[Paquetá] Rotas de Pouso podem passar para a Baía de Guanabara.



Essa é uma notícia que interessa mais a Paquetá que ao resto do mundo...

Segundo notícia divulgada hoje existe uma possibilidade real e assustadora de que os aviões que passam pela cidade do Rio de Janeiro para pousar no Santos Dumont passem a pousar utilizando a Baía de Guanabara, como já ocorre com vôos para o Aeroporto Internacional, o Galeão.

A alegação dos moradores afetados (no caso, Copacabana, Botafogo, Urca, etc) é que o barulho dos aviões ultrapassa o limite tolerável de emissão sonora. Uma enorme verdade. Quem mora perto ou transita por área de aeroportos sabe o quão ensudercedor é. Quem mora na Urca, onde os morros fazem o som ecoar, sofrem ainda mais (tenho conhecidos ali, e todo avião que decola gera um ecoar que treme todo o prédio).

Até aí, no que afetaria Paquetá?

Para poupar seus preciosos ouvidos, e amparados por laudos técnicos, as associações de moradores pedem que as rotas de pouso e decolagem do Santos Dumont sofram alterações que distanciem o barulho, basicamente levando pousos e decolagens para a Baía de Guanabara.


Paquetá já é parte das rotas do Galeão, como pode ver pela imagem acima que tirei no Google Earth, as duas pistas do Internacional passam exatamente em cima da Ilha. Dependendo do rodízio, os aviões obrigatoriamente passam por cima de Paquetá, e geralmente é a noite.

No entanto, o problema maior não está nos aeroportos e em suas rotas de tráfego. Nunca esteve. A tradicional solução do sofá (quando descobrimos que nossos companheiros tem amantes no sofá, trocamos o sofá) não trará melhorias nem a Paquetá e nem aos demais bairros, até porque o problema não está no sofá (aeroportos).

O problema é que nossas companhias aéreas, por falta de regulamentação no setor brasileiro (falha da ANAC, óbvio) nunca instalaram em seus aviões kits de insonorização, ou ao menos compraram modelos menos barulhentos. Por serem mais caros, apenas.

Vamos a uma historinha: Em 2000, o Parlamento Europeu ditou uma série de regras estabelecendo limites sonoros e duras restrições a aviões civis que emitam mais barulho do que permitido em suas leis. Um avião barulhento, na Europa, simplesmente não voa. Em detrimento disso a indústria, para não perder rotas lucrativas (leia-se: EUA >> Europa >> EUA), adaptou-se. Aviões mais barulhentos, cuja instalação de kits de insonorização sejam inviáveis economicamente - e com resultados insatisfatórios. - foram vendidos. É aí que entra o Brasil. Empresas brasileiras compraram essa pseudo-sucata européia e colocaram em circulação para vôos domésticos (porque para internacionais mais caros não podem) ou para países latinos. Como aqui não existe interesse (até por falta de lobby) de uma mudança no setor doméstico, não houve reação alguma ao aumento do barulho dos aviões.

Agora, vemos o aspecto ridículo da coisa.

Na Europa e nos EUA, países com muito mais vôos domésticos que no Brasil, com aeroportos em seus grandes centros econômicos e culturais, onde se anda muito mais de avião porque os próprios governos estimulam o uso de transportes alternativos aos terrestres tradicionais brasileiros (ônibus e carro) para diminuir gastos em manutenção das estradas. Na Europa então, com verdadeiros conglomerados e estufamentos urbanos, não há rotas para mudar a direção.

Imagina, por exemplo: mudar a rota do Aeroporto de Orlando.

Aliás, pulando o questionamento coerente de se querer girar o aeroporto para adequar a pista a gostos humanos, ou mesmo considerar com seriedade a insanidade de exigir que os pilotos façam acrobacias para pousar, observem o mapa abaixo:

Sim, o Aeroporto de Orlando é cercado de cidade. De áreas urbanas. Poderia também citar Congonhas, em São Paulo, mas quem lembraria do Aeroporto que existe no coração da Capital Paulista? Eles convivem diariamente com o vai-e-vem ensurdecedor das centenas de vôos que ocorrem. A única diferença entre Congonhas e o Aeroporto de Orlando é a lei.

Lá, aviões barulhentos não voam. Lá as empresas aéreas possuem normas rígidas em relação a normas de emissão de sons, para justamente permitir as populações das cercanias que vivam. E se descumprirem algo, a possibilidade de seus donos serem presos é grande, mas é certo que serão multadas. E bem multadas.

Em suma, não adianta mudar os aviões que pousam no Santos Dumont de direção, em algum momento ele terá que passar próximo para pousar, o formato das pistas exige isso para que as pessoas sobrevivam ao vôo. Isso sem contar o rodízio da direção de pouso e decolagem, para evitar desgaste das pistas e posteriores ondulações.

Mas a verdade é que a solução dada será a mais tupiniquim. Dar-se-á jeitinho ao invés de corrigirmos o que está errado. Como viram no mapa que mostra Paquetá, há um cruzamento perigoso nos aeroportos, logo, para que sejam satisfeitas a exigências de rota, os aviões terão que fazer uma pequena curva para pousar e conhecendo a sorte da Ilha, adivinhem por onde passará essa nova rota de pouso?

Portanto, que Paquetá se prepare para a a barulheira vindoura.

E que vença mais uma vez a omissão das autoridades e a ignorância da pressa.

Até quando?

[Atualização] Não esquecer o lado político-corrupto da coisa: por causa da copa de 2014, 0 Governador Sérgio Cabral e o Governo Federal querem desativar o Santos Dumont e privatizar o Galeão. Para isso acontecer o Santos Dumont precisa se queimar muito. Apenas um detalhe pequeno adicionado na questão toda.

3 comentários:

  1. Adendo: Enquanto isso em Brasília...

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  2. Moro em Icaraí - Niterói e trabalho na Praia de Botafogo. Percebi este último mês diminuição grande no barulho de aviões em Botafogo e Grande aumento em niterói, essencialmente Área residencial e de Escolas. O barulho dos aviões é muito grande e começa as seis horas da manhã. Ou se seja, cobriram um coberto e descobriram outro. Prejudicaram a paz dos niteroienses e acho que temos que reclamar também

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  3. Diminuiram os vôos pousando por cima de Botafogo e aumentaram muito a rota de pouso por Niterói, por cima de prédios residenciais e colégios, desde as 6:00 hs da manhã. Os niteroienses têm que reclamar. Cobriram um Santo e descobriram outro.

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