A guerra das máfias.

Intriga, ódio, boatos, fotos comprometedoras, vídeos impositores, ausência de fatos, excesso de versões, destruição de vidas e demonstrações de tudo aquilo que há de pior no ser humano. Um jogo de influências pérfido, onde sempre quem ganha não é o mais honesto, mas quem puxou o tapete primeiro. Um pega pra capar sem fim onde quem perde é quem não tem nada a ver com a situação.

Obviamente falo de mim e de você.

Pensa que estou falando de algum filme do Godfather? Ledo engano. Nesse momento enquanto teclo essas mínimas linhas em meio ao que se considera o Quarto Poder da Democracia Brasileira uma verdadeira guerra é travada por meros pontos de audiência e muito, mas muito, jogo de influência nisso.

Essa semana a Globo, liderada pelo Clã dos Marinho decidiu sair da platéia da guerra velada entre o Clã Abravanel e o Clã Macedo na disputa pelas migalhas da segunda colocação da audiência brasileira. Movida por motivos obviamente econômicos (pois a divisão da audiência em 3 polos não interessa a quem controla o dinheiro da publicidade televisiva nacional) fez com que o todo poderoso Clã Marinho decidisse intervir na disputa e minar as forças do concorrente que julga mais ameaçador.

Diga-se de passagem, em um passado muito distante - e que as famílias envolvidas se esquecem. - os capos das Famiglia Marinho e Abravanel cruzaram as mesmas portas e trocavam afinidades. Não eram famiglias amigas, mas ao menos aliados. Os Abravanel sempre se contentaram com os restos dos Marinho, consolidando um segundo lugar de audiência e impedindo outras emissoras de galgarem degraus por métodos desconhecidos.

No entanto as famílias dominantes não esperavam que um outro mafioso, proveniente do mercado de fé (um mercado que movimenta milhões - para não dizer trilhões), decidisse controlar o mercado da informação e ousasse comprar para seus próprios interesses uma pequena emissora de ópio televisivo.

Enquanto a Famiglia Marinho chegou onde está por seus acordos políticos com ditadores ou governantes de pensamentos eloquentes - mas nunca nobres, tenha certeza. - a nova Famiglia seguiu o caminho da fé. Fé no dinheiro. Fé no desespero humano. Fé na ignorância do povo. Utilizando do santo nome em vão (coisa na qual outras religiões milenares são especialistas) conseguiu financiar seu ideal de combate ao duopólio da informação. Recentemente seus esforços começaram a minar as duas famílias tirando o Sangue de Cristo (leia-se: dinheiro) de suas veias.

Se a rede de informações da Famiglia Macedo tem audiência, tem público, e tem o mesmo teor pasteurizado das demais, porque pagar mais na rede de informações dos Marinho e Abravanel? Ratos sempre abandonam barcos em busca do queijo alheio. E o queijo estava com Deus!

Enquanto as Famiglias dominantes contavam apenas com seus esforços políticos para dar garantias a fornecedores, a Famiglia Macedo contava com Deus, aliás, com seu povo. É impossível enfrentar algo que possui uma fonte aparentemente inesgotável de recursos. Desespero humano nunca acaba, e quem sabe vender ilusões tem uma vida inteira de doces realidades às custas dos outros.

E aonde quero chegar com isso? A lugar nenhum, e ao mesmo tempo em todos... Na guerra na qual as três maiores emissoras de televisão estão se envolvendo não sairão vencedores. Porque a concorrência é boa quando é salutar, mas do jeito como está, sem regulamentação moral (e não falo de lei, falo de algo que vem do berço: ética), enquanto existir bala na agulha elas serão disparadas de ambos os lados, mesmo que você, telespectador no final de tudo seja o grande derrotado.

Porque os três não querem melhorar nada além de seus próprios bolsos e egos.

Nessa luta o que menos importa é a verdade. O telespectador.

E quando a imprensa se perde, ganham os vilões.

Pense bem até quando ver jornal.

A que ponto chegamos...

Para quem não entendeu:
Famiglia Marinho = Rede Globo;
Famiglia Abravanel = SBT;
Famiglia Macedo = Record.

3 comentários:

  1. Como admirador da Saga dos Corleone, venho aqui dar o meu protesto veemente diante de tal afronta: Colocar a imagem do "Padrinho" e ligar seu nome e o nome de sua família a essa corja de pilantras da fé e da mídia.

    Os Corleone exijem desculpas!

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  2. Enquanto lia o texto (ótimo, vale dizer), fui bolando um comentário na mesma linha do Arthurius.

    Quase uma afronta ligar a imagem de um homem de honra ao nome desses outros.

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  3. Indiquem uma foto melhor e troco, em respeito as suas reclamações. =)

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