitiado. - Diga sinceramente, o que acha que devamos fazer?
- Creio que a única opção seja um ataque único e avassalador ao cerco, além de torcer para que o restante do exército deles que está atrás de nós, não venha, ou que demore o máximo possível.
- Acha que se tentarmos desfazer o cerco os nossos homens que estão dentro do castelo irão atacar também?
- Com toda a certeza, senhor!
- Ótimo, descanse com sua tropa por hoje, as fiquem atentos iniciaremos o ataque durante a madrugada, exatamente uma hora antes do amanhecer.


A preparação antes do descanso durou pouco, afinal, todos já estavam preparados. Ignus não dormiu, após passar algumas poucas instruções a sua tropa ficou meditando. Durante sua viagem aprendera como entrar em comunhão com seu próprio espírito para assim obter o máximo de si em tudo que quisesse, Haldar já havia lhe explicado o básico sobre isso, mas depois de ter lições com alguns outros mestres, tinha noções muito mais profundas e eficazes do assunto.

Enquanto meditava Ignus conseguiu sentir todos os shiis presentes no vilarejo que agora servia de quartel, não só ali, sentiu também os shiis dos soldados que estavam cercando o palácio, dos que estavam dentro dele e dos inimigos que estavam mais atrás. Era algo magnífico, sentia como se estivesse, de alguma forma, conectado àquelas pessoas, sabia o que sentiam e o que pretendiam fazer. Aquilo lhe dava uma boa vantagem sobre o inimigo, mas apenas isso não o faria ganhar essa batalha.


Alguns minutos antes da hora marcada todos foram acordados, se aprontaram o mais rápido e silenciosamente que puderam, eles se valeriam da escuridão e do horário para fazer um ataque surpresa, mas para isso teriam de se cautelosos e muito silenciosos. A marcha iniciou pouco antes do previsto, foram o mais silenciosos que conseguiram, andavam todos juntos, uma massa negra que avançava vagarosa durante a noite.

Assim que estavam bem próximos do palácio, um guarda inimigo os avistou, um arqueiro que estava na linha de frente notou e com um tiro certeiro evitou que o restante do inimigo fosse avisado. Mas logo a surpresa se desfez, o brado do ataque surgiu repentino e destruidor. A cerca foi desfeita com facilidade, quem estava próximo foi aniquilado em poucos segundos, logo todos estavam acordados e a confusão havia tomado conta do campo de batalha. O som da batalha alertou quem estava dento do palácio que assim que notou o que estava acontecendo começou a ajudar da forma que podia. Agora o inimigo era quem estava cercado, embora isso não fosse exatamente uma vantagem, pois haviam soldados inimigos suficientes para conter uma rebelião dos que estavam dentro do castelo e ainda sobrariam homens suficientes para conter o restante, só não sabiam por quanto tempo.

Com uma voracidade sem igual Ignus e seus comandados foram abrindo caminho por entre o mar de soldados inimigos, sua lança já havia matado várias oponentes e ainda estava inteira pedindo para perfurar mais carne. Com um golpe certeiro ele matou um soldado inimigo com uma estocada no peito, outro foi golpeado com violência na nuca enquanto tentava atingir um de seus comandados.

O sol agora brilhava em todo o seu resplendor e a batalha estava cada vez mais fervorosa, o lado de Ignus parecia estar em vantagem, havia mais escudos inimigos caídos e partidos do que aliados, alguns dos que estavam cativos no palácio haviam furado o cerco e se unido a batalha.
Tudo parecia estar caminhando para um desfecho favorável, quando uma trombeta foi ouvida vinda da direção da vila onde eles haviam acampado, era o restante do exército inimigo que os havia seguido, em pouco tempo eles estariam lá, não haveria como desfazer o cerco a tempo de se reagruparem e enfrentar mais inimigos.

Em uma ação rápida e desesperada o general ordenou que todos recuassem, mesmo sem entender o porquê todos obedeceram e foram recuando. Quando a maioria estava reunida em um ponto mais isolado ele explicou que eles iriam enfrentar a outra parte do exército que os estava seguindo, infelizmente caberia aos que estavam dentro do palácio desfazer o cerco, pois caso permanecessem lá eles seriam facilmente vencidos.

Rapidamente eles se reagruparam, Ignus e seus homens a frente, houve poucas baixas, os que sobraram estavam, em boas condições de combate. A maioria esvaziou seu odre, sabiam que essa poderia ser sua última bebida, então beberam com gosto até esvaziar o conteúdo por completo. O grito de guerra de seu comandante soou para eles como um sinal para a ruína, as chances de vitória eram poucas, mas isso não lhes importava. A bebida lhes dera o resto de coragem que lhes faltava, agora eles lutariam com todas as suas forças, para morrem com honra, para serem recebidos com glórias quando fossem se juntar ao deus da guerra a que todos agora cultuavam.

Eles desceram com a velocidade a fúria de uma avalanche, pouco antes de atingirem o inimigo formaram uma sólida parede de escudos que atravessou com facilidade a primeira leva de guerreiros que os esperava e ali o banho de sangue derradeiro teve início. Uma saraivada de flechas veio em direção a eles, poucos tiveram tempo de erguer seus escudos, porém o ataque não causou nenhuma baixa, serviam apenas como uma distração, pois logo em seguida várias rochas de diversos tamanhos foram arremessados por catapultas estrategicamente postas entre as lacunas do exército inimigo. Muitos se feriram, inclusive muitos soldados inimigos também foram atingidos pelo repentino ataque, mas mesmo assim eles continuaram a lutar da forma que puderam.

Um lanceiro montado inimigo atravessou o capacete de um soldado fazendo seu corpo cair sobre outro, que na confusão de tentar se desvencilhar do cadáver do companheiro morreu decapitado com um único e perfeito golpe. Um arqueiro inimigo foi dividido em dois pela fúria de um machado de guerra que atravessou-o sem dificuldades, ao mesmo tempo em que dois espadachins morriam um pela lâmina do outro, um com uma estocada no peito e o outro com um profundo corte na garganta.

Os magos estavam de pé sobre os carros, alguns conjuravam encantos de proteção para eles, enquanto outros evocavam energias de planos distantes para fortalecerem seus guerreiros. Assim como o general Ignus também notou, ambos foram atropelando os inimigos que estavam no caminho. O general estraçalhou o crânio de um inimigo com o que sobrou de sua lança após ter atravessado a placa peitoral de outro, agora usando apenas sua espada de lâmina larga ia abrindo caminho o mais rápido que podia em direção aos magos. Seu comandado fora mais afortunado, Ignus tomou o cavalo de um lanceiro que fora morto por um de seus companheiros, a nova montaria atravessou a massa com alguma dificuldade, eram muitos homens combatendo, muitos feridos e mortos no chão.

O nervosismo, a excitação, o ódio e a angustia gerados pela batalha faziam o shii de Ignus aflorar de uma forma que ele nunca experimentara antes, era uma sensação ótima, quanto mais a batalha se intensificava, mais ele se sentia mais confiante, mais concentrado, melhor. A matança lhe fazia bem, arrancar a vida daquelas pessoas que ele nunca vira na vida, sem o menor remorso, lhe causava algo que não sabia definir. Sentir o ódio de oponente era algo que gostava, parecia que aquilo o fortalecia ainda mais, seu shii aumentava à medida que o ódio inimigo crescia.

Munido com sua própria força de vontade e seu shii ele fez com que sua própria energia formasse uma espécie de barreira a sua volta, fazendo que os inimigos fossem repelidos por ela. Se valeu desse novo trunfo para atropelar alguns inimigos e diminuir ao menos um pouco a sua vantagem. Todos que estavam a sua frente eram atropelados sem cerimônia, até mesmo os aliados.

O líder dos magos notou a estranha força que se aproximava, em meio à multidão que combatia fervorosamente ele viu Ignus. Estava montado em um dos cavalos de guerra do seu reino, vinha envolta de uma estranha energia enquanto atropelava os que estavam a sua frente, sem fazer distinção de aliados ou inimigos.

Alguns soldados quando o viram fugiram subitamente, outros tentaram bloquear sua passagem, em vão. Quando viu que o guerreiro já estava mais próximo não
hesitou, criou uma bola de fogo do tamanho de sua mão e disparou-a com tudo. O guerreiro viu e conseguiu usar um soldado como escudo, que assim que foi atingido teve o corpo tomado pela fúria da chama mágica. A explosão além de espalhar as chamas atingindo outros aliados, fez com que ele fosse arremessado para um lado e Ignus para outro, mas este pareceu não se abalar. Levantou em seguida e empunhando sua espada correu na direção dos magos. Um soldado tentou bloquear sua passagem, mas antes que pudesse por sua lança em uma posição perigosa, o mesmo já estava tombado com um corte profundo que estraçalhou suas costelas e deixou alguns órgãos expostos. Ignus girou e golpeou outro soldado que vinha por trás, tombou instantes depois quase sem cabeça.

Um dos magos tentou avançar, mas o líder o impediu, sabia que seu aprendiz seria trucidado com facilidade. O guerreiro inimigo ainda matou outros cinco soldados, sem ao menos ser tocado, até que o restante do pelotão que deveria proteger os magos desistisse de enfrentá-lo. Era uma luta de força de vontade e a de Ignus havia superado a de todos ali. Eles ainda empunhavam suas armas e apontavam para ele, mas nenhum mais ousava enfrentá-lo. Os magos estavam igualmente atônitos perante a cena que viam, nenhum deles acreditava que aquele guerreiro havia conseguido chegar sozinho até eles. O líder dos magos atravessou a barreira de seus companheiros e foi até Ignus, o guerreiro fez uma reverência formal que foi correspondia a altura. Ambos se olharam, e aquele instante pareceu durar uma eternidade para os que observavam.

- É a segunda vez que lhe vejo, guerreiro, e é a segunda vez que me surpreende. - Disse com sinceridade.
- Por que tu e teus companheiros atacais meu reino? - Questionou Ignus de forma dura.
- Você que além de ser um esplendido combatente, também tem o dom da palavra! - Elogiou com certo espanto - Pois bem, teu reino recusou de forma ofensiva o meu, ao recusar uma proposta de união, por isso estamos retaliando.
- Por apenas isso? Uma simples recusa? - Indignou-se.
- Não foi apenas uma recusa, apenas a cabeça de nosso mensageiro retornou, não bastasse essa ofensa, um "aviso" veio no lugar de um de seus olhos.

O blefe parecia ter funcionado, uma sombra de dúvida pousou no rosto de Ignus. O experiente mago gesticulava muito enquanto falava, mas não para enfatizar o que dizia, mas sim para disfarçar uma magia para confundir a mente de Ignus e torná-lo mas suscetível. Não havia um motivo exato para a guerra, mas a melhor explicação era que eles queriam expandir seus domínios, de uma forma ou de outra e a guerra era a melhor forma de obter isso.

Após alguns poucos segundos Ignus começou a rir, e seu riso tornou-se uma gargalhada trovejante. Mago não teve tempo de reação, antes de poder sequer ponderar sobre o porquê da gargalhada de seu inimigo, sentiu o frio cortante da lâmina larga de gume duplo lhe atravessando o abdome de forma rápida. Os soldados a volta só se deram conta do ocorrido depois que o mago levou a mão à barriga e contemplou seu próprio sangue.

- Como...? - Indagou, mas não conseguiu completar a frase por conta da dor que agora sentia.
- Até que você mente bem! - Disse Ignus com um sorriso malicioso no rosto.
- Como sabia?
- Não sabia! Mas desconfiei logo quando começou a me enviar aquela energia. Sim, notei que estava tentando jogar uma magia em mim.
- Seu...
- Desonrado? Desleal? - Interrompeu completando a frase do mago - Como alguém que mente e tenta usar de truques para ludibriar os outros, pode chamar alguém de desleal ou desonrado? Não a lealdade numa guerra, não a justiça numa guerra, só há duas coisas na guerra, derrota e vitória. Nossa conversa estava sendo uma conversa leal, honrada e justa, mas desde o momento que tentou me enganar, você negou qualquer código de honra ou lealdade.

Ele enfiou ainda mais a lâmina no abdome e torceu-a, provocando uma dor cegante no mago que caiu de joelhos e urrou ao sentir a lâmina atravessar seu corpo e girar dentro dele.

- Veja você agora... - Sorriu Ignus - Prostrado de joelhos perante um mero guerreiro. Onde está tua honra agora, mago?

O mago deu uma forte guinada para frente fazendo com que a lâmina entrasse ainda mais em seu corpo, mas ali mesmo ficou. Ignus retirou a espada cortando o corpo do mago, fazendo com que a cabeça pendesse para um lado e um dos braços para o outro de forma grotesca. As reações que vieram em seguida não foram devido à crueldade do ato, mas sim pela facilidade com que ele atravessou a carne e os ossos do mago. Os outros magos ficaram igualmente espantados.

Mas aquilo não poderia ficar daquele jeito, pensou um dos aprendizes que estava ali. Tomado de uma coragem súbita ele lançou contra Ignus uma bola de fogo, muito mais fraca do que a primeira que tinham lhe lançado, porém perigosa se o atingisse, o que não aconteceu. Assim que viu que outro mago pretendia atacá-lo, pegou o corpo do que havia matado e arremessou na direção do projétil flamejante, o corpo explodiu em chamas, agora só lhe restavam dois pedaços, um em cada canto, que queimavam intensamente.

Calmamente Ignus se abaixou e pegou a espada de um soldado que havia matado e lançou-a contra o aprendiz que havia lhe atacado, o mesmo tentou conjurar uma barreira, mas fora lento demais, nem mesmo seus companheiros conseguiram realizar a magia a tempo.

Sua moral estava abalada, seu líder estava morto, um de seus aprendizes estava com uma espada fincada pouco abaixo do pescoço, duraria só mais alguns segundo,q eu para ele seriam uma eternidade, mesmo eu dois dos melhores dali estivessem tentando auxiliá-lo não teria jeito, teria o mesmo destino de seu líder.

Cinco deles foram em direção a Ignus, cada um mandou uma magia diferente, o primeiro disparou um jorro de energia azulada, o segundo usou uma magia de vento, o terceiro criou uma onda de choque, o quarto lançou uma espécie de pássaro luminoso e o quinto um trovão. Como os ataques foram quase seguidos Ignus escapou de todos com praticamente o mesmo movimento, depois saltou em direção aos cinco para enfrentá-los de perto, havia aprendido que magos em geral não sabiam lutar a curta distância e faria uso desse trunfo. Magos precisavam de tempo para concluir suas magias, muitas envolviam gestou ou palavras, algumas, até mesmo os dois e isso era uma grande desvantagem quando a luta era a curta distância.

Quando seu salto estava no fim Ignus arrancou o braço do que havia atirado o relâmpago com um único golpe, assim que pousou pesadamente girou seu corpo em sentido horário e rasgou-lhe profundamente o tórax, ao fim do movimento abaixou a espada e derrubou o que havia lançado o pássaro, depois que lhe arrancou a perna esquerda fora. Ainda agachado ele fincou a espada no peito do mago e usando-a como apoio tomou impulso e voou contra o terceiro mago. Devido a força da impulsão a espada veio junto, aumentando ainda mais o corte no peito do mago sem a perna e dando um fim em sua vida. O mago do vento morreu com uma estocada pelas costas quando tentava fugir e o último foi degolado assim que Ignus se desfez do corpo de seu companheiro.

A carnificina não durou nem um minuto, assim que terminou Ignus limpou a lâmina usando o manto de um dos magos que estavam mortos aos seus pés, o ato só fez a raiva dos magos aumentar ainda mais, mas também na mesma proporção seu receio.

Olhando nos olhos de cada um deles, o guerreiro viu o quanto eles o odiavam e o quanto o temiam. Olhou para trás um instante e viu que seu general chegara, estava coberto de sangue, sua armadura estava bem avariada e seu rosto era puro cansaço e excitação. Deu um meio sorriso ao ver Ignus e os mortos ao seu redor. Nenhum dos soldados inimigos ousou se aproximar dele.

Mas foi então que se ouviu um grande urro de guerra, como um urro de vitória. Tambores soavam alto como trovões, reforços haviam chegado, reforços do inimigo. O grito de euforia do inimigo era ensurdecedor, a moral que Ignus havia conquistado com as mortes dos magos deu lugar à raiva, a frustração, agora tudo estava perdido. De onde estavam ele o general apenas observavam enquanto uma massa de guerreiros inimigos esmagava seus companheiros e os trucidava. Tudo estava perdido.

2 comentários:

  1. Muito bom PK, aguardo a próxima parte.

    Desculpe, mas haverá mesmo o suficiente para um livro como você pretende dividir a história? Não é melhor dividir por partes dento do livro?

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  2. Muito boa a guerra. =)

    O blog está pingando...

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