[Opinião] Cai o Diploma de Jornalista.

O STF, em mais uma de suas peripécias, tornou nula (ou opcional?) a necessidade de diploma para exercer a profissão de jornalista.

É uma decisão polêmica e que vai além do óbvio ululante da simples existência do canudo. Mas sim de uma comprovação total e sem procedentes da falência de nosso sistema de ensino.

Porque penso assim?

Simples, é ruim ter a exigência do diploma e é pior não ter.

O diploma da forma como era exigido depreciava de forma total o jornalista por vocação ou profissionais que por prestígio pessoal ou característica do que fazem simplesmente não precisam perder quatro anos de vida profissional obrigatoriamente em um curso de faculdade (quando existem similares e profissionalizantes mais curtos e de melhor preparo, tornando, sim, o diploma como perda de tempo e dinheiro).

Refiro-me, para exemplificar, a blogueiros, bloguistas, colunistas, roteiristas, operadores de câmera, operadores de vídeo, designers de vinhetas, etc.

No entanto, o problema pende para outro lado. Com o fim do diploma pequenos jornais oportunistas e pessoas mal intencionadas poderão utilizar da profissão de forma a atender seus próprios interesses e não os da liberdade de informação (como prezam tanto os defensores do diploma).

Errou mais uma vez o STF ao querer legislar. Falhou como falhou miseravelmente quando revogou na totalidade a lei de imprensa retirando-a completamente e deixando as pessoas comuns sem uma coisa muito importante: o direito de resposta. A imprensa pode desde então falar o que quiser que -por praxe - não será obrigada legalmente a se retratar publicamente. Ela pode ser processada, mas a retratação pública não é definida mais em lei. Destrói-se uma pessoa e paga-se migalhas desproporcionais ao agravo (nenhum valor paga a moral perdida).

Se antes qualquer zé mané da esquina para dizer-se jornalista precisava perder quatro anos agora ele precisa apenas acordar disposto. Para denegrir ainda mais a situação, o mercado de trabalho poderá escolher aleatoriamente qualquer zé (ou filho conhecido) avaliado apenas por dotes físicos para participar da panelinha. Aliás, a panelinha se antes exigia diploma para nela entrar agora somente os possuidores do melhor Qi poderão efetivamente participar do jogo. A única comprovação necessária será a do sofá.

Obviamente existem exceções, mas somos um país corrupto de regra. Não resolvemos da melhor forma, resolvemos da menos trabalhosa e mais lucrativa (o jeitinho).

A única forma dessa eliminação de diploma funcionar seria, a meu ver, a criação de um orgão nos moldes da OAB, que fosse incumbido de emitir os comprovantes de Jornalista. Onde somente pudesse exercer a profissão - dentro dos parâmetros de cada área dentro da mesma, que é bem abrangente. - quem possuísse essa identificação. Dessa forma ao futuro profissional - diplomado ou esforçado. - seria dado uma chance de dizer que vale mais do que uma bala juquinha.


Mas infelizmente na prática o que vai ocorrer é o contrário... Vai ficar nas coxas e no final vão burocratizar ainda mais as coisas. Perde o mercado e perde a liberdade de informação.

10 comentários:

  1. Oi Dragus!

    Bom... eu só espero, que pare por aí.
    Imagine se a moda pega.
    Vamos ter médicos, engenheiros, arquitetos, etc... querendo o mesmo "tratamento".

    Aliás, que, o que esperar de um país onde: para ser garí, é preciso ter o Ensino Médio... mas, para governar a nação, basta ter o 3° ano primário (incompleto)... tsc tsc tsc.

    No caso dos jornalistas acho que o critério utilizado, para ser reconhecido, vai ser o tal do QI (quem indica).

    Beijokinhas
    *

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  2. Engraçado que quase ao mesmo tempo escolhemos o mesmo tema para comentar, mas como o teu veio antes, deixo o meu pra amanhã.

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  3. Como jornalista, vou te falar uma coisa:

    O mercado continua seletivo. Não, não é qualquer Zé Mané que acorda disposto e é jornalista. Gente que emite opinião ofensiva, mal intencionada existe desde sempre, e nunca percisaram ser jornalistas para fazer nada disso.

    Por isso te falo numa boa, não ligo a mínima se o diploma não é mais obrigatório. Só quem é bom vai ser relevante no mercado. Ponto final.

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  4. Buchecha: Mas vai cair no mesmo lugar-comum que se tornou o ato de blogar.

    No final o salário de jornalista vai cair pra burro porque existem picaretas que se prostituem por simples dez reais.

    Convivo com isso na informática.

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  5. Se o diploma para jornalistas não é obrigatório vamos deixar os açougueiros exercerem a medicina ou então dar espaço para advogar qualquer um que leu na internet o Código Penal e a Constituição Brasileira. Vamos chamar de farmacêuticos os vendedores de farmácia, de fisoterapeutas os massagistas e instrutores de academia (musculação), de engenheiros civis os pedreiros, de arquitetos os decoradores, de engenheiros elétrico os eletrecistas. Vamos chamar de psicólogo o vizinho que conhece os nossos problemas e nos dá conselhos. Daí, por diante.
    Aliás, diploma para quê?
    O presidente da república não tem curso superior e está no poder. Fernando Henrique Cardoso é sociólogo, foi presidente por dois mandatos seguidos (oito anos) e não teve capacidade para solucionar os problemas sociais no país, pelo menos parte deles.

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  6. É uma questão complicada. Hoje em dia, uma época em que nem a graduaçao vale tanto, vide as pós, MBAs e afins, essa decisão realmente me surpreende.

    Estava conversando sobre isso hoje, e como tudo, existe um lado bom e outro ruim... Porém, como o Fábio afirmou acima, acredito que o mercado continuará seletivo, até mais com essa decisão, provavelmente os grandes meios de comunicação buscaram meios de avaliar a qualidade do profissional, quanto aos ruins e espertinhos, não são novidade, vide "o povo" e "o meia hora".

    Outra vantagem é que hoje em dia observamos várias reportágens ruins, não pela incapacidade profissional, mas pela falta de conhecimento no assunto abordado. Coisa que muitos, que não possuem diploma mas experiência e informações, poderiam faze-lá de forma mais completa e correta. Obviamente não seria em um Jornal Nacional ou O Globo, digo revistas, colunas e matérias que sejam mais específicas.

    Um exemplo é a crise financeira, provavelmente as melhores matérias foram feitas por economistas, investidores e afins. Tanto que já é um recusto usado, chama-los para entrevistas, por que não, eles mesmos a escreverem?

    O lado ruim que mais me preocupa e a "injustiça" com que "perdeu" esses anos. Vejo a faculdade mais como um "obrigação" para ser alguém, não quero dizer que não se aprende nada, porém o trabalho em si, na maioria das vezes é diferente e você terá que aprender na prática, observando, quebrando a cara. Até porque acredito que ninguém lembre o que deu no 1º período da faculdade... acho que no 2º você já esqueceu.

    Mas, enfim, espero que não vire moda, realmente existem cursos que não se pode abrir mão.

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  7. Cursos com risco de vida direto, onde pessoas podem morrer de modo direto no erro de um profissional (como medicina, engenharia e até mesmo matemática), ou suimplesmente que a carga teórica exija tal conhecimento (informática - programação, professor de qualquer matéria, publicitário, etc), devem possuir um diploma e TAMBÉM uma prova no padrão OAB.

    A pessoa não pode em qualquer profissão pura e simplesmente receber licença apenas porque passou quatro anos coçando o saco e contratando amigos e bancas para se formar. Tem que ter um orgão que fiscalize e leve a culpa pelos erros ou ao menos para legitimar a categoria, mas apenas falei de Jornalismo mesmo, que não tem essa área.

    Por sinal, Meia Hora e Expresso são respectivamente esboços do Dia e do Globo, em suma, farinha do mesmo saco. O Povo é o que é porque vende mais. =p

    E ninguém efetivamente lembra das matérias burocráticas da faculdade. vide Português Instrumental I, a matéria que quase todo formando em ciências exatas esquece.

    =p

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  8. Não acho que a queda do diploma seja o apocalipse da profissão. O mercado continuará como antes. O diploma continuará sendo exigido pelas grandes empresas e apenas alguns "fora-de-série" serão "dispensados" disso. Mesmo assim, quem quiser evoluir na carreira terá de cursar a faculdade.

    Era contra a exigência e felicito o STF; principalmente porque corrigiu-se uma ilegalidade que violava tratados internacuionais dos quais o Brasil era signatário.

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  9. Também era contra.

    Mas uma mudança desse tipo tem que ser pensada, do jeito que está apenas favorece picaretas.

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  10. Contra a exigência do Diploma, diga-se de passagem.

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