[Crítica] Harry Potter, O Enigma do Príncipe.



No dia 17 de Julho de 2009 estreou Harry Potter - O Enigma do Príncipe no cinema depois de algum atraso.

A trama incorre levemente no que é seguido no livro. Se você leu o livro, esqueça completamente tudo que sabe. É um outro filme, do livro tem pouco mais que o título. E fique feliz com isso.

O diretor e sua equipe concordaram em omitir partes e alterar outras para tornar o filme mais comercial, e obviamente aproximar um pouco de outro atual sucesso adolescente, Crepúsculo. O que resulta é um filme bom para quem não leu o livro, ou nem se lembra, e um filme corrido e ruim para quem leu.

O filme começa muito bem. Ele parece ser ágil, a destruição que ocorre na Inglaterra é bem representada. Você sente a tensão e o clima pesado na comunidade de bruxos. O Harry acompanhando Dumbledore para buscar um novo professor dá esperanças de ser um filme ótimo. E para por aí.

A preferência pelo desenrolar dos conflitos amorosos em detrimento da história criou um filme que vai agradar um determinado segmento de público. A própria razão de ser, o título, fica relevado a segunda instância no filme. Enquanto o trio Harry, Rony e Hermione investigam a origem do termo Príncipe Mestiço no livro, a coisa não funciona assim. O livro é praticamente um coadjuvante esquecido (como assim foi o elfo doméstico Dobby, lembram dele?).

Pelo menos dessa vez teve quadribol. E eles voltaram a usar uniformes, mas as roupas trouxas continuam em uso na escola de bruxos. A escola está bem caracterizada, mas de resto é só isso.

O filme tem um ritmo corrido ao mesmo tempo em que enrola. O nada que acontece se prolonga demais e chega a irritar (mas se você gostou de Crepúsculo, vai gostar dessa enrolação). O conflito de Draco é pouco explorado, não dá para se emocionar com seu dilema nem mesmo quando chega em seu ápice, a não ser que você seja uma manteiga derretida que chora até com as cenas tristes do Programa Raul Gil.

A grande cena, o clímax, o "wow!" do filme, ocorre de modo tão diferente que no livro que é recomendável não ler o livro depois do filme ou esquecê-lo sumariamente como se tivesse a capacidade de colocar suas idéias em uma penseira e apagá-la da origem. A chance de se sentir o corno da relação é grande. A cena anterior a essa, que no livro é morna - mas boa. - torna-se a mais próxima do que se pode dizer "ação" do filme.

No entanto há quem goste. E quem gostou não leu ou não lembra do livro - a vantagem de terem atrasado o lançamento: a maior parte do público esqueceu o que leu, o que ameniza críticas.

Eu não gostei, tanto como filme quanto como adaptação. O final me revoltou tanto que saí do cinema ainda mastigando e remoendo tudo que vi, o que foi minha maior decepção em 2009.

No final, tudo que passei semanas atrás não valeu de nada.

Se quer tirar a prova, boa sorte.


Trailer:

4 comentários:

  1. Meu camarada!

    A pior coisa que se pode fazer é ler o livro e ver o filme baseado nele. As histórias parecem ser completamente diferentes (rs).

    Leia Papillon e depois veja o filme.
    Leia O Dia do Chacal e depois veja o filme.

    Parecem coisas completamente deiferentes.

    Hoje, depois de muito apanhar e me remoer como você, só faço uma ou outra coisa; jamais as duas.

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  2. Como meu blog é sobre filmes... vim olhar também esse cantinho seu.

    Se quiser compartilhar seu texto, ficarei feliz em publicá-lo lá. Darei todos os créditos, inclusive linkando seu blog.

    Ficarei aguardando uma resposta.

    Sobre uma outra versão do livro para o filme... um outro mais recente, foi com o Caçador de Pipas. Tanto que na minha análise do filme eu friso que deram uma mais suave para atingir o público infanto-juvenil. Pois se seguissem à risca, creio que receberia: Censura 14 anos.

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  3. Poder publicar, pode sim.

    Depois quero ver como ficou no seu site. =)

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  4. Grata, Dragus!

    Vou levar seu texto, então.
    Com todos os créditos.

    Beijo,

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