[Opinião] Cinismo + Hipocrisia = Povo Carioca.


Moro no Rio de Janeiro, enfurnado em uma pequena ilhota chamada de Paquetá.

Não por opção, obviamente.

Se existe uma característica marcante em todo o povo carioca é sua capacidade de ser hipócrita. O carioca é um povo que salvo raríssimas exceções - e obviamente não sou uma delas. - gosta de julgar. Até aí fica a questão óbvia "todo mundo julga", mas o carioca é também cínico. E somando-se essa capacidade de pregar valores que não segue com uma cara de "não sei de nada" ou algo assim que somos atualmente habitantes de uma das cidades mais contraditórias do mundo.

A cidade do Rio de Janeiro é belíssima - ainda, pelo menos. - e tem alguns dos pontos turísticos mais belos do mundo, mas infelizmente tem uma população que a transforma também num dos piores lugares que existem.

"A cidade é maravilhosa, o que estraga é o povo." - Dito popular.


Recentemente, em mais uma demonstração de seu cinismo hipócrita, habitantes do entorno da região do Rio Centro (leia-se: um local de EVENTOS) protestaram contra o local em virtude de festas raves que ocorrem no local. Em resposta aos protestos a empresa decidiu suspender esse tipo de evento e cancelar todos os que estão programados.

Me impressiona a estupidez tanto de quem vive ali quanto a da empresa. Primeiro que quem é vizinho do Rio Centro deveria saber que está morando ao lado de um empreendimento destinado a EVENTOS. - eu moro em Paquetá e sei disso... Segundo, a empresa deveria há muito tempo ter investido em isolamento acústico. Não é de hoje que a estrutura do local inspira esse tipo de cuidado (dependendo do dia e do evento o Rio Centro é um forno, por exemplo).


No final das contas, perde a cidade do Rio de Janeiro. Antes perdíamos para outras cidades - daqui do Estado mesmo. - nesse tipo de festa. A única coisa manifestação musical que pode ter no Rio de Janeiro é pagode de má qualidade, infestação religiosa na praia e funk proibidão nos morros. Qualquer tentativa de mudar esse panorama musical é rechaçada pelas "elite", vide que o último evento que foge dessa "trindade" ocorreu em 2001 (o Rock In Rio). Não reclamo de ter a "trindade" mas de ter apenas isso. Quem quer escutar outras coisas ou tem que sair da cidade (quando ocorrem, por exemplo, em Itaipava) ou ir pra São Paulo.

Um adendo: não vou em festas rave. Muito raramente vou a boates. Muito menos me incomoda o baile funk - em Paquetá é o que mais tem. - me incomoda apenas a perseguição que determinados ritmos possuem.

Com essa atitude irresponsável tanto de moradores locais quanto e principalmente da empresa que administra o Rio Centro. Afinal de contas, isso se resolveria investindo em isolamento acústico e em climatização de ambiente. Só que no Rio de Janeiro - e em todo Brasil, diga-se de passagem. - as concessões são instrumentos de exploração. Apenas isso. Entrega-se um bem público para ser apenas explorado até restar menos que esqueleto e quando não interessa mais devolvem ao dono ou exigem investimentos de quem não deveria mais investir.

E pensa que é só porque ocorreu na zona rica do Rio de Janeiro?

Em Paquetá acontece a mesma coisa. A Ilha padece no esquecimento cultural e social do Rio de Janeiro porque existe uma corja que impede mudanças de ocorrerem. Alguns meses atrás tinham colocado uma pequena feirinha de bugigangas na Praça Pedro Bruno, em frente das Barcas. Uma "elite" local considerava que a feirinha era nociva a ilha, porque na visão deles Paquetá deve ser alguma espécie de retiro espiritual ou ainda asilo para tuberculosos (já foi, mas isso é outra história).

Tentam investir? Tentam mudar? As pessoas que tentam são consideradas persona non grata na Ilha. São vítimas de chacota ou de piadinhas imbecis. Por essas piadinhas e outras hoje Paquetá não está apenas no fundo da Baía de Guanabara fisicamente, moralmente também ficou. E bem no fundo. Quem lembraria de um lugar como esse? Só quem ainda vive nele. O destino de Paquetá é ser consumida por sua própria latrina social, fadada ao reles esquecimento ou a auto-destruição. O que vier primeiro.



Agora é tarde.

Mais uma vez nossa cidade será relegada a terceiros. Saberemos que dinheiro que poderia ser gasto aqui em eventos será gasto em outras cidades ou estados. Relegada por pessoas que podem efetivamente ir aonde está a diversão, pessoas que quando virem no que a cidade se tornou graças a elas mesmas apenas pegarão malas, subirão em seus aviões e irão destruir ou estagnar outro lugar...

E mais uma vez vence a ditadura da democracia.

Fonte:
O Globo - Riocentro não terá mais festas de música eletrônica como a de sábado

3 comentários:

  1. não sou carioca mas só de ler o titulo fiquei sem a minima vontade de ler a postagem --'

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  2. Deveria ter lido.

    Mas cada um com seu cada um... E pelo que vi de seu blog realmente aqui não é lugar para você, pelo menos não essa postagem.

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  3. Que horror, deve ser dispeito isso!!!

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