O que você pode esperar?



Hoje está (ou estava) marcada mais uma blogagem coletiva em mais uma das infinitas manifestações de sofá que estão surgindo pela internet desde que os escândalos envolvendo o senado começaram.

Novamente a pressão é que Sarney renuncie, que o senado se moralize e todo aquele blábláblá insólito e utópico que enquanto não sair dos monitores dos computadores ou ao menos se manifestar em urnas vai continuar sendo apenas ladainha. Cheia de boas intenções, mas ainda assim uma ladainha.

O único resultado prático nessa campanha será o ganho pessoal em links e trocas de parcerias dos blogs e personalidades envolvidas. Apesar de todas as boas intenções de boa parte dos envolvidos, no final o que resta desses movimentos é a sórdida troca de interesses, fortalecimento de panelinhas e similares.

Não vai ser postando em milhões de links ou enviando e-mails (facilmente bloqueáveis com códigos anti-spam, diga-se de passagem), que a mentalidade de nossos governantes vai mudar. Em uma democracia nos moldes como a nossa, onde a maioria absoluta decide, a mudança somente pode vir debaixo para cima e não de cima para baixo.

Nossos governantes, como sempre digo e é verdade, refletem nossa própria nação.

Quando você come uma bala e joga o papel no chão, você é naquele momento a autoridade que repudia. Você se torna o monstro. Do mesmo jeito isso ocorre quando você está em uma roda de amigos, um deles argumenta sobre política e há o repúdio ao que diz porque não querem saber de política. Nesse momento você age como aquele que sabe que tem algo errado, sabe do erro, mas prefere se omitir porque "não sei de nada". Ou quando pega o troco errado e mesmo percebendo a tempo de se corrigir ainda assim o faz, e o pior, conta vantagem disso e é idolatrado como o "esperto".

Não adianta de forma alguma escorraçar publicamente qualquer autoridade mandante, e esperar que ela faça algo além de rir da sua cara com os amigos. No máximo vais ganhar um processo dependendo dos seus termos (ou até não, como vem se tornando freqüente). Existe uma diferença muito grande em emitir opinião (o que pessoas como a Iza, o Rob Gordon ou o Arthurius fazem) e agir. Na democracia, o máximo que podemos fazer é conscientizar, mas o ato, a atitude em si, apenas podemos exercer pelo poder do voto. Na urna.

Quer mudar algo, mude primeiro a si mesmo, depois pense no resto.

2010 vem aí.

Não faça mais cagada.

2 comentários:

  1. O que nos falta é coragem para ir a luta.
    Na década de 80, quando eu era adolescente existiam muito mais jovens com consciência política.
    Os programas de televisão eram mais saudáveis.
    Na escola aprendíamos a amar a pátria.
    Hoje, já nem sabem por onde anda a Bandeira Nacional, esta deve estar mofando na maioria das escolas.
    Não há mais preocupação entre a maioria das famílias quanto a formação política de seus filhos.

    Quando decidi participar da blogagem, não queria dizer apenas, fora Sarney. Quero que toda a classe política no Brasil seja renovada.

    Ainda acredito que esta dentro da escola, o caminho mais rápido para esta renovação, da escola para a família e da família para a nação.

    Devemos lembrar que os jovens ainda não estão com o pensamento totalmente formado. O que professores e pais devem fazer é deixá-los enxergar o Brasil como ele realmente é e suscitar neles o desejo de mudança. Só assim poderemos ter a esperança de uma sociedade ideal e respeitável.

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  2. Concordo em parte. Sem dúvida os protestos apenas no mundo virtual não exercem a mesma pressão do que no físico. Um complementa o outro.

    Já escrevi sobre isso num artigo onde comentava que a internet é importante como forma de organização e operacionalização dos protestos. Mas é de fundamental importância que o povo vá para as ruas.

    Mesmo os e-mails dando resultados (e eles dão; quem assiste a TV Senado sabe que eles são continuamente comentados no plenário) o objetivo só poderá ser completamente alcançado com o pé no chão e o povo na rua.

    Da mesma forma que é impossível vencer uma guerra só com ataques aéreos e sem combater no solo; e´impossível obter vitórias políticas sem mobilizar as massas nas ruas.

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