[Cotidiano] Furadinha.

Não é segredo que estou em uma Cyber Café do Rio de Janeiro. Também não é segredo de quem me conhece que sou aquilo que chamam de pararaio de maluco. Obviamente não sou um pararaio como o Rob Gordon, que por sinal sugeriu-me colocar aqui essa situação, mas de vez em quando surgem algumas figuras, como essas...

Hoje está sendo um dia vazio aqui na Cyber Café, como acontece em começo de mês quando as pessoas só vão receber na segunda seguinte. Um dia minguado e tedioso. Eu estava escrevendo um futuro conto que colocarei aqui (quem sabe, mas só quando completar o conto), quando escutei o som das escadas.

Abro a porta e entra um homem com um olhar nada sóbrio. Não aqueles olhares de quem bebeu, mas o olhar de quem tem álcool em lugar de sangue no corpo. Ele olha pra mim e olha pra escada.
- Esquece! aqui é uma lan house! - Diz o homem.
- Como? - Pergunto.
- Aqui é uma lan house?
- Sim.

Entra um segundo homem, gordinho e de carinha de feliz. Pareceria um ursinho carinhoso, mas um proveniente do colo do capeta.
- Aqui não tem puteiro não? - Pergunta o segundo homem, sem papas na língua, mas babando como se tivesse.
- Olha, no prédio não tem puteiro. - Respondo.
- Sabe como é. Tava a fim de dar uma furadinha rapidinho... Não sabe onde tem um puteiro não?

Pausa mental: Os dois observavam para o vidro preto que tem aqui na sala, que esconde o depósito da Cyber, e procuravam algo. Provavelmente desconfiavam que atrás do vidro tinha alguma puta os esperando. Se eles curtem cabo de vassoura, comida fria e consertar pia quebrada, encontrariam o que procuram.

- Tem como nos indicar um puteiro aqui na rua? - Diz o segundo homem.
- É, aqui não é a Buenos Aires 82? - Insiste o primeiro.
- É, mas aqui não tem nenhum puteiro. - Respondo, insistindo na tese, mesmo percebendo que eles não acreditam.
- Se não é aqui onde é?
- Olha eu sei que tem um puteiro aqui. - Fato, muitos de meus clitens vem fazer seu pré-furada aqui, porque estão na fila de alguma sobrinha da Augusta (jeito paulista mode). - Deve ser na região (gesticulo como se estivesse mostrando o mundo, girando os braços).

Insatisfeitos os dois aventureiros saem.

E meu dia retorna ao marasmo tradicional... Ou não.

E copiando descaramente o Rob, coloco cinco indagações que me faço a respeito:
1- Sabia que o horário de almoço era abrangente, mas não tanto;
2- Definitivamente as putas merecem todos os benefícios que um emprego merece. Até mais. Feiúra se resolve fechando o rosto, mas eles fediam. Demais;
3- Devo ter cara realmente de diretor de filme pornô. Eles não acreditaram em mim o tempo todo;
4- Preciso colocar um letreiro com luzes luminosas... Pensando bem, melhor não;
5- Observo o vidro escuro do depósito e penso no apelido carinhoso que um amigo deu pra ele: matadouro. E entendo porque. =/

5 comentários:

  1. "Provavelmente desconfiavam que atrás do vidro tinha alguma puta os esperando."


    Sensacional! Imagino os caras olhando na direção do vidro, procurando qualquer coisa que lembrasse uma silhueta feminina ali!!!

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  2. Putaria por putaria, você podia ter dado o endereço do covento das carmelitas...

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  3. ainda bem que vc escondeu o "segurança" hahahaha

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  4. Se não te conhecesse e já tivesse visto algo mais ou menos igual antes, juro que ia achar a história fake .

    Depois das provas darei uma passada no seu trampo. Sei que to devendo, mas pagarei a dívida.
    Abraço ae !

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  5. Essa foi ótima! Imagine a fedentina dos caras e a sua cara meio de nojo, meio de supresa ao deparar-se com a pergunta fatídica.

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