[Opinião] Uma série de lições... #Air France.



A vida não prega peças, mas a morte não sabe brincar.

Domingo a noite, enquanto todo mundo se preocupava em assistir pseudo-celebridades decadentes em uma fazenda ou o tradicional - e insípido. - Fantástico provavelmente as pessoas do vôo 447 passavam pela última experiência de suas vidas.

Não há muito o que dizer ou que se fazer alarde enquanto nada for encontrado. Existem inúmeras possibilidades e nenhuma concretização do pior ou do melhor. Há uma chance de alguém ter escapado em botes infláveis do mesmo jeito que o avião pode ter mergulhado no atlântico e agora estar no fundo gélido do oceano. Suspeitas todos possuem.

Neste aspecto me irrita a cobertura da imprensa. Pra vender jornal e atrair tolos (e não-tolos), a cada cinco minutos de ontem bombardearam as pessoas com informações não confirmadas gerando uma sensação de desconforto profunda. Isso é desumano demais. Nem mesmo cruéis ditadores fazem esse tipo de tortura com parentes.

A imprensa precisa ser menos comercial e voltar a praticar jornalismo urgentemente. Os repórteres de agora são donos de uma sensibilidade que faria inveja a Hitler, seja por influência dos anunciantes ou por formação jornalística deformada. Não queria de modo algum e estar na pele dos parentes do vôo 447 ou de qualquer outro acidente aéreo que teve. A imprensa informa uma coisa diferente a cada segundo e não dá as autoridades tempo de sequer filtrar as informações recebidas. E usa imagens de pessoas cujos familiares ainda sofrem com as perdas - provavelmente obtidas de modo não usual. - para fazer sensasionalismo barato.


Os detentores da fofoca paga lançam informações como se fosse lavagem, não se preocupam sequer em apurar se situação X ou Y é procedente ou não. Apenas acusa, e na falta de provas ou da concretização, providencia culpados. Nunca vi uma única vez a imprensa admitir que errou ao acusar alguém, mas já vi diversas vezes admitir o erro mas imbutindo a culpa em informantes ou mesmo em quem acusou. Hoje em dia nem com isso se preocupam mais, afinal de contas, o direito de resposta morreu junto com a lei de Imprensa - em suma: podem acusar sem medo nenhum da retratação pública - ser processado por calúnia e difamação não tem o mesmo peso da humilhação na TV por maior que seja a indenização.

Mas a culpa da mídia ser assim não é apenas da mídia, mas do todo. Se ela vende esse produto, é porque muitos compram. Se todos consumissem música clássica não existiriam outros tipos de música. E investe-se mais no que dá mais retorno. É a lógica do mercado, sempre foi assim. Apesar do impulso gerado pela publicidade e da falta de opção - afinal de contas, hoje em dia todos os jornais compartilham as mesmas manchetes, salvo raras excessões. - editores forçam pautas apenas porque sabem que vende.

E vende por culpa sua, minha, de todos. Porque somos humanos. E humanos podem não admitir: mas a tragédia alheia atrai. A tragédia absoluta atrai completamente. Vide que os programas sempre de maior audiência nunca são os que apresentam propostas ou soluções, mas sim os que mostram o mundo cão. No entanto, ainda que assistamos assoberbados a morte alheia, idolatremos a desgraça do próximo, não podemos admitir. A hipocrisia do politicamente correto não deixa.

Por essas e outras que a humanidade não dará certo nunca...

Um comentário:

  1. É verdade. Um verdadeiro festival de achismos e suposições das mais bizarras.

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