[Opinião] O limite ético-moral inexistente.









“Estou me lixando para a opinião pública.
Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem.
Nós nos reelegemos mesmo assim”.
Deputado Sérgio Moraes, MG


Recebi um comentário (ou seria apelo?)(ou seria sublime desespero de quem ainda acredita que algo possa melhorar?)(ou seria apenas a loucura dos justos antes de serem devorados pelas cruéis presas da injustiça perene do final dos tempos?) de meu amigo blogueiro Arthurius, obviamente a respeito da tradicional e cada vez mais execrável amoralidade que emporcalha o planalto central (o comentário, por sinal, encontra-se no final do artigo).

Recentemente o Congresso (em sua totalidade?) e em suas casas (lê-se, o Poder Legislativo), enclaracou-se em sua própria teia. Se antes o problema foi resumido pela mídia em cima do PT e suas reminescências (o já exaurido de forças "caso do mensalão", o qual democraticamente terminou em pizza - pois a maior parte dos acusados ou se reelegeu, ou foi agraciada pela Justiça ou agora lidera os Partidos por baixo dos panos), agora já não existe em todo o poder legislador um sinal de moral.

A Câmara dos Deputados vive literalmente em um universo paralelo. Seus aviões voam mais que andorinhas e as andorinhas não fazem verão. Alguns habitam suntuosos e belicosos castelos, erguidos quando não em cima do cruel desvio de verbas públicas com certeza o é sob o subjulgo dos miseráveis. Não possuem vergonha sequer para pedir desculpas, muito pelo contrário, acham-se corretos e retos em se aproveitarem de brechas que eles mesmo criaram nos regulamentos de suas casas.

Nem mesmo Eduardo Suplicy, tido como um dos bastiões da moralidade, se viu livre desse escândalo (se é que "escândalo" se tornou um termo aplicável, dada seqüência inesgotável de "erros").

(É que nem gordo fazendo dieta sem emagrecer, mas tendo a geladeira cheia de guloseimas... ele culpa a geladeira por ter as delícias, esquecendo-se que só estão ali porque ele as colocou)

O Senado, que outrora possuía a pompa de abrigar homens ilustres, de ser a envergadura moral que pautava e faltava no congresso, a última das barreiras contra o total descaso e ocaso público, hoje é motivo de chacota. Só perde nas gargalhadas ingratas e involuntárias para os constantes abusos e desusos do atual deus presidente do STF, o tragicômico Gilmar Mendes.

Não existe nem mesmo a menor e infíma preocupação entre eles de negar o óbvio: que sempre voltam.

Eles sabem que não existe fuga, afinal de contas, desde resolução do TSE não existe mais o voto no candidato. O individualismo político não existe mais em eleições legislativas. Você vota apenas e somente no partido político. O candidato é apenas um enfeite, um embuste e o uso de artistas (ou seriam laranjas famosas?) cada vez maior nas campanhas é reflexo desse novo congresso, onde elegem-se laranjas e os verdadeiros controladores do poder se ocultam em seus conluios eleitorais protegidos por sistemas complexos de eternização e troca-troca (sexual?) do poder.

Não se admira e não deve se admirar quando vê uma frase como a que me foi repassada na corrente de revolta (justificada por uns, mas completamente), que li no jornal e que infelizmente não me surpreende mais. Deveria, pois é a pior e o que de pior se pode esperar de uma figura política, eleita por um povo (burro, ignorante, estúpido e que não vale a merda que caga), mas é reflexo do povo que o elege, agindo exatamente do jeito que agem seus eleitores.

A moralidade e a ética não possuem limites quando o objetivo é o inverso.


Esse indivíduo, que atende pela alcunha de Sérgio (Vai Serginho!) Moraes é apenas e somente relator de um processo sem importância (ao menos para o Poder Legislativo) sobre um certo Deputado que era apenas dono de um castelo (o da foto ao lado, lembram dele?) e não o declarou (esquecimento, é muito dinheiro pra contabilizar)... O coitadinho não tem culpa. Até concordo com ele, afinal de contas, ele foi eleito. A culpa é de quem o elegeu. Na democracia 50% da culpa é do político, 50% é de quem o elegeu, mas no caso de reeleição, 100% da culpa é do eleitor mesmo. Não culpem a Deus, o Ronaldo ou a ética por isso...

Aliás, ética, senso de ridículo, semancol ou seja lá qual nome der: não existe há muito tempo e livros de história comprovam que na verdade nunca existiu um pensamento diferente desse em nossa política. Fomos colonizados pela nata da sociedade corrupta da Europa. Nos usaram até secar nossas minas e poluir nossas mentes com a subversão dos trópicos. Possuímos um país repleto de vantagens geográficas que foi capaz de sobreviver por anos ao vampirismo do capital colonizador, mas que possui um povo que tem de burro o que tem de egoísta. E que como tal, elege semelhantes para "trabalhar" por ele.

Prove-me o contrário.

Comentário:
“Estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Nós nos reelegemos mesmo assim”.

Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do Conselho de Ética.

A frase dita pelo deputado causou uma profunda indignação em todos os brasileiros.
Graças a brilhante ideia da Thaís do blog O Mundo By Thaís -http://omundobythais.blogspot.com/ - eu, Arthurius Maximus do blog Visão Panorâmica - http://visaopanoramica.com/ – gostaria de pedir o seu apoio para declarar a nossa indignação contra essa absurda frase e mentalidade que, apesar de representar o pensamento de uma grande gama de políticos, deve mudar. Para isso pedimos seu apoio para uma campanha que consiste em enviar a imagem criada pela Thaís e que pode ser encontrada neste link: http://omundobythais.blogspot.com/2009/05/repudio.html - para o e-mail do “nobre deputado” que é dep.sergiomoraes@camara.gov.br. Da mesma forma, solicito que divulgue a ideia para o maior número de pessoas possível.

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