[Conto] Revelações de Jonas: Apocalipse. - Prólogo.

Prólogo da nova saga de Jonas.

Espero que gostem, pois será uma saga bem longe e espero concluir em tempo recorde.

* Agradecimentos especiais ao Rob Gordon, que sem suas referências nos diálogos tornariam alguns trechos menos fiéis. =)



- Não tem como dar errado. – Diz Rômulo, enquanto corta o fio vermelho e o conecta ao relógio.
- Eu ainda estou com medo. Pode dar merda. – Discorda Fábio. – Ainda podem nos descobrir... E como faremos?
- Foda-se! Quem disse que me importo com isso... Quero que vá tudo pro inferno!

Fábio e Rômulo fecham o pequeno pacote e o embrulham como se fosse um presente. Rômulo encosta o ouvido e escuta o tique-taque. Lambe os lábios satisfeito e faminto pelo que fará nas próximas horas. Fábio está uma pilha de nervos. Está completamente apavorado e não quer continuar com isso, mas sabe que não tem volta. Nunca tem.

Entram no Fiat Palio de Rômulo e avançam pelas ruas de São Paulo. O carro prossegue sempre respeitando as leis de trânsito. Rômulo não quer chamar atenção e nem ser parado por tolice adolescente. Fábio observa a paisagem com uma expressão desolada. Na rádio eles escutam uma música de Leandro e Leonardo, “Pense em Mim”, que naquele momento parece soar irônica.
- Fábio. – Fala Rômulo, diminuindo o som da música.
- Fala Rômulo...
- Você sabe porque estamos fazendo isso, não sabe?
- Eu sei... Eu também recebi a carta, mas eu não concordo. Nem sei como conseguimos criar essa bomba! Eu ESTOU COM UM PUTA DE UM MEDO . Só te conheci porque na carta me dizia para te procurar. E, MEU, olha onde estamos indo! O que vamos fazer?
- Não seja negativo... Não estamos com uma bomba, o que carregamos é pura e benévola providência divina. Lembre-se, na carta disse que nossa missão libertaria nossas almas. O apocalipse está perto! Está escrito...
- Será mesmo, será que nós não somos esse apocalipse?
- Se esse for o desejo de Deus, então serei.

Rômulo aumenta novamente o rádio. A música mudou, e agora uma música antiga de toca. “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, na voz de Zé Ramalho. Rômulo sente-se estimulado pela canção que parece motivá-lo ainda mais. Fábio lagrimeja, não se sente confiante. Muito pelo contrário. No fundo, sua alma sabe o que o espera. A morte tem um odor muito forte.

Em pouco mais de meia hora chegam finalmente ao Aeroporto de Congonhas. No saguão principal as pessoas caminham tranqüilas e não sabem de nada. Fábio e Rômulo vão direto até o banheiro do aeroporto. Fábio lava o rosto ainda mais nervoso e sua muito. Rômulo carrega o presente em uma sacola da Casa & Vídeo, assobiando e cantando calmo.
- Porra, Fábio... Assim vai dar merda! – Reclama Rômulo.
- Eu estou nervoso, caralho! – Berra Fábio, quase deixando Rômulo derrubar o presente. – Vamos embora. Por favor!
- Desistir? – Diz Rômulo, com um sorriso doentio.

No segundo seguinte Rômulo saca uma pistola .22 com silenciador e aponta para a cabeça de Fábio. Fábio só compreende o que acontece quando cinco balas lhe atingem. O primeiro tiro acerta seu olho direito, o segundo sua bochecha, fazendo sua cabeça dar um leve tranco instintivo para trás. Os demais tiros acertam seu peito. Fábio ainda tenta esboçar algum movimento se apoiando na bancada do banheiro, mas cai com lágrimas de sangue no chão do banheiro.
- Tolo. – Fala Rômulo, enquanto dá um sexto tiro, esse entre as pernas de Fábio. – Eu te trouxe aqui pra morrer... Enquanto os “prego” estiverem me prendendo o pacote vai ser enviado. Dá um abraço pro capeta e diz que to chegando... Tudo estava escrito... Que Deus guie sua alma como guia a minha.
- Amém.

Rômulo não consegue ver ou reagir ao dono da voz. Seus miolos estão espalhados no espelho do banheiro antes de observar seu assassino. O barulho desse tiro ecoa por todo o aeroporto e assusta todas as pessoas. A correria começa e o pânico permite que um misterioso homem de sobretudo negro caminhe entre as pessoas com uma calma nítida. Debaixo do braço esquerdo um pacote em uma sacola da Casa & Vídeo.

No rosto um largo sorriso da satisfação do dever cumprido.

Um soldado sempre cumpre sua missão.

Sempre.

Continua... Aqui.

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