[Opinião] Gripe Suína e Omissão.


As autoridades brasileiras em geral estão conseguindo o que querem.

Seja para não prejudicar nosso turismo interno e externo em época de férias ou simplesmente por considerar o H1N1 uma ameaça nossas autoridades de saúde tratam a doença com completo desdém e dão a esta um status quase de "gripe comum", quando na verdade não o é.

Se o H1N1 fosse tão leve assim não receberia da OMS tamanho grau de preocupação e nem teria tantos laboratórios dedicados a elaborar remédios eficazes. Se o H1N1 fosse apenas uma "gripinha" não haveria nenhum motivo de alarde nem preocupação.

O problema do H1N1 é o sua futura mutação. Que sofra mutação e se torne tão nocivo quanto variantes de outros vírus piores, como o que causa a Dengue. Os sintomas, a grosso modo - e pelo que passa na televisão e pelo que li no Portal da Saúde (ver final do artigo). - são excessivamente similares, tanto que apenas um exame de sangue pode constatar qual é qual. E em ambas mata se não tratado adequadamente.

Há sim um risco que o H1N1 mude como mudou o vírus da Dengue (hoje em dia existem, se não me falha a memória, pelo menos quatro variações do vírus) e não se sabe que tipo de reação terão as pessoas que foram infectadas pelo primeiro vírus ou mesmo se o remédio que hoje funciona vai continuar funcionando. Se reagirão de modo similar ou se manifestarão sintomas ainda mais graves, exatamente como o que ocorre com a Dengue quando a pessoa pega pela segunda vez.

No entanto, tanto autoridades quanto imprensa parecem agir tolhidas. Provavelmente motivados e desmotivados por pressões da economia e capital nada fazem para informar a população de todos os riscos. Afinal de contas, é um ano de crise econômica, e admitir o perigo dessa doença vai afetar sensivelmente o turismo e a economia de locais afetados, o que não interessa a ninguém que possa pagar pelo tratamento. Quem não pode, que morra nos depósitos de carne humana que chamam de hospitais públicos como já acontece com a verdadeira gripe comum.

O Brasil foi e continua sendo incapaz de enfrentar doenças transmitidas por mosquitos (como Dengue, Febre Amarela e Meningite), transformando em rotina anual as notícias de epidemias em nossos estados (esse ano foi na Bahia). Agora quando nos deparamos com uma doença de mesmo potencial assassino, só que sem vetor, o que a saúde pública faz? Nada, aliás, faz ainda pior: desdenha do risco.

Espero apenas sobreviver a essa nova irresponsabilidade de nossas pretensas autoridades...

Matéria sobre o vírus exibida em Abril de 2009:


Fonte:
Portal da Saúde
- Influenza A;
- Dengue.
- Mapa Coletivo Influenza A;

Detalhe intrigante, no site do Portal da Saúde, o assunto "Influenza A" está dentro de "Dengue", veja o print abaixo:



Por que será?

6 comentários:

  1. Quando escrevi um artigo sobre a gripe lá no Visão, apareceram os conformados dizendo que ela era simples e matava menos que a gripe comum. O que eles esquecem, é que a gripe espanhola começou exatamente assim. Pouco depois, após uma mutação do vírus, matou mais de um terço da população mundial.

    Com doenças transmitidas pelo ar não se brinca. E os sinais começaram; já surgiram as primeiras mutações que tornaram o vírus resistente aos medicamentos que já existem.

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  2. Dragus, o Brasil já vinha se preparando para uma pandemia há alguns anos quando surgiu a ameaça da gripe aviária. Desde o início o Ministério da Saúde segue à risca todas as orientações da OMS para combater o vírus. O país não só aumentou a vigilância nas fronteiras - que recentemente foi intensificada ainda mais- como também começou a adotar todas as medidas de prevenção necessárias para lutar contra o vírus. O Ministério da Saúde tem consciência da importância desta doença por se tratar de um vírus novo que as pessoas carecem de imunidade e com alta probabilidade de mutação. Por isso que o Ministério da Saúde tem investido ainda mais em comunicação, pois sabe que uma população bem informada é fundamental como medida de prevenção. O Ministério tem feito isso através dos principais meios de comunicação e em debates online de redes sociais e sites de notícias. Para mais informações (Fernanda.rocha@saude.gov.br)

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  3. Dragus, o Brasil já vinha se preparando para uma pandemia há alguns anos quando surgiu a ameaça da gripe aviária. Desde o início o Ministério da Saúde segue à risca todas as orientações da OMS para combater o vírus. O país não só aumentou a vigilância nas fronteiras - que recentemente foi intensificada ainda mais- como também começou a adotar todas as medidas de prevenção necessárias para lutar contra o vírus. O Ministério da Saúde tem consciência da importância desta doença por se tratar de um vírus novo que as pessoas carecem de imunidade e com alta probabilidade de mutação. Por isso que o Ministério da Saúde tem investido ainda mais em comunicação, pois sabe que uma população bem informada é fundamental como medida de prevenção. O Ministério tem feito isso através dos principais meios de comunicação e em debates online de redes sociais e sites de notícias. Para mais informações (Fernanda.rocha@saude.gov.br)

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  4. Isso acredito ser postura de determinado setor.

    Aqui no Rio de Janeiro não se leva a doenção tão a sério, no entanto agradeço o esclarecimento e o interesse de alguém do Ministério da Saúde em comentar a respeito.

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  5. Aliás, espero realmente que seja do Ministério da Saúde.

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  6. Dragus, as medidas de prevenção e combate contra o vírus A(H1N1) estão sendo adotadas da mesma forma pelas Secretarias de Saúde de cada Estado. Inclusive são elas que passam todas as informações sobre casos confirmados para o Ministério da Saúde. O Brasil segue todas as orientações da OMS para ter maior controle sob a doença. Estas orientações são repassadas para cada Estado. Para mais informações: fernanda.scavacini@saude.gov.br

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