[Opinião] Quem tem cu, tem medo.

Nos últimos dois meses, pelo menos, a Imprensa tem feito uma verdadeira operação de desmanche da pouca imagem benéfica que ainda existia em nossos poderes.

Já se tornou de conhecimento comum que o STF apenas julga para apadrinhados. Que emite habeas corpus em velocidade supersônica - e diga-se de passagem, inconstitucionais ao atropelar o andamento jurídico previsto na constituição. - e até mesmo proíbe a polícia de algemar suspeitos presos só porque porque a Polícia Federal fez bom uso da televisão exibindo muitos criminosos da caneta indo para onde não deveriam sair.

O tempo todo, desde que o Governo Federal assumiu, que a imprensa apenas destaca o lado negativo do Presidente. Qualquer coisa que aconteça no País é de alguma forma culpa do Governo Federal, é ataque sobre ataque, com bombas lançadas tantas e tantas vezes que o efeito desse denuncismo inverteu-se e gerou uma blindagem em torno da figura pública que o torna simplesmente um "coitadinho", até porque acusa-se muito, prova-se pouco. A mídia deveria estudar mais "realitys shows" para ver como o povo reage aos atacados quase sempre. Ainda mais um que dá dinheiro aos miseráveis.

Anos atrás a mídia fez um enorme esforço para derrubar toda a cúpula do PT de São Paulo. Lançou te manhas e artimanhas para atingir a todos que pudessem causar danos. Nesse cai-não-cai foram José Dirceu, José Genuíno, Palocci e uma série de outros personagens que perderam poderes e mandatos. Só que no entanto voltaram na mesma eleição fortificados pelo poder do voto.

Agora a bola da vez é o Senado. Sarney é um político antigo? Sim. Ele representa o que há de pior na política? Sim. Tem como combatê-lo? Não. Ele pode renunciar hoje, que ano que vem volta como Senador ou Deputado, como ocorreu com as figuras petistas acima e com outra figurinha tarimbada, o Severino Cavalcanti. Não tem como combater no Sudeste um político que controla um estado inteiro, desde suas cercanias físicas até mesmo o TRE (pois a presidente de lá é ligada a família).

Como disse o Rob Gordon, no artigo anterior, não adianta querer que ele renuncie. A renúncia não vai resolver nada. Não vai solucionar nada. No Brasil a renúncia de um político é uma arma. Ela impede e interrompe imediatamente processos por quebra de decoro, cujos resultados podem ser bem mais danonos (como perda temporária de direitos políticos). Renúncia é lucro sempre. E o tipo de renúncia que desejam do Sarney, a da presidência do Senado, é um artifício simbólico e sem nenhum resultado prático além do de sempre: jogar a sujeira pra debaixo do tapete.

O que desejaria sinceramente é um compromisso do Senado pela investigação e, principalmente, pela punição. Um compromisso em gerar leis que efetivamente punam ilícitos e que não estimulem o nascimento e a manutenção de corruptos em todas as camadas da sociedade. Entendo no Maranhão uma figura como Sarney ser eleita, afinal de contas ele tem chumbo. Mas não é compreensível o mesmo que ocorre no sudeste, onde figuras como Garotinhos e Malufs são eleitos e reeleitos mesmo quando condenados.

O sistema em si favorece isso. Uma pessoa honesta não consegue oportunidade para se candidatar porque os partidos políticos obtém mais votos com um Frank Aguiar do que obteriam com um Martin Luther King. A lei e as regras políticas precisam mudar, principalmente o eleitor.

Mas o problema é que o brasileiro - e me incluo nisso. - tem medo de que as coisas funcionem. Ninguém quer ceder. Ninguém vai ceder. Ninguém vai faltar ao precioso trabalho para protestar. Nenhum patrão dará folga para protestar. Nenhum patrão vai protestar. Nenhuma força sindical vai se manifestar porque a CLT pode mudar e eles perderem seu tico-tico. Nenhum país vai se preocupar enquanto puder nos sugar sangue e a alma por todos os meios possíveis. Ninguém se levanta do sofá.

As novelas, os jornais, enfim, a mídia alienou tanto nossos jovens nos alimentando por jornais, rádio e televisão com valores distorcidos e medos subliminares que uma população que, entre 64 e as Diretas, parecia esboçar alguma espécie de potencial de lutar por algo simplesmente apagou-se. Os filhos e netos dos que lutaram contra a Ditadura só tem capacidade de lutar por bens materiais ou por mais seguidores no Twitter. De colocar um "#forasarney" e realmente acreditar que fez a diferença, que só isso basta. De marcar um protesto em um horário completamente incompartível com a realidade.

Minha própria família me olha com cara feia quando falo em protestar presencialmente. Quando elevo a voz e quero incitar as pessoas a lutar. Até mesmo amigos. 99% deles. Quando estou na Barca de Paquetá e vejo algo errado tenho que engolir a reclamação, o protesto, porque as pessoas em volta de mim desistiram de lutar e não querem que eu pague mico. Lutar pelos seus direitos, pelo certo é passar vergonha. Ser honesto é ser otário, lutar pelos direitos é passar vergonha.

De tanto que se bate na vontade, ela cede. A minha cedeu.

Eu tenho vergonha. E medo pelo futuro.

Porque tenho cu e a sociedade continua me fodendo.

Se isso é a democracia... Pelo amor de Deus, quero uma ditadura.

6 comentários:

  1. Infelizmente, sem que essa consciência se espalhe, você estará eternamente certo e será impossível limpar a nossa política.

    O brasileiro deve entender que o fato de existirem tantas falcatruas realizadas por políticos é culpa exclusiva DELE.

    Afinal de contas, quem reelegeu Maluf, Sarney, Collor e tantos outros picaretas comprovados e conhecidos?

    O eleitor tem de parar de se acharum coitado iludido e perceber que é o principal vilão da história.

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  2. Só cagou no final pedindo um ditadura.

    E tenho dito.

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  3. De fato, eleitor não é vítima, é o principal culpado.

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  4. Buchecha, dadas as opções onde temos 160 milhões de vilões e na Ditadura apenas um.

    Prefiro um só.

    Nem caguei não, não dentro do contexto do artigo.

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  5. Gostei do texto, tirante o final.
    Acho que é um dever nosso, procurar , discutir soluções .A culpa é do brasilero. Tá certo . Precisa melhorar a educação para todos.Tá certo .Mas para isso , precisa um Governo sério .Não seria o caso de uma Reforma Política , discutida e votada pela sociedade ?

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  6. Paulo, quem elege o governo é o povo.

    Se o povo não votar sério, não elege sério, como disse também o Arthurius.

    Na democracia o poder vem de baixo. Povo fanfarrão, tem representantes fanfarrões. Democracia não é direito, é conquista.

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